7 de agosto de 2026

A UFABC tem grande futuro

Por Daniel Klein

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Em 2004, quando Tarso Genro era titular do MEC, o governo deu início à REUNI – Reestruturação e Expansão das Universidades. No mesmo ano, a Academia Brasileira de Ciências criou um grupo de trabalho para analisar a reestruturação. O resultado foi o documento Subsídios Para a Reforma do Ensino Superior, bastante crítico de toda a nossa estrutura universitária, na qual o aluno tem de fazer a opção por um curso já no concurso de ingresso, no qual recebe formação excessivamente especializada numa grade curricular muito rígida. O projeto acadêmico proposto era semelhante ao criado na UFABC. Tarso Genro foi à Academia e declarou que aquele era o projeto dos seus sonhos, mas era politicamente inviável. A resistência, ficou claro, vinha de dois setores: a) estrutura burocrática já instituída nas universidades federais, partilhada em departamentos e dominada pelas escolas de prestígio, que são Medicina, Engenharia e Direito; b) a ideologia antimeritocrática do PT e dos sindicatos que dominavam o movimento docente. Era patético verificar que o ministro, que revelou boa visão e compreensão dos problemas, era refém dos oponentes da reforma necessária.

Em 2005 Haddad assumiu o MEC. Lula encomendou-lhe a criação da UFABC e ele teve a coragem para por sob teste a estrutura inovadora proposta pela Academia. Convidou Luiz Bevilacqua, membro do grupo de trabalho da Academia, para criar e coordenar a equipe formuladora do projeto acadêmico da UFBAC. Fui membro tanto do grupo de trabalho da Academia quanto da equipe formada por Bevilacqua. As divergências sobre projetos acadêmicos universitários são naturais e saudáveis, e as discussões internas do grupo foram muito intensas e até acaloradas. No final saiu um projeto realmente inovador, diante do qual ninguém fica neutro e os posicionamentos das pessoas tendem a ser extremos: alguns o amam, outros o odeiam. As pessoas menos inspiradas tendem a taxar como utópico tudo o que sai fora da sua própria experiência e isso determina a reação das pessoas diante da UFABC.

Estava claro desde o início que só o futuro diria quem estava certo, e também que a boa implementação do projeto era essencial para o seu eventual sucesso. Tivemos a sorte de ver o projeto sendo bem implementado. A UFABC ainda é pequena e não é bom que ela cresça açodadamente, por várias razões.  Uma delas é que muitos dos professores contratados na UFABC demoram a absorver a nova filosofia e a nova estrutura e tendem a repetir lá dentro as práticas de suas universidades de origem. Por isso, as bancas dos concursos têm de ser compostas de pessoas que entendem e aprovam o projeto da UFABC e devem avaliar a capacidade de adaptação dos candidatos ao projeto e à estrutura. Os dirigentes se saíram muito bem em toda a empreitada. O atual reitor, Prof. Capelli, é extremamente qualificado e tem sido, desde seu ingresso na UFABC, um veemente advogado da estrutura. Ótimo cientista e ótimo gestor, convicto dos seus objetivos.

Além de méritos de caráter acadêmico, a UFABC tem perseguido com sucesso o uso compartilhado e por isso muito mais intenso dos equipamentos de pesquisa de maior porte, o que gera redução de custos. Os estudantes, logo adquirem espírito de trabalho em grupo e capacidade para colaborar em grupos multidisciplinares, o que tem sido muito apreciado pelas empresas que os contratam. O sucesso profissional dessa turma ajudará a promover a sua universidade.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

5 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Centelha, o retorno

    9 de outubro de 2014 1:27 pm

    Mas se o Aécio ganhar, serão

    Mas se o Aécio ganhar, serão 4 anos de salários congelados para professores e funcionários da UFABC, e nada de verbas para novas contratações. Sob FHC, só se  abria vaga para novo professor em Universidade Federal a cada duas aposentadorias de professores veteranos. Sabem como é o sistema tucano de gestão das coisas públicas: primeiro precariza e desmantela, depois privatiza.

  2. Allan Patrick

    9 de outubro de 2014 1:52 pm

    ANDES = Conlutas = PSTU

    “a ideologia antimeritocrática do PT e dos sindicatos que dominavam o movimento docente.”

    A última vez que eu chequei, o principal sindicato da categoria – ANDES-SN – fazia parte da Conlutas, ligada ao PSTU. Mas o anti-petismo está na moda e dá um certo “charme” falar bem de alguém do PT ao mesmo tempo em que se declara contrário ao partido como um todo. 

  3. drigoeira

    9 de outubro de 2014 1:57 pm

    Terá futuro se…

    Se o Aécim ganhar a presidência, não terão futuro.

  4. Jeferson Selbach

    9 de outubro de 2014 3:05 pm

    “Por isso, as bancas dos

    “Por isso, as bancas dos concursos têm de ser compostas de pessoas que entendem e aprovam o projeto da UFABC e devem avaliar a capacidade de adaptação dos candidatos ao projeto e à estrutura.” Em outras palavras, os candidatos que não demonstrem aceitação pelo modelo adotado são prejudicados, em que pese o fato deles terem se saído melhor na prova escrita e didática? Da forma como foi escrito, tem-se a idéia clara que a banca é direcionada para aprovar candidatos que compartilhem do modelo adotado nesta Universidade. Algo perigoso, visto que as Universidades são justamente o espaço para a diversidade, para ps pensamentos contrários. 

    1. Daniel Klein

      9 de outubro de 2014 6:36 pm

      direcionamento técnico, não ideológico

      Jeferson,

      entendo sua preocupação, pois no passado houve muito direcionamento ideológico nas universidades públicas em concursos para economia, e ciêncis sociais. Isso é muito ruim. No caso da UFABC, tínhamos uma questão técnica. O projeto era muito diferente do praticado nos locais onde os candidatos haviam se formado, se não fosse filtrada a crença no novo projeto, tudo voltaria à estaca zero. 

Recomendados para você

Recomendados