24 de junho de 2026

Charlie Hebdo, liberdade de expressão e a esquerda monolíngue

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Enviado por Leo V

Esse artigo de Leigh Phillips é muito bom. Desfaz ‘mitos’ criados pela esquerda fora da França sobre cartuns do Charlie e dá passos num diagnóstico da esquerda a partir de casos como esse.

“O caso como um todo é precisamente o fundo do poço para a esquerda identitária.”

“Presunção automática de racismo sem comprovação não é antirracismo; é covardia e vaidade, visto que sugere que o indivíduo está mais interessado em garantir que ele ou ela não pareça racista do que em realmente lutar contra o racismo.”

“Como podemos confiar nas análises críticas desses esquerdistas sobre outros eventos em terras estrangeiras como Ucrânia, Síria ou Mali se nos damos conta de que eles sequer fazem um esforço prévio como investigadores quando se trata do contexto francês, muitíssimo mais acessível?”

do Passa Palavra

Perdida na tradução: Charlie Hebdo, liberdade de expressão e a esquerda monolíngue

O caso como um todo é precisamente o fundo do poço para a esquerda identitária. Por Leigh Phillips

Nas 48 horas após o massacre de Paris, muitos ativistas e acadêmicos de esquerda anglófonos apressaram-se em zombar das demonstrações públicas de solidariedade aos cartunistas e jornalistas assassinados do jornal satírico francês Charlie Hebdo e criticaram as vigílias, as manifestações e os cartuns de outros artistas como se estes estivessem aliando-se a racistas.

É claro que o assassinato de jornalistas é uma coisa ruim, assim prossegue o argumento, mas, vamos lá,Charlie Hebdo é “uma publicação racista”. Então o que você espera? É a implícita conclusão da culpabilização da vítima.

3040510-slide-s-6-rec-charlie-hebdo-slideshowAs milhões de pessoas, ateus, cristãos, judeus e muçulmanos – incluindo sindicalistas carregando as drapeaux rouges[bandeiras vermelhas] da CGT [a central sindical comunista] e ativistas de grupos de extrema-esquerda, tais como o Parti de Gauche e o Nouveau Parti Anticapitaliste – que espontaneamente encheram as ruas de cidades e vilas por toda a França em solidariedade aos jornalistas assassinados e contra este claro ataque à liberdade de expressão, ou aqueles que mudaram seus avatares nas redes sociais para um quadrado negro com as palavras Je suis Charlie, eram, nas palavras do proeminente socialista britânico Richard Seymour, escritas na revista Jacobin e no seu blog, “banais”, “piegas e narcisistas” e engajados numa “chantagem que nos força à solidariedade com uma instituição racista”.

Noutros lugares, muitos esquerdistas, tais como Jon Wilson, escrevendo na LabourList, declararam “Je ne suis pas Charlie” e que isto tem a ver com islamofobia e guerra. Aqueles que hoje se levantaram pela liberdade de expressão, argumentam eles, estão, na melhor das hipóteses, executando involuntariamente um serviço ideológico para as elites militaristas e, na pior das hipóteses, alinhando-se ativamente ao partido da guerra, tal como fizeram falcões liberais como o falecido Christopher Hitchens, Nick Cohen e Paul Berman após o 11 de setembro de 2001.

Os últimos dias têm sido uma humilhação para a esquerda anglófona, mostrando ao mundo quão pobre é a nossa capacidade de tradução hoje em dia, quando tantas pessoas publicaram nas redes sociais os cartuns que encontraram ao vasculhar o Google Imagens, usando-os como evidência do “racismo óbvio” doCharlie Hebdo, apenas para serem informadas por um francês fluente em inglês que, quando traduzidos e colocados no contexto, estes cartuns, na verdade, são explicitamente ou antirracistas ou um escárnio a racistas e fascistas.

taubira-charlieO melhor exemplo aqui é o cartum amplamente compartilhado do editor assassinado Stéphane Charbonnier, conhecido como Charb, da cabeça de uma mulher negra em um corpo de macaco abaixo da frase“Rassemblement Bleu Raciste” (Agrupamento Azul Racista). Os franceses estão cientes de que a mulher no cartum é a Ministra da Justiça, Christiane Taubira, e que a flâmula vermelha, branca e azul no cartum é a logo da Frente Nacional, que tinha recentemente caído em maus lençóis por publicar uma foto de um bebê macaco com as palavras “Aos 18 meses” próxima a um retrato de Taubira com a palavra “Agora”. O slogan da Frente Nacional éRassemblement Bleu Marine (Agrupamento Azul Marinho), um jogo de palavras com o nome da sua líder, Marine Le Pen. É óbvio para qualquer francês familiarizado com o contexto político que o cartum está zombando do racismo da Frente Nacional e, de fato, a própria Taubira, na sequência do massacre, defendeu repetidamente o Charlie Hebdo.

Outro exemplo seria o cartum de escravas sexuais grávidas do Boko Haram sob o slogan “Tirem as mãos de nossos benefícios!”, que muitos esquerdistas ingleses tomaram como um comentário racista auto-evidente sobre a “ameaça demográfica” muçulmana. Na verdade o cartum é um pesado comentário aos “problemas do primeiro mundo” sobre as reclamações a respeito da restrição feita pelo governo francês ao benefício infantil para a faixa mais elevada de renda, sugerindo que as pessoas ricas da França realmente nada tinham que reclamar se comparadas à angústia das pessoas no nordeste da Nigéria.

Numa postagem extremamente compartilhada (mais de 90 mil compartilhamentos no momento que escrevo), Jacob Canfield no The Hooded Utilitarian apresentou uma série de cartuns do Charlie Hebdo e declarou: “Sua equipe é branca. Seus cartuns muitas vezes representam um certo tipo virulentamente racista de xenofobia francesa. Embora eles digam em tom de generosidade que ‘atacam todos igualmente’, os cartuns que eles publicam são intencionalmente anti-islã e frequentemente sexistas e homofóbicos.”

Antes de tudo, sua equipe não é toda branca. Não que um pequeno jornal com pequeno número de empregados, todos caucasianos, signifique automaticamente racismo em qualquer caso. O revisorMoustapha Ourrad, por exemplo, estava entre os assassinados na quarta-feira. Segundo, o cartum que Canfield acha homofóbico, de um redator de sexo masculino do Charlie Hebdo beijando um imã sob as palavras “O amor é mais forte que o ódio”, era o cartum que preenchia a primeira página na semana seguinte ao incêndio da redação do jornal causado por uma bomba incendiária lançada por islâmicos em 2011, destruindo completamente todos os seus equipamentos. A bomba incendiária foi uma resposta ao lançamento de um número “editado especialmente” pelo Profeta Maomé para celebrar a eleição de islâmicos afiliados à Irmandade Muçulmana pelo partido Ennahda na Tunísia. Essa também era a época do crescimento da oposição conservadora [francesa] aos direitos dos gays, culminando nos protestos de massa no país da direita católica anticasamento gay em anos recentes. Cinco meses antes, o governo havia esmagado a legislação para legalizar a união de pessoas do mesmo sexo.

la-nouvelle-une-de-charlie-hebdo-sorti-ceNeste contexto, o cartum apenas pode ser visto como explicitamente anti-homofóbico, dando um beijo grande, atrevido e molhado nos Islamistas provavelmente homofóbicos que tentaram matá-los. (Um amigo disse-me, depois que eu expliquei o contexto por detrás deste cartum, que ainda era problemático, pois “num momento em que os muçulmanos nos países ocidentais são o alvo de preconceito islamofóbico, devemos ser sensíveis às suas sensibilidades religiosas. Um cartum de dois homens se beijando é ofensivo para eles”. Para mim, se há algo homofóbico acontecendo aqui, é a ideia de que os gays devem esconder-se de modo a não ofender aqueles que mantêm um ódio aos homossexuais).

