22 de julho de 2026

A lógicas das políticas econômicas desenvolvimentistas

Ontem apresentei – de forma esquemática – a lógica das políticas econômicas denominadas de neoliberais. Vejamos alguns aspectos das políticas dita desenvolvimentistas.

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Por tal, entende-se a economia como o espaço nacional e, como tal, submetida a uma lógica de nação. Essa lógica passa por políticas públicas sociais, econômicas, pelo apoio a setores infantes ou debilitados, pela incorporação de tecnologia, pelo uso da diplomacia nas estratégias comerciais etc.

***

Em qualquer modelo econômico de mercado, o capital privado é essencial para bancar novos setores e novos empreendedores, financiar novas ideias, modernizar setores anacrônicos, completar investimentos públicos, gerir serviços públicos – submetidos a regras de regulação. Quando bem regulado – por agências reguladores e leis de defesa da concorrência -, quando a lógica econômica é clara, tem papel central no arejamento e renovação da economia.

Mercado de capitais, fundos de investimentos, mobilização de poupança privada deveriam ser peças centrais em qualquer projeto de país, neoliberal ou desenvolvimentista.

***

No entanto, o próprio exercício do ativismo estatal acaba induzindo a vícios de comportamento que, muitas vezes, tornam-se recorrentes em governos dito desenvolvimentistas. É o caso do governo Dilma Rousseff, embora sem os exageros dos vizinhos:

1.    O vício das decisões monocráticas, a sensação de poder atuar de forma imperial, premiando setores de acordo com a vontade do presidente. Ressalve-se que os benefícios espúrios a setores independem da orientação econômica. FHC beneficiou escandalosamente a Ambev; Lula beneficiou escandalosamente a Telemar; com FHC, o BNDES salvou a Globo Cabo; com Lula e Dilma, bancou financiamentos injustificáveis à Friboi.

2.    A falta de transparência fiscal. O voluntarismo termina por induzir a uma frouxidão fiscal.

3.    Falta de atenção ao capital privado. No governo Dilma, as grandes parcerias públicas deram-se com empreiteiras, grandes grupos privados, usando como ferramentas subsídios fiscais e financiamentos públicos. Mesmo assim, com grande dificuldade me entneder a lógica do capital. Em nenhum momento tratou de criar as condições adequadas para a mobilização da poupança privada, seja no financiamento de grandes projetos ou de empresas iniciantes, na revitalização do mercado de capitais ou na atração de grandes fundos de pensão internacionais para projetos de infraestrutura.

4.    Falta de análises custo-benefício na concessão de incentivos públicos.

5.    Insensibilidade em relação à opinião pública e à participação da sociedade. FHC considerava que o desenvolvimento viria através da criação de grandes grupos financeiros que estimulassem a economia. A Cepal (Comissão Econômica para a América Latina) julgava que se conseguiria a redenção através da criação de grandes grupos industriais. Ambos os modelos foram intrinsicamente concentradores de renda e autocráticos: eram iluminados definindo o que o país iria ser quando crescer. Até certo modo, esse modelo foi rompido no governo Lula, mas restaurado no governo Dilma.

***

Grande governante é aquele que consegue definir uma  visão de futuro e o papel que cabe a cada agente, as instituições públicas, o capital privado, casando políticas públicas estruturantes com estímulos fiscais e creditícios capazes de criar o ambiente econômico adequado para a mobilização da poupança privada, para o florescimento do empreendedorismo.

Trata-se de uma equação difícil pelo uso do cachimbo ideológico tanto na boca do neoliberal quanto do neodesenvolvimentista.

Que o aprendizado dos últimos anos leve a correções de rumo nos próximos.

 

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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43 Comentários
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  1. Alexandre Weber - Santos -SP

    16 de outubro de 2014 9:52 am

    O Yuan

    Num mundo assimétrico em relação ao uso do dinheiro, o país que não tenha uma moeda que defenda seu território e seu povo, não terá autoderminação, nem soberania que valha o nome.

    Tai a China e o EUA para não me deixarem sozinho nesta.

    Aqui é a casa da Mãe Joana, a cara de pau de indicarem um agênte deles para tomar conta das nossas finanças é a prova de que não nos levam a sério.

    Sem um dinheiro próprio, que gere uma moeda boa para o Brasil, nada se sustenta contra o atque dos abutres.

     

    1. Rodrigo C Moreira

      16 de outubro de 2014 11:33 am

      “Boa moeda”?
      Você está

      “Boa moeda”?

      Você está elogiando a estabilidade do Real?

      Deus ta vendo vc elogiar o FHC por trás dos panos…

      1. Alexandre Weber - Santos -SP

        16 de outubro de 2014 2:29 pm

        Elogiar um covarde !

        Fica difícil, e o Real passou por diversas fases mas nunca se materializou como uma moeda que favorecesse o povo e o Brasil, em todo caso, indique uma vez, mas não venha falar de cotrole de inflação, pois meu entendimento sobre isto, como já disse diversas vêzes aqui no blog, é muito parecido com o do Clever e do Delfim.

        Agora, como o Aliança sugeriu acima, só a moeda sem uma reforma do Estado não funciona, querer fazer isto parecer o suficiente é acreditar em história da carochinha.

        1. Rodrigo C Moreira

          16 de outubro de 2014 2:35 pm

          Olha, moeda forte é moeda com

          Olha, moeda forte é moeda com poder de compra. Só isso.

          Ser a “favor do povo” não, é um atributo das políticas econômicas. Dinheiro é só dinheiro, nao tem ideologia.

          Você está se confundindo.

           

          1. Alexandre Weber - Santos -SP

            16 de outubro de 2014 3:52 pm

            Logos Babylonico

            O Heródoto não concorda com sua afirmação de que dinheiro é só dinheiro. Eu também.

            Em todo caso sugiro voce ler no meu blog as diversas postagens sobre “dinheiro em si mesmo”.

          2. Ricardo Santos

            16 de outubro de 2014 9:56 pm

            O dinheiro é produto,

            O dinheiro é produto, também!

            Vide o mercado financeiro!

          3. Alexandre Weber - Santos -SP

            17 de outubro de 2014 1:38 am

            Confiança e credibilidade

            Um dinheiro bom têm confiança e credibilidade, o que lhe dá curso na moeda lançada sobre ele. É uma crença quase religiosa, com implicações muito mais sutis do que a primeira vista se percebe. Na verdade assunto tabu para profissionais.

            Reminding people of their religious belief system reduces hostility
            October 15th, 2014 in Other Sciences / Social Sciences

            Few topics can prove more divisive than religion, with some insisting it promotes compassion, selflessness and generosity, and others arguing that it leads to intolerance, isolation and even violence.

