8 de junho de 2026

Democracia, estabilidade e volta à normalidade

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Por Ion de Andrade

Ou de como vencer Tulius Detritus

Um dos episódios de Asterix o gaulês tem por título “A Cizânia”, um termo bem raro para designar desarmonia e discórdia entre aliados. Essa Cizânia é protagonizada entre os gauleses pelas forças romanas, comandadas por um certo Tulius Detritus. Ao término do episódio, a aldeia gaulesa está unida de novo. Procurem Tulius Detritus, ele se parece com alguém.

Saiamos da Gália romana e voltemos ao Brasil, ao nosso funesto momento de onde vislumbro luz ao fim do túnel.

Senão, vejamos:

Apesar de toda a pressão sustentada na mídia e da manifestação do dia 15 vindouro, a direita golpista está perdendo fôlego…

Façamos uma breve retrospectiva e veremos que a sua malignidade vem sendo obrigada a recuar.

Logo no pós eleições essa direita mobilizou manifestações pífias de rua pela volta do regime militar. A cantilena golpista atingia ali, no pós eleição a sua face mais autêntica. Caiu no ridículo. As esperanças golpistas passaram a ser alimentadas, então, pela caneta de Gilmar Mendes, que iria de certeza desacreditar as contas de campanha de Dilma… Na realidade foi Alckmin quem teve as suas contas rejeitadas. Finda essa esperança as atenções se concentraram, por um breve período, na auditoria que o PSDB faria das urnas, (exceto as de São Paulo…). Fracassadas todas as tentativas o impeachment veio a ser alimentado como grande alterantiva. Sem sucesso. Agora já querem sangrar a presidenta…

Ao mesmo tempo a operação Lavajato ia enlameando o Estado nacional com os seus vazamentos seletivos. Foram vazados os parlamentares do PT e os presidentes da Câmara e do Senado.

Uma greve de motoristas (…) de caminhão não conseguiu o sucesso previsto de arruinar o país e a normalidade voltou às estradas.

Finalmente o Ministério Público entregou a sua lista ao STF. Constatou-se que o esquema partidário envolve o PP. Grande decepção para a direita, porque os vazamentos seletivos focados no PT fizeram crer que haveria dezenas de petistas. O PMDB, apesar dos inquéritos contra Renan e Cunha, tampouco parece institucionalmente envolvido. Derrota dupla.

São convocadas então manifestações de rua. Contra o quê, mesmo? Sim, é um fora Dilma. Entrementes o PSDB já desistiu do impeachment…

O que virá depois? Penso que virão tentativas de novas manifestações.

Quem assistiu às manifestações de junho sabe que há uma catarse e que depois as dificuldades para a manutenção do fôlego do movimento na rua são imensas. Para completar o poder federal não está em São Paulo e a manifestação mirará um poder distante. A direita brasileira não tem a mesma sorte que tem a da Venezuela que se manifesta na própria capital.

Então o tempo começa a jogar contra a direita.

As cartas foram baixadas e o jogo está quase terminando. Ao que parece a democracia resistiu e, apesar dos desgastes tremendos, a presidenta sai incólume.

Mas há uma normalidade a ser recuperada. Essa normalidade exige entendimentos entre o PT e o PMDB e entre o Executivo e o Legislativo.

A iniciativa política está nas mãos de Dilma que deve recompor a sua governabilidade. Renan e Cunha, cujos nomes estão na lista de Janot, ainda não foram condenados e são, legitimamente, os presidentes do Congresso Nacional. Não vamos nos esquecer que esse Estado de direito que aí está, tão cheio de vícios, é o que de melhor construímos em 500 anos de história. Não dá para perder o menino com a placenta. Então a presidenta deve fortalecer o poder legislativo que foi vítima tanto quanto o executivo da sanha da direita golpista.

O Executivo e o Legislativo devem protagonizar nova rodada de normalidade institucional. Esse fortalecimento recíproco, e não das pessoas, mas dos poderes constituídos, será fatal para os golpistas que querem desunidas as forças democráticas, entendidas aí, antes que me entendam mal, como aquelas que devem, talvez apesar delas mesmas, dar sustentação ao Estado de direito, contra os que querem derrubá-lo, portanto trata-se de um adjetivo bastante circunscrito a um papel institucional e a uma dinâmica da política real.

Tulius Detritus encarna a direita e o PIG. Certo, o PT e o PMDB não se amam muito. Creio porém, que a força adulta da relação é o campo progressista, que até incllui alguns pmdebistas. Os progressistas, como o “adulto” da relação que são, têm, queiram ou não, a responsabilidade maior de assegurar a sobrevivência e o aprofundamento da democracia. Têm, por dever de ofício, que desempenhar o protagonismo em nome de um bem maior.