Como podemos confiar nas análises críticas desses esquerdistas sobre outros eventos em terras estrangeiras como Ucrânia, Síria ou Mali se nos damos conta de que eles sequer fazem um esforço prévio como investigadores quando se trata do contexto francês, muitíssimo mais acessível? Estes bem intencionados cavaleiros-de-armadura-de-mídia-social não-falantes de francês têm envergonhado a si mesmos ao discursarem sobre coisas que eles não conhecem o suficiente. Isso não é um pensamento lúcido. Isso não é um pensamento de esquerda ou antirracista.

É uma política de identidade bagunçada, ilógica e autodestrutiva em que todas as acusações de racismo são imediatamente acreditadas e qualquer um que questiona se torna um racista. Acusações de racismo (de fato quaisquer acusações) devem ser fundamentadas pelo acusador e não serem automaticamente consideradas como verdadeiras. Presunção automática de racismo sem comprovação não é antirracismo; é covardia e vaidade, visto que sugere que o indivíduo está mais interessado em garantir que ele ou ela não pareça racista do que em realmente lutar contra o racismo.

Contudo, esse episódio é sobre algo mais que apenas ignorância intencional de uma esquerda monolíngue se deleitando em sua excitada divagação; há preocupações mais profundas sobre como tais críticos liberais e de esquerda estão abordando a liberdade de expressão em geral. O caso como um todo é precisamente o fundo do poço para a esquerda identitária, uma lição de como sua tendência atual em direção a um puritanismo censor, profissionalizado em se sentir ofendido, está limitando o avanço da esquerda, separando-nos da forma como as pessoas comuns vivem suas vidas e lidam com o preconceito, além de uma ruptura com centenas de anos de pensamento e prática de esquerda no que diz respeito à permanente questão da liberdade.

Charlie Hebdo é, acima de tudo, um filho da revolta de Maio de 1968. Foi fundado na sequência do banimento da publicação do seu antecessor, Hara-Kiri Hebdo, depois da última atrevida zombaria sobre a morte de Charles de Gaulle, o presidente de direita e herói da Resistência.

Nasceu uma publicação de esquerda, de fato, uma publicação de extrema-esquerda, cheia de insolência e cólera contra as elites capitalistas, clericais e governamentais. No mundo de fala inglesa, infelizmente, não temos realmente uma tradição de jornais tão satíricos como o Charlie Hebdo ou seu rival Le Canard Enchaîné (O Pato Acorrentado), que combinam cartuns editoriais provocativos com o jornalismo investigativo e de opinião. O mais próximo seria o Private Eye, no Reino Unido. Mas o formato se espalhou por todas as terras francófonas, com imitadores na Bélgica, Suíça e na África francófona, tanto na subsaariana quanto no Magrebe.

charlie-hebdo-une-14309_w1000Charlie também abrange uma política de anticlericalismo – uma espécie de secularismo militante que tem como alvo padres, monges, freiras, bispos, papas, rabinos e, ultimamente, imãs e mulás, especificamente como indivíduos (tidos como pomposas figuras hipócritas pregando uma moralidade que não aplicam a eles mesmos) e não apenas como representantes de uma religião – que remonta aos jacobinos da Revolução Francesa. O anticlericalismo também existe em diferentes formas na Espanha, América Latina, Québec, Rússia e no Irã contemporâneo.

Os ataques aos padres católicos pelos revolucionários anarquistas durante a Guerra Civil Espanhola e aos sacerdotes ortodoxos pelos bolcheviques foram duas das mais violentas expressões de anticlericarismo. Porém, o anticlericalismo nunca existiu da mesma forma no mundo Protestante (e, portanto, anglófono), devido à ruptura com Roma nos séculos XVI e XVII e à transformação protestante da relação do indivíduo com a hierarquia da Igreja e com o próprio Deus. Por conta disso, o estilo de humor gouaille – um humor corrosivo picante, impertinente, insolente e, muitas vezes, obsceno – é parte de uma tradição parisiense que encontra suas origens na época da Revolução Francesa e que Arthur Goldhammer, o tradutor do Capital no século XXI de Thomas Picketty, explica bem: “É uma forma populista e anárquica de obscenidade que visa deitar abaixo qualquer coisa que possa erigir-se como venerável, sagrada ou poderosa”.

Não é espirituoso. Se é alguma coisa, é bastante juvenil. Zombando da ideia de que não deve haver imagens de Maomé, um dos cartuns do Charlie era o de um profeta nu com uma estrela no lugar do ânus, sob o slogan “Nasce uma estrela”. É pueril, infantil, não raro sem graça. É piada de peido. É almofada de peido. É como aquela sketch do Monty Python sobre masturbação e tiração de sarro com o Vaticano, “Cada esperma é sagrado”.

Os esquerdistas precisam fazer uma distinção entre blasfêmia e racismo. Os dois não são a mesma coisa. Ninguém tem o direito de não ser ofendido. Isso não é nenhum segredo. Depois de décadas de suspensão legal, a blasfemia e as leis de “insulto religiosos” estão voltando. Entretanto, a política do Charlie Hebdo tem sido em sua maior parte progressista. A SOS Racismo, principal ONG antirracista no país, fez no passado uma parceria com o Charlie em campanhas contra a política anti-imigrantes, como a campanha conjunta em 2007 contra os testes de DNA para os migrantes que tinham o objetivo de se reunir com suas famílias. Após o massacre, a organização ofereceu o seu apoio ao jornal e denunciou o ataque como uma agressão àliberdade de expressão. O editor assassinado esta semana pelos atiradores islâmicos, Charb, era um membro de longa data do Partido Comunista Francês, apoiou a nova organização de extrema-esquerdaFront de Gauche, opôs-se à adoção da Constituição Europeia neoliberal proposta em 2005 e ilustrou “Marx: Um Guia de Usuário”, livro de 2014 do falecido e brilhante autor socialista Daniel Bensaïd. Um dos mortos, Bernard Maris, estava no Conselho Científico da ATTAC, a ONG crítica da globalização conduzida pelas corporações; disputou as eleições pelos Verdes; era um crítico da austeridade da União Europeia e da Zona Euro; e escreveu para uma série de outras publicações de esquerda.

90438006_oO jornal não tem definido uma linha editorial per se e seus jornalistas frequentemente discordam publicamente, mas entre os alvos favoritos dos seus cartuns e do seu jornalismo estão os partidários da extrema-direita e outros apoiadores de política anti-imigrantes, corrupção corporativa, falcatruas de banqueiros, cortes na saúde pública, paraísos fiscais e a indústria de armas. Um furo do Charlie de novembro do ano passado, por exemplo, revelou a ameaçadora extorsão por mensagens de texto de um assistente de um senador de direita já indiciado numa investigação sobre compra de votos municipal. O jornal é um opositor furioso dos ataques regulares do governo israelense em Gaza. Ele defendeu os ciganos [Roma] contra o encarceramento e deportação do governo. Charlie Hebdo faz parte da “mobília mental” da esquerda na França.

Como Charb escreveu no Le Monde em 2013, “Não é segredo: a atual equipe editorial está dividida entre apoiadores da esquerda, da extrema-esquerda, do anarquismo e do ambientalismo. Não é todo mundo que vota, mas todos nós estouramos o champagne quando o [presidente conservador] Nicolas Sarkozy foi derrotado em Maio de 2012”.

