15 de junho de 2026

Secretário de Segurança diz que “não há novidade” para agir sobre violência policial

Alexandre de Moraes disse que não houve “nenhum cerceamento” da PM, que delegado atuou por “opinião” própria e que não foi escoltado, apenas “pegou carona” em carro de polícia
 
Jornal GGN – O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, afirmou que “não há nenhuma animosidade” entre a Polícia Militar e a Polícia Civil e que “não há nenhuma novidade” que justifique alguma ação da Secretaria no caso do delegado Raphael Zanon, da 13a Delegacia de Polícia, que foi ameaçado após ordenar a prisão do sargento Charles Otaga, por prática de tortura. A declaração ocorreu em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (22). 
 
Alexandre de Moraes ainda afirmou que não houve “nenhum cercamento no local” por policiais militares, que supostamente retaliaram o delegado pela prisão do PM. De acordo com informações divulgadas pela imprensa, os PMs ameaçaram “ir atrás do delegado em sua casa ou de sua namorada”. “Isso é uma mentira de quem passou essa informação”, disse o secretário.
 
Sobre a prática de tortura que Afonso de Carvalho Oliveira Trudes, suspeito de ter roubado uma loja, em Itaquera, teria sofrido, o secretário de Segurança disse que o laudo do Instituto Médico Legal (IML) negou a prática de choques elétricos e não comprovou a autoria dos PMs. “O que constatou o laudo? O laudo constatou agressões, a materialidade de agressões. Obviamente o laudo não atesta autoria, mas constatou materialidade, mas já afastou de plano duas alegações feitas pelo criminoso: de que ele teria recebido choques elétricos, tanto na região dorsal, quanto na sua genitália. Isso foi afastado pelo laudo”, disse.
 
Após essa declaração, um repórter questionou “por que o delegado precisou de escolta, então?”. Alexandre de Moraes ignorou e continuou a sua declaração, afirmando que o delegado Raphael Zanon determinou o flagrante delito de prática de tortura por “entendimento”, “dentro da sua opinião”.
 
Ouça o trecho do áudio:
 
 
Posteriormente, o secretário respondeu que Zanon “não saiu de escolta”, mas que “pegou uma carona” com os carros da polícia presente. “Haviam duas viaturas lá por determinação nossa, exatamente porque se trata de uma prisão de policial militar, o coronel da área estava presente e o supervisor do GOE [Grupo de Operações Especiais] estava presente. O delegado saiu e pegou uma carona com o supervisor do GOE. Basta ver as imagens para verificar que não havia nenhum cercamento e não havia nenhuma escolta.
 
Para o secretário, a origem das informações, segundo ele, “erradas” partiu de dois deputados “cada um querendo defender uma posição”.O deputado estadual a que o secretário se referiu é o Delegado Olim (PP), que teria pedido a prisão do sargento suspeito de tortura. Além dele, Coronel Telhada (PSDB) também estava presente, saindo em defesa do sargento.
 
Ao GGN, em nota oficial, a SSP informou que a “dona do estabelecimento” reconheceu o homem que teria roubado e afirmou que o sargento Charles Otaga teve a prisão convertida em preventiva, durante audiência de custódia, mas permanece preso no Presídio Romão Gomes. A Secretaria disse que foi instaurado inquérito policial e também um inquérito policial militar para apurar a autoria do delito. 
 
 
Leia mais: 

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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6 Comentários
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  1. Sergio Saraiva

    22 de outubro de 2015 5:16 pm

    Alckmin perdeu o comando da tropa.

    Soldadesca sem comando é bando.

    Quanto aos laudos do IML negando tortura, por favor, consultar o verbete Harry Shibata.

  2. veranis

    22 de outubro de 2015 5:32 pm

    GOVERNO ALCKMIN: SEM ÁGUA,

    GOVERNO ALCKMIN: SEM ÁGUA, SEM ESCOLAS, MAS COM MUITO TIRO EM PRETOS  E POBRES.

  3. Luciana Mota

    22 de outubro de 2015 6:11 pm

    Também não há falta de água,

    Também não há falta de água, violência, roubalheira no metrô, fechamento de escolas, repressão a protestos, sucateamento dos hospitais, desmonte do instituto Butantã…

    E claro, a existência do tal PCC não passa de lenda.

    Luciana Mota.

  4. João Alexandre

    22 de outubro de 2015 6:51 pm

    Defesa descarada

    O Secretário saiu em defesa descarada dos policiais. O laudo não descartou a ocorrência dos choques, apenas foi inconclusivo em relação a isso.

  5. alberto tiago

    22 de outubro de 2015 9:06 pm

    O problema e antigo O

    O problema e antigo O CORPORATIVISMO comanda a TROPA  todos os governadores  os secretarios de SEGURANÇA

    e ate alguns CORONEIS rarissimos que tentaram por ordem na BALBURDIA ja foram HUMILHADOS a imprensa e´testemunha

    ALCKIMIM a anos no papel de FINGIDOR a anos  lembra Fernando Pessoa  e como fingi !!

  6. Antonio Benevides

    22 de outubro de 2015 10:26 pm

    A função de Delegado é um

    A função de Delegado é um gasto desnecessário, é igual a peito de homem, não serve pra nada, só existe por força de Lei, era só exigir bacharelado em Direito aos escrivães e os Inquéritos como sempre ficaria nas mãos do verdadeiro Fiscal do Povo, a Promotoria.

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