Por Sergio Reis

Enquanto a imprensa paulista, unanimemente, dedica-se a apresentar, diariamente, os níveis de quedas do Sistema Cantareira, o Alto Tietê agoniza. Obviamente, faria sentido que a mídia desse algum grau de prioridade ao Cantareira, já que o sistema é responsável por praticamente metade de toda a vazão de abastecimento para a região metropolitana de São Paulo. A falta de atenção dada ao Alto Tietê, contudo, é inexplicável. Por ser o segundo maior sistema de toda a região – tanto em termos de volume armazenável como de vazão de atendimento – seria natural que também fosse abordado intensamente pelos meios de comunicação. Não é o que ocorre, contudo.
Por sinal, o ensurdecedor silêncio faz lembrar a crise hídrica de 2003, quando a Folha de São Paulo apresentou documentos que atestavam a estratégia de encobertamento da crise do Cantareira por parte da SABESP a partir da recomendação, à assessoria de imprensa do órgão, para que focasse os anúncios a respeito do pequeno sistema Alto Cotia, em detrimento dos demais, consideravelmente maiores. Abordei essa questão em um artigo que reconstitui os últimos 20 anos do ponto de vista da crise hídrica em São Paulo. Parece que o Governo está adotando a mesma lógica desta vez, agora para deixar de evidenciar o cenário mais grave de todos.
Os fatos, contudo, não podem ser contestados. Hoje, verificamos o fim da cota de volume morto que o DAEE havia autorizado para a represa de Biritiba-Mirim ainda em Julho. Essa reserva começou a ser captada no começo de Outubro, conforme tratei aqui no blog, mas apenas no início deste mês é que a mídia, com extremo atraso, cometeu a barrigada de atribuir o aumento súbito do volume do Alto Tietê às chuvas (de 6,5% para 8,9%). Depois, alguns desses órgãos se retrataram. Outros, não.
Os gráficos abaixo nos mostram a lastimável situação vigente do Alto Tietê – a qual, por motivos óbvios, é imensamente pior do que a observada para o Cantareira:



Notamos, então, que o fim está absolutamente próximo. As nossas mais pessimistas previsões, feitas desde Julho, estão se realizando. Sem chuvas, o cenário mais provável é que o Alto Tietê não dure sequer até o fim de 2014. Há documentos que apontam para a existência de volumes mortos em alguns dos reservatórios do sistema, mas os dados são muito menos confiáveis do que os observados para o Cantareira – e aqui se sabe que nem todo o volume morto é extraível. O próprio reservatório de Biritiba, em tese, tem mais 15 bilhões de litros (que durariam mais um mês), mas é absolutamente improvável que mesmo uma parcela disso venha a ser transferível para as demais represas. Mais grave, não temos conhecimento a respeito de obras que estejam em andamento para retirar essa água abaixo dos mínimos operacionais. A tendência, então, é que ocorra o esgotamento de cada reservatório (talvez até um limite pouco abaixo do zero operacional), até que qualquer transferência substantiva de água se torne inviável. Trata-se de uma experiência tragicamente inédita na histórica do abastecimento público de água em São Paulo.
Com efeito, o Mogi News noticiou, de acordo com o relato do Prof. José Roberto Kachel, que obras começaram a ser feitas na represa Jundiaí, mas aparentemente foram descontinuadas. Já o Diário de Mogi noticiou, no último dia 16, que finalmente a SABESP resolveu diminuir a produção de água no Sistema de 14 para 12 m³/s. Causa o mais absoluto espanto que a companhia tenha demorado pelo menos 11 meses para tomar essa decisão, agora inóqua, considerando-se a extrema gravidade do contexto. Não há dúvida de que essa lentidão responde decisivamente pela morte do Alto Tietê.