Claro, nada impede de um deles ser racista e ao mesmo tempo de esquerda, assim como há ativistas dos direitos animais que são sexistas e sindicalistas homofóbicos. Mas descrever Charlie como uma “publicação racista” faz os leitores acreditarem que o jornal seja semelhante ao jornaleco da Frente Nacional.

Charlie, assim como muitas organizações, é uma mistura de boa e má política. Na onda dos ataques às Torres Gêmeas, assim como Christopher Hitchens, o editor naquele momento, Philippe Val, deu um rumo “choque das civilizações” ao jornal. Se a gozação dos imãs significava apenas estar em compasso com a tradição anticlerical, e as caricaturas obscenas também alvejavam a hierarquia católica, agora parecia haver uma ênfase excessiva sobre o Islã. Ele também – como muitos da esquerda francesa, mesmo ativistas antiguerra – apoia a ideologia contemporânea da laïcité. Traduzido estritamente, laïcité é a versão francesa para o secularismo, mas a tradução não é justa. É uma espécie de imposição da antirreligiosidade pelo Estado ao invés de uma simples neutralidade do governo diante de diferentes credos, como existe nos EUA (mas não no Canadá), porém normalmente focado esmagadoramente sobre o Islã.

Estão certos aqueles que dizem que é hipócrita levantar a bandeira da liberdade de expressão hoje e não levantá-la diante das proibições do uso do véu e da burca. (Formalmente, em 2004, foi limitado o uso de “símbolos religiosos visíveis nas escolas” e, em 2010, as vestimentas de rosto em público, incluindo capacetes de moto e balaclavas, foram proibidas, mas todo mundo sabe quem era o alvo). Mas o inverso disso também é correto: Se você se opôs às proibições do véu e da burca, então hoje você deve se mobilizar em defesa da liberdade de expressão em relação ao Charlie Hebdo.

82444242_oHá hipocrisia em outros lugares também. Se normalmente oCharlie não se incomoda com as acusações de islamofobia, o seu famoso destemor atingiu seu limite quando o cartunista Maurice Sinet (pseudônimo Siné) enfrentou acusações de antissemitismo. Em 2008, Siné escreveu numa coluna sobre os boatos de que o filho do presidente Nicolas Sarkozy estaria se convertendo ao judaísmo antes de se casar com a herdeira de uma multinacional de eletrodomésticos, a Darty. Disse gracejando:“Ele vai percorrer um longo caminho na vida, aquele pequeno rapaz”. Ele foi processado por incitação ao ódio racial, uma vez que a sentença supostamente ligava judaísmo com o sucesso financeiro, embora o juiz tenha rejeitado o caso. Todavia, Siné foi demitido por Val, uma decisão que foi defendida por uma série de intelectuais de direita e atacado por seus colegas de esquerda como uma traição à liberdade de expressão.

Como resultado da retórica hitchensiana pós-11/9 de Philippe Val, como em inglês poderíamos descrever sua orientação, uma série de jornalistas sentiram que suas consciências não permitiam continuar a trabalhar para o jornal e saíram, criticando-o publicamente. Muitas pessoas que afirmam “criticar tudo”, na verdade não criticam tudo igualmente e, de fato, fazem de determinados grupos minoritários raciais um alvo único de reprovação, que, então, acabam verdadeiramente prejudicados de alguma forma. Muitas figuras da atual onda de novos ateus como Sam Harris, Richard Dawkins e Bill Maher são exemplos disso: eles afirmam que criticam todas as religiões, mas na verdade reservam uma crítica especial ao Islã.

Mesmo que nenhum cartum em particular de Charlie possa ser considerado racista e mesmo que o jornal também tenha publicado capas representando o Papa Bento beijando um guarda suíço do Vaticano, uma mulher palestina sendo baleada por um colono israelense gritando, “Tome isso, Golias!”, como parte de uma série antissionista, intitulada “A Torá ilustrada por Charb” e muitos outros cartuns que o jornal Jewish Daily Forward categoriza como antissemita (honrosamente, The Forward realmente re-imprimiu um desses cartuns “antissemitas”, em solidariedade ao Charlie depois do massacre), no geral, a disposição do jornal em ridicularizar o Islã acima de todos os outros alvos se encaixa com essa narrativa de “oportunidade igual de ofensa”. Alguns dos meus amigos dizem que pararam de ler o jornal nesse período. Um amigo catalão me disse: “Charlie Hebdo costumava ser de esquerda. No entanto, fez meu estômago revirar algumas vezes”.

No entanto, há uma diferença entre um jornal da esquerda que se degenerou e uma publicação racista. Mesmo com todo apoio de Hitchens para as guerras no Afeganistão e no Iraque, eu não poderia em nenhum momento sugerir que ele fosse um racista.

Apresentei toda essa história como pano de fundo, como um contexto extra que tem sido ignorado pelos críticos “Je ne suis pas Charlie”. Mas irei mais a fundo: isso não deveria nem importar.

charlie-hebdoMesmo se Charlie Hebdo fosse uma publicação racista, os assassinos ainda estariam atacando a liberdade de expressão e os esquerdistas ainda deveriam se levantar com toda a indignação que tantos franceses corretamente mostraram . Não porque, como as elites afirmam, o massacre em Paris seja um ataque contra os “valores ocidentais”, valores que plenamente não existem fora de uma platitude hipócrita e banal, mas porque a liberdade de expressão é um tema da esquerda. De fato, é a questão mais importante com a qual devemos nos preocupar. Todo o resto que façamos depende dessa liberdade fundamental.

É vitalmente importante estar alerta a certa onda de ataques contra os muçulmanos por toda a França e no resto da Europa nos próximos dias e semanas. Nesse momento que escrevo, já houve cerca de 15 violentos episódios de represália contra muçulmanos desde os assassinatos em Paris, incluindo tiros e três granadas de treinamento jogadas numa mesquita em Le Mans, tiros disparados numa sala de oração em Port-la-Nouvelle e uma explosão de bomba numa loja de kebab em Villefranche-sur-Saone.
Também devemos estar preparados para nos mobilizarmos contra a previsível nova rodada de esforços das elites para aumentar a segurança e o estado de vigilância. Na esteira do ataque, uma União Europeia em pânico já está em busca de novos poderes antiterror. É também importante lembrar como o massacre de Paris se encaixa numa história mais ampla do projeto imperialista do ocidente no Oriente Médio. Embora a intervenção militar ocidental em países muçulmanos produza, sem dúvida, um “efeito bumerangue”, quem quer que tenha feito isso não está apenas “reagindo ao ocidente imperialista”. Eles são autores autônomos. Reduzir esses assassinos a autômatos que respondem a intervenções militares no Iraque (a guerra que a França não participou) ou no Mali, na realidade desconsidera a atuação do oprimido e, portanto, é ela própria uma forma de racismo do “bom selvagem”. Historicamente, a resistência árabe anti-imperialista foi principalmente secular e socialista, não islâmica. Estamos abandonando nossos irmãos e irmãs progressistas desses países, apanhados em sua própria guerra civil que cruza e é agravada pela guerra ocidental contra o terror. Lembrem-se, os alvos do Islã político são principalmente outros muçulmanos, como no caso do ataque do Taliban paquistanês em dezembro numa escola em Peshawar, em que 141 pessoas foram mortas, 132 delas crianças. No mesmo dia, a Al-Qaeda da península arábica matou 25, incluindo 15 crianças num ônibus escolar no Iêmen. Em vez de reforçar o imperialismo ocidental, os atos de blasfêmia podem – dependendo de como eles são montados – ser uma ajuda para os secularistas que estão lutando contra a reação islâmica.

