O lançamento ao mar da Fragata Cunha Moreira, terceira embarcação do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), em Santa Catarina, marcou um novo passo na estratégia do governo federal de fortalecer a indústria naval e ampliar a capacidade tecnológica da indústria de defesa brasileira.
Integrado à política da Nova Indústria Brasil (NIB), o programa combina investimentos públicos, nacionalização de tecnologia e geração de empregos qualificados. Ao todo, o PFCT reúne investimentos estimados em R$ 13,9 bilhões entre 2019 e 2030, dos quais R$ 10,5 bilhões fazem parte do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).
Segundo o governo federal, a iniciativa deverá gerar cerca de 23 mil empregos ao longo de sua execução, sendo 2 mil diretos, 6 mil indiretos e 15 mil induzidos.
A cerimônia contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra da Casa Civil, Miriam Belchior. Ao destacar os objetivos do programa, Belchior afirmou que o Novo PAC busca ampliar a capacidade produtiva e tecnológica do país, estimulando a produção de bens de alta complexidade e preparando a indústria brasileira para competir em mercados internacionais.
A Fragata Cunha Moreira é a terceira das quatro embarcações previstas pelo Programa Classe Tamandaré. Embora o lançamento ao mar represente uma etapa importante da construção, a entrega definitiva à Marinha do Brasil está prevista para 2028, após a instalação dos sistemas de combate, armamentos e demais equipamentos embarcados.
Durante o evento, Lula afirmou que o fortalecimento da indústria de defesa faz parte da estratégia de desenvolvimento nacional. Segundo o presidente, investimentos em áreas como defesa, educação, saúde, inteligência artificial e transição energética são pilares para ampliar a soberania e a capacidade tecnológica do país.
Mais do que modernizar a frota da Marinha, o Programa Classe Tamandaré busca consolidar competências industriais no Brasil. As embarcações incorporam sistemas de alta tecnologia e são produzidas com transferência de conhecimento para empresas nacionais, permitindo que fornecedores brasileiros participem da fabricação, manutenção e modernização dos navios ao longo de todo o seu ciclo de vida.
O projeto também estimula a cadeia produtiva da indústria naval e de defesa ao ampliar a nacionalização de componentes e desenvolver fornecedores locais. Segundo o governo, os efeitos econômicos extrapolam o estaleiro responsável pela construção das fragatas, alcançando empresas de diversos segmentos industriais e contribuindo para a formação de mão de obra especializada.
Quando concluído, o Programa Fragatas Classe Tamandaré entregará quatro navios militares de alta complexidade tecnológica para a Marinha do Brasil. As embarcações reforçarão a capacidade de patrulhamento da chamada Amazônia Azul — área marítima com mais de 5,7 milhões de quilômetros quadrados —, além de apoiar operações de busca e salvamento e o cumprimento de compromissos internacionais do país.
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