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O que quer Temer?, por Luis Felipe Miguel

O que quer Temer?

por Luis Felipe Miguel

Ainda não há muita clareza quanto ao objetivo de Temer com a intervenção no Rio. O que está bem estabelecido, até agora, é que ela é inconstitucional, já de partida por não ter cumprido o rito da consulta ao Conselho da República. Também restam poucas dúvidas de que ela não cumprirá seu objetivo declarado de pôr fim ao estado caótico da segurança pública no Estado. Dos principais especialistas no assunto ao jornal popular Meia Hora de Notícias, em sua histórica capa de hoje, há consenso de que colocar tropa para combater crime organizado não é solução.

Mas o que quer Temer? Talvez ele mesmo não saiba ao certo. Às vezes, quando o jogo parece perdido, o jeito é embaralhar as peças meio às cegas para ver o que sai. De qualquer jeito, sua aposta, mesmo que confusa, aponta na direção do aprofundamento do golpe. No momento em que a insatisfação popular com seu governo se torna mais vocal, o chamamento às forças armadas serve tanto para reaproximar as franjas mais conservadoras da classe média, sempre prontas a bradar por "lei e ordem", quanto para intimidar os grupos que eventualmente pudessem se engajar em ações mais organizadas de resistência.

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Auxílio-moradia revela mais que mero corporativismo, por Luís Felipe Miguel

Auxílio-moradia revela mais que mero corporativismo

por Luís Felipe Miguel

Em sua forma original, destinado àqueles que eram enviados a comarcas do interior, o auxílio-moradia dos juízes já era um privilégio. Era possível, no entanto, encontrar argumentos a seu favor, ao menos para sustentar uma discussão. Com a extensão do benefício a todas as cidades, aos já proprietários de imóveis e mesmo em duplicata, tornou-se impossível arranjar qualquer justificativa.

Entendo que o juiz que recebe o auxílio-moradia se defenda dizendo que não está fazendo nada ilegal, já que essa é a regra vigente. Mas não dá para entender que juízes em caravana ao Supremo digam que a regra tem que ser mantida porque, uma vez que é a regra vigente, não é ilegal. Há uma falácia lógica primária, de petição de princípio, que seria de esperar que não passasse despercebida por profissionais cujo ofício inclui avaliar a qualidade dos argumentos brandidos por outros.

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Não precisamos de cheerleaders. Precisamos de reflexão e de organização, por Luís Felipe Miguel

Não precisamos de cheerleaders. Precisamos de reflexão e de organização

por Luís Felipe Miguel

Por ressaltar que não há saída fácil à vista para nos retirar do abismo em que estamos metido, tenho sido acusado de dar mais ênfase ao pessimismo da razão do que ao otimismo da vontade - para citar a célebre fórmula que Gramsci emprestou de Romain Rolland. Disseram que sou "baixo astral" e não estou "jogando a favor".

Com as instituições funcionando a pleno vapor, mas sempre a serviço do aprofundamento do golpe, e os muitos anos de desmobilização popular deliberada cobrando alto seu preço, não sei qual é a margem para manter ilusões. Li com cuidado o texto recente do Antonio Martins, jornalista competente, que diz que o cenário é muito mais positivo do que parece e julga que estamos, todos nós que diagnosticamos um agravamento do retrocesso, cometendo um "erro banal: confundir o desejo do adversário com o exame concreto da correlação de forças existente".

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Por democracia, a resistência tem que vir das ruas, por Luis Felipe Miguel

Por democracia, a resistência tem que vir das ruas

por Luís Felipe Miguel

O que caracteriza o cerco judicial contra o Lula, desde o início, é seu caráter arbitrário. O ex-presidente começou a ser perseguido antes que existissem sequer pretextos contra ele. O aparelho repressivo (polícia, procuradoria, judiciário) foi mobilizado para encontrar qualquer coisa que o incriminasse, o que já demonstra uma grave ruptura com o Estado de direito. Pedalinho, barco de lata, depósito de tralhas, era um barata-voa em busca de algo que pudesse ser mobilizado contra Lula.