            New research conducted at York University, published in the Journal of Personality and Social Psychology, may shed some light on religion’s actual influence on believers – and the news is positive.

            “Based on our premise that most people’s religious beliefs are non-hostile and magnanimous, we hypothesized that being reminded of religious beliefs would normally promote less hostile reactions to the kinds of threats in everyday life that usually heighten hostility,” says researcher Karina Schumann, the article’s lead author, now a postdoctoral fellow at Stanford University.

            To test this hypothesis, participants either received a simple reminder of their religious belief system (“which religious beliefs system do you identify with?”) or not. They were then exposed to either threatening experiences (such as thinking about their own death or failing at an academic assignment) or not. They were then given a chance to judge and assign punishments for transgressors, criminals and worldview critics.

            Across nine different experiments with 910 participants, the results consistently supported the hypothesis for Christians, Jews, Muslims and Hindus alike. The religiously reminded were significantly less hostile and punitive in the threatening circumstances than the non-reminded participants were (there were no effects of the religious reminders among the non-threatened participants).

            “Our research suggests that people generally associate their religious beliefs with Golden Rule ideals of forgiveness and forbearance, and that they turn to them when the chips are down, in threatening circumstances,” says York U psychology professor Ian McGregor, the article’s second author. “This research contributes to the current dialogue on religion by demonstrating that even brief religious belief reminders not accompanied by any explicit beliefs or injunctions tend to promote more magnanimous, less hostile choices in threatening circumstances.”

            Though the researchers say the link between religion and magnanimity may seem surprising given that news headlines so often focus on atrocities committed in the name of religion, their results suggest that for most people, the influence of religion may be more positive than what is often portrayed in the media.

            “Part of the reason for our magnanimity finding could be that in our research we focused on religious ideals, whereas extremist groups may often be more focused on intergroup rivalries and coalitions than the core religious ideals of love and forgiveness,” says Schumann. “Future research is needed to determine whether reminders of religious belief can also foster magnanimity in non-Western countries, among less educated individuals, and in the context of high-stakes conflicts in which transgressions are committed by others with competing religious convictions.”

            More information: Journal of Personality and Social Psychology Vol 107(3), Sep 2014, 432-453. DOI: 10.1037/a0036739

            Provided by York University

            “Reminding people of their religious belief system reduces hostility.” October 15th, 2014. http://phys.org/news/2014-10-people-religious-belief-hostility.html

            Posted by
            Robert Karl Stonjek

    2. aliancaliberal

      16 de outubro de 2014 12:23 pm

      As trocas no fim das contas

      As trocas no fim das contas são feitas com produtos não com dinheiro.

      Sem produtos não se tem o que trocar.

  2. Assis Ribeiro

    16 de outubro de 2014 10:50 am

    Nassif, por favor me tire algumas dúvidas

    1 – Gostaria de saber quais países que desde o início da crise mundial conseguem atrair o empreendedor privado?

    2 – Por que países sólidios tiveram que praticar juros negativos?

    3 – A armadilha juros altos como necessidade(?) de manter a inflação controlada, manter captação de dólar e direcionar o capital para o mercado?

    4 – Qual dos governos brasileiro conseguiu tanto investimento privado em infraestrutura, aquisição de empresas nacionais, na Petrobras, e na implantação de novas indústrias automotivas?

    5 – O capital no mundo está indo para o rentismo ou para a produção?

  3. Rodrigo C Moreira

    16 de outubro de 2014 11:32 am

    Peraí.
    Esse relato traz mais

    Peraí.

    Esse relato traz mais críticas do que características. O relato sobre a lógica “neoliberal” de ontem desceu a borduna falando a “verdade” sobre esse sistema.

    Mas onde estão os elementos-chave do desenvolvimentismo?

    Falta dizer que:

    1 – desenvolvimentismo se aproxima do capitalismo de estado, que nada mais é do que o Estado apontando quem ganha e quem não ganha (ou seja, perde) na economia.

    2 – desevolvimentismo implica quase sempre numa carga tributária alta, destinada quase sempre a subsidiar a indústria local e não à prestação de serviços públicos, o que leva à situação bizarra em que o cidadão paga muito imposto para subsidiar empresários amigos do Rei (ou do “grande governante”). Quer ver na prática? Pagamos mais de R$ 30 mil num carro “popular”, que, de tão ruim, sequer pode ser exportado, ao passo que americanos, europeus, mexicanos e argentinos pagam bem menos. É para isso que pagamos impostos?

    3 – desenvolvimentismo implica quase sempre no isolamento do país, novamente com a desculpa de proteger o mercado local do “inimigo externo”. Resultado? Custo de vida alto, baixa produtividade e etc – foi assim durante a Ditadura, está sendo assim no Governo Dilma.

    4 – desenvolvimentismo implica quase sempre na desvalorização da moeda para facilitar as exportações da indústria local, subsidiada. Isso pode parecer bom, mas (i) como a indústria é improdutiva e, em geral, não gera produtos de grande valor agregado, no final é subsídio líquido para produtos primários da indústria extrativista, (ii) encarece a vida da população inteira, pois produtos importados, muitas vezes de melhor qualidade, se tornam inacessíveis. Isso tem como consequência, no longo prazo, o empobrecimento geral da sociedade, com exceção dos empresários “protegidos” e dos funcionários do Estado – qualquer semelhança com o atual quadro não é mera coincidência.

    Não vamos falar desta parte não?

    No mais, uma pergunta: esse sistema já deu certo em algum lugar do mundo?

     

    1. Juliano Santos

      16 de outubro de 2014 12:18 pm

      Voce, meu caro, por acaso

      Voce, meu caro, por acaso defende o “subdesenvolvimentismo”?

      Os casos em que o desenvolvimentismo liderado pelo estado deram certo, são tantos que nem sei por onde começar. Aguardo o distinto comentarista enumerar os casos bem sucedidos de “subdesenvolvimentismo” liderados pelo mercado financeiro. 

      1. Rodrigo C Moreira

        16 de outubro de 2014 12:58 pm

        VocÊ quer uma lista?
        Ótimo.

        VocÊ quer uma lista?

        Ótimo. Segue a lista.

        Os links abaixo tem o ranking dos países mais abertos economicamente.

        Basta ver que existe uma relação direta entre desenvolvimento e liberdade econômica.

        Por outro lado, os mais fechados são, não por acaso, os menos desenvolvidos.