O esvaziamento desse sistema, utilizado até agora para “salvar” o Cantareira, será desastroso para um contingente populacional não inferior a 4 milhões de pessoas, para além de milhares de outras, indiretamente atingidas a partir da evasão de indústrias que, até então, ocupavam a região. Até agora, não ouvimos um comunicado qualquer a respeito de qualquer espécie de plano de contingência – um rodízio radical, um plano de evacuação, que seja. A imprensa, absolutamente hipnotizada pelo Cantareira – o qual, hoje, atende a um contingente não muito maior (cerca de 6,5 milhões de pessoas) –, deu as costas para boa parte da Zona Leste de São Paulo e para parte considerável da região metropolitana que circunda essa região. Não há como não percebermos, aí, alguma espécie de “hierarquização de cidadanias” na construção do discurso midiático, como se os cidadãos abastecidos por um sistema fossem mais importantes do que os atendidos por outro. Em um, estão parte dos bairros mais abastados, as próprias sedes dos jornais, o centro expandido. Noutro, as franjas da cidade. E aqui, é preciso dizer, não há como culpar, em absoluto, o governo federal: a égide por sobre o Alto Tietê é de inteira responsabilidade do ente estadual – a ausência de pressão federal, talvez, nos ajude a compreender o porquê do silêncio e da lentidão supracitados …
De todo modo, o que veremos agora no Alto Tietê nada mais será do que um simulacro para o que ocorrerá para o Cantareira em meados de 2015. A cada dia a menos de chuva devemos computar vários outros, também a menos, de vida útil desse e de outros sistemas. Enquanto Alckmin busca apresentar uma catatônica tranquilidade e um conjunto de obras que só terá efeito real – e insuficiente – , na melhor das hipóteses, apenas em 2017, milhões de pessoas, já nos próximos dias, ficarão absolutamente desabastecidas. Outros milhões, nos próximos meses. E há boas chances de que outros e outros milhões, abastecidos por importantes sistemas como o Guarapiranga e o Rio Claro, também venham a ficar totalmente – eu disse totalmente – sem água ao longo de 2015. Essa é a realidade.
E agora, SABESP? E agora, Geraldo Alckmin? Até quando manter esse discurso? Até quando culpar São Pedro? Até quando priorizar os lucros bilionários da companhia para os acionistas e deixar de investir em medidas emergenciais? Até quando socializar as perdas, transformando tragédias apoteóticas de gestão em pseudo-heroísmo quixotesco?
Fábio de Oliveira Ribeiro
20 de novembro de 2014 11:49 amA falta de água é um problema
A falta de água é um problema para os paulistas e uma oportunidade para os tucanos embolsarem propinas dos produtores de água mineral que em breve elevarão às nuvens os preços das garrafinhas e galões que envazam. “Fodam-se os cidadãos, nós queremos mesmo é garantir a produção de lucro e, principalmente, lucrar com nossos amigos empresários.” costumam dizer os neoliberais.
wesley
20 de novembro de 2014 12:28 pme sao paulo
o estado de sao paulo se achava mais que o proprio brasil.a historia se repete pela arrogancia,soberba.quase nada dura para sempre e que sao paulo se integre finalmente ao brasil.
Marcos Antônio
20 de novembro de 2014 12:34 pmQuando solicitou 3,5 bilhão a
Quando solicitou 3,5 bilhão a Dilma, Alckmin CONFESSAVA então sua culpa diante do problema da escassez de água!
É um valor muito alto de obras de grande porte que se só se explicam por INCOMPETÊNCIA, por que foram avisados desde 2004!
Era um problema PREVISÍVEL, tecnicamente explicável – sem necessidade de acusar ou esperar por São Pedro!
A liberação de recursos SEM CONDICIONANTES em relação a DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS SABESP será uma AFRONTA aos contribuintes brasileiros.
leonidas
20 de novembro de 2014 12:38 pmInteressante essa cobrança em
Interessante essa cobrança em cima do Alckymin
Pois da a impressão que estive alguem do PT no governo de S Paulo isso nao teria ou estaria acontecendo…rs
É hilario pois no ambito federal ja se anunciou que mantida a estiagem corre-se o risco de haver racionamento de energia.