O autor Kenan Malik acerta quando escreve como o massacre ao Charlie se conecta à linha de frente da luta pela liberdade de expressão no Oriente Médio e no seio das comunidades muçulmanas no Ocidente. “O que é chamado de ‘ofensa a uma comunidade’ é mais frequentemente, na verdade, uma luta dentro das comunidades. Existem centenas de milhares de pessoas, dentro das comunidades muçulmanas no Ocidente e dentro dos países de maioria muçulmana em todo o mundo, desafiando ideias, políticas e instituições reacionárias de base religiosa; escritores, cartunistas, ativistas políticos, colocando diariamente suas vidas na linha de frente, enfrentando leis contra a blasfêmia, levantando-se pela igualdade de direitos e lutando por liberdades democráticas”.

CHARLIE-HEBDO.0Da mesma forma, a romancista gráfica franco-iraniana Marjane Satrapie, autora do bestseller Persepolis, defendeu o Charlie em uma entrevista no New York Times, argumentando que criticar a revista era “a conversa errada”. “Nem sempre amava o que eles faziam, mas adorava a ideia de que tínhamos uma revista que era subversiva daquele jeito”, disse ela ao U.S. Daily. “As pessoas têm o direito de ter um ponto de vista diferente e de provocar. Se permitirmos que atos como este criem um clima de medo, então teremos perdido nossa liberdade”.

E, de fato, muitos muçulmanos veem o ataque ao Charliecomo equivalente à tentativa de assassinato do ativista/cartunista da revolução síria Fares Raed pelo Estado Islâmico. Enquanto os esquerdistas ocidentais zombavam do sentimentalismo estilo princesa Diana do meme Je suis Charlie, muitos muçulmanos na França e em todo o mundo estavam totalmente contentes em abraçar o slogan. Enquanto as flores delicadas da CBC e do Guardian preocupavam-se se reimprimiam ou não os desenhos da Charlie Hebdo, as edições de cartuns árabes no Líbano, Catar e Egito eram feitas com material muito mais pesado.

Também é necessário salientar a hipocrisia de cair o queixo do presidente francês ao marchar com outros líderes mundiais em defesa da liberdade de expressão quando, em setembro, as autoridades nacionais proibiram protestos contra as charges do Charlie assim como marchas de solidariedade palestina durante o ataque israelense a Gaza no ano passado. Aliado estratégico do Ocidente, a Arábia Saudita organizou na sexta-feira o açoitamento público do blogueiro liberal preso Raif Badawi, um duplo padrão que cartunistas árabes criticaram.

Muitos daqueles entre a elite que hoje fazem referência à liberdade de expressão não fizeram tal referência quando as forças armadas americanas bombardearam os escritórios da Al-Jazeera em Cabul e Bagdá, quando a OTAN alvejou a TV sérvia, ou quando sete jornalistas palestinos foram mortos pelo IDF (Forças de Defesa de Israel) no último ano. Documentos vazados que aparecem no britânico Daily Mirror sugerem que em 2004 George Bush e Tony Blair consideraram bombardear a sede da Al-Jazeera no Qatar, um edifício onde 1.000 pessoas trabalham. Como o cartunista holandês da Charlie HebdoBernard Holtrop, disse ao ver os líderes mundiais marcharem em Paris em solidariedade aos seus colegas mortos: “Temos um monte de novos amigos, como o papa, a rainha Elizabeth e o Putin. Vomitamos em todas estas pessoas que de repente dizem ser nossos amigos”.

01-1078Mas a hipocrisia das elites sobre a liberdade de expressão não torna a liberdade de expressão algo a que os esquerdistas deveriam se opor ou serem indiferentes. De fato, devemos esperar que a democracia liberal seja incapaz de defender os princípios liberais básicos. A esquerda não deve lutar contra a hipocrisia da elite com sua própria versão de hipocrisia.

Há uma tendência preocupante na esquerda para descartar a liberdade de expressão, considerando-a parte do projeto colonialista, para repudiar a liberdade de expressão como uma piedade sem sentido da elite. Nos últimos anos, a esquerda liberal, em particular no mundo anglófono, passou a exigir a censura de discursos “ofensivos” ou “provocadores”. E associações estudantis, teatros, universidades, escolas, municípios, galerias de arte e outros espaços públicos têm cada vez mais cancelado uma grande gama de eventos em que há falas e outras formas e expressão. Mesmo vários grupos tradicionais de liberdades civis parecem estar intimidados. Os manifestantes vão além de protestar contra aqueles a quem se opõem; agora tentam ativamente impedi-los de falar, como no caso dos esforços para desconvidar Bill Maher de ir à UC Berkeley no ano passado – ironicamente durante o 50º aniversário dos protestos do Movimento pela Liberdade de Expressão de Berkeley. Em 2014, nos Estados Unidos, os manifestantes do campus impediram a realização de uma aula magna pela ex-secretária de Estado Condoleezza Rice, o procurador-geral Eric Holder e a chefe do FMI, Christine Lagarde. De acordo com o grupo de liberdade de expressão do campus, FIRE, 39 protestos levaram ao cancelamento de eventos nos campi desde 2009. Tudo isso é contrário à tradicional e de esquerda defesa da liberdade de expressão e deve ser fortemente combatido. A visão política do orador não deve fazer diferença aqui.

Combate-se maus argumentos com bons argumentos. No minuto em que começarmos a abraçar a censura, serão as nossas próprias ideias que mais cedo ou mais tarde os censores excluirão. E a ironia é que, enquanto esses pedidos de censura frequentemente vêm da “esquerda da justiça social”, é precisamente por causa da instituição liberal da liberdade de expressão que o movimento das mulheres, a luta pelos direitos civis e a libertação gay conseguiram conquistar tudo o que atualmente têm. Não podemos denunciar o governo conservador de Stephen Harper por amordaçar os cientistas do clima ou os esforços da gigante de energia Kinder Morgan para restringir a liberdade de expressão dos manifestantes antigasoduto se também não nos levantarmos pelo direito daqueles de quem discordamos – e, em particular, daqueles de quem fortemente discordamos – de falar.

Discursos cujo conteúdo estamos de acordo são fáceis de serem defendidos. Portanto, defendê-los não é realmente defender a livre expressão, mas apenas afirmar o nosso próprio discurso. Isto é tão arbitrário como a vis et voluntas, ou “força e vontade”, atitude que o rei John empregou para as decisões executivas antes de ser forçado a assinar a Carta Magna, a primeira carta de liberdades civis e o documento de fundação de todas as nossas liberdades, há 800 anos.

charlie_hebdo_shoah_hebdo1.agchbtbki00g00gk88s80skw.brydu4hw7fso0k00sowcc8ko4.thVale a pena relembrar que Noam Chomsky, em 1979, não só assinou uma petição em defesa da liberdade de expressão do francês negador do Holocausto Robert Faurisson, mas também, porque esse velho e grande homem da esquerda também acredita nesse ideal, escreveu um ensaio, “Alguns comentários elementares sobre o direito da liberdade de expressão”, que foi impresso como um prefácio de um livro de Faurisson. Esquerdistas de hoje, desprezando a liberdade de expressão, são anões perto de Chomsky, um gigante moral que estava disposto até mesmo a defender um discurso de ódio.

