Até que ponto um autogolpe de Bolsonaro poderia ter sucesso? Por Rogério Maestri

Cenário desejado por Bolsonaro está se avizinhando, entretanto, a epidemia talvez introduza novas variáveis que ninguém poderia prever.

Foto: Adriano Machado/Reuters

Até que ponto um autogolpe de Bolsonaro poderia ter sucesso?

Por Rogério Maestri

Já há mais de dois anos perguntava sobre o que ocorreria entre um confronto entre a grande Burguesia brasileira apoiada por uma parte das forças armadas brasileiras contra Bolsonaro apoiado em suas milícias e parte das polícias militares. Entretanto o cenário desejado por Bolsonaro está se avizinhando, entretanto, a epidemia talvez introduza novas variáveis que ninguém poderia prever.

Antes do começo da epidemia, Bolsonaro, assessorado por uma parte da extrema-direita internacional, estava no seu caminho, pois a exacerbação dos ímpetos Bonapartistas iriam cedo ou mais tarde contra o congresso e com a complacência das forças militares, o apoio de Moro e de alguns governadores de estados importantes permitiriam que seguisse tranquilamente o autogolpe até com apoio direto de grupos Imperialistas internacionais.

Porém a epidemia está fechando o cerco em torno de Bolsonaro, um fato ainda mais chocante que aparecer nas telas de TV como, por exemplo, a passagem dos caminhões do exército Italiano carregando dezenas de mortos no meio da noite ou os corpos sendo queimados no meio da rua, como no Equador, todo o esquema de apoio nacional de Bolsonaro pode cair em questão de horas.

O discurso de Dória, que ninguém em sã consciência pode atribuir um mínimo viés democrático, demonstra que a epidemia está radicalizando as posições, pois o discurso de Dória não foi para eleitores comuns, foram para a sua própria polícia militar que começa a ver que a epidemia não é uma gripezinha como apregoa o atual ocupante da cadeira da presidência da República.

Bolsonaro negando a própria epidemia, por determinação das forças do mercado, principalmente dos médios e pequenos empresários, vai continuar tendo força por no máximo duas ou três semanas. Após isso poucos de seus apoiadores acreditarão na estupidez dele. Ou seja, por mais rapidez que queira o ocupante da cadeira presidencial imprimir na sua organização de um golpe, contraria o princípio básico que existe a séculos: Quando queres atacar seus inimigos, ataque logo, pois se não atacares o número de inimigos simplesmente aumenta.

Agora que vem a pergunta que muitos querem a resposta:

Por que a temperatura sobe e o autogolpe não vem?

É muito simples, soldados, sargentos e tenentes são os que fazem as guerra, entretanto não são eles que as organizam.

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