Acharam o tal apartamento em Guarujá. Não conseguiram jamais provar que foi de Lula e outro dia uma juíza desavisada chegou a comprometer a farsa indicando, em autos, que a proprietária é mesmo a OAS. Muito menos indicaram a contrapartida do ex-presidente à construtora, para estabelecer o vinculo de corrupção.

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Eleição sem Lula é fraude?, por Luís Felipe Miguel

Eleição sem Lula é fraude?

por Luís Felipe Miguel

(1) Não há nenhuma prova capaz de incriminar o ex-presidente. Toda a acusação é baseada em ilações e em delações interessadas (envolver o nome de Lula era condição necessária para que o delator obtivesse benefícios). Por outro lado, o julgamento despreza as evidências materiais da defesa, que já foram capazes de provar, por exemplo, que ele nunca foi proprietário do bendito triplex.

(2) Não se trata simplesmente de um erro judicial comum, provocado pela incompetência e obtusidade dos magistrados. A condenação de Lula é a culminância de uma devassa em sua vida, levada a cabo durante anos, em busca de qualquer coisa que pudesse servir para incriminá-lo. O aparato policial-judicial foi mobilizado com esse intuito, antes de que existisse qualquer indício que o justificasse, em gritante desrespeito ao império da lei.

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Direito de Lula se candidatar é linha divisória entre democracia e golpismo, por Luís Felipe Miguel

Foto Ricardo Stuckert

Direito de Lula se candidatar é linha divisória entre democracia e golpismo

por Luís Felipe Miguel

É muitíssimo improvável que Lula não venha a ser condenado no próximo dia 24.

O que tem acontecido em Porto Alegre, assim como em Curitiba, não tem nenhuma proximidade com justiça. Não serve nem como farsa. É um deboche.

No momento em que foi anunciada a data do julgamento, atropelando prazos e bom senso, a coalizão golpista já tinha tomado a decisão de condenar o ex-presidente. Os desembargadores, sem jamais abandonar a empáfia que os caracteriza, cumprem seu papel numa trama na qual são meros peões.

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A geleia geral de acusações contra as universidades públicas, por Luís Felipe Miguel

A geleia geral de acusações contra as universidades públicas

por Luís Felipe Miguel

Concordo com Afonso Albuquerque na compreensão de que o súbito interesse da Folha de S. Paulo pelo bem-estar dos estudantes de pós-graduação não é alheio à campanha pelo fim das universidades públicas. Li alguns dos muitos depoimentos que o jornal pretensamente teria recebido. Há denúncias muito sérias, que deveriam ser apuradas. Há casos que não sinalizam infrações éticas, mas mostram relações humanas pouco saudáveis. Mas há também uma cota de reclamações bobas, ligadas sobretudo ao cumprimento de prazos e a um desejo pouco velado de irresponsabilidade. E há histórias estranhas - onde um orientador pode cancelar as disciplinas cursadas pelo aluno e obrigá-lo a refazer todos os créditos?

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A destruição completa do ensino superior e da pesquisa científica, por Luis Felipe Miguel

Por Luis Felipe Miguel

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As instituições privadas aproveitaram a derrubada dos direitos trabalhistas para promover demissões em massa e substituir profissionais experientes por professores temporários e sub-remunerados. Além do drama pessoal de tantos colegas, que perderam o emprego por vezes depois de décadas de trabalho, afirma-se a opção preferencial das universidade privadas brasileiras por serem fábricas de diplomas, sem qualquer preocupação com a qualidade do ensino e muito menos com a pesquisa.

