26 de julho de 2026

Secretário do MEC compra guerra ideológica na alfabetização

“Se a escola usa um método ou outro, não é determinante. O importante é se é bem organizado”, contrapõe educadora que implementou programa de alfabetização bem-sucedido em Sobral (CE)
 
Foto: Reprodução Youtube
 
Jornal GGN – O novo secretário de alfabetização do Ministério da Educação, Carlos Nadalim, é defensor do “método fônico” no lugar do modelo “construtivista”, acusando o uso intensivo do segundo modelo no sistema educacional brasileiro como responsável pelo alto nível de analfabetismo funcional – a incapacidade de uma pessoa demonstrar ou não compreender textos simples – no país.
 
“Há tanta preocupação em fomentar a socialização e em promover uma visão crítica na criança que resta pouco tempo e pouco investimento para ensinar o básico, o fundamental”, concluiu o atual secretário em um dos seus vídeos no canal que mantém no YouTube.  
 
Em entrevista à BBC Brasil, a educadora Magda Soares e professora emérita da Universidade Federal de Minas Gerais, uma das figuras criticadas por Nadalim, analisa com preocupação a visão do secretário. 
 
Magda é tida como referência nacional em alfabetização no Brasil, ganhadora do prêmio Jabuti em duas categorias em 2017, pelo seu livro “Alfabetização: a questão dos métodos”: melhor obra de não ficção e de Educação e Pedagogia. Nadalim é um dos discípulos do escritor de extrema-direita Olavo de Carvalho, que chegaram ao governo Bolsonaro.
 
“As crianças aprendem com mais interesse e entusiasmo quando se alfabetiza com base em palavras e frases de textos reais, lidos pela professora, e em tentativas de escrever, de modo que aprender as relações fonema-grafema ganham sentido”, defende Magda sobre abordagem construtivista, onde a criança é vista como co-responsável na construção do conhecimento.
 
No modelo fônico defendido por Nadalim, as crianças são estimuladas primeiro conhecendo os sons de cada letra para, só depois, construir a palavra. Segundo o secretário, os estudantes devem ser expostos insistentemente às atividades que reforcem a relação entre as letras e os sons da fala (grafemas e fonemas). 
 
Para especialistas em alfabetização, entretanto, é perda de tempo a polarização proposta pelo secretário. A professora Izolda Cela, hoje vice-governadora do Ceará, também entrevistada pela BBC Brasil, afirmou que, na prática, professores utilizam nas salas de aula um mix de ferramentas teóricas e metodológicas.
 
“Eu acho uma perda de energia, tempo e neurônios estabelecer essa guerrinha, essa oposição entre método fônico e um método mais global ou construtivista. É absolutamente improdutivo”, pontuou ao jornal. 
 
Cela é uma das responsáveis pelo programa de alfabetização implantado a partir de 1997 em Sobral, no Ceará, que fez o município liderar o ranking de notas no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) para o ensino fundamental, hoje com nota 9,1 contra a média de todas as redes municipais do país de 5,5.
 
Ao analisar os vídeos de Nadalim, a vice-governadora ressaltou que as percepções do secretário sobre o modelo construtivista, letramento e a abordagem fônica são equivocadas, completando que o nível de analfabetismo funcional no Brasil não está ligado a aplicação de métodos, mas a outros problemas de políticas públicas.
 
“Se a escola usa um método ou outro, não é determinante. O importante é se é bem organizado. O fator de fracasso (da alfabetização no Brasil) é o baixíssimo nível de institucionalidade da escola pública. Fico apreensiva quando o novo secretário coloca o método como grande questão da alfabetização”, ponderou. 
 
 

Redação

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19 Comentários
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  1. Nabantino Gonçalves

    15 de janeiro de 2019 8:36 pm

    É a arte neofacista
    de criar falsas polêmicas para a manutenção do distracionismo geral.