“Mesmo se Faurisson fosse um raivoso antissemita e um fanático pró-nazi – tais acusações foram apresentadas a mim em correspondência privada que seria imprópria para ser citada em detalhe aqui – isso não teria qualquer influência sobre a legitimidade da defesa de seus direitos civis. Pelo contrário, tornaria mais imperativo defendê-los já que, mais uma vez, tem sido um truísmo por anos, de fato séculos, de que é justamente no caso de ideias terríveis que o direito à livre expressão deve ser mais vigorosamente defendido; é facil demais defender a livre expressão daqueles que não necessitam de tal defesa.”

A esquerda faria bem em lembrar-se de que liberdade de expressão não é um buffet de jantar self-service. Ao longo da história, de Robespierre a Stalin, toda vez que rejeitamos essa liberdade como uma bagatela burguesa, como um enfeite para ser posto de lado em nome da resolução de injustiças sociais alegadamente mais preocupantes, o desastre rapidamente nos atingiu.

A liberdade de expressão não é um ornamento liberal. É a liberdade primordial, da qual todas as outras liberdades dependem.

Longue vie à Charlie Hebdo!

Sobre o autor

Leigh Phillips foi correspondente de assuntos europeus em Bruxelas e já escreveu para o Guardian, a Nature, o Daily Telegraph, o Globe and Mail, a Jacobin, entre outras publicações.

Traduzido pelo Passa Palavra. O original encontra-se disponível aqui.

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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99 Comentários
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  1. Marco St.

    16 de janeiro de 2015 12:20 pm

    Excelente texto.
    Ainda

    Excelente texto.

    Ainda acrescento que a esquerda brasileira tem outro problema. Quando não é monolingue ela geralmente só entende o inglês. E os anglo-saxões tem muita dificuldade de entender o francês. logo……..

    Em vez da proximidade latina com os franceses, fomos nos desinformar com os distantes americanos e ingleses.

    Deu no que deu. Um show de horrores produzidos por muitos esquerdistas.

    1. wesley

      16 de janeiro de 2015 12:36 pm

      a verdade

      como no velho ditado “a verdade com na arte ta olho de quem vê”.nao concordo com quase nada dito.charlie era esquerdista?parei.a propria definiçao usada hoje em dia do que é esquerda ta confusa.charlie jornalista ou sencionalista?. 

      1. Marco St.

        16 de janeiro de 2015 12:47 pm

        Bom. Se a Charlie não é

        Bom. Se a Charlie não é esquerdista, podemos dizer que a Minute não é direitista…..

        Bom. Melhor parar por aqui.

         

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    16 de janeiro de 2015 12:31 pm

    Esquerda? Ha, ha, ha… 

    Esquerda? Ha, ha, ha… 

    1. Anarquista Lúcida

      16 de janeiro de 2015 10:30 pm

      Eta comentário bem argumentado, nao?

      Francamente. 

  3. Free Walker

    16 de janeiro de 2015 1:18 pm

     “Eu acuso todos os

     “Eu acuso todos os movimentos de esquerda que crucificaram esses defensores da liberdade como islamofóbicos.” 

    ” Stéphane foi morto porque defendia a laicidade, defendia o espírito de Voltaire, ele era fruto desse ideal. Morreu de pé, executado com seus camaradas, e só se pode sentir orgulho dele. Todos esses desenhistas merecem o Panteão. Eles lutaram pelos princípios e liberdades cuja defesa foi esquecida. Eles morreram para pudéssemos permanecer livres neste país, na França.”.

    Jeannette Bougrab, companheira de Stéphane Charbonnier.

  4. Free Walker

    16 de janeiro de 2015 1:28 pm

    A esquerda latinoamericana,

    A esquerda latinoamericana, ou bolivariana se preferirem, continua sendo vira-lata  e mequetrefe com sempre foi. Nenhuma surpresa pela sua indigência neste caso Charlie Hebdo, cumpriu seu papel  já “histórico”.

     

    1. Juliano Santos

      16 de janeiro de 2015 5:15 pm

      ôpa, cada macaco no seu galho

      Rapaz, larga do Charlie, que não te pertence!

      Mesmo que tenham um monte de esquerdistas que estão equivocados, como mostra o texto, a idealogia do Charlie é progressista, pela justiça social, contra a opressão de classe e imperialista. Portanto, voce está no galho errado, seu Free Walker

      PS: Está vendo? O espertinho aí já se aproveitou dessa discordância na esquerda para abiscoitar a liberdade de expressão do Charlie, que nada tem a ver com “liberdade de empresa”, que a turma dele defende. 

  5. Edsonmarcon

    16 de janeiro de 2015 1:39 pm

    Texto muito bom

    Usar informação fora do contexto, como estão fazendo com a Charlie,  é um truque velho para “criminalizar” os opositores.

    É muito usado, por exemplo, pelos criacionistas e pelos negacionistas do  aquecimento global.

    1. Marco St.

      16 de janeiro de 2015 2:23 pm

      Cheguei a ler (juro!!) dessa

      Cheguei a ler (juro!!) dessa “esquerda-lobão” que o nome “Charlie” (inspirado no personagem Charlie Brown), era na verdade uma “homenagem à um general francês que havia matado milhares de muçulmanos na época da guerra dos cruzados”….

      Não sei se isso foi efeito de alto consumo de drogas ou pura trollagem, mas está escrito por aí…

       

  6. mc

    16 de janeiro de 2015 2:31 pm

    Entendeu ou quer que eu desenhe?

    Amigo… Uma charge racista é racista em qualquer língua, uma charge machista é machista em qualquer língua: porque são desenhos, amigo, não são textos.

    E o pior, quando você precisa de um texto desse tamanho para explicar uma charge – nesse caso, além de machista e racista, de repente a charge é simplesmente… ruim.

    Como exemplo: alguém aqui pode me dizer o quanto eu preciso saber de Francês para não tomar a charge abaixo como machista (além de entender a frasinha, “a vida começa aos 60”)?

    A charge é de Wolinsky, um dos maiores desenhistas do Charlie. Ah, sim, ela tem um contexto (tudo explicadinho aqui), o desenhista é um comunista conhecido, um representante legítimo da esquerda de 68, trata-se do problema dos aposentados na França, etc etc etc… Podem fazer mil teses de doutorado sobre isso: esse é um desenho machista. É bater o olho e ver. Não tem tradução que salve. 

    1. Alessandre de Argolo

      16 de janeiro de 2015 3:19 pm

      A charge é engraçada

      A vida começa aos sessenta anos e mostra um idoso passando a mão na bunda de duas mulheres, consensualmente. Não há machismo nenhum. Há um sexismo bobo, que traduz a ideia de que a vida do homem está boa porque ele está com mulheres etc, vinculando qualidade de vida a ter parceiras sexuais. Não vejo ofensa às mulheres, necessariamente. Vejo uma certa visão sexista do mundo, um tanto politicamente incorreta, mas nada de outro mundo. Uma charge que mostra um idoso passando a mão na bunda de duas mulheres não é tão ofensiva assim. É um tanto sacana, libertária do ponto de vista sexual (remete a uma ménage à trois). Mas isso é tão sério assim? Desde quando a esquerda se tornou moralista a este nível? Isso é coisa da direita. Quer dizer que idosos não podem se relacionar sexualmente com mulheres mais jovens? E se podem, como retratar isso numa charge bem humorada sem ser taxado de machista? Que besteira!