        Não precisa acreditar em mim. Analise por sua própria conta e tire suas conclusões.

        http://www.heritage.org/index/ranking

        http://www.heritage.org/index/

        http://www.heritage.org/index/heatmap

        Se é para debater, pois então vamos. Me tragam os dados de vcs: onde esse “desenvolvimentismo” deu certo?

        Vejam bem: não se trata da presença do Estado. Isso existe em todos os lugares e não implica, necessariamente, no fechamento da economia ou do divórcio com o capital privado.

        Quero saber da proposta de vocês, de “desenvolvimentismo”, de restrição do fluxo de capitais, fechamento da economia e proteção (excessiva) à indústria nacional.

        Onde há exemplos?

        1. marcio valley

          16 de outubro de 2014 3:00 pm

          Rodrigo C Moreira, você

          Rodrigo C Moreira, você parece ter conhecimento na área. Ótimo, não tenho, então não vou discutir. Porém, peço que você opine se o mercadismo é a solução. Em outras palavas, a desregulamentação quase total da economia, ao estilo americano, é salutar para o capitalismo e para a sociedade? É saúdável para a sociedade e para a civilização humana a possibilidade pessoas ficarem bilionárias sem fabricarem um prego? Saltando de país para país à base de especulações financeiras? Esses títulos que não representam nada em matéria de produção, como derivativos, sua existência é salutar em que medida? E a desregulamentação dos direitos trabalhistas? Até onde podemos ir? Um retorno ao início da revolução industrial, com pessoas trabalhando até dezesseis horas por dia, inclusive crianças? Veja não se tratam de acusações, são apenas indagações que, de fato, me fazem pensar muito. Em princípio, por não pensar em benefício relevante para a sociedade humana, sou a favor de controle estatal e rígido para a economia. E também contra a existência de bilionários, pois não desvinculo essa possibilidade da existência de bilhões de famintos pelo mundo. Também não faço ligação alguma entre o tamanho do PIB e o nível do avanço civilizatório do país e a felicidade das pessoas. Desde que a economia acompanhe o ritmo de crescimento ou mesmo decrescimento populacional (sim, precisamos começar a pensar em um modo de decrescimento econômico saudável), não há porque continuar pensando em ampliar a economia num mundo que já está esgotando os ambientes naturais. Seria legal um posicionamento a respeito. Abraços.

          1. Rodrigo C Moreira

            16 de outubro de 2014 3:08 pm

            Marcio,
            Te agradeço pela

            Marcio,

            Te agradeço pela educação. Faço questão de te dar minha posição. Mas como a resposta é longa, nao poderei fazÊ-lo agora, pois estou no trabalho.

            O farei até o fim do dia, pode ser?

            abs

             

          2. Bruno GH

            16 de outubro de 2014 3:41 pm

            Marcio Valley

            É isso meu caro, acabei de postar algo semelhante ao seu.

            Não tem como crescer ‘para sempre’.

            As empresas, em algum momento, precisarão produzir menos, vender menos e ganhar menos.

            Demitir em massa gerará convulsão e caos sociais.

            Para não demitir, os donos do capital precisarão aceitar remuneração menor.

            Não dá para um cara ter $$$ para 50 gerações da sua família e outros 50 milhões não terem $$$ nem para a atual geração!

            Tem coisa errada! Essa bolha, um dia, tb estoura!

          3. Rodrigo C Moreira

            16 de outubro de 2014 6:51 pm

            Caro Marcio,
            Vou tentar

            Caro Marcio,

            Vou tentar responder à sua pergunta com o cuidado que ela merece.

            Antes de mais nada, gostaria de agradecer pela educação e o respeito do seu comentário. Em tempos de polarização excessiva, o respeito ao outro faz diferença e eu agradeço por isso.

            Vou aproveitar para comentar sobre o que disse o Bruno BH também.

            Mas vamos lá.

            Você pergunta se “mercadismo” é a solução.

            Não sei exatamente o que vc quer dizer com esta expressão, mas acredito que esteja se referindo ao liberalismo, com suas desregulamentações “ao estilo amerciano” e tudo mais.

            Bom, a resposta é que sim, acredito. Aliás, o exemplo americano é muito bom, pois lá a economia é muito liberal e eles estão bem melhor que a média. Há problemas, é claro, mas a verdade é que eles tem índices de desenvolvimento muito maiores que os nossos, por exemplo.

            Mas não vou ficar só nisso – sei que o exemplo americano n]ao é bom, pois desperta paixões e ódios.

            Você pergunta se é saudável que pessoas fiquem bilionárias sem fabricar um prego. O que você quer dizer quanto a isso? Se sua pergunta é se eu acho justo que pessoas enriqueçam absurdamente apenas no mercado financeiro – distante, portanto, da “economia real”, te digo que… depende.

            Ser saudável ou não é uma questão moral. Sendo assim, pessoalmente, entendo que o ideal seria o sujeito enriquecer por meio de uma cadeia que movimentasse dinheiro com outras pessoas e não através de uma linha direta especulativa.

            Mas a verdade é que mesmo a riqueza criada pelo sistema financeiro tem uma razão de ser – a circulação de capitais, tão questionada aqui no fórum, permite, por exemplo, que um fundo de previdência de professores de Idaho invista numa startup no interior de São Paulo.

            Isso é ruim? Eu acho que não.

            Você tem que levar em consideração que bancos e instituições financeiras são meros intermediários. Eles apenas aproximam quem tem dinheiro de quem precisa de dinheiro.

            Sendo assim, esses títulos, ações e etc, nada mais são que instrumentos que fazem o dinheiro sair do ponto A para o ponto B – e faz o dinheiro sair de Idaho para o interior de São Paulo.

            Sendo assim, a questão nao está no enriquecimento em si – ele é bom e deve ser incentivado -, mas o tratamento desta questão.

            O caso dos bancos tem relação com a especulação e com o acúmulo de poder e recursos. Estas questões são problemáticas, de fato, mas tem tratamento – e mesmo os liberais entendem que se deve tratar tais questões.

            Veja, sua crítica, a meu ver, tem relação com um sentimento comum de que o comércio é um “jogo de soma zero”, no sentido de que apenas o “empresário” ou o “banqueiro” ganha – e o trabalhador e o consumidor sempre perdem.

            Isso não é verdade. Posso te dar vários exemplos.

            Num ambiente de trocas voluntárias (ideal, digamos), o dinheiro de A só passa para B se houver um acordo e vantagens mútuas. Sendo assim, o padeiro só vende o pão se houver quem compre e queira pagar o que o padeiro pede. Se ele pedir caro demais, as pessoas não comprarão – mas ele também não vai vender, de modo que, em algum momento, o equilíbrio será alcançado.