Vamos vencer os golpistas com o exercício ostensivo da normalidade institucional. Isso lhes será terrível. Lhes será fatal.

Ion de Andrade

Médico, epidemiologista e pediatra, professor universitário e militante do SUS e dos movimentos urbanos.

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22 Comentários
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  1. Marcos K

    11 de março de 2015 12:12 pm

    De fato, PT e PMDB nada tem

    De fato, PT e PMDB nada tem em comum, mas pelo menos com o PMDB é possível negociar, pois ele sempre se vende por um preço. 

  2. joão adalberto

    11 de março de 2015 12:31 pm

    Joaquim Barbosa

    “Muitos vêem o que se passou ontem na Câmara dos Deputados sob ótica puramente partidária. É um tremendo erro. Por quê? Partidos são meros instrumentos. Nossa nação não se construiu e tampouco se define à luz de momentâneos interesses partidários.”

    http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2015/03/11/barbosa-depoimento-de-barusco-foi-chocante/

  3. Átila

    11 de março de 2015 12:39 pm

    Exatamente

    Muito bom artigo. Sigamos respirando e garantindo o ‘exercício ostensivo da normalidade institucional’, nada seria mais importante do que isso.

    Resumindo, tudo sob controle e o futuro é próspero para os justos. Em 500 anos nunca possuímos um histórico tão positivo (vide estatísticas dos últimos 15 anos: aumento do ingresso em universidades, aumento do emprego, aumento do poder de compra, aumento do salário mínimo, maior cobertura de vacinação, vontade de buscar maior igualdade de oportunidades, acabar com inustiças históricas – aposentadoria de senadores, por ex.), então só posso esperar um futuro melhor. Mesmo com toda a pirraça de um ou outro infante mais desavisado, à estes dedicaremos paciência e didática.

    Sigamos com os justos. Os justos são dos meus – e os meus são nossos. Certo disto.

    Bom dia á todos.

  4. M.C

    11 de março de 2015 12:41 pm

    É o Golpe, é o golpe!
    Claro

    É o Golpe, é o golpe!

    Claro que depende da manifestação.

    Quando o MST invade e depreda, é movimento social.

    Não vão entender o paneleço nunca!

    1. Francisco_de_Assis

      11 de março de 2015 1:25 pm

      O MST é movimento social, o paneleço (sic) é movimento socialite

      O MST é movimento social, o paneleço (sic) é movimento socialite

    2. Álvaro Noites

      11 de março de 2015 2:47 pm

      Afff

      Mais um “revoltado online”.

  5. Álvaro Noites

    11 de março de 2015 12:44 pm

    Quero crer nisso também.
    Vejo

    Quero crer nisso também.

    Vejo que ao mesmo tempo que há um ódio crescente da direita, muitas pessoas já estão cansadas desse tipo de polarização.

    No mais, basta lembrarmos que o início da “malhação do Judas” contra a Petrobrás, o caso Pasadena, veio por obra do Tulius Detritus da Mooca, através das mão de certo “imbassado” baiano.

  6. saulogeo

    11 de março de 2015 12:52 pm

    Tudo pode mudar de figura se

    Tudo pode mudar se houver  um cadáver nas manifestções do dia 15 e alçado à condição de martir….

    O complicado é o  governo dormir com o inimigo.

    O PMDB não sabe a hora de desembarcar do governo.

    A inclusão do Renan e do Cunha embaralha todo o jogo. Se ficar o bixo come, se correr o bixo pega.

    O Temer vai ter que rebolar para segurar a moçada.

    E o Kassab, hein?

    Vai aproveitar a oportunidade do cavalo selado?

  7. jc.pompeu

    11 de março de 2015 12:57 pm

    buraco negro atraente da democracia e que tais é mais embaixo…

    “Na época dos reis, dizia-se ao sujeito: Você era súdito do rei A, agora o rei A morreu e olhe!, você é súdito do rei B. Então chegou a democracia e o sujeito pela primeira vez se defrontava com uma escolha: Vocês (coletivamente) querem ser governados pelo cidadão A ou pelo cidadão B?

    O sujeito se vê sempre confrontado com o fato consumado: no primeiro caso com o fato de sua sujeição; no segundo, com o fato da escolha. A forma da escolha não está aberta a discussão. A cédula de votação não diz: Você quer A ou B ou nenhum dos dois? Certamente jamais dirá: Você quer A ou B ou ninguém? O cidadão que expressa sua infelicidade com a forma de escolha oferecida através do único meio que lhe resta – não votar ou anular o voto – simplesmente não é contado, quer dizer, é descontado, ignorado.