Esse tipo de critica nao tem relaçao nenhuma com cobrança honesta pois se o estado de S Paulo estivesse na administraçao do PT esses mesmos muto provavelmente estaria digitando aqui no blog defendendo o governo e afirmando que S Paulo passa pela maior estiagem dos ultimos 80 anos e bla bla bla
Patetico…
sergiorgreis
20 de novembro de 2014 12:51 pmPatético é o Wishful Thinking
Patético é o Wishful Thinking de quem, na sanha de defender determinadas posições políticas, vem a hipotetizar comportamentos alheios, de pessoas que sequer conhece, e ainda vem a alegar que a cobrança que estes fazem não é honesta (é a velha falácia do apelo à hipocrisia). Essa postura autoritária – pois pré-julga os outros sem qualquer critério – escamoteia apenas uma grande nuvem de fumaça por sobre os imensos problemas reais de gestão os quais Alckmin não foi capaz de endereçar – e, mais grave, foi sequer capaz de assumir.
leonidas
20 de novembro de 2014 5:07 pmClaro Sergio…rs
Claro…
Claro Sergio…rs
Claro…
Pris
21 de novembro de 2014 12:13 amLeonidas, a administração do
Leonidas, a administração do PSDB tem relação com a crise hídrica sim.
É verdade que enfrentamos um período de seca, mas essa crise poderia ter sido evitada, ou amenizada, com investimentos na manutenção da rede, por exemplo, já que a perda de água do reservatório até o cosumidor final é de cerca de 30%! Isso é água pra caramba, né?
Imagina, de cada 100L, perder 30L. Por falta de manutenção.
E por que isso tem que ver com o governo tucano?
Porque colocaram a SABESP nas mãos de acionistas, que tem como objetivo o lucro acima da prestação de serviços a população.
Não estou condenando o lucro, antes que você diga algo do gênero e me acuse de ser esquerdopata.
Estou dizendo que foi irresponsabilidade sim, e que o governo estadual, nas mãos do PSDB por praticamente 20 anos, se absteve de intervir.
Não existe racionamento oficial no estado de São Paulo. Se preocuparam em avisar os acionistas da SABESP sobre a possível queda dos lucros decorrente da crise hídrica, mas e a população, alguém avisou?
E agora a economia sofre as consequências, e elas ainda estão por vir.
Independente da sua posição política, boa sorte, vamos todos precisar.
Farlaine
21 de novembro de 2014 4:13 pmPris – Administração Sabesp
Pris, acho essa demonização do pagamento de dividendos aos acionistas discutível. Acredite ou não, dentro do
Brasil, as empresas que prestam o melhor serviço de abastecimento para a população tem capital privado (compare a
Sabesp – SP, Sanepar – PR ou Copasa – MG com empresas totalmente estatais, como a Caema – MA, Conab – PI ou a
Compesa – PE). O modelo de gestão única e exclusivamente pública não é garantida de bons resultados.
Fora essa questão dos acionistas, o que eu vejo é que houve sim um processo eleitoral que fez com quem estava no
poder tomasse medidas para garantir a reeleição do que propriamente “fazer o que tinha que ser feito” para minimizar a crise.
Não estou querendo defender a Sabesp e muito menos o atual Governo Paulista (que por sinal, é o maior acionista da
Sabesp) dessa crise. São sim responsáveis por não saber balancear o pagamento de dividendos com investimentos
necessários, como por exemplo em Redução das perdas de água, novas fontes de captação de água, interligação dos
reservatórios ou até mesmo na melhoria da qualidade da água distribuída. Enfim, é um problema ao meu ver muito mais de gestão do que propriamente o fato da Sabesp ter capital privado.
paul moura
20 de novembro de 2014 12:53 pmSe és
Se és de são paulo, logo, logo, terás a resposta. Dolorida resposta!
Francisco BT
20 de novembro de 2014 9:03 pmpo
Prezado Leôndidas,
Não tem nada haver com PT ou PSDB. Gosto sempre de citar desde muito tempo a comparação com governo Ciro Gomes no Ceará. Quando os conhecedores do assunto fizeram chegar ao govero que após um certo tempo, iria faltar água em Fortaleza, ele imediatamente iniciou a criação do canal da Redenção.
Não faltou água para indústria nem para para população. A indústria de bebidas teve que adequar a qualidade da mesma (tecnolgia de osmose reversa).
Comparar o estado do Ceará com o estado de São Paulo para pesquisadores darem um diagnóstico desde é grande. Foi iresponsabilidade de gestão ou não?