            Outro exemplo é: o Facebook. O Zuckeberg tem bilhoes por conta do Facebook – e não produz, de fato, um prego. Mas ele criou um ambiente que hoje é essencial na vida moderna – e é gratuito.

            Quanto você acha que ele deveria ganhar por isso?

            Eu, pessoalmente, espero que ele ganhe muito dinheiro por isso e ganhe cada vez mais para continuar me oferecendo este produto interessante, por meio do qual se exerce uma espécie de cidadania direta hoje em dia.

            Desta forma, não vejo como nocivo o fato de o dono do FB ser milionário.

            A questão é como essa concentração de recursos vai funcionar.

            Em ambos os casos – Facebook e Bancos – o problema está na concentração de poder e recursos.

            A solução? Regular e garantir a livre concorrência (evitando, portanto, abusos – o que pode ser atacado pelo meio regulatório) e evitando a formação de cartéis – o que é garantido pelas autoridades concorrenciais e, principalmente, por um meio de negócios competitivo, que dificulte a vida do monopolista e facilite a vida para o “entrante”.

            Voltando à tal discussão do desenvolvimentismo, o problema é que ele PROTEGE os monopolistas, apenas por serem nacionais – e isso gera concentração de poder e riqueza, mas sem a contrapartida no aumento do bem-estar da sociedade.

            É por isso, por exemplo, que os carros são caros demais aqui. Você (e eu, e o BH), pagamos impostos altos para subsidiar esta indústria “nacional”, que nos entrega carros ruins e extremamente caros.

            Te pergunto: isso é justo?

            Talvez você vá me dizer: “mas é pela indústria nacional”, “mas é pela nação!”, “mas é pelos empregos!”.

            Daí te pergunto:

            1 – é justo que o cidadão subsidie empresas e proteja monopólios que lhe prejudicam, por mais que sejam nacionais?

            2 – É justo separar o interesse do cidadão “comum” do interesse da nação? Por que a “nação” (um conceito abstrato e impreciso) deve prevalecer sobre o cidadão?

            3 – É justo que TODA a população tenha a sua vida dificultada para garantir os empregos de uma pequena parcela de trabalhadores? Sei que temos que pensar no coletivo, mas, a exemplo da indústria automobilística, é justo que 200 milhões de pessoas paguem mais caro por tudo para proteger, digamos, 100 mil empregos?

            Há quem entenda que é justo. Eu entendo que não.

            É por estas razões que entendo que ambientes mais livres economicamente trazem mais prosperidade, ao passo que esse tal “desenvolvimentismo” só traz, no longo prazo, endividamento e uma vida excessivamente cara para todos – menos para os amigos do Rei.

            Mil desculpas pela resposta longa. Você tocou em mais aspectos, mas podemos seguir no debate, se você quiser.

            abs.

        2. DanielQuireza

          16 de outubro de 2014 4:55 pm

          Correlação não significa

          Correlação não significa causa e consequencia.

          Não é porque países nórdicos são desenvolvidos e são abertos economicamente que são desenvolvidos PORQUE são abertos economicamente ou ainda que se desenvolveram PORQUE se abriram economicamente.

          Fora que esses países pequenos não teriam muita opção de se fechar em si mesmos, até pelo tamanho, pela características climáticas, etc…

           

          1. Rodrigo C Moreira

            16 de outubro de 2014 6:12 pm

            Bom, Daniel, daí realmente

            Bom, Daniel, daí realmente vai um mundo de argumentações.

            Se eu te mostro fatos e você diz que “correlação não implica em causalidade”, fica difícil.

            Mas veja a lista. Você vai ver que os mais desenvolvidos são mais abertos – abertos, neste caso, diz respeito à liberdade econômica e não necessariamente integração internacional.

            Assim, você pode ser até um pouco protecionista, mas o ambiente de negócios dentro do país é bom, é livre – o que leva à prosperidade.

            Essa é a questão.

            Mas se você acha que a liberdade não tem, necessariamente, ligação com a prosperidade, me diga: e o inverso, tem?

            Você tem dados para comprovar que, dentro do modelo de vocês – o tal “desenvolvimentismo” -, quanto maior a presença do Estado como “agente indutor” do desenvolvimento, maior a prosperidade?

            Podem me dar dados? Eu mostrei os meus. Onde estão os de vocês?

            Não por acaso, no gráfico apresentado, os mais fechados e com menor liberdade econômica são os menos prósperos.

            Isso não quer dizer nada?

             

             

          2. DanielQuireza

            16 de outubro de 2014 7:22 pm

            Mas é isos mesmo, primeiro se

            Mas é isos mesmo, primeiro se desenvolvem e depois se abrem.

          3. Rodrigo C Moreira

            16 de outubro de 2014 8:18 pm

            Daniel,
            Me mostre um caso de

            Daniel,

            Me mostre um caso de sucesso em que esse “se desenvolve e depois se abre” funcionou.

            O que acontece na prática é: as empresas se acomodam, pois tem um mercado cativo e subsidiado, sem concorrência e sempre que há pressão pela abertura, elas fazem chantagem dizendo que aumentará o desemprego.

            Isso aconteceu no Brasil na década de 70-80 – lembra da década perdida? Lembra da substituição de importações?

            Essas coisas não funcionaram AQUI há uns 30-40 anos, por que funcionariam hoje?

            É impressionante. Você diz que meus dados não são suficientes, mas ignora a experiência do próprio Brasil.

            Desculpe, mas se estamos falando de crenças e não de debates minimamente científicos, fica difícil.

             

    2. RR

      16 de outubro de 2014 12:31 pm

      A lógicas das políticas econômicas desenvolvimentistas

      “No mais, uma pergunta: esse sistema já deu certo em algum lugar do mundo?”

       

      Suécia, Noruega, Dinamarca e Finlândia são países em que o Estado cumpre esse papel, basta olhar o IDH, o desempenho de suas economias, entre outros indices e você verá se é um sistema que dá certo ou não.

      1. Rodrigo C Moreira

        16 de outubro de 2014 12:54 pm

        Negativo.
        Esses países

        Negativo.

        Esses países praticam a socialdemocracia, mas são extremamente abertos economicamente.

        Não acredita? Então vamos aos dados – http://www.heritage.org/index/ranking

        Segundo a Heritage Foundantion, a Suécia está nos grupos dos “livres”, em 20o lugar.

        Finlândia em 19o

        Noruega em 23o

        Dinamarca em 10o.

        O Brasil está em 114o. Argentina em 166o, Venezuela em 175.

        E ai? onde esse “desenvolvimentismo” deu certo?

