Por Assis Ribeiro
Comentário ao post “O escândalo que Gesner de Oliveira protagonizou no CADE“
Desculpe, mas quem conhece a origem da criação da concepção das agências reguladoras, o momento histórico, o pensamento “mainstream” da economia, jamais poderia deixar de imaginar que o modelo que prega “menos Estado”, que propagandeava o “autoequilíbrio”, a”disciplina de mercado”, “o mercado livre”, iria criar monopólios privados.
A concepção das agências reguladoras foi um engodo, um sofisma, uma retórica criada para calar o discurso de que as privatizações, a liberdade, a livre concorrência iriam favorecer o descontrole do setor, a concentração e a “competição animal” dos grandes comendo os pequenos.
Da mesma forma que se utilizaram dos termos:
1) “Reforma” – para reverter mudanças progressistas e restaurar os privilégios de monopólios privados. Portanto “reforma” agora significa restaurar privilégios, poder e lucro para os ricos.
2) “Mercado” – o qual é dotado de características e poderes humanos. A realidade do “mercado” de hoje é definida por corporações e bancos multinacionais gigantescos.
3) “Austeridade” – utilizado para encobrir os cortes em salários, pensões e bem-estar público. Medidas de “austeridade” significam políticas para proteger e mesmo aumentar subsídios do Estado a negócios e negociatas, criar lucros mais altos para o capital e maiores desigualdades entre os 10% da “casa grande” e os 90% da “senzala”. Significa que fundos públicos podem ser desviados numa extensão ainda maior para pagar altos juros aos possuidores de títulos ricos enquanto sujeitam a política pública aos ditames dos senhores do capital financeiro.
4) “Mudanças estruturais” – eufemismo para esmagar as instituições públicas.
5) “Disciplina de mercado” – Este eufemismo visa, sobretudo, à condição de despedirem trabalhadores e intimidar os empregados remanescentes para maior exploração e excesso de trabalho, produzindo, portanto, mais lucro por menos pagamento. Ela também cobre a possibilidade dos neoliberais de elevarem seus lucros cortando os custos sociais, tais como proteção ambiental e do trabalhador, cobertura de saúde e pensões.
6) “Mercado livre” – Um eufemismo que implica “competição livre, justa e igual em mercados não regulados” encobrindo a realidade da dominação do mercado por monopólios e oligopólios dependentes de maciços salvamentos do Estado em tempos de crise. “Livre” refere-se especificamente à ausência de regulamentações públicas e intervenção do Estado para defender a segurança dos trabalhadores bem como a do consumidor e a proteção ambiental. Por outras palavras, “liberdade” mascara a destruição desumana da ordem através do exercício desenfreado do poder econômico.
7) “Recuperação econômica” – Esta frase significa a recuperação de lucros pelas grandes corporações. Ela disfarça a ausência total de recuperação de padrões de vida para as classes trabalhadora e média, a reversão de benefícios sociais e as perdas econômicas de detentores de hipotecas, devedores, os desempregados e proprietários de pequenos negócios em bancarrota. O que é encoberto na expressão “recuperação econômica” é a pauperização em massa que se torna uma condição chave para a recuperação de lucros corporativos.
8) “Privatização” – O termo descreve a transferência de empresas públicas, habitualmente aquelas lucrativas, para o setor privado a preços bem abaixo do seu valor real, levando à perda de serviços públicos, emprego público estável e custos mais elevados para os consumidores pois os novos proprietários privados elevam preços e despedem trabalhadores – tudo em nome de outro eufemismo: “eficiência”.
9) “Eficiência” – Este termo é usado para maquiar as privatizações. Frequentemente, responsáveis públicos, que estão alinhados com neoliberais, diminuem os investimentos deliberadamente em empresas públicas e nomeiam compadres políticos incompetentes como parte da política clientelista, a fim de degradar serviços e fomentar o descontentamento público. Isto cria uma opinião pública favorável a “privatização” da empresa. Por outras palavras, a “privatização” não é um resultado das ineficiências inerentes das empresas públicas, como os neoliberais gostam de argumentar, mas um ato político deliberado destinado ao ganho do capital privado à custa do bem-estar público.
10) “Agências reguladoras” – foi um engodo, um sofisma, uma retórica criada para calar o discurso de que as privatizações, a liberdade, a livre concorrência iriam favorecer o descontrole do setor, a concentração e a “competição animal” dos grandes comendo os pequenos.