Espero que o Ciro, que nunca foi comedido se manifeste.
atc
Milena
21 de novembro de 2014 1:41 amPartidarização
Foi justamente por pessoas com a sua mentalidade que as coisas chegaram a esse ponto.
E o governo sabe disso.
Conhece VOCÊ.
Achou melhor não fazer campanhas de conscientização porque sabe que VOCÊ não quer mudar seus hábitos. E se VOCÊ fosse obrigado a mudar seus hábitos, não votaria pela permanência deste governo por mais 4 anos.
Em SEU nome, por causa de VOCÊ, estamos no meio desta crise.
Não pela falta de chuvas. Não pela falta de investimentos em anos anteriores. Isto até se resolve a médio prazo.
Mas as medidas imediatas, emergenciais para evitar o CAOS que se aproxima não foram tomadas por SUA culpa. Para que o governo continuasse a receber o SEU voto.
bill
20 de novembro de 2014 12:59 pmAtônito!!
Sérgio
Não estou mais conseguindo nem adjetivar o comportamento das autoridades estaduais paulistas em relação à crise hídrica.
Pelos seus dados, se um “dilúvio” não ocorrer até o natal, o alto tietê deve secar até o dia de reis, e olhe lá!!
A situação do cantareira também só tem piorado, mesmo com o início do período chuvoso. As afluências estão baixíssimas!
Creio que cobrar a tarifa mínima sem fornecimento de água dá mais lucro. Pelo jeito esse é o plano de negócios da sabesp para 2015.
Parabéns por tantos alertas fundamentais, e bem fundamentados, sobre essa crise hídrica, em meio à “secura” de informação da grande mídia.
sergiorgreis
22 de novembro de 2014 3:27 amPois é, Bill. Eu passei umas
Pois é, Bill. Eu passei umas horas pesquisando no Diário Oficial sobre a existência de algum processo de contratação de equipamentos para a extração de volume morto de reservatórios do Alto Tietê e só encontrei referências a Biritiba. Estou no momento vasculhando a seção de contratos da própria SABESP – que é bem mais detalhada – p/ ver se encontro algo, até agora sem sucesso. Ainda não tive tempo de ver os documentos que me recomendou. De todo modo, as notícias não são realmente nada boas. E nossa imprensa trata o segundo maior sistema de abastecimento de São Paulo como se fosse uma represa de um vilarejo de outro Estado. Lamentável.
Gilson AS
20 de novembro de 2014 1:22 pmE agora ?
E agora nada.
Ele
E agora ?
E agora nada.
Ele não está lidandondo com um bando de idiotas e otários.
Morrerão todos felizes de bico seco porque não votaram nos petralhas.
DeBarros
20 de novembro de 2014 5:09 pmSapos Paulistas morrerao
Sapos Paulistas morrerao lentamente fervidos e felizes, sob o calor do verao e sob a falta d’agua produzida pela administracao (ou falta de) do nosso ilustrissimo Alkmin.
Pris
21 de novembro de 2014 12:06 amcrise hídrica afeta o raciocínio da população paulista
“Morrerão todos felizes de bico seco por não ter votado nos petralhas”
HAHAHAHAHAHAH
É a primeira pessoa que eu vejo feliz por antever um horizonte de morte por sede.
Mas a realidade é mais dura, ninguém vai morrer de sede tão rápido assim, antes disso teremos as consequências na economia estadual, e também nacional.
“Que já não vai bem, por causa desses petralhas!!” hahahahahah
Aí, meu fígado…
erika erika
21 de novembro de 2014 1:17 pmAlckmin e o desmatamento descontrolado da população hipócrita
É mais fácil criticar o Alckmin que nós mesmos, não é mesmo?
É claro que a culpa é do Alckmin da população invadir as encostas dos mananciais. É culpa dele o desmatamento que desequilibra o clima. É culpa do Alckmin ser eleito em um tempo que as enchentes eram um problema e é culpa dele ser reeleito quando há seca.
Vamos culpar o Alckmin, assim a gente pode continuar gastando água, desmatando e invadindo as cidades próximas aos mananciais. O piano no ombro é só do Alckmin. Ufa, posso dormir tranquila.