        Vejam bem, socialdemocracia nao é desenvolvimentismo. São coisas diversas. Não dá para comparar.

        1. RR

          16 de outubro de 2014 4:37 pm

          A lógicas das políticas econômicas desenvolvimentistas

          Embora esses países tenham uma abertura econômica maior(pode ser explicado por uma economia melhor estrutura, programa sociais, etc, ou seja, não é uma abertura econômica arbitrária), eles tem outros pontos que você condenou como interferência do estado e elevadas cargas tributárias. Esses países, é verdade, são sociais-democratas, mas acredito que estejam muito mais próximos do desenvolvimentismo do que do liberalismo. Não sou radical, não condenaria se o Brasil tivesse um mercado mais aberto desde que isso não prejudicasse nossa indústria e comercio, os países Escandinavos tem uma realidade diferente da nossa, mas o papel do Estado cuidando das pessoas é semelhante. Defendo o desenvolvimentismo no país enquanto for necessário, se o governo realizar o necessário, investir na formação e fortalecer nosso comercio e indústria, como já falei antes, não vejo problema em se aproximar da social-democracia e até ter uma maior abertura economia.

          A discussão, entretanto, é mais ampla do que apenas o livre comercio e a liberdade econômica. Você falou que a presença do Estado existe em todos os lugares, mas há uma clara diferença no tamanho e na interferência que esse Estado exerce na vida das pessoas, no liberalismo e na social-democracia ou desenvolvimentism. Na minha opinião, existe uma relação mais direta (para índices como o IDH )do investimento que o Estado faz no social do que da liberdade econômica que o país tem.  

          Acredito que você não é social-democrata, já que vi um comentário seu defendendo o liberalismo, gostaria que você explicasse porque o liberalismo “dá certo”, já que vejo esse sistema com vantagens e defeitos como o próprio desenvolvimentismo ou a social-democracia, e que para um país como o Brasil seria muito mais danoso do que benéfico.

          1. Rodrigo C Moreira

            16 de outubro de 2014 6:25 pm

            Caro RR,
            Vou meu ater à sua

            Caro RR,

            Vou meu ater à sua afirmação no final. Você diz que “Na minha opinião, existe uma relação mais direta (para índices como o IDH )do investimento que o Estado faz no social do que da liberdade econômica que o país tem”.

            Onde está a prova disso? Você tem dados para comprovar?

            De todo modo, vamos assumir que isso seja verdade – que os investimentos do Estado no “social” levam a mais desenvolvimento que a liberdade econômica.

            Eu até concordo. E há elementos que comprovam que o investimento no “social” aumenta o “desenvolvimento” – a Europa e os países nórdicos estão aí para comprovar isso.

            Mas a questão, a meu ver, é outra.

            No meu entendimento, a liberdade econômica é essencial por que permite a maior GERAÇÃO de riqueza.

            Sendo assim, o país com um ambiente livre, que incentive as trocas voluntárias, gera maior riqueza. Essa maior geração de riqueza, por mais que seja, eventualmente, concentrada, pode ser redistribuída pelo Estado em forma de serviços públicos – o tal “social”, certo?

            Desta forma, cria-se uma aliança virtuosa entre capital e Estado, onde o capital gera riqueza e o Estado, por meio de tributos, reduz as desigualdades e melhora o “bem-estar” geral da população – que é a receita típica da socialdemocracia.

            O problema é que o desenvolvimentismo está mais preocupado com a proteção da indústria que com a melhor do bem-estar da população. Vocês dizem que o liberalismo oferece um “santo graal” no final, mas a verdade é que o desenvolvimentismo também o faz – a diferença é que o liberalismo entrega, ao menos, uma maior geração de riqueza.

            O desenvolvimentismo, nem isso, pois, dado que a tendência é proteger (e incentivar) indústrias improdutivas, que são merecedoras desta proteção apenas por serem nacionais (em tese).

            Por isso, por mais que eu seja liberal por convicção pessoal, acredito que a socialdemocracia funciona – e é este o modelo que deveria ser implementado no país, pois nossa cultura não é de liberalismo.

            Em resumo, esse é meu entendimento. Eu afirmo, com convicção, que o desenvolvimentismo não funciona.

            E defendo a socialdemocracia na parte por uma razão simples: ela funciona e há INÚMEROS exemplos mundo afora.

             

             

          2. RR

            16 de outubro de 2014 9:33 pm

            Desenvolvimentismo e Socialdemocracia

            Rodrigo C Moreira,

            fiz essa afirmação comparando os países com melhor IDH e os países com mais gastos de despesas sociais em relação ao PIB:

            http://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_de_bem-estar_social

            http://criticaeconomica.wordpress.com/2007/08/27/gastos-publicos-crescimento-e-bem-estar-social/

            http://www.perspectivacritica.com.br/2014/08/ocde-comprova-paises-de-maior-idh-e.html

            http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/os-gastos-do-brasil-com-educacao-em-relacao-ao-mundo

            http://noticias.uol.com.br/infograficos/2014/07/22/brasil-fica-em-79-no-ranking-mundial-de-idh-veja-resultado-de-todos-os-paises.htm

            http://www.humanosdireitos.org/noticias/denuncias/619-ONU–quanto-se-gasta-com-saude-no-mundo-por-habitante-e-por-PIB.htm

            http://www.deepask.com/goes?page=Veja-ranking-de-paises-pelo-gasto-per-capita-com-saude

            Não consegui um lugar que reunisse todas as informações, mas percebo uma relação praticamente direta entre gastos públicos e sociais e IDH.

             

            Eu concordo com suas afirmações em relação à socialdemocracia, acho inclusive que em um país mais equilibrado socialmente e economicamente o caminho natural seriam interferências e regulações de forma mais pontuais por parte do Estado.

            Defendo a ideia do desenvolvimentismo porque acho o Brasil é um país que não tem a estrutura e esse equilíbrio econômico e social (que os países que adotam o Welfare state tem) para adotar um sistema mais aberto. Porém, não nego que gostaria de no futuro ver o país adotar uma postura de socialdemocracia.

      2. Bruno GH

        16 de outubro de 2014 2:46 pm

        Boa

        Pois é… pq os países nórdicos conseguem atender à sociedade tão bem?

      3. Bruno GH

        16 de outubro de 2014 3:15 pm

        Boa

        Pois é… pq os países nórdicos conseguem atender à sociedade tão bem?

  4. Joao Pereira

    16 de outubro de 2014 12:01 pm

    Otimo artigo sobre visao de economia do Nassif

    No artigo sobre o neo-liberalismo, Nassif desnudou com muita objetividade a logica neo-liberal.