  2. JB Costa

    15 de janeiro de 2019 9:00 pm

    A questão para eles nada tem

    A questão para eles nada tem a ver com educação, aprendizado, metodologia…….nada! O que eles querem é simplesmente arranjar espantalhos para preencherem o vácuo de propostas e lubridiarem a opinião pública através, aí sim, da ideologia enquanto “falsa consciência” dado que o que desejam não é educar para libertar, mas, ao revés, criar “escravos” do sistema. 

    Ademais, nem técnica de aprendizagem e muito menos método de ensino é, stricto sensu, esse alegado “construtivismo”. Por isso é tarefa de gincana se achar uma só criança ou adulto alfabetizada ou educada nessa “metodologia”.

     

    1. Divina Lopes Medeiros

      16 de janeiro de 2019 8:21 am

      Educação
      Falar é fácil quero ver é entrar na sala de aula com muitos alunos.. segundo tem que mudar a ideia que salário mínimo para professor não vai ajudar em nada. Se as famílias não mudar o modelo de educar tb não vai ajudar os professores, essa de passar alunos sem ter adquiridos os conhecimentos e os objetivos propostos na série que está tb não vão chegar a lugar nenhum… não existe estado que tenha um ensino de educação bom ou melhor, vai depender de cada aluno…pois o PT ficou a desejar na educação…

      1. Veronice Rossato

        18 de janeiro de 2019 12:35 am

        Alfabetizaça
        Ai meu deus! Tinha que aparecer o PT na discussao! Quem inventou a alfabetizaçao e seus problemas foi o pt? Vamos focar no problema real. Este novo secretário está fazendo cortina de fumaça. O que será que ele está querendo?

  3. Frederico Firmo

    15 de janeiro de 2019 9:55 pm

    Isto não é guerra ideológica

    É apenas retrocesso: provavelmente vai usar a cartilha “Caminho Suave”

    1. Anarquista Lúcida

      15 de janeiro de 2019 10:14 pm

      Nao só. É a Economia, como sempre…

      O Método Fônico tem grandes vendedores de métodos interessados no domínio da escola pública. E os livros, além de cheios de textos idiotas, nao compreendem nem a Fonologia do Português. Um deles diz para os professores apresentarem às crianças a letra E e depois “o som correspondente à letra”. Qual, cara pálida? À letra E correspondem vários sons… (é, aberto, como em pede?; ou ê, fechado, como ambos em tevê? ou i, como em menino? ou en, nasal, como em tem? ou ein, nasal e ditongado, como em também? etc). Nao existe correspondência absoluta entre letras e sons. 

    2. Maria Viana

      16 de janeiro de 2019 8:28 am

      Caminho suave
      Usei a cartilha Caminho Suave para meu filho de 5 anos. O resultado foi sensacional. Ele já lê muito bem. Interpreta tb. Se fosse esperar por método construtivista… Não quero nem pensar. Eu recomendo a cartilha. Funcionou comigo, pq não iria funcionar com meu filho.

    3. Silvia Eliana Saraiva Augusto

      16 de janeiro de 2019 2:16 pm

      Caminho Suave
      Seria retrocesso se a Caminho Suave fosse responsavel por analfabetos. Mas pelo que sabemos, nossos pais e avós foram muito bem alfabetizados. Vocé foi alfabetizado sem a cartilha?

  4. AMORAIZA

    16 de janeiro de 2019 2:20 am

    Xovê se eu vi direito

    Aquilo ali na foto é um chicote pendurado na parede do olav von oak?

    1. Silvia Eliana Saraiva Augusto

      16 de janeiro de 2019 2:11 pm

      nao viu direito nao!
      é um abajur!