    Diante da escolha entre A e B, dado o tipo de A e o tipo de B que geralmente chega à cédula de votação, a maioria das pessoas, pessoas comuns, tende, em seu coração, a não escolher nenhum. Mas isso é só uma tendência, e o Estado não lida com tendências. Tendências não fazem parte da moeda corrente da política. O Estado lida com escolhas. A pessoa comum gostaria de dizer: Alguns dias eu tendo para A, outros dias para B, a maior parte dos dias eu sinto simplesmente que eles deviam sumir; ou então, Um pouco A, um pouco B às vezes, e outras vezes nem A nem B, mas alguma coisa bem diferente. O Estado sacode a cabeça. Você tem de escolher, diz o Estado: A ou B.

    “Disseminar democracia”, como vem sendo feito pelos Estados Unidos no Oriente Médio, quer dizer espalhar as regras da democracia. Quer dizer falar às pessoas que, onde antes não tinham escolha, agora têm uma escolha. Antes tinham A e nada além de A; agora têm uma escolha entre A e B. “Disseminar a democracia” quer dizer criar condições para as pessoas escolherem livremente entre A e B. O disseminar da liberdade e o disseminar da democracia andam de mãos dadas. As pessoas engajadas em disseminar liberdade e democracia não enxergam nenhuma ironia na descrição do processo feita anteriormente.

    Durante a Guerra Fria, a explicação dada pelos Estados democráticos ocidentais para banir seus partidos comunistas era que um partido cujo objetivo declarado é a destruição do processo democrático não pode ter permissão para participar de um processo democrático, definido como a escolha entre A e B.

    Por que é tão difícil falar alguma coisa sobre política fora da política? Por que não pode haver discurso sobre política que não seja ele próprio político? Para Aristóteles, a resposta é que a política está embutida na natureza humana, isto é, faz parte de nosso destino, como a monarquia é o destino das abelhas. Lutar por um discurso sistemático, suprapolítico sobre política é inútil.”

    Diário de um ano ruim, de J. M. Coetzee. Trad. José Rubens Siqueira. Companhia das Letras, 2008.

  8. luka

    11 de março de 2015 1:06 pm

    Visto por este lado, a

    Visto por este lado, a manifestação de rua do dia 15 pode ter efeito contrário. 

    O “fora Dilma” que os levará às ruas pode ser o único tema  que os una, daí em diante é uma heterogeinidade de comportamentos assustadores que afasta e desistimula vários dos presentes. Um moderado que veja um radical com propostas dúbias, percebe que não há ali um espelho. Quem é contra a corrupção em todos os setores terá que se confrontar com quem é contra a corrupção apenas do PT.

    Será que aceitarão a presença de manisfestantes contra a corrupção nos governos do paraná, são paulo e minas?

    No fim das contas, acho que aquele parente reaça deve ser estimulado a participar. Ele tem que ver onde está metido. 

     

  9. Athos

    11 de março de 2015 1:34 pm

    Foi o exercício da
    Foi o exercício da normalidade que fez do golpe de 64 um sucesso.
    Tem é que baixar o sarrafo, sentar o bambu, tocar o rebu ou seja o que for mas normalidade não.

    Agora é a hora da violência!

    1. wendel

      12 de março de 2015 2:14 am

      Calma……………

      Calma Athos, voce está muito violento.

      É exatamente isto que eles querem, tumultos, badernas, quebra-quebra, e a quem voce acha que eles irão culpar?

      É muito importante nesta hora a calma, mesmo porque, voce como comentaristas diuturno deste site, como eu, sabe muito bem que está por trás destes movimentos de desestabilização do governo.

      Os agentes infiltrados, tanto nacionais como estrangeiros, e até suponho com ganhos elevados, tudo farão para provocar um acidente, quiça com morte, tal qual na Venezuela, para culpar os movimentos sociais e por tabela o governo dilma. 

      A NSA, está imbuida de desestabilizar os governos progressitas da AL e AS, por conta da perda da hegemonia que vem acumulando. 

      Coloque junto o Pré-Sal, os jatos, a aliança dos BRINCS, e a formação do Banco e vários outros procedimentos que eles não engolem e teremos os motivos para uma derrubada do Governo Petista.

      1. Athos

        16 de março de 2015 4:48 pm

        Mas só o Brasil tem o

        Mas só o Brasil tem o supertrunfo. Aqui o Governo federal não é responsável pela segurança!