    Agora, em seu artigo sobre o desenvolvimentismo, ele descreve em apenas um paragrafo o que caracteriza o desenvolvimentismo:

    “Por tal, entende-se a economia como o espaço nacional e, como tal, submetida a uma lógica de nação. Essa lógica passa por políticas públicas sociais, econômicas, pelo apoio a setores infantes ou debilitados, pela incorporação de tecnologia, pelo uso da diplomacia nas estratégias comerciais etc.”

    E depois desta sucinta e justa descricao, se dedica, pelo resto do artigo, a descrever os problemas dessa logica dando como exemplo o ativismo anti-mercadista de Dona Dilma.

    Ficou a impressao que ele estava querendo compensar, junto ao pessoal do mercado, o que para muitos ficou parecendo, incorretamente, uma critica ao neo-liberalismo. Me parece que o Globo de hoje fala sobre o mesmo “problema” da presidente, a quem atribui a responsabilidade pelo hyper-ativismo dos especuladores na bolsa de valores. A culpa e’ da vitima.

    Na verdade, o Nassif estava sendo rigorosamente descritivo quando escreveu sobre a logica neo-liberal, nada mais do que isto. Critico ele esta’ sendo agora, do “ativismo” desenvolvimentista, sem perder muito tempo em descrever sua logica.

     

     

     

     

  5. Juliano Santos

    16 de outubro de 2014 12:11 pm

    Nassif, seja parcial, mas nem tanto

    Nassif, faço uma ressalva ao ítem 1, “decisões monocráticas”.

    O FHC privilegiou a AMBEV, numa operação em que se criou um monopólio na área. A fusão Brahma/Antártica foi um crime contra a economia popular. Uma violência contra a livre concorrência.

    Já não se pode falar a mesma coisa com Lula e Telemar. A área de telefonia conta com várias empresas disputando o mercado. Lula queria que uma empresa nacional atuasse como player internacional numa área tão importante. Foi um erro, mas não se pode comparar a intenção dele com a do FHC, claramente contra o interesse público.

    E também uma coisa é beneficiar a Globo que sabemos é para estreitar ainda mais os laços do império midiático com o tucanato. É uma área, a da informação e opinião, que interfere diretamente na disputa pelo poder. A Friboi vende carne, não vende informação

     

  6. aliancaliberal

    16 de outubro de 2014 12:23 pm

    O  desenvolvimentista quer

    O  desenvolvimentista quer subsidios e proteções para obter lucros elevados e sem risco.

    O governo quer o  desenvolvimentismo para vender facilidades.

    Grandes empresas e o governo junto prejudicando a população que paga o pato.

     

  7. vera lucia venturini

    16 de outubro de 2014 12:39 pm

    No programa Brasilianas  que

    No programa Brasilianas  que discutiu o Banco Central, um dos convidados  disse que a Inglaterra foi a grande potência do século dezenove e inicio do século vinte só porque tinha um Banco Central independente. Nenhuma palavrinha de nada sobre o colonialismo ingles, que  roubava a riqueza das nações coloniais para manter a vitalidade do capitalismo inglês. Roubando até eu. E o Banco Central independente foi tão eficiente que a Inglaterra ruiu tão logo as colonias se “libertaram”.

    Na análise do mundo ideal do Nassif  o JP Morgan  é filantropo, o Nelson Rockefeller queria desenvolver a América Latina, o Walter Moreira Salles não ficou bilionário em cima do Brasil do Juscelino  e a Dilma não faz nada certo na economia e não tem visão do Brasil. E as circunstâncias, Nassif?

    Se a ação dos capitalistas é  tão vitoriosa porque  o mundo se afunda cada vez num beco sem saída? Onde o poder dos que detém o capital conduz a sociedade humana, na melhor das hipóteses, para uma Idade Média onde os reis são substituidos pelos donos das corporações financeiras e o resto da humanidade se debate na extinção dos seus direitos básicos. Conquistas humanistas iniciadas com a Revolução Francesa e estruturadas pelo comunismo/socialismo estão sendo varridas por este “capitalismo humanitário” apresentados pelo Nassif.

    Ah! E tem a pior das hipóteses a que este modelo capitalista nos conduzirá: que é a destruição do meio ambiente e do planeta e ….

    1. luisnassif

      16 de outubro de 2014 5:09 pm

      É virtuosa dentro da ótica

      É virtuosa dentro da ótica deles. E o que mais faço aqui é criticar a ótica deles.

  8. altamiro souza

    16 de outubro de 2014 1:46 pm

    voltamos ao velho

    voltamos ao velho chavão.

    quem pode seguir em frente corrigindo?

    com inclusão social, o que é fundamental,

    acho que com  a dilma

    porque o psdb é falacioso e

    propõe exclusao social.

  9. shekarchi

    16 de outubro de 2014 2:31 pm

    diferenças entre velhos e novos desenvolvimentistas

    Nassif. Permita-me discordar.

    Nenhum dos vícios apontados por você correspondem ao que o novodesenvolvimentismo propõe hoje. Eles são vícios do velho ou nacional-desenvolvimentismo, do qual a presidente Dilma parece ter sido tributária em seu primeiro mandato. Não se desconsidere que, por esse mesmo motivo, seu governo tem sido criticado pelos propositores do novodesenvolvimentismo (Bresser, Oreiro, Marconi, Barbosa, etc.). Dessa divergência, a saída de Nelson Barbosa do governo Dilma foi sintomática.

    Analisando ponto a ponto:

    1. Decisões monocráticas: o novodesenvolvimentismo, segundo Bresser-Pereira, depende de um pacto nacionalista entre as diversas classes sociais (empresários, burocracia estatal, trabalhadores). Esse pacto é o que viabiliza a discussão, proposição e implementação da estratégia nacional de desenvolvimento que a nação irá seguir. Portanto, não pode ser monocrático (só burocracia, só empresários, etc.). Esse foi um dos erros do Governo Dilma: perder o diálogo com os empresários.

    2. Falta de transparência fiscal: não sei nem se os velhos desenvolvimentistas incorriam neste erro. Foi outro cometido pelo atual governo e foi o estopim da já citada saída de Nelson Barbosa. O novodesenvolvimentismo defende não só total transparência fiscal, mas também um rigor maior do que o da ortodoxia neoliberal, pois esta se contenta com o superávit primário (desconsidera os gastos com juros). O primeiro defende que o Estado faça tenha leve superávit nominal (incluindo juros) para que tenha capacidade de financiar investimento público sem precisar se endividar.