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Cancellier: seu gesto extremo nos tirou da imobilidade, por Luís Felipe Miguel

Cancellier: seu gesto extremo nos tirou da imobilidade

por Luís Felipe Miguel

Quando a Polícia Federal fez aquela operação de guerra para invadir a UFSC e prender o reitor, houve muito espanto, alguma indignação e pouca solidariedade. Por um lado, a ação policial era claramente desproporcional ao que a situação exigiria - mas nós já nos habituamos a isso, uma vez que a Lava Jato transformou a repressão em espetáculo. Por outro lado, havia as manchetes da mídia, falando no colossal desvio de 80 milhões. Manchetes mentirosas, ficaria claro em seguida; no momento, porém, funcionou a dependência cognitiva que faz com que a gente se baseie no jornalismo para saber do que ocorre fora de nosso círculo imediato.

A fraca reação à agressão à UFSC mostra como mesmo setores mais críticos e melhor informados estão narcotizados pelo discurso do combate à corrupção a qualquer custo, pouco sensíveis à degradação dos direitos individuais e refratários a entender o jogo político que organiza a perseguição seletiva a pessoas e instituições. Seria de investigar o papel dos "isentões" e do "lavajatismo de esquerda" na produção desse estado de coisas.

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A que deve servir a ciência e a pós-graduação no Brasil?, por Luís Felipe Miguel

A que deve servir a ciência e a pós-graduação no Brasil?

por Luís Felipe Miguel

​Não me tornei professor por vocação, mas por falta de opção. Rapidamente me desencantei com a profissão que tinha escolhido, jornalista, e a segunda opção - revolucionário profissional - não parecia disponível. Fui cursar mestrado e depois doutorado para continuar fazendo algo de que gostava, ler, pensar e escrever, e adiar a escolha de um rumo na vida. Com as habilidades que adquiri, virar professor foi a única alternativa: para que mais serve um doutor em Ciências Sociais? Mas não falo bem e não gosto de falar; meu natural é ficar calado. Meu pai costumava dizer que “mais de três pessoas pra mim é multidão” e eu assino embaixo. Vinte anos se passaram e, embora eu disfarce o melhor que consigo, a sala de aula continua não sendo um local onde me sinto em casa.

Falei que não tinha alternativa, mas não é estritamente verdade. Pouco antes de assumir minha vaga na universidade, me ligou um ex-professor, que tinha uma consultoria, me propondo trabalhar com ele. Eu ganharia, segundo disse, “uma vida bem mais confortável”. Agradeci e recusei, não apenas porque o trabalho na consultoria não me atraia ou porque, da minha perspectiva de bolsista, o salário de professor já me garantiria uma vida confortável o suficiente. É que, à parte a sala de aula, a universidade me prometia autonomia para pesquisar e escrever. Esse é um diferencial do qual não me disponho a abrir mão.

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Sobre depoimentos, manchetes e agenda da mídia, por Luís Felipe Miguel

Sobre depoimentos, manchetes e agenda da mídia

por Luís Felipe Miguel

Vamos supor que, em determinado país, houvesse uma megaoperação judicial destinada a “limpar” a política, liderada por um magistrado alçado à posição de salvador da Pátria. Que dessa operação nascesse a derrubada de uma presidente eleita pelo povo, a denúncia e prisão de inúmeros políticos, empresários e operadores associados e ainda a quase-criminalização do partido que, até então, era o maior daquele país. Que, em consequência do rearranjo de forças assim produzido, o país mergulhasse num momento de acelerado retrocesso nos direitos sociais e nas liberdades, além da desnacionalização da sua economia.

A megaoperação pautou o noticiário da mídia por anos. Manchete após manchete - e foram muitos milhares dela - a mídia contribuiu para criar a aura de heroicidade em torno do tal juiz. Mesmo com eventuais atropelos, endossou a narrativa de que o país estava sendo passado a limpo.