        Supertrunfo!

        Só por causa disso não vemos snipers atirando nos manifestantes…

        Mas isso não muda meu posicionamento. Se esquentar o clima, a direita(a aliada aos aliens) perde e o Brasil ganha!

         

        PS. Dilma e o PT, Os Idiotas, estão criando uma força nacional!!!

  10. Natanael Mücke

    11 de março de 2015 1:35 pm

    Falha temporária no curso da evolução brasileira

    Falha temporária no curso da evolução brasileira

     

    Natanael Mücke – economista

     

    O presidente Lula terminou o mandato com popularidade tal para escolher – impôs ao partido – e eleger a sua sucessora. Falando em término o fim do primeiro mandato de Dilma coincide com um período de falha temporária no curso da evolução que o Brasil vinha experimentando. Essa falha temporária também coincide com o aprofundamento e para alguns o fim da crise internacional iniciada em 2008.

    Essa falha no curso da evolução faz com que as relações entre as classes sociais, se tornam tensas e deformadas. Nestes momentos, como preconiza Karl Mannheim: “a consciência de classe dos grupos em conflito apresenta um aspecto confuso”. Mannheim escreve isto no inicio do século XX. Vejam que passado quase um século isto ainda é muito atual.

    Entre tantas manifestações das redes sociais vou ficar com a da dona Lídia – vou trata-la apenas pelo primeiro nome – ela ao comentar um texto de Luis Fernando Verissimo assim se expressa: “Eu também fico contrariada quando dizem que são os ricos que estão com esse ódio. Eu e meu marido juntos não ganhamos o suficiente para sermos considerados ricos e também estamos com esse ódio. Nossa vida financeira vai de mal a pior… Não há esperança de melhoras… A crise está aí, para todos (com exceção da Dilma, claro) e a inflação a nos devorar… E são os ricos que estão com ódio? Qual o conceito de ricos para essa corja?”

    Bem, Mannheim continua: “em períodos tais, é fácil emergirem formações transitórias; surge a massa (aqui a dos que tem ódio), porque os indivíduos perderam ou esqueceram suas orientações de classe. É em tais momentos que se torna possível a ditadura. O conceito fascista da história e seu método intuitivo, que serve de preparativo para a ação imediata (impechmment), transformaram uma simples situação parcial em concepção total da sociedade.”

    O que tantas pessoas que se dizem “com ódio” querem? Substituir a ordem social por outra? Não e mais uma vez a Dona Lidia dá importantes pistas da resposta quando diz que “fica contrariada quando dizem que são os ricos…”. Em nenhum momento ela menciona que a crise pode ter uma origem no rentismo, na apropriação da riqueza por uma minoria. O que ela deseja é apenas substituir um grupo dirigente (a Dilma) por outro.

    O título faz referencia a um período de falha temporária no curso da evolução econômica brasileira, iniciada pelo presidente Lula e que promoveu um crescimento da economia a partir da construção de um mercado interno originado do aumento real dos salários e das políticas de distribuição e geração de renda. Essa falha precisa ser corrigida. Tal correção terá êxito se for feita no campo político com a recuperação da confiança de atores chaves no processo de desenvolvimento do país. E novamente é Lula o fiador desta confiança. Por isso, é temido pelas elites golpistas a aproximação – ainda que longe nunca estiveram – de Dilma e Lula. 

  11. joao

    11 de março de 2015 1:55 pm

    sonhador!
    Gosto muito dos loucos, poetas, putas(os), matematicos, lunaticos, pensadores, pessoas imaginativas e que veem coisas, gosto dos bons vagabundos e dos musicos. Dos velhos sambistas.
    Cacete o que tem a haver com o Poster?
    Sonhadores sao terriveis e nao estao nesta classe acima!
    Sonhadores,em minha opiniao particular, sao mentiras.
    muita gente confundi sonhadores com outros acima!
    Ora num existe democracia e nem um sistema estavel.
    a democracia eh a maioria fudendo a minoria, por principio e logo encontramos o deslocamento do equilibrio democratico, quando uma minoria possui o poder economico concentrado neles controlando a economia, informacao, industrias etc para manter. A luta capital verso trabalho. Latifundiarios ( compreenda o estado tambem) contra trabalhador do campo.
    Caracas vem um texto desse com democracia, estabilidade e um Brasil maravilhoso.
    Este eh um texto de sonhador!