      1. AMORAIZA

        16 de janeiro de 2019 8:03 pm

        Olha direito dona Silvia

        Tem uma parede atrás do abajur

        (em negrito para facilitar a leitura)

        oculos de grau | Óculos, comportamento e moda

  5. Rosita H A Pereira

    16 de janeiro de 2019 1:18 pm

    Alfabetização métodos
    Tenho mais de 30 anos como professora e posso dizer que não existe um método único até porque cada aluno é singular com seu tempo próprio. Acontece enquanto transferirem para a escola toda a problemática da sociedade, o caos que se instalou, não há como avançar,as escolas estão sozinhas nessa luta porque o aluno não recebe nenhuma ajuda em casa porque tudo mudou inclusive AS FAMÍLIAS…

    1. Elaine de Oliveira Paula

      16 de janeiro de 2019 3:46 pm

      Concordo plenamente com
      Concordo plenamente com você,qual o melhor método? Pra mim, eu gosto mais do método do prof Nadalim, mas, nem o melhor dos métodos vai funcionar numa situação onde o professor não é valorizado e a família não participa…

  6. Silvia Eliana Saraiva Augusto

    16 de janeiro de 2019 2:07 pm

    alfabetizaçao
    Quando as crianças eram alfabetizadas com a cartilha todos saiam alfabetizados. Foi assim com nossos pais e nossos avós. Sra Isolda Cela, por favor responda de que forma a senhora foi alfabetizada?

    1. Anarquista Lúcida

      16 de janeiro de 2019 5:42 pm

      Deixa de besteira, troll nova Todos eram alfabetizados, é?

      Pois saiba que até os anos 50 cerca de metade da sociedade brasileira NEM ENTRAVA NA ESCOLA, e da metade que entrava SÓ 30% ULTRAPASSAVAM A BARREIRA DA ALFABETIZAÇAO. Portanto, nao fale besteira, tá? Se informe primeiro antes de falar.

  7. Arinete Ferreira Feminino Silva

    16 de janeiro de 2019 4:58 pm

    Método de Alfbetização

    O problema do método construtivista é sua aplicação deturpada. Ele, bem trabalhado é excelente, mesmo porque cada criança tem seu momento e particularidades.

     

  8. Professor Nordestino

    16 de janeiro de 2019 7:34 pm

    Viajava 69km todos os dias
    Viajava 69km todos os dias para concluir o curso de Pedagogia em outro município. Trabalho com turmas multisseriadas com 65 a 80 crianças com poucos recursos, calor desgraçado. Muitos não tem pão ou cuscuz pra comer e tu almofadinha da desgraça que não sabe a realidade social das escolas públicas acha que é “método” que irá resolver? A última vez que conversei com pais de uma jovem sobre as dificuldades levei duas facadas. Quem está no magistério Não pretende continuar.

    1. AMORAIZA

      16 de janeiro de 2019 8:00 pm

      Rapaz!

      Leva o secretário pra lecionar pros seus alunos.

      Ele bem que tá precisando acordar para a vida.

  9. Williams Diego Pereira de Oliveira

    30 de janeiro de 2019 4:37 pm

    Carlos Nadalim

    Currículo resumido:

     

    Possui graduação em Direito pela Universidade Estadual de Londrina(2002), especialização em História e Teorias da Arte pela Universidade Estadual de Londrina(2004), especialização em Filosofia Moderna eContemporânea pela Universidade Estadual de Londrina(2007), mestrado em Educação pela Universidade Estadual de Londrina(2009) e curso-tecnico-profissionalizante em Técnico de Segurança no Trabalho pelo Colégio Polivalente(1999). Atualmente é Professor de Filosofia do Centro Universitário Filadélfia, Professor de Música do Colégio Londrinense e Professor de Violão do Centro Educacional La Salle. Tem experiência na área de Filosofia.

     

    Não estamos falando de um qualquer que não sabe de nada da realidade escolar e da alfabetização, estamos falando de alguém especializado da área. 

    Prof. Carlos é um professor premiado com o prêmio Darcy Ribeiro de Educação, pelos méritos da “defesa e promoção da educação no Brasil.”

     

    Essa matério é muito tendenciosa ao não mostrar a realidade, e ao não mostrar quem é de fato o professor Nadalim. 

     

     

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