      1. mc

        16 de janeiro de 2015 3:48 pm

        Você não achar ofensivo não
        Você não achar ofensivo não significa muita coisa… Você não é alvo da ofensa. É muito difícil a gente perceber esse tipo de coisa quando não é com a gente, isso é normal. Já eu acho ofensivo, me sinto diminuída, e imediatamente percebo que a charge não é para o meu riso: é para o riso do cartunista com os seus iguais. Isso é “tão sério assim”? Claro que não; apenas não me faz rir, porque não me deixa sentir aquela cumplicidade necessária para a gente gostar de uma piada. Isso dito, não acho de jeito nenhum que charges assim deviam ser censuradas. Apenas me parece absurdo que eu, em compensação, não possa chamá-las de machistas, sem que um outro lindão venha me dizer que o problema sou eu, que sou uma ignorante que nem sei o Francês. O mesmo vale para a questão do racismo: façam, amigos, suas charges racistas: mas não nos obriguem a achar engraçadas, e não nos ofendam ainda mais dizendo que não temos capacidade de interpretar a sofisticada ironia da esquerda pós-iluminista das Franças.

        1. Alessandre de Argolo

          16 de janeiro de 2015 4:07 pm

          O fato de você ser mulher explica em parte o desconforto

          Entendo que a tua condição feminina faça com que você não tenha gostado da charge (nunca imaginei que você fosse mulher, eis um dos problemas de usar um perfil pouco claro, aparentemente fake etc).

          Explica em parte por causa do teor sexista. Mas a charge não me parece machista. Sexo é uma coisa que existe no mundo adulto e a charge mostra uma consensualidade entre as pessoas envolvidas. Não existe necessariamente nenhuma referência opressora. Mulheres jovens podem gostar de ficar com homens mais velhos, inclusive em variações não ortodoxas, como ménage à trois. O risco da tua opinião é resvalar numa visão moralista sobre sexualidade. O fato de você ser mulher não é suficiente para acusar machismo na charge. Entendo o certo desconforto, porque fica parecendo uma objetificação sexual feminina. Mas não é este necessariamente o caso. Pode ser a captação de um momento sexual onde as pessoas estão à vontade. Depende da interpretação que se dê à charge. De qualquer forma, o caráter consensual na imagem é bem nítido. As pessoas estão à vontade na situação e gostando do que acontece. Não vejo problemas. Pensar o contrário é mais moralismo do que qualquer outra coisa. As pessoas são livres para exercer a sua sexualidade. Penso que isso está retratado na charge.

          1. mc

            16 de janeiro de 2015 4:14 pm

            Lá na minha página está o meu

            Lá na minha página está o meu nome e sobrenome. Meu usuário é mc aqui nesse blog há anos, nunca ninguém me disse que parecia fake… são as minhas iniciais. A foto no avatar, note também, é de uma mulher. Mas tudo bem, realmente você não é obrigado a ir lá conferir. Sobre o consensual, respondi num outro comentário aí em cima… realmente acho surpreendente a sua interpretação de que é algo consensual, porque para mim é tão claramente uma situação na qual tem um homem se aproveitando de ser homem para estar com mulheres mais jovens e mais bonitas que ele. Não deixa de ser interessante isso, pois mostra como a piada nunca é neutra, depende da posição de quem faz e quem ouve (ou vê, nesse caso).

        2. Mauro Chazanas

          16 de janeiro de 2015 7:56 pm

          Oi, mc.
          Voce escreveu uma

          Oi, mc.

          Voce escreveu uma coisa que me chamou muito a atenção, e que eu queria ter certeza que estou entendendo.

          Deixando bem claro, não vim até este comentário defender nenhuma posição, é só pra satisfazer esta minha egoísta compulsão de aprender. Mas não sou tão mau caráter assim, depois que aprendo, compartilho, em algum lugar, em algum momento.

          Eu ia até destacar aqui os dois trechos da frase que me chamou tanto a atenção, mas relendo-a constato de vez que tua frase ficou tão boa que seria até muita tolice minha picotá-la: “Já eu acho ofensivo, me sinto diminuída, e imediatamente percebi que a charge não é para o meu riso: é para o riso do cartunista com os seus iguais.” 

          Putz! Primeiro, de novo, que frase legal! Olha, vou te falar uma coisa que talvez, ou certamente, voce achará estranho, mas poderá confirmar, ou não, com outro alguém em outra oportunidade: voce até pode não saber francês, como afirmou, mas pelo menos nesta frase voce pensou e escreveu em francês, só que em português. Ou, por outro jeito, as autoras e os autores franceses escrevem assim. Ou, ainda de outro modo, me pareceu uma ótima tradução para o português de uma ótima frase escrita em francês. 

          Bom, das cinco teses que voce colocou na frase, é sobre duas que eu queria perguntar, o sentir-se diminuída e a conclusão de que o cartunista escolheu o alvo, quem riria com ele, e não seria voce.

          Primeiro, o sentir-se diminuída. Seria abuso meu te pedir para explicar um pouco mais? Sabe por que te peço isso? Porque relendo o que voce escreveu em comentários anteriores, percebi que nós enxergamos a charge com o mesmo olhar, só as conclusões foram diferentes!

          É um velho caquético. Parece até que é levemente sustentado e auxiliado a andar. As môças são jovens. A impressão que me ficou é que estava com as mãos onde estava por pura luxúria, nada, digamos, prático e objetivo iria resultar no fim daquela caminhada.

          E fiquei com pena dele! Daí, achei graça, não de rir, mas de sorrir amargamente, comparando a situação do velhinho, querendo mas não mais podendo, com a frase “A vida começa aos sessenta”. Quer dizer, começa nada, balela.

          Quando li tua interpretação final, e também tua menção à reação das mulheres ( não conhecia essa história, obrigado pelos links que visitarei mais tarde) pensei comigo, ué…Daí que voltei na charge e voltei nos teus comentários, e assim por diante, até resolver: quer saber, deixa perguntar pra ela, quem sabe ela responde.

          A segunda questão é mais abrangente, a gente pode até sair dessa charge que a questão permanecerá, que é, se bem entendi e por isto venho te perguntar, se há diferença entre humor feito por homens e humor feito por mulheres, e queria saber se voce teria exemplos de humor feito tanto por homens como por mulheres que te deixam sentir a cumplicidade que voce mencionou, seja em cartuns, ou filmes, ou séries de tv, etc…

          Se e quando tiver tempo e paciência para responder, muito te agradeço.

          1. Mauro Chazanas

            16 de janeiro de 2015 8:03 pm

            Caramba! Antes que voce me

            Caramba! Antes que voce me bata (“ficou com pena do velhinho??!!!!! E das môças????!!!!!!!!) deixa falar que elas me passaram uma sensação de fôrça e poder.

          2. mc

            16 de janeiro de 2015 9:05 pm

            haha não vou te bater não,

            haha não vou te bater não, achei o seu comentário simpático (não tinha pensado na pena do velhinho), estou aqui ruminando para responder, momentinho

          3. mc

            16 de janeiro de 2015 9:16 pm

            Vamos por partes? Porque….

            … você pegou pesado, Mauro Chazanas… Primeiro a última pergunta (só pra perturbar a ordem cartesiana): “se há diferença entre humor feito por homens e humor feito por mulheres, e queria saber se voce teria exemplos de humor feito tanto por homens como por mulheres que te deixam sentir a cumplicidade que voce mencionou, seja em cartuns, ou filmes, ou séries de tv, etc…” – bom, minha resposta sincera é, não sei. Eu não penso nesses termos assim a priori. Só na hora em que me aparece uma charge dessas como a das bundas é que o fator homem X mulher me aparece como relevante. Com outros objetos do riso, eu sou uma outra pessoa – porque além de mulher, eu sou também (sei lá, digamos) latino-americana, meio branca meio preta, profesora, mãe, atéia, etc…. então, eu posso me solidarizar inteiramente com um homem meio branco meio preto no caso de uma piada racista, com um homem branco europeu ateu numa piada contra ateus… certo? Cada um de nós somos muitos, e em cada calo a dor dói diferente.