  12. Clovis Sena

    11 de março de 2015 1:58 pm

    dia 15 só vou se tiver champanhe

    Ja vou avisando, só vou pra manifentação do dia 15 se tiver champanhe, e o Lobao cantando suas músicas de protesto.

  13. Mogisenio

    11 de março de 2015 2:22 pm

    Transformação JÁ!

    Olá debatedores, bom dia

    sou a favor da democracia. Ora, náo é a toa que me dirijo aos caros cidadãos colegas  que aqui frequentam , tratando-os como “debatedores”.

    Afinal, se temos democracia então vamos debater! E muito, antes de qualquer aprovação de projeto de lei!

    Mas, desde logo é preciso perguntar:

    De qual democracia estamos falando?

    Será que o Brasil é realmente democrático? Minha opinião: no Brasil, e certamente em outros cantos do mundo, a autocracia é travestida de democracia. No fundo, no fundo, quem manda é a autocracia e suas variaçoes. Ou seja, todos nós adoramos citar o vocábulo “democracia”  mas, no fim e ao cabo, a contrário senso, uns mandam e outros obedecem num ambiente  desonesto de REGRAS DO JOGO.

    Agora, convenhamos, é possível existir democracia dentro de um  sistema capitalista? Calma!  Por favor, antecipo-lhes que com essa pergunta não estou querendo nem mesmo insinuar a defesa do planejamento central econômico, ou que se pretende agir  contra a liberdade de expressão, ou que a propriedade privada não deve existir etc. Afinal, todas essas instiuições já foram  FUNDAMENTALMENTE  GARANTIDAS  em   nossa última carta constitucional! Portanto, descabe falar em restrição de liberdade de expressão, desapropriação de propriedades privadas, etc, desde que respeitem o mesmo pacto de 1988!

    Mas, sendo  possível ou não tal convivência uma coisa é certa:  é  flagrantemente notório que não há como defender  ESTABILIDADE num sistema democrático e capitalista, carregado de MÁ-FÉ assegurado pela  pacta sunt servanda apenas.  Evidentemente, não estou querendo dizer que se não há estabilidade então temos de viver em GUERRA. Nada disso, conquanto, no mundo já tivemos exemplos recentes do quão feroz é o sistema capitalista, se ameaçado!  A propósito, e o CONSELHO DE GUERRA heim…?

    Voltando.

    Em suma, democracia está mais para TRANSFORMAÇÃO do que para ESTABILIDADE.

    ****

    Agora indo pra outra.

    No cenário atual brasileiro (  para não me delongar demais) a percepção que se tem( sim, isso mesmo,  trata-se de uma percepção uma vez que vivemos num mundo de FALÁCIAS onde as informações são produzidas pelos “empresários”) é a de que o papel TRANSFORMADOR da democracia está cada vez mais claro.  Instituições –  é claro, são instiuições e devem ser respeitadas –   não são DEUSAS, ou melhor, DEUSES (sexo feminino não tem muitas vezes nessa ceara mito filosófica)  detentores de “verdades verdadeiras”!

    Obs: lembra do Sócrates,  aquele que perguntava e desmontava os SOFISTAS. E estes? Será que o pig spirituals animals, mais conhecido como “alguns empresários brasileiros” , sofistas,  pseudo bandeirantes, desbravadores,porém,  antagonistas –  invasores de propriedades dos comunistas indígenas –  mas que hoje, defendem  com unhas e dentes ou com “dente por dente unha por unha” a sua  propridade privada e SEM função social!,  são defensores dos direitos  humanos mesmo ? Ou são os melhores amigos do homem, isto é, da declaração de  direitos DO HOMEM? Seriam estes os  cínicos(cão) e melhores amigos do homem?Pois é.

    Uma  instituição , repito, deve ser realmente respeitada num ambiente realmente democrático. Todavia, não devemos esquecer: elas  também tem o PODER , ainda que não queiram , de “criar verdades”.   Criam informações verdadeiras!

    Ocorre que as informações da democracia NÃO DEVEM SER  ou náo deveriam ser CRIADAS APENAS NAS INSTIUIÇÕES. Ou melhor, as instiuições é que devem ser criadas pelas “verdades” democráticas. Criadas pelas verdades  povo, portanto, e não pelas verdades dos  “representantes” do próprio umbigo!