Conclusão
Linguagem, conceitos e eufemismos são armas importantes usadas pelos senhores do andar “de cima” concebidos por jornalistas e economistas capitalistas para maximizar a riqueza e a eficiência do neoliberalismo. Na medida em que críticos progressistas e de esquerda adotam estes eufemismos em seu quadro de referência, as críticas e alternativas que propõem ficam limitadas pela retórica do sistema.
Motta Araujo
31 de outubro de 2013 1:13 amNada a ver. Orgãnismos
Nada a ver. Orgãnismos anti-truste, baseados no modelo americano de 1909 – Anti Trust Division of the Justice Department – não são agencias reguladores, funcionam como aparelho direto do Estado.
Luiz Eduardo Brandão
31 de outubro de 2013 1:13 amO tal de mercado
Um dos engodos maiores da neoterminologia neolib é o tal de mercado. O mercado prevê que…, o BC ouviu o mercado, o mercado espera um aumento de x% da Selic. O mercado isso, o mercado aquilo. Mas que raio de mercado é esse? As previsões, geralmente catastrofistas para justificar o aumento da Selic, são dadas por quem? Resposta: meia dúzia de porta-vozes de empresas do mercado financeiro, mais especificamente as ligadas ao cassino financeiro, que vive de mamar nas tetas do Estado (esses, sim, mamam de verdade), via títulos públicos, taxa de câmbio e outras mamatas. E devidamente amplificadas pela mídia, umbilicalmente ligada a esse setor avassalador da economia e da sociedade. A ele a ideiolgia neolib reduziu o mercado. Mas o mercado somos nós, consumidores, são os produtores, os intermediários entre a produção e o consumo (comércio), o setor de serviços etc. Nesse etc. se inclui o tal mercado financeiro, que a ideologia neolib erigiu em único e exclusivo representante de todo esse complexo tecido chamado mercado.
Esse engodo precisa ser combatido. Um modesto primeiro passo seria não endossar essa terminologia marota é acrescentar sempre o adjetivozinho “financeiro”, para qualificar bem claramente de que está se falando. E brigar para que o BC trate de ouvir finalmente o mercado de verdade, o que engloba todos os atores da economia, e não apenas essa panelinha de sanguessugas.
Motta Araujo
31 de outubro de 2013 1:37 amEntão se conforme, o tal de
Então se conforme, o tal de “”mercado” governa 99% do planeta inclusive suas queidas Russia e China, logo nele estará Cuba, que está preparando o enxoval.
Luciano Prado
31 de outubro de 2013 2:33 amNão se deixe enganar
Muito bom. Faz um sentido danado compreender a enganação dessa linguagem.
Parabéns, Assis.
alexis
31 de outubro de 2013 8:56 amFaltou o tal de choque de
Faltou o tal de choque de “jestão”
Joaquim Aragão
31 de outubro de 2013 9:32 amEconomês…
Assis: vocês cometeu uma grave omissão, que é a tal de “independência do Banco Central”. Faça mais essa interpretação…
Ivan de Union
31 de outubro de 2013 10:37 amEsqueceu do clichee
Esqueceu do clichee “sinergia”, Assis: eh sabotagem intra-mercado.
Dudu Cartucho
31 de outubro de 2013 1:37 pmE o que esses tucanos fazem
E o que esses tucanos fazem que não é engodo?
E tem idiot, ops pessoas informadas, copiando o engodômetro. Disruptura, horizontalidade…Só falta propor o Dia do Ovo (nacional) e a banana a kg.
Calvin
31 de outubro de 2013 5:51 pmSanto Deus! Para que século
Santo Deus! Para que século este coitado pretende voltar?
Ainda está usando aquele pinico na cabeça? 😀
Calvin
31 de outubro de 2013 6:01 pmA prova de que este cidadão
A prova de que este cidadão não sabe o que diz
“Quem toma decisões em Brasília muito pouco contato tem com quem produz riqueza e paga impostos que sustentam o governo. Resultado cruel: mais políticas que saem da cabeça de quem não tem nenhuma experiência no processo produtivo e prejudicam a satisfação das necessidades reais da produção. A ânsia regulatória-fiscalizatória desvia atenções e recursos, que deviam ser canalizados para o crescimento, para atividades cartoriais e certificatórias que pouco ou nada rendem e muito atrapalham.”
Elas não “fazem parte do esquema” ( no caso o capitalismo), elas de fato ATRAPALHAM!
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-enem-e-a-chibata-autoritaria-,1091673,0.htm
Frederico69
1 de novembro de 2013 12:02 amé o ciclo das coisas
empresário quer o lucro fácil sem riscos, suporta a corrupção dos políticos, e as agências que deviam ser autonomas se transformam em capachos, cuja única função é defender o lucro do empresários