    3. Falta de atenção ao capital privado: este ponto não concordo nem que o Governo Dilma tenha errado.É notório o pacote de concessões, que saiu apesar de atrasado por falta de alinhamento com o setor privado, mas isso é o problema do item 1. Precisa-se lembrar também da preocupação com juros mais baixos e câmbio competitivo, que apesar de não terem sido alcançados, foram preocupações do governo atual. Já o novodesenvolvimentismo, dá papel central ao setor privado e seu financiamento, por isso tanta insistência na redução da Selic (que solapa seu financiamento de longo prazo), e no câmbio, que dá condições de isonomia às empresas industriais brasileiras.

    4. Falta de análise-custo benefício: erro operacional e também relacionado ao item 1. De maneira alguma, é um vício do desenvolvimentismo, sequer o velho.

    5. Insensibilidade em relação à opinião pública. Novamente, retomo a necessidade do pacto nacional entre as classes dos empresários, burocratas estatais e trabalhadores. Toda a estratégia é definida pela interação desses agentes, o que é absolutamente democrático, isso é parte essencial do novodesenvolvimentismo. Quanto a ser concentrador de renda, a criação e desenvolvimento de um setor industrial pujante, não concentrará renda. A renda se concentrará devido a regressividade da carga tributária e pela falta de políticas de Bem-Estar focalizadas nos mais pobres. Não pelo desenvolvimento industrial, que gera maiores aumentos de produtividade, ligados a ganhos de escala e inovação tecnológica, e mais empregos com melhores salários.

    1. luisnassif

      16 de outubro de 2014 5:08 pm

      Perdão, se não fui claro. São

      Perdão, se não fui claro. São vícios de Dilma, decorrentes do espaço para as medidas monocráticas.

  10. ROGERIO FARIA

    16 de outubro de 2014 3:01 pm

    Didi quer por ordem na bagunça

    Clique na imagem para mais tirinhas!

  11. Bruno GH

    16 de outubro de 2014 3:23 pm

    Social democracia

    Nassif, me ajuda aí.

    1-) Pelo comentário do RR, os nórdicos investem na Social Democracia.

    Se o PSDB é social-democracia, pq são neoliberais e não social-democratas?

    A escolha do nome do partido reflete o que queriam ser, e não são/conseguiram, ou foi uma estratégia deliberada para de fato ludibriar?

     

    2-) Não acha que o capitalismo, tanto faz se desenvovimentista ou neoliberal, mais cedo ou mais tarde, está fadado a acabar ou mudar radicalmente?

    Não defendo o comunismo, não é esse o ponto.

    Mas crescer infinitamente não me parece ser possível.

    À medida que a população mundial crtesce são necessários novos bens e serviços para atendê-la mas, a partir de uma estabilização populacional que já se apresenta em muitos países, manter os níveis da economia, e não necessariamente crescer, deveria ser suficiente para remunerar os funcionários e os donos do capital, não.

    Nessa lógica, as bolsas perdem o sentido especulativo e a economia como hj se apresenta muda susbtancialmente.

    Além disso, temos o limite natural do planeta em fornecer matéira-prima.

    O que pensa disso?

    1. Denis Lúcio

      16 de outubro de 2014 5:27 pm

      Bruno, o PSDB quando surgiu,

      Bruno, o PSDB quando surgiu, recorreu a um expediente comum ao batizar o nome do partido: apropriar-se de uma nomenclatura interessante, com potencial simpático e que não esteja em uso por outra legenda, mas que nem sempre representa o que o partido é ou deseja ser. Lembremos que a UDN golpista e o PDS da ditadura traziam no “D” a pretensão de serem democratas.

      Os partidos mais representativos da matriz social-democrata como o PSOE Espanhol, PS Portugês, Socialista Francês, SPD Alemão e até um certo momento o Trabalhista inglês (hoje mais identificado com os democratas americanos),  tem base social,  com forte braço sindical e universitária. O PSDB jamais se interessou neste tipo de lastro. Em 1989, o saudoso Mário Covas (cuja iniciação política ocorre no janismo), discursava pelo “choque de capitalistmo”. Franco Montoro (oriundo da tradição democrata cristã de inspiração italiana) fez um governo bem distante das demandas organizadas dos trabalhadores. Fernando Henrique foi, no máximo, um teorico esquerdista sem jamais ter flertado sequer com o trabalhismo. Algumas lideranças do nascedouro tucano são conservadores típicos: Afonso Arinos, José Richa, Almir Gabriel, entre outros.

      Em 1989, no segundo turno entre Collor e Lula, os tucanos decidiram com extrema dificuldade o apoio a Lula, já na reta final da eleição, com enormes resistências internas. José Serra e FHC tudo fizeram (foram barrados por Covas) para que o partido ingressasse no governo collorido.

      Em suma, a social democracia sempre foi um blefe tucano.

      1. Bruno GH

        16 de outubro de 2014 7:44 pm

        Obrigado

        Caro Denis, obrigado pela ‘aula’ de História.

        Gosto mesmo dessa temática, de entender as cosas como foram até chegar aqui etc.

        Fica uma dúvida, qual foi a motivação da dissidência do PMDB?

        A minha leitura de que, sendo ou não Social Democrata, o PMDB é muito mais direita que o PSDB está correta, ainda que o PSDB não seja Social Dermocrata?

  12. Assis Ribeiro

    16 de outubro de 2014 4:39 pm

    (Sem título)

  13. Calvin

    16 de outubro de 2014 9:14 pm

    Boa análise

    Sem reducionismo simplista! Só peca a última frase, sua fé na “lobotomia”, hehe

  14. Clever Mendes de Oliveira

    16 de outubro de 2014 11:36 pm

    É talvez não fosse um bom dia para preparar o texto

     

    Luis Nassif,

    Achei este texto seu um pouco mais fraco. No fundo você sabe que o Brasil não é tão feio como o PSDB quer fazer crer que agora seja, nem será tão feio como o PT quer fazer crer que será caso o PSDB esteja no comando. Ainda mais com Armínio Fraga que deixou a inflação durante o último ano de governo de Fernando Henrique Cardoso atingir 12% (Ainda que haja uma sazonalidade no fim do ano, mas anualizando o IGP-DI para os três últimos meses de 2002, a inflação fica superior a 50%). Salvo se Armínio Fraga tenha deixado a inflação atingir este patamar para comprometer o governo de Lula e não porque ele avaliasse corretamente que uma inflação um pouco maior era boa para o Brasil.