            O ponto não é esse, para mim… o ponto é reconhecermos que a piada nunca é “neutra”, ela pede cumplicidade, ela ri de alguém. Em cada caso, a gente pode se sentir próximo do alguém que ri, ou do alguém que “é rido”. E (fundamental) eu me recuso a aceitar a imposição do riso sobre aquele de quem se ri sem que ele de quem se ri possa pelo menos dizer, quando você ri de mim eu não acho graça.

            Na verdade acho que não respondi bem essa sua segunda pergunta… e ainda estou pensando na primeira.

             

          4. mc

            16 de janeiro de 2015 9:50 pm

            Bom vou tentar como boa cdf

            Bom vou tentar como boa cdf responder sua pergunta sobre a minha frase “”Já eu acho ofensivo, me sinto diminuída, e imediatamente percebi que a charge não é para o meu riso: é para o riso do cartunista com os seus iguais.” ” – apesar de achar que você tá tirando um baita sarro da minha cara (se tiver, tá valendo, porque tá inteligente seu sarro). 

            Acho que o meu problema em te responder é que eu acho tão simples entender isso, é meio óbvio. Então vou atacar abaixo da cintura, vou de piada de judeu. Sabe piada de judeu, piada do Samuel com a Sara no lojinha? São super engraçadas, quando são contadas por judeus. Eles dão gargalhadas e a gente que não é judeu gargalha junto. Tá. Agora, se um alemão me conta uma piada de judeu, perde a graça, vira uma coisa agressiva e má. Por que? Por causa da coisa da solidariedade: o riso é de quem, sobre quem? Eu tou ouvindo a piada – e quem tá contando a piada tá rindo de mim, dele mesmo, ou de um outro que ele oprime? É isso.

            De novo acho que não soube me explicar, me diga depois.

             

          5. Mauro Chazanas

            16 de janeiro de 2015 10:39 pm

            Sim, vou reler a resposta

            Sim, vou reler a resposta anterior, reler esta, refletir e se voce concordar continuaremos a dialogar.

            Mas, por enquanto, deixa te assegurar uma coisa: não estou tirando sarro não. Voce não poderá ter certeza disso, claro, só ao final do diálogo, ou mesmo para o futuro, se e quando a gente continuar se trombando por aí.

            Há uma coisa que digo no parágrafo seguinte, mc, e nisso talvez haja uma diferença entre nós ( e digo talvez porque ainda, como te disse, preciso reler tuas duas respostas para tirar as conclusões possíveis ou, se for o caso, perguntar mais)  e se realmente existir essa diferença, isto não significa hierarquia, de tua posição ser melhor que a minha ou vice-versa, significa apenas, pelo menos como eu vejo, que nossas experiências de vida, emocionais, intelectuais, sei lá mais o quê, nos fizeram chegar a certezas diferentes; nào foi isto mesmo que acabou de acontecer com relação à charge?

            Qual seria a possível diferença? É que para mim só há sentido em rir, se for por exemplo rir com voce, jamais rir de voce. O humor que me faz bem não tem vítimas humanas individualizadas, a menos que sejam figuras opressoras, aí acho que porque entra junto o sentimento de justiça.

            Então, por conta disso, é que eu não poderia tirar sarro de voce, a menos que estivesse com muita raiva e calmo. Não poderia porque não sei fazer isso e, te digo, não quero aprender, seria só perda de tempo e energia, e pra nada. E além do que, não me divertiria nem um pouco. Voce, assim como eu, deve ter encontrado pela vida pessoas que fazem isso, que sejam felizes, se possível longe de mim.

            O elogio à tua frase foi sincero, as perguntas foram sinceras.

            Agora vou reler tuas respostas, e refletir, e tornar a escrever.

            Ah, sim, e obrigado pelo elogio, se bem que no final fiquei sem nada, teu elogio foi a um sarro inexistente, veja voce como é minha vida, o primeiro elogio que eu recebo em 2015, foi por uma coisa que eu não fiz!

            Tô brincando. Obrigado.

            Até já.

          6. mc

            16 de janeiro de 2015 10:51 pm

            Eslarecimento pro Mauro

            Mauro, foi o “elogio” à minha frase (trecho abaixo) que me deixou em dúvida se você estava tirando uma comigo ou não. Tenha em mente que essa coisa de conversar por comentários tem esse mal, nem sempre percebemos bem os tons. Se você não estava me ironizando, por favor desculpe por ter dito isso, ok? Difícil distinguir.

            ……………

            “(Putz! Primeiro, de novo, que frase legal! Olha, vou te falar uma coisa que talvez, ou certamente, voce achará estranho, mas poderá confirmar, ou não, com outro alguém em outra oportunidade: voce até pode não saber francês, como afirmou, mas pelo menos nesta frase voce pensou e escreveu em francês, só que em português. Ou, por outro jeito, as autoras e os autores franceses escrevem assim. Ou, ainda de outro modo, me pareceu uma ótima tradução para o português de uma ótima frase escrita em francês.”

          7. Mauro Chazanas

            16 de janeiro de 2015 11:04 pm

            Sem crise

            Não há necessidade de se desculpar, mc, assim que tive a idéia de escrever achei que ia parecer  estranho, tanto que coloquei no texto.

            De jeito nenhum me senti ofendido, muito menos insultado. Só quis mesmo te deixar segura de que voce não está sendo usada pra se fazer “humor” às tuas custas.

            Bem, ainda não estou pronto pra escrever de volta, até já.

             

          8. Mauro Chazanas

            17 de janeiro de 2015 12:44 am

            Prosseguindo

            mc, acho que voce não se importará, escreverei tudo aqui, sem dividir o texto.

            Bom, antes de mais nada, percebo que até agora não expliquei o porquê desse assunto me interessar.

            É que, além do tema ser do meu interesse desde a adolescência – cresci lendo Wolinski, e como lia muitos outros, notei a diferença; Wolinski era diferente e eu não sabia onde, ou como, ou por que, só sabia, ou sentia, melhor dizendo, que havia diferença, e foi indo atrás dessa diferença que comecei a me interessar por humor – e só ter aumentado ao longo do tempo, discutir humor, o que é humor, é discutir Charlie Hebdo, que é o que todos nós estamos fazendo.

            E quis conversar contigo a respeito por conta dos teus comentários e da frase que já destaquei, achei que me daria respostas proveitosas e eu não estava errado.

            Bom, vou seguir na ordem da tua frase. Se eu estiver errado na interpretação de tuas respostas, por favor me corrija.

            O sentir-se diminuída é por voce identificar-se com as garotas da charge, certo? Logo depois é que começam minhas dúvidas. Presumo que voce sinta que elas estão sendo diminuídas por conta das mãos do velhinho. Mas elas, e perdoe por favor minha eventual estupidez se estiver falando bobagem, não parecem estar se incomodando. Não parecem sentir-se diminuídas.  Se é assim, como voce poderia sentir-se diminuída, se as môças não estão?

            Em um de seus comentários feitos antes da gente começar a conversar, voce respondeu pra alguém que mulher alguma do mundo, com os atributos (gostou da minha elegância?) que as duas têm, sairiam com um velho daqueles a menos que fossem obrigadas. Então, como estão saindo, estão sendo obrigadas, e aí estaria o fator que as diminui. Seria isso?