    ****

    Por fim, é preciso deixar bastante claro que a percepção que temos é a de que no Brasil  muitos cidadãos  não estão nem aí para a democracia. Não querem saber de debate algum. Pouco se preocupam para o desenvolvimento econômico e social do país ( é claro, gostam de crescimento econômico apenas!) Parecem que nunca leram a própria “certidão de nascimento” do atual Estado DEMOCRÁTICO DE DIREITO desta REPÚBLICA FEDERATIVA. Quando muito, pagam intérpretes para realizarem essa tarefa em prol de seus únicos e exclusivos interesses e sua prole. Interesses estes devidamente ( ou indevidamente)  assegurados pelo SUCESSÃO E A HERANÇA!

    Ora, convenhamos de novo, dá pra falar em democracia e estabilidade num ambiente desses?

    Apenas alguns  exemplos para finalizar:

    Eu topo. Eu concordo  com as MP´s  664, 665, ( mesmo que: 6 mole, 6 dura! Sem problemas.)

    Mas, quero ver o imposto sobre grandes fortunas já. Imediatamente aprovado.

    Quero ver também a atualização da lei , salvo engano, de 1962 ( época do Jango heim, é mole!?) sobre REMESSA DE LUCROS.

    Quero que espalhem por esse país o IMPOSTÔMETRO. Sem problemas. Mas quero que espalhem também , na mesma proporção, o SONEGÔMETRO. Ah, quero a lista completa do HSBC!

    Vamos reduzir a tributação INDIRETA, do  consumo. Vamos tributar mais quem ganha mais. Que tal tributármos os DIVIDENDOS?

    Vamos economizar água, sem dúvidas. Mas que tal abandonarmos os MINERODUTOS. Que tal favorecermos o transporte ferroviário? E as hidrovias,  quando começam  a operar?

    E a educação? E a saúde? E os demais direitos sociais? Vão sair do papel quando mesmo? Sair no sentido de regulamentar e não de sair apenas, como na 6 mole e meia dura acima!

    Enfim, nesse ambiente  de ENGANÇÃO DEMOCRÁTICA,  com uns enchendo o RABO de dinheiro e outros ganhando a MERDA que sai daquele rabo, após retira a comida da PANELA!,  não nos resta muita coisa a não ser , realmente, APELAR PARA A DEMOCRACIA. Para a democracia TRANSFORMADORA que, diga-se de passagem,  é sim , da MAIORIA , porém,   respeita os direitos da minoria.  É preciso dizer isso por que nem isso, “da maioria que respeita a minoria”, a  turma de saqueadores das riquezas brasileiras, que costumam defender a meritocracia sem nenhum mérito,  querem  aceitar.

    Logo, vão à merda com panela e tudo,  bando de saqueadores!

    Obs: Presidenta Dilma, votei em Vossa excelência e continuo votando e a aplaudindo! Boa sorte e bom trabalho, doa a quem doer, esse é mais um de meus votos!

    Saudações
     

     

  14. Juliano Santos

    11 de março de 2015 2:24 pm

    Gostei desse post que diverge

    Gostei desse post que diverge da histeria que vem tomando conta da blogosfera. No entanto, acho-o otimista demais. Não leva em conta que o governo, apesar de ter esgotado sua cota de erros, continua cometendo-os sem parar.

    Veja bem, o que fazem durante a semana que antecede a tal manifestação do dia 15? Dão oportunidades preciosas para o Tuliis Detritus promover a marcha. Avisa com antecedência sobre o pronuciamento do dia da mulher, permitindo um planejamento bem feito. Inclusive para as madames aprenderem onde ficam as panelas. Depois no dia seguinte a Dilma aparece em público. Onde? Em São Paulo, em região de classe média.

    O que vai acontecer é que a campanha golpsita que poderia arrefecer a partir da lista do Janot, pode ser turbinada se forem 200 mil nas ruas de SP, como preve o Azenha. O governo poderia ter trabalhado para esfriar a ato, mas ao contrário, vitaminou-o!

    Certo que mesmo que vá essa multidão de coxinhas não quer dizer que o governo cai no dia seguinte. Mas manterá o clima em ebulição. E aí quando os ajustes do Levy cobrarem a conta no povão, não sei não.

    Dá tempo de evitar isso, claro. Mas é preciso desarmar a pressão colocada sobre si. O que o governo não faz. A unica coisa que tem “defendido” a Dilma até agora são os erros do outro lado. Alias, o erro. Que é o perfil do coxinhas golpista. Boçal e machista xingando a presidenta da vaca e vagabunda*. O que pode afastar o cidadão comum.

