Nem Bolsonaro, nem a oligarquia brasileira e muito menos os generais conhecem a história

O motivo da implantação de Estados Fascistas está na submissão do indivíduo ao Estado, logo coisas com sindicatos (que não os fascistas), imprensa livre, escola crítica e demais instituições que não se sujeitem ao Estado Fascista são proibidas

Já escrevi muito antes do atual ocupante da cadeira de presidência da república ser “eleito” e posteriormente empossado quais seriam os problemas que surgiriam ao longo de sua estada no palácio que deve ser ocupado por um presidente da república do Brasil, causado exatamente pelas contradições de todas as partes envolvidas no golpe improvisado e amador.

Se algumas das partes intervenientes, como os militares e principalmente as oligarquias brasileiras como também os próprios órgãos de segurança norte-americanos, conhecessem um pouco da gênese e a história do fascismo, não a que é apresentada pelos falsos intelectuais de direita norte-americanos, mas sim por aqueles que no passado colaboravam com os serviços de inteligência, eles teriam previsto toda a incomodação que estão tendo e teriam tomadas providências prévias que agora são impossíveis de serem tomadas.

A ideologia fascista, por questão de conveniência da chamada centro-direita ou mesmo de nuances de uma centro esquerda, é tida como uma excrecência histórica que loucos como Mussolini e Hitler utilizaram encantando o povo daqueles países. Porém fascismo não é nada disto, fascismo é simplesmente uma continuidade de um sistema capitalista que ao longo do tempo vai perdendo o domínio das massas populares geridas, mandadas e coordenadas pela burguesia. Esta gerência, este mandato e coordenação é feito pelo que se chama a Democracia Burguesa, através de partidos burgueses, ou mesmo partidos com base operária que é por algum tempo controlado pela burguesia e toda a supra estrutura composta desde o ensino, passando pelo judiciário e legislativo e terminando nas forças de repressão (polícias e exército).

No pós Segunda Guerra Mundial, pelas sobre-exploração das colônias e dos países satélites, as potências imperialistas, conseguiram se manter em crescimento num nível elevado que permitiu que uma pequena parte da riqueza fosse transferida para uma classe intermediária, a pequena burguesia, que através de casos episódicos alguns destes representantes das classe médias, superexplorando os miseráveis do terceiro mundo ou parte de seus próprios explorados, conseguissem ascender socialmente e numa proporção de um em um milhão se tornarem grandes oligarcas, oligarcas não muito bem vistos pelos grandes capitalistas de terceira ou quarta geração, e por mais dinheiro que tenham, logo, como os irmãos Batistas, são os primeiros a serem defenestrados desta oligarquia por falta pedigree.

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Ou seja, esta pequena burguesia, que lendo livros de autoajuda do tipo, como fico milionário a partir de uma merreca de dinheiro, ou mesmo frequentando cultos de templos da teologia da prosperidade, por algum tempo acreditam na chamada Democracia Burguesa, ou simplesmente chamada pela maioria das pessoas de Democracia.

Como no primeiro mundo, pela lógica do próprio capitalismo, os lucros são sempre decrescentes e estamos atingindo o que somente economistas marxistas falavam, mas agora está se expandindo para outros economistas, no que se denomina a Estagnação Secular.

Para sair deste processo de estagnação, em que o Japão é o líder há décadas, é necessário arrochar mais ainda os controles do Império e explorar ainda mais os países dependentes. Porém para explorar mais ainda os países dependentes é necessário reduzir cada vez mais não só a renda do proletariado, mas como também proletarizar todas as classes intermediárias. Para fazer isto dentro de uma democracia (quer dizer dentro da democracia burguesa) a supra estrutura (escolas, judiciário, forças de repressão e demais) deverão ser transformadas em uma estruturas acrítica e amorfas e obedecendo sem questionar as ordens de um partido único, pois estas ordens, travestidas de lutas contra castelos de areia, exigem até o sacrifício da vida em nome do partido, para quem quiser entender o fascismo é só ler A doutrina do fascismo, escrita pelo próprio Mussolini, onde ele deixa claro todas as afirmações que coloco neste texto, inclusive no subtítulo “Contra o pacifismo: guerra e vida como deveres”, que o pacifismo contraria o fascismo.

O motivo da implantação de Estados Fascistas está na submissão do indivíduo ao Estado, logo coisas com sindicatos (que não os fascistas), imprensa livre, escola crítica e demais instituições que não se sujeitem ao Estado Fascista são proibidas.

