
Há algum tempo o usurpador Michel Temer resolveu utilizar o Exército no Rio de Janeiro. A justificativa que ele deu foi a necessidade de restabelecer e/ou reforçar a segurança pública. O resultado dessa decisão não foi compreendido em toda sua plenitude.
A visibilidade do Exército nas ruas reforçou o discurso político de Jair Bolsonaro e de Wilson Witzel. O resultado eleitoral confirmou a percepção geral de que Michel Temer pretendia mais interferir na eleição do que melhorar a segurança no Rio de Janeiro. Mas essa é apenas uma das consequências.
Ao ocupar um território supostamente controlado pelo crime organizado, o Exército abriu caminho para que ele fosse controlado pela milícia. Apesar de usarem o terror como instrumento político de controle populacional e de extorsão de ‘tributos’, os milicianos não foram incomodados pelos militares. Witzel disse recentemente que a milícia não é o que existe de pior no Rio de Janeiro, confirmando a tendência do poder público de institucionalizá-la de alguma maneira.
Tudo bem pesado, podemos concluir que Michel Temer transformou temporariamente o Exército brasileiro numa tropa auxiliar da milícia. Em razão de suas relações com os milicianos, Jair Bolsonaro foi beneficiado duplamente. Além de ter sido eleito presidente, no Rio de Janeiro ele pode usar uma força de ataque que foi beneficiada pelas operações de limpeza do Exército. Nunca é demais lembrar que a milícia não está sujeita nem aos limites da Lei, nem à hierarquia estrutural das Forças Armadas.
O medo de expansão do poder miliciano tem funcionado como um freio e delimitado espaços dentro do campo político. A realpolitik obriga a esquerda a lutar desesperadamente contra a liberação da compra e venda de armas de fogo. O propósito de Bolsonaro parece ser expandir o modelo carioca para diversas regiões do país, especialmente para as áreas rurais em que ele é considerado um mito pelas hordas de ruralistas que já começaram a matar índios e sem-terras.
No Rio de Janeiro não há conflito entre a PM e a milícia. Onde a milícia é confrontada por gangues de criminosos, os últimos são exterminadas pela polícia (e/ou pelo Exército) com ajuda dos juízes que raramente condenam o assassinato quando ele é praticado por policiais (e/ou militares). Na prática o Judiciário também está sendo transformado num apêndice do câncer político que cresceu descontroladamente no Rio de Janeiro e que ameaça se expandir pelo Brasil inteiro.
A influência da milícia no Rio de Janeiro está se tornando profunda e permanente. Além de cobrar diversos tipos de ‘impostos’ dos moradores dos bairros que controlam, os milicianos já prestam serviços, autorizam a pesca ilegal e contam até com alguma legitimação no Tribunal de Justiça daquele estado https://www.diariodocentrodomundo.com.br/desembargadora-que-difamou-marielle-impediu-demolicao-de-predios-irregulares-na-regiao-dominada-pelas-milicias/. O céu é o limite. Sempre que operam nas favelas, os helicópteros da PM do Rio de Janeiro nunca colocam em risco as tropas e os negócios das milícias cariocas.
O poder miliciano já tinha alguma influência no Exército brasileiro, no governo do Estado do Rio de Janeiro e no TJRJ. Esta semana o STF reconheceu oficialmente a existência desse poder pós-constitucional, pois Dias Toffoli sacramentou um acordo com o chefe supremo dos terroristas cariocas que nas horas vagas atua como presidente da república.
Não é difícil imaginar o futuro. Mas antes de fazer isso precisamos mencionar o último elemento complicador desta mistura explosiva entre o terrorismo tolerado pelo poder público e a decadência ética, moral e institucional do Sistema de Justiça brasileiro. Onde quer que operem, os milicianos protegem os pastores (alguns deles lavam dinheiro da milícia, outros se tornaram traficantes de armamentos) e atacam os líderes das religiões que consideram inimigas.
Na prática, a milícia já opera como se pudesse dizer Direito e impor a submissão a uma única crença religiosa. Esse duplo evangélico do Estado Islâmico está se expandindo no Rio de Janeiro exatamente como seu modelo cresceu dentro da Síria. Ninguém deve ficar surpreso se em breve começarmos a ver padres e umbandistas sendo degolados diante das câmeras de TV após a leitura de sentenças de morte impostas pelo TMRJ (Tribunal Miliciano do Rio de Janeiro).
A estudantada nas ruas certamente amedronta essa gente. Portanto, será necessário que os estudantes continuem disputando os territórios que as milícias pretendem controlar de maneira permanente quando eles estão em casa, na praia ou, pior, dentro das Universidades Públicas que o chefe supremo do Estado Terrorista Evangélico Tupiniquim pretende destruir com ajuda do presidente do STF.
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