    *Lembrem que um dos erros do Aécio foi chamar Dilma de leviana. A partir daí ela passou a liderar entre as mulheres

  15. Maria Silva

    11 de março de 2015 3:09 pm

    É uma lanterninha

    no fim do tunel. Mas já é alguma coisa. As pessoas estão tão cegas de ódio que nem enxergam ende estão se metendo. Não há possibilidade de diálogo ou um minimo de sensatez. O que há de mais sombrio e funesto na alma e no subconscinete, afloram com toda força. Aquela difinição de “gente fina, elegante e sincera”, não existe mais. São capazes de tudo. E se um cadaver aparecer, até mesmo de fabricar um cadáver… 

  16. Alcarpinteiro

    11 de março de 2015 5:41 pm

    Chá com Rivotril ou o controle remoto?

    Acompanhando o humor dos comentários de leitores dos chamados blogs sujos, tenho a sensação de fim de mundo. Os comentários refletem fielmente a agenda catastrofista dos jornais e telejornais. É surpreendente, visto que os leitores dizem ser aqueles que não se deixam manipular pela mídia. Pois é exatamente isso o que ocorre. Os leitores comportam-se como os habitantes de um galinheiro invadido por uma raposa.

    Modestamente, eu encontrei a fórmula para não me deixar contaminar. Faz meses que não leio jornais, nem vejo telejornais. Informo-me pelos blogs sujos, os únicos que trazem informações positivas a respeito do país. Quando vem a calhar de estar na frente da tv, ao começar o jornal da globo, aguardo William Waak aparecer na tela, olhar para a câmera e dar aquele sorriso com os cantos da boca. Eu olho diretamente em seus olhos, sorrio para ele da mesma maneira, aponto o controle remoto e mudo de canal. Logicamente, ele não saberá disso, mas a rede globo terá perdido um telespectador naquele momento. Asseguro-lhes que minha vida melhorou. Tudo o que é importante saber, chega até mim pouco depois, mas chega, e melhor, sem aquele lixo tóxico que nossa mídia distribui.

    A blogosfera suja transformou-se em um mero amplificador da agenda midiática. Retruca-se o que fala Merval, revolta-se com o que publica a folha, indigna-se com o que escreve Noblat e vomita-se com o que fala Reinaldo Azevedo. Isto é abdução. Há alguns dias, o Tijolaço falou sobre isso transversalmente ao informar que um gigantesco casco de navio chegou a um estaleiro na baia da Guanabara para se transformar em uma plataforma da petrobras. Reclamava que nenhum jornal tratou do assunto. Preferem destacar o que falou meliantes delatores da lava-jato do que descrever os efeitos positivos daquela grande obra de engenharia. Ocorre que os blogs sujos também não destacaram a chegada do navio, uma vez que estão aderidos à agenda midiática.

    Na campanha passada, mídia e oposição partidária entraram em ressonância. Praticam uma agenda negativa contra o governo que não se detém diante da realidade. A oposição partidária quer voltar ao poder, o que é legítimo, e a mídia luta pela sobrevivência, e para isso pratica o vale tudo por dinheiro, o que não é ético. Mas a vida vale mais do que a ética. A eleição foi vencida pelo governo, mas as oposições não desceram do palanque. Ao contrário, rufam os tambores cada vez mais forte. A classe média tradicional, mais vulnerável à pregação midiática, foi quase toda tomada de assalto e replica acriticamente o que ouve e lê. A vida é assim, uns conduzem, outros são conduzidos, como diz aquela bandeira.

    Os apoiadores do governo se desesperam cobrando uma reação por meio da comunicação governamental. Lei de meios, gritam uns, política de comunicação mais ativa, exigem outros. Nas condições atuais, pouco pode ser feito, esta é a verdade. É a grande mídia quem tem acesso à classe média que sequestrou. De que adianta o governo divulgar, se esta mídia não divulga? Só sabem da chegada do navio, os que cruzaram a ponte. Quem mora na baixada, não ficou sabendo. Os blogs sujos não têm acesso a esse grupo e preferem ir a reboque da mídia.

    A sorte do governo é que as circunstâncias estão a seu favor. Primeiro, faz apenas três meses que tomou posse. Não é possível levar esta campanha midiática até a próxima eleição. Mesmo o mais imbecil telespectador vai se encher de tanta lava-jato e trocar de canal para ver mais um episódio repetido de chaves (aquele não bolivariano). Se optar pelo impeachment, terá dificuldades de convencer a população a afastar a presidenta, contra a qual não há acusação direta, e manter o congresso intacto, apesar de todas as acusações contra seus líderes. Além do mais, quem assumirá o governo seria o PMDB de Temer. O PSDB não vai trabalhar para colocar outros no poder.