            Percebo agora que antes de começar a redigir este texto, deveria ter lido os dois que voce mandou os links. Bom, paciência por enquanto, lerei mais tarde.

            Quanto a este ponto, o de sentir-se diminuída, é isto.

            Antes de passar pro seguinte, tenho que lembrar de “Ensina-me a Viver”, só por conta de outra resposta tua, onde voce imagina uma situação de uma senhora idosa com dois bonitões. Voce assistiu esse filme? Como não sei se assistiu, faço um resuminho sem spoilers. É uma comédia muito doce, muito terna. Então, não são dois rapazes, é um, bem jovem, muito rico, com obsessão pela morte. Passa seu tempo inventando as mais criativas formas de se matar, não leva a cabo nenhuma. Certa vez, se bem me lembro numa visita ao cemitério, conhece uma senhora idosa, setenta e poucos anos. Começam a conversar, começam a se identificar e, por fim, apaixonam-se. O fim não conto nem que voce mande a Al-Qaeda me pegar, procure assistir que é um filme bem gostoso. 

            mc, voce entende ser possível que um cartunista, ou escritor, ou cineasta, não importa, queira fazer, se proponha a fazer humor sem vítimas? Li e entendi o que voce disse, que não há piada neutra, mas queria trocar o “piada” por “humor”. Terá que existir uma vítima? 

            Por exemplo, um dos cartuns que mais gostei ao longo da vida não é de se cair na gargalhada, sequer talvez alguém ria com ele, mas é, digamos, pra sorrir muito com os olhos. Há um monte bem alto, em forma de triângulo, e no topo do monte há um avião pousado, a largura do topo tem o tamanho exato para alguns trens de aterrissagem sustentarem o avião. Logo abaixo, há um platôzinho, estreito e vê-se um grupo de homens e mulheres com ar sério, mas não bravo, um sujeito com uniforme de capitão civil de aeronave um pouco afastado, ao lado, e um outro senhor, com ar compenetrado, dirigindo-se ao grupo. A legenda é: bom, pessoal, o mínimo que a gente pode fazer é dar uma salva de palmas para o comandante.

            Então voce entende que o comandante conseguiu fazer um pouso impossível, como se o avião fosse um helicóptero. Não sei até hoje porque sempre considerei este cartum engraçado, nunca mais o encontrei, nunca mais o esqueci.

            Essa seria a pergunta: é possível um humor sem vítimas?

             

             

          9. mc

            17 de janeiro de 2015 8:51 am

            Vou chorar…

            Comparar “Ensina-me a viver” com essa charge foi triste demais… aquele filme é lindo e trata da questão do amor dos idosos com arte e delicadeza. Mas a charge do Wolinsky não está discutindo o amor dos idosos; a imagem do um velho feliz com as moças é a forma dele dizer, “como a vida é boa” (pra ele). Quando sugeri comparar isso com o inverso (senhora com garotões), teria de ser na mesma chave, ou seja, uma charge em que isso fosse a forma de dizer “como a vida é boa” (para ela). De resto, claro que acredito em humor sem vítimas. E esse da charge também não sei se necessariamente teve vítimas. Só acho machista, ofensivo, ultrapassado, etc. Não vejo qual o problema em dizer isso; eu gosto de outras charges do Wolinsky, e nem por isso deixo de ver o machismo dessa.

          10. Mauro Chazanas

            17 de janeiro de 2015 3:13 pm

            Mea Culpa

            Reli o parágrafo que escrevi e realmente dá para se tirar a conclusão que voce tirou. 

            Foi mal redigido, porque transmite uma idéia que não é a de seu autor.

            Faltou, talvez, uma frase assim: ” Esse filme não tem nada a ver com o que estamos discutindo aqui, só me lembrei dele por conta de imaginar a cena de teu exemplo, uma senhora idosa com dois jovens.”

            Mas concordo contigo quando voce diz que não basta a intenção, ou até mesmo pouco importa a intenção, há que se ver o resultado. No metrô lotado, quem leva um pisão no pé, vai sentir dor, não faz diferença se quem pisou foi por acidente ou de propósito. Neste nosso caso aqui, foi sem querer, te peço desculpas.

             

          11. Mauro Chazanas

            16 de janeiro de 2015 9:58 pm

            Não, não, a menos que voce

            Não, não, a menos que voce ache que ficou incompleta, não vejo como não tenha respondido bem,  acho que estou entendendo o que voce diz, e está confirmando minha primeira impressão.

            Depois que voce responder tudo, gostaria de confirmar uma ou outra coisa.

            Sobre essa sensação de não responder bem, de não ficar satisfeita com o resultado, quase sempre quando isso acontece comigo, depois de algum tempo percebo que o desconforto se deve ao fato de eu ter partido de algumas premissas erradas, quer dizer, eu parto de uma tese estropiada e vou construindo o raciocínio a partir dela e acabo chegando numa maionese.

            Pode ser, portanto, que as próprias perguntas estejam levantando falsas questões, não sei. Acho que não, mas é possīvel.

        3. Anarquista Lúcida

          16 de janeiro de 2015 10:34 pm

          Se eu fosse criticar as charges d Charlie, censuraria exata/ iss

          Têm verdadeira obsessao com c*, donde sao pelo menos indiretamente homofóbicas e machistas. Só que nao acho que este seja o momento para isso. E uma coisa é censurá-las, outra achar que nao deveriam ser publicadas. 

          1. Mauro Chazanas

            17 de janeiro de 2015 4:13 am

            Uma possível explicação

            Anarquista, passei uns dois ou três pares de horas rodando a internet para ver se encontrava alguma organização LGBT que trouxesse algum elemento de crítica à Charlie Hebdo, ou algum militante ou alguma militante LGBT que assim o tenha feito, achei nada, nada.

            Pelo contrário, quando falam deles, só tem homenagem.

            Entendi o que voce falou. Acho que uma explicação seria que ao satirizar as religiões, eles tinham que usar figuras masculinas, que são quem comanda as diversas religiões, isto sem falar dos profetas, etc…

            Bom, não há, deixa ver como eu consigo me expressar, muita variedade anatômica no corpo do homem para eles explorarem. Aliás, nào há variedade alguma. Só sobrou pra desenhar o que sobrou, mesmo.

            Aproveitando a oportunidade: sobre a imagem, o grito de guerra não adianta nada mesmo. Eu, mesmo unido, de novo fui vencido.

          2. Anarquista Lúcida

            17 de janeiro de 2015 4:57 am

            A dificuldade de argumentar com boa fé

            Posso ser ingênua, mas acredito em argumentar com boa fé. Até porque se ganho uma discussao mas com argumentos que sei falsos, que merda de vitória é essa? No fundo significa que nao teria argumentos reais para defender aquilo… 

            Por que estou dizendo isso? Porque nao quero fazer como uns desonestos que estou vendo participar dessa discussao. Que continuam repetindo coisas falsas mesmo quando elas já foram desmentidas, mas nao querem dar o braço a torcer. Que misturam coisas que nao têm nada a ver com o tema discutido. Etc. Um dos que está mais censurando o “racismo” de Charlie é um antissemita de marca. Outro adora piadinhas homofóbicas. Dá nojo da hipocrisia. 

            Charlie fez parte de um período importante de minha vida. Ok, era o primeiro Charlie, de antes de 1981; mas cujos autores eram mais ou menos os mesmos de agora, com novos acréscimos, claro. Essa crítica de machismo, e sobretudo “guruzismo”, sempre fiz a Charlie Hebdo, como