9 de junho de 2026

A cena proibida para menores no filme ‘Aquarius’

Perseguição a focos de resistência na cultura comprovam que democracia brasileira está em perigo 
 
 
Jornal GGN – O governo provisório demonstrou mais uma vez seu viés antidemocrático ao impor a classificação indicativa de 18 anos para ‘Aquarius’. Filmes com cenas “mais fortes”, como Boi Neon e Tatuagem, receberam classificações menores. 
 
O colunista do Estadão Cultura Luiz Zanin alerta que a decisão, vinda do Ministério da Justiça, é uma retaliação contra um protesto feito pelo diretor e atores do filme nas escadarias do Palais de Cannes, segurando pequenos cartazes, denunciando o golpe contra a presidente eleita Dilma Rousseff. Corre nos bastidores que o filme poderá não ser escolhido para representar o Brasil no Oscar.  
 
 
 
 
Só pode ser. Porque não existe nenhuma no filme Aquarius que justifique a “impropriedade” para menores de 18 anos decretada pelo Ministério da Justiça. Verdade que vivemos uma era regressiva e estamos fazendo vivos esforços de retorno à idade média. Mas filmes “mais fortes”, como Boi Neon e Tatuagem, receberam classificações menores. Onde está a coerência?
 
De modo que pairam suspeitas sobre essa decisão, para fazer uma afirmação conservadora. Ela não seria baseada no conteúdo do filme e sim nas cenas de protesto, feitas nas escadarias do Palais de Cannes pelo diretor e elenco, de Aquarius, denunciando o golpe contra a presidente eleita Dilma Rousseff.
 
A partir de então, o filme tornou-se “marcado” para morrer. Já se vislumbram manobras para que não seja o escolhido para representar o Brasil no Oscar. E, agora, impõem-lhe uma classificação etária que, obviamente, visa dificultar sua distribuição no mercado interno.
 
A democracia brasileira está em perigo. Parte da cultura brasileira, como foco quase único de resistência, começa a ser perseguida de maneira sistemática.
A outra parte, pelo que se sabe, já aderiu. Esta não corre riscos e bajula qualquer regime. Acomodou-se mesmo à ditadura militar, por que não o faria agora?

Redação

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7 Comentários
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  1. Vagalume do Brejo

    26 de agosto de 2016 2:52 pm

    Viva o estadinho

    parabéns ao Estadinho um dos propagadores destes pensamentos medievais.

     

  2. Gersier

    26 de agosto de 2016 2:54 pm

    Hummmmm…

    …liberdade de expressão é isso aí, né (fora) temer?

    E  eu pensando que era o Lula e a Dilma que são contra a tal  “liberdade de expressão”. Pelo menos foi isso que me disseram ter visto frequentemente na globo, sim, porque eu de ha muito não tenho estômago forte o suficiente para assistir essa golpista.

  3. Ben Alvez

    26 de agosto de 2016 3:31 pm

    “Situação sexual complexa”

    Alexandre Moraes, ‘adevogado’ do PCC e de outras organizações criminosas e também ministro interino da justiça, deve explicar o que significa “situação sexual complexa”, pois é por esse motivo que o filme foi classificado para maiores de 18 anos.

    Alexandre Moraes e sua trupe de censores, me diga, por favor: o que é uma “situação sexual complexa”?

    “situação sexual complexa” é uma situação sexual que se contrapõe a uma “situação sexual simples”?

    Pois bem, o que é uma “situação sexual simples”?

    Aquela com apenas um participante?

     

  4. joel lima

    26 de agosto de 2016 3:43 pm

    Além de autoritária, esse

    Além de autoritária, esse povo censor é de uma burrice sem tamanho. Já vi cada filme violento ou com cenas fortes até de sexo exibidos no cinema com classificação de 16 anos. Poderiam agir pra prejudicar a distribuição do filme, mas não, as antas (ainda bem que são antas) vão logo na classificação etária.  Se estão atacando um filme que é conhecido em circuito mundial, por causa do que houve em cannes, imagine o que fica restrito a um município, estado? É, a teocracia está começando a pôr de vez suas garras

  5. Luis Fraga

    26 de agosto de 2016 5:19 pm

    Sexo e poder

    Situação sexual complexa é essa suruba política no país.

    Quer coisa mais pornográfica do que esse conluio entre os plutocráticos e a plebe evangélico-ignara?

    Ou o mènage-trois mídia, MP e STF?

    O pudor já se foi há muito!

  6. Ze Guimarães

    26 de agosto de 2016 10:45 pm

    Censura apoiada

    Apoio completamente a censura moralista, por conteúdo sexual explícito ou de cenas violentas. Acredito que a única censura ruim seria a censura política.

    Se esta lei pegasse mesmo, as novels do PiG seriam as primeiras a serem censuradas por suas cenas de violência, marginalidade e sexualidade explícita incompatíveis com o horário nobre da TV.

     

  7. Marcelo Marcelo

    13 de março de 2018 8:39 pm

    Sim

    Concordo. Se exibir pênis, vagina, sexo oral, sexo grupal, e o filme exibe tudo isso, tem que ter classificação sim. Permitirem veicular o filme com total liberdade já não é mais o suficiente? Liberdade sempre, libertinagem jamais. Senão não haverá limites para nada, tudo será perseguição, tudo tem que ter um limite e ninguém está acima da ordem, muito menos o cinema.

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