JamesFA
21 de novembro de 2014 2:50 pmNão é questão de ser mais
Não é questão de ser mais fácil, e sim de ser mais acurado. Tudo o que ocorre em espaços públicos está sob a égide da gestão pública. Essa é a razão de ser da administração. O fato é que uma série de compromissos foram estabelecidos em 2004 e os governos tucanos foram incapazes de cumprir, tempestivamente, todos eles. Esses elementos também diziam respeito a políticas de fiscalização e controle dos mananciais, a políticas de mudança cultural do desperdício e de uso consciente da água, a políticas de redução de perdas, a políticas de reassentamento de populações que habitam regiões próximas a mananciais. Apesar de tudo, ainda vivemos em uma lógica em que o Estado tem responsabilidades pungentes para a realização dessas transformações. Ou seja, esperar que todo e cada indivíduo, isoladamente, adquira consciência e atue para mudar essas realidades é desconsiderar toda a teoria do planejamento público dos últimos 200 anos. Mudanças comportamentais em nível micro podem ocorrer de forma espontânea. Em sentido macro, é preciso que haja atuações institucionais. Não é difícil de perceber isso na prática.
Dialogando com o que você colocou, a responsabilidade de Alckmin e do PSDB é imensa, pois:
– Em 2002, quando também era governador, sancionou uma nova lei de ocupação dos mananciais a qual, na prática, anistiou mais de 1 milhão de pessoas que moravam em mananciais;
– Nesses últimos 20 anos, 79% das florestas do entorno do Cantareira foram desmatadas. Reportagens dão conta da existência de número absolutamente insuficiente de fiscais.
– Relatórios de consultorias, ONGs e do próprio governo prenunciavam a crise hídrica atual em diferentes épocas: 2001, 2004, 2009, 2011, 2012.
– Se tivesse cumprido metade das obras de expansão dos sistemas produtores ou reduzido a produção de água desde 2012 (quando começou, na verdade, a estiagem, após um período de chuvas excepcionalmente acima da média entre 2009-2011), hoje o Cantareira estaria com mais de 50% de seu volume útil (e não com – 21%).
Eu já escrevi aqui mais de 30 textos sobre a crise hídrica. Abordo várias dessas questões que coloquei acima em cada um deles. Recomendo, em particular, este aqui, que conta o problema de uma perspectiva histórica: http://www.jornalggn.com.br/blog/sergiorgreis/historia-recente-da-gestao-do-abastecimento-de-agua-em-sao-paulo-por-sergio-reis
Em síntese, quem se aventura em política pública não pode responsabilizar o firmamento ou o imponderável pelos problemas que surgem, pois não há óbice que esteja fora de alçada da gestão (em especial em um Estado tão rico financeira, tecnológica e intelectualmente como São Paulo). Essa é a razão de ser do Estado, há séculos.
sergiorgreis
21 de novembro de 2014 5:10 pmSó p/ registrar: quem
Só p/ registrar: quem escreveu essa resposta fui eu, Sérgio. Não sei por que razão apareceu a autoria em nome de outra pessoa. Só me dei conta agora. Vou perguntar à equipe do Jornal GGN se está havendo algum problema de login.
JamesFA
21 de novembro de 2014 6:28 pmMuito estranho. Eu nem tava
Muito estranho. Eu nem tava “logado”. Aliás, nem tinha lido o ‘post’…
Nicolas Richard
21 de novembro de 2014 1:51 pmAtualização dos cenários
Bom dia Sérgio,
Você pretende colocar num próximos post os cenários atualizados para o Cantareira e o Alto Tietê com as novas informações que surgiram (a segunda cota do VM conseguiu ser utilizada a tempo, a vazão diminuiu no A.Tietê e aparentemente não tem VM viável na represa Jundiaí…)?
Aproveitando, você pretende montar tal de um cenário para o sistema Guarapiranga?
Mais uma vez parabéns pelo trabalho de investigação e conscientização.
sergiorgreis
21 de novembro de 2014 5:08 pmBoa tarde, Nicolas, como
Boa tarde, Nicolas, como vai?