    Portanto, meus caros, não resta às oposições outra alternativa senão continuar a bater bumbo até que ninguém suporte mais ouvir. A nós, leitores, telespectadores e simpatizantes do governo resta usar o controle remoto ou fazer uso do rivotril para suportar a militância midiática que ainda vai piorar, antes de diminuir.

    Ao governo, não resta muito a fazer, mas há o que fazer. O governo deve manter o moral de suas tropas alto. Isso pode ser feito com uma política de comunicação voltada a sua base, pois o acesso a esse grupo independe da grande mídia. A lei de meios é inviável politicamente e inútil, na prática. Vejam o que ocorreu na Argentina. O grupo Clarim continua sua marcha antigovernista. Na Venezuela, jornais e tvs antichavistas batem os tambores com mais força. A lei de meios não controla o conteúdo.

    Na verdade, o governo poderia fazer algo, mas isto exigiria sair da agenda republicana da qual a presidenta é fiel seguidora. Portanto, o que está escrito a seguir é pura perda de tempo.

    Existem duas possibilidades. Uma rápida e outra mais lenta. A lenta não passa pela lei de meios. O governo possui mecanismos para fazer a situação piorar bastante para a grande mídia sem precisar passar pela aprovação do congresso.

    Para os jornais, o governo pode determinar o fim do subsídio histórico à importação do papel jornal. Para quem está à beira do precipício, isto é um belo empurrão. A globo terminou 2014 no vermelho. O mesmo deve ocorrer este ano, já que ela perde marketshare a olhos vistos. Ainda mais com o fim das medidas de desoneração da folha de pagamentos e a economia em marcha lenta. Quanto tempo ela vai aguentar neste ritmo? Segundo PHA, ela não chega a 2018 sem rolar um impeachment. Ainda segundo PHA, o governo federal não anuncia na Globo desde janeiro, pois exige da emissora um desconto que ela não quer dar. Não sei se é verdade, ou se é mais uma lenda da blogosfera suja, assim como a chegada daquele instituto alemão que concorrerá com o ibope (se ele está vindo para o Brasil, deve ser a nado, pois faz quatro anos que ouço isso). Se não for verdade, trata-se de uma excelente ideia a ser posta em prática. E o governo deveria exigir que as estatais conseguissem desconto igual. Mais ainda, deveria exigir que as agências de publicidade devolvessem o BV que recebem da Globo para suas campanhas publicitárias e a das estatais, em respeito a uma decisão do STF, tomada no julgamento do mensalão.

    A possibilidade rápida passa pela compra da grande mídia. Dar a ela o que ela pede: dinheiro. Se estivesse no governo, seria isso o que eu faria. É mais rápido, seguro e barato. Ao presidente, cabe governar. Não está entre suas atribuições moralizar a mídia. Se a mídia deste país sempre colocou seus serviços no balcão de negócios, não será o presidente o responsável por corrigir esta falha. Ele deve tomar isso como uma pedra do jogo e tirar proveito dela. Àqueles que torcem o nariz para essa possibilidade, eu peço que se lembrem do que Aécio fez em Minas. Afundou as finanças públicas, usou o orçamento em proveito de seus interesses políticos, mas a classe média mineira acredita que ele é uma dádiva de Deus. E em São Paulo? Enfrentam uma crise falta de água com consequências gravíssimas, mas acreditam que tudo é culpa do prefeito e do governo do governo federal. Vocês já pensaram que a classe média poderia estar hoje aplaudindo a presidenta, ao invés de vaiá-la ou bater panelas, se o Bonner dissesse que o país está uma maravilha, ao invés de despejar suspeitas sem fundamento sobre a presidenta? O que é mais barato, dar um ou dois bilhões à globo, ou perder vários bilhões na paralização política e econômica do país?

  17. Fernando Lopes

    11 de março de 2015 5:45 pm

    O MESTRE DA CIZÂNIAfile:///Users/FernandoLopes/Desktop/O%20MESTRE%20DA%20CIZÂNIA.jpg

  18. sbernardelli

    11 de março de 2015 8:52 pm

    Cconcordo plenamente com Ion

    Concordo plenamente com Ion, nada como o bom entendimento com a parte aliada, Dilma precisa reconhecer diante do partido do PMDB que pisou na bola e que daqui pra frente vai ser diferente e colocar o Temer para trabalhar em favor do governo e do país. É hora de deixar o orgulho de lado ser mais humilde regaçar as mangas e dar avanço ao país, se ela fizer isso e seguir os bons conselhos principalmente dos mais experientes ela somente terá a ganhar dai ela verá mil traíras caindo pelos cantos enfraquecidos e pedindo arrego.

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