Logo, o Estado Fascista sobre um ponto de vista chão e pouco elaborado, seria ideal para a superexploração do proletariado e as classes intermediárias que seriam proletarizadas, porém nem tudo é simples, e diria até impossível, pois a criação do Estado Fascista necessita de determinadas condicionantes que impedem seu desenvolvimento dentro de nosso estado atual e principalmente com a base que se elegeu o atual governo.

Na realidade, Mussolini permaneceu pouco tempo no poder, e mesmo o fascismo sendo algo novo que atraiu tanto do o grande capital, a burguesia e parte da pequena burguesia, ele possuía dentro de seu sistema contradições insanáveis. Ou seja, as categorias que os apoiavam estavam em franca contradição entre si, por exemplo o núcleo inicial do fascismo, os camisas negras, eram um bando de criminosos que se aproveitando o Estado Fascista e as instituições criadas pelo proletariado que foram transferidas literalmente para sua posse, foram burocratizados e até de certa forma perseguidos pelas velhas estruturas repressoras. Não podemos esquecer, que Mussolini, antes de chegar ao poder era um grande crítico da Monarquia e das Oligarquias que dominavam a Itália, e a medida que vai se aproximando do poder, seu discurso dá um giro de cento e oitenta graus, que só um demagogo com grande capacidade oratória podia fazer isto sem aumentar os atritos entre a sua base de poder.

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Por outro lado, Hitler adotou outra estratégia bem mais radical para eliminar aqueles que tinham o colocado no poder, não podemos esquecer que a SA (Sturmabteilung), os camisas marrons dos nazistas, quando da posse de Hitler elas eram mais poderosas do que o próprio exército alemão (eram três milhões contra cem mil da desarmada Reichswehr), e na liderança desta tínhamos o maior amigo de Hitler, Ernest Röhm e outro nazista de primeira hora Gregor Strasser (pertencia ao NSDAP desde a sua fundação em 1920). Como Röhm estruturou a SA de forma militar, completamente estruturada, dividida em vários níveis de comando, ficou fácil para Hitler se livrar dos “Nazistas de raiz”, simplesmente entre 30 de junho e 2 de julho de 1934 foram oficialmente mortas 81 pessoas que correspondiam ao comando da SA e mais algo em torno de 1000 pessoas foram presas e mandadas para campos de concentração. Cortando a cabeça de comando, Hitler eliminou os mais fortes adversários dentro do movimento Nazista e ele mesmo se colocou no comando destas tropas, que parte delas foram incorporadas ao exército alemão.

O que se vê claramente é que movimentos nazifascistas têm uma contradição intrínseca na sua formação, utilizam elementos doutrinados e provenientes de classes inferiores, para conquistar o poder, e quando estes mesmos elementos começam a reclamar por perderem o controle do movimento e enxergarem que foram enganados pelo líder, começa a reação contra as alianças com as oligarquias que dominavam o poder, e desta forma começam a incomodar todo o processo.

No Brasil, a nossa SA é basicamente as forças policiais (policiais militares), as milícias no caso do Rio de Janeiro e mais elementos ideológicos, que simplesmente se sentem desconfortáveis com as alianças com as forças amadas e com as oligarquias políticas que representam o grande capital, pois na realidade a política de achatamento salarial, precarização do trabalho e mais outras antipopulares tocam fundo na realidade de classe que pertencem esta base de apoio.

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A ênfase na luta contra as milícias, que são uma base de apoio do ocupante da cadeira presidencial, é um indício que esta luta começou, e os militares procurarão perseguir estas corporações policiais para tirar força das mesmas.

Porém se a vida dos golpistas fosse tão simples, o golpe já teria se aprofundado, entretanto há ainda os evangélicos, os da bancada do boi e mais alguns “outsiders” para complicar ainda mais a situação, e além de tudo isto, o líder escolhido não tem a mínima capacidade de fazer os contorcionismos políticos que garantiram a Mussolini e Hitler se manter no poder.

Ah! Se os militares e a burguesia brasileira tivessem estudado bem a história universal, não estariam no mato sem cachorro como estão agora.

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2 comentários

  1. Lentamente se perceberá que não há cura para Q.I. baixo. (Quociente de Inteligência)
    Muitos votaram sem conhecer em quem. Proibiram o cidadão de ir a debates ou dar entrevistas. Ele foi pela propaganda transformado num avatar anti PT.
    Aos poucos o povo começa perceber que foi enganado e que a vida no tempo do PT era melhor.

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