Vou tentar produzir uma atualização no começo da próxima semana, incluindo tb o Guarapiranga. Te antecipo que, com relação ao Cantareira, ainda não é possível saber se as obras do Jaguari estão completamente prontas, na medida em que ainda não se baixou da cota 815 e estão bem perto dos limites mínimos da segunda cota do Atibainha (775), e do mínimo operacional do Cachoeira (811,72). Meu palpite, neste momento, é que parte das bombas foi colocada, parte ainda não (o que pode levar, no curto prazo, à “invasão” da terceira cota, até o ponto em que as bombas que foram instaladas no Atibainha para extrair, ainda, a primeira cota, tenham condições operacionais de fazê-lo – depois disso, naturalmente, ocorre a interrupção do abastecimento). Vou explicar isso em detalhes nesse post. Um abraço
Nexus6
21 de novembro de 2014 8:14 pmLimites Mínimos
Prezado Sérgio,
O limite mínimo da 2ª cota do Atibainha e o mínimo operacional do Cachoeira serão alcançados quando os percentuais de volume dos reservatórios chegarem a zero? Ou o cálculo do volume dos reservatórios, realizado pela Sabesp, extrapola esses limites?
Parabéns pelo trabalho!
sergiorgreis
22 de novembro de 2014 2:45 amOi, Nexus, como vai?
Oi, Nexus, como vai? Obrigado.
Na verdade, não. O zero do gráfico da SABESP, neste momento (digo dessa forma pq eles já alteraram várias vezes as representações visuais e os cálculos representados, a partir da inclusão das cotas de volume morto), significa o esgotamento de 80 bilhões de litros da segunda cota do Jaguari-Jacareí (chegando à cota 807), o zero operacional da represa Cachoeira (sem entrar em seu volume morto próprio, o qual não sabemos se é extraível), e ao esgotamento da segunda cota do volume morto do Atibainha (chegando à cota 775 – neste momento, está na cota 775,20, ou seja, essa parcela praticamente já acabou). No total, são 106 bilhões de litros. Na prática, a ANA liberou cerca de 100 bilhões desse total até agora, pq não autorizou que a represa Jaguari desça da cota 817,5 (já que, a partir daí, ela se “desconecta” do Jacareí pq o túnel que liga as duas se encontra nessa altura). Há, ainda, uma “terceira” cota, simbolizada pelos volme abaixo dos mínimos atuais do Cachoeira e do Atibainha (não dá p/ considerar que seja tecnicamente possível retirar mais nada do Jaguari-Jacareí após o fim da sua segunda cota; aliás, eu diria que nem toda a segunda cota é extraível). Na prática, contudo, essa terceira fatia, se retirada, causará problemas absolutamente imensos c/ o PCJ, pq, se retirados, impedirão as vazões previstas em outorga para essa bacia – deixando Campinas e região completamente desabastecidas. Será o caos completo, c/ decorrente judicialização pesada. Não sei se me fiz claro. Um abraço
Nicolas Richard
22 de novembro de 2014 9:37 amObrigado
Perfeito Sérgio. A medida que entramos nos estágios mais críticos desta crise vai ser indispensável ter tua contribuição com cada vez mais frequência … Para até poder ajudar cada um de nos a montar seu plano de contingencia individualizado sabendo com antecedência a data provável de esgotamento de tal ou tal reservatório.
Pois diante da inação das autoridades (cadê o racionamento drástico oficial e para todos? Quando chegaremos no ultimo 1% de cada reservatório???), a probabilidade de protestos violentos por parte de milhões de pessoas nos meses que vêm esta subindo cada dia mais…
Luiz Maia
21 de novembro de 2014 6:33 pmParabéns
Sergio
Tenho acompanhado com grande interesse os seus artigos sobre a Crise da Água na RMSP.
Parabéns peo seu trabalho.
Continue nos informando.
Milena
9 de dezembro de 2014 10:14 pmacharam um novo
Olá, Sergio, parece que existe “geração expontânea” de Volume Morto… veja:
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/12/1559854-sabesp-ja-fez-pedido-para-usar-volume-morto-do-alto-tiete-diz-alckmin.shtml
roberto c
10 de dezembro de 2014 6:49 pmCaro Sergio, será que o
Caro Sergio, será que o descaso não tem a ver com o publico alvo do alto Tiete?