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O 2018 que nos mobiliza é incerto, por Luís Felipe Miguel

O 2018 que nos mobiliza é incerto

por Luís Felipe Miguel

O poder do Estado é também o poder de determinar ritmos da vida social, impondo o calendário. Com a política, não é diferente. Por mais que, a essa altura do campeonato, já esteja claro que as eleições não podem ocupar o centro de qualquer estratégia de transformação do mundo, 2018 acaba se tornando o foco principal de quase todo mundo. Parece, além de tudo, que na eleição se medem as forças, se estabelece o peso de cada um. O que, aliás, também é bobagem: o mundo social é determinado por forças muito mais fortes do que o voto.

O 2018 que nos mobiliza, além de tudo, é incerto. Volta o assanhamento com o golpe do parlamentarismo, única resposta plausível da direita à sua crônica incapacidade de produzir candidatos viáveis. O que impede uma decisão definitiva em favor dessa saída não é algum prurido democrático, mas o efeito da eterna mosca azul, que faz com que tantos sonhem com o Palácio do Planalto, mesmo contra todas as evidências, tornando o Brasil o celeiro por excelência daquela personagem do argentino Macedonio Fernández: "El hombre que será Presidente y no lo fue".

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As bolhas enviesam nossa percepção da realidade, por Luís Felipe Miguel

As bolhas enviesam nossa percepção da realidade

por Luís Felipe Miguel

Ontem, graças ao gentil convite de Cayo Honorato e Marcelo Mari, participei de um debate no Departamento de Artes Visuais da UnB sobre o avanço da censura no Brasil. Um momento de produtiva e interessante troca de ideias.

Em certo momento, uma pessoa perguntou sobre o ativismo de internet. Respondi o que costumo responder. Cliques na internet não vão mudar o mundo (mas Lênin também não esperava que o Iskra fizesse a revolução, era um instrumento para a organização dos revolucionários). A internet não resolve o problema da concentração da mídia, que continua dominando o debate público. As bolhas enviesam nossa percepção da realidade. A preferência por textos muito curtos condena o debate a um nível superficial e favorece a reprodução do senso comum.

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A lei pode ser o instrumento da exceção, por Luís Felipe Miguel

A lei pode ser o instrumento da exceção

por Luís Felipe Miguel

Hoje, Judith Butler foi agredida no Aeroporto de Congonhas, por manifestantes ensandecidas que certamente não têm a menor ideia do que a filósofa escreve ou fala. O pensador que estimulou o protesto - que, segundo relatos, incluiu tanto xingamentos quanto ataques físicos - foi Alexandre Frota.

No começo da semana, foi divulgado que está em andamento o inquérito contra a presidente Dilma Rousseff, acusada de ter assassinado seu cão, Nego, em setembro do ano passado. O cachorro sofria de uma doença incurável, que causava grande sofrimento, e, por orientação médica, a presidente lhe proporcionou a eutanásia. A "denúncia" de maus-tratos foi feita pelo deputado Ricardo Izar, em meio à histeria do impeachment ilegal. Depois ele confessou candidamente que seu objetivo era apenas provocar sensação e "não acreditava nunca que [o caso] iria para a frente". Mas o delegado deu seguimento, sustentado num indício muito incriminador: Nego era cuidado por alguém que trabalhava com Dilma.

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É necessário ousar sonhar e lutar por um novo mundo, por Luís Felipe Miguel

É necessário ousar sonhar e lutar por um novo mundo

por Luís Felipe Miguel

Pelo menos desde o famoso texto de Plekhanov, no finalzinho do século XIX, o marxismo discute "o papel do indivíduo na história". Afinal, se o motor das transformações reside mesmo nas contradições estruturais, a ação de tal ou qual pessoa é sempre irrelevante.

A revolução que hoje completa cem anos é a prova de que a realidade é mais complexa. É difícil imaginar Outubro sem a genialidade política de Vladimir Ilich Lênin, que naquele momento foi capaz de decifrar com perfeição a fortuna e encarnou de maneira cabal a virtù.

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