    Embora eu goste mais de G. Henrique de Barroso F., sendo que praticamente os dois governos de Fernando Henrique Cardoso se resumiram ao papel de G. Henrique de Barroso F. desde a URV no Ministério da Fazenda e no Banco Central e ao papel de Armínio Fraga no Banco Central penso que o Brasil estaria mirando uma inflação mais baixa com ele, G. Henrique de Barroso F., do que com Armínio Fraga. Assim, para mim, Armínio Fraga seria melhor para o Brasil do que o G. Henrique de Barroso F.

    E você não vê esta realidade de modo muito diferente e assim não há muito o que falar. E então apela ao poeta, Fagner e Clodô em “Corda de Aço”: “olhando a cara fria do silêncio tudo que faltar a gente inventa”.

    A razão para a crítica que eu faço a este seu post “A lógicas das políticas econômicas desenvolvimentistas” de quinta-feira, 16/10/2014 às 06:00, é você ter estendido pouco em expor esta lógica. Rapidamente você passou a expor os vícios dessas políticas e cita como vícios práticas de Fernando Henrique Cardoso. Não é contraditório para quem como a mim nunca chamou o Fernando Henrique Cardoso de liberal ou neo liberal, afinal no governo dele a carga tributária aumentou de 25%, se se considera o período de Itamar Franco, para 32%.

    O primeiro vício que você menciona são as decisões monocráticas. E dá vários exemplos. É muito difícil existir decisões monocráticas em qualquer país democrático no mundo, mas vamos admitir que elas existiram e é de se avaliar se os seus exemplos caracterizam exatamente decisões monocráticas.

    FHC beneficiou escandalosamente a Ambev. FHC não. O governo FHC. E beneficiou escandalosamente? Não sei direito a repercussão da formação da Ambev e das estratégias da empresa em especial no campo logístico. Há a questão do transporte que eu não sei como funcionava antes e nem agora. Sei que as várias empresas possuíam em qualquer vilarejo um representante que quase possuía uma capitania hereditária. Essa pratica está hoje quase extinta. Em meu entendimento é um avanço. É claro que há sempre que pensar no desemprego e o que significa levar pessoas hoje para o desemprego e o que farão os filhos dos desempregados hoje daqui a 18 anos (Ou menos se se diminuir a maioridade penal). Assim talvez fosse de se estabelecer um plano de 2 a 5 anos de desmobilização do pessoal envolvido em algo cuja tendência é desaparecer. É diferente, por exemplo, de representantes de defensivos agrícolas, de rações animais, de adubo para terra, de medicamento para gado, pois são áreas que tendem a crescer e exigem pessoas com maior capacitação técnica. Mencionei áreas que eu tenho mais conhecimento.

    Outro exemplo foi que Lula teria beneficiado escandalosamente a Telemar. Lula Não. Escandalosamente? Em decisão monocrática?

    Quanto à Globo Cabo pode ter sido uma decisão monocrática de Fernando Henrique Cardoso. Pode até ser que ela tenha sido escandalosamente beneficiada. Só que esquecendo o que o grupo Roberto Marinho tem de direita, será que o Brasil não precisa ter grandes grupos nessa área de entretenimento?

    Será que também ajudar a Friboi a crescer não é bom para o Brasil?

    Quanto ao item 2 em que você menciona  “A falta de transparência fiscal” e conclui que “O voluntarismo termina por induzir a uma frouxidão fiscal” eu só tenho a acrescentar a aditiva “e . . .?”

    Em relação ao terceiro item a aditiva “e” ia aparecer de novo, mas eu tive uma idéia que embora parta de quem não seja da área, eu gostaria de ver avaliada a sua viabilidade. Considero que um dos grandes problemas do país é a dívida de curto prazo elevada. Qualquer redução do juro gera uma liquidez que passa para a inflação rapidamente. Pode ser que às vezes o país precise que a liquidez seja grande para relançar a economia, mas em geral esta dívida de curto prazo faz uma pressão muito grande na inflação. Será que se for viável não valeria a pena o governo incentivar a formação de fundos de muito longo prazo para financiar grandes projetos de investimentos tanto público como privados com os títulos públicos de curto prazo?

    A idéia de que não há análises custo-benefício na concessão de incentivos públicos só se sustenta em uma concepção de sucateamento da máquina pública. Penso ser absolutamente impossível que isso ocorra. Em alguns estados mais pobres da federação pode ser que não se tenha a excelência necessária, mas dizer que falta é apenas retórica.

    Quanto ao item quatro eu preferiria bater palmas para FHC, para a Cepal e para a presidenta Dilma Rousseff. E para as pessoas que são de esquerda e são que são contrárias a esta prática concentracionista (eu também ficaria contrário se não se preocupar em manter um nível mínimo de concorrência) eu transcrevo trecho da divulgação do livro Maonomics publicado pela Editora Bertrand Brasil e que saiu na Folha de S. Paulo no seguinte endereço:

    http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/2014/10/1528044-comunistas-chineses-sao-melhores-capitalistas-do-que-os-liberais-ocidentais-diz-economista.shtml

    O livro é de autoria da jornalista italiana Loretta Napoleoni e na resenha da Folha de S. Paulo há a seguinte passagem:

    “Porque os líderes chineses leram “O Capital”, de Marx, e entenderam que ele é uma análise do capitalismo, não uma proposta para a sua destruição”

    Quanto a esse grande governante, eu não creio que ele exista. Quer dizer não creio que haja alguém capaz de “definir uma visão de futuro e o papel que cabe a cada agente”. E se houver não se pode correr o risco de o colocar numa eleição em que qualquer resultado é possível. É preciso que o vitorioso o contrate e hoje com a internet ele passa todas as informações de casa. E que seja de casa mesmo e não da praia como alguns muito provavelmente gostariam de fazer, ainda mais se o que for enviado for meras superficialidades.

    Clever Mendes de Oliveira

    BH, 16/10/2014

    1. Alexandre Weber - Santos -SP

      18 de outubro de 2014 2:23 pm

      Gosto de suas análises Clever

      Mas nesta, assim que terminei de lê-la pensei em lhe perguntar: E as contingências planetárias? O Brasil não está sozinho no planeta. muitos mercados tem de serem conquistados, não é um terreno livre, muito pelo contrário.

      Não basta ter iluminados por aqui, como G.F. é preciso combinar com os Russos.

      A estratégia Chinesa, na minha humilde opinião, é de longuíssimo prazo, sujeita a sacrifícios de ordem pessoal de seus agentes e suportada por uma cultura e uma população extremamente diferente da nossa.

      Os desafios brasileios são de outra ordem de magnitude e as soluções, outra vez na minha opinião, terão de ser muito mais criativas e ousadas. O Aécio, apesar de voluntarioso, não me parece talhado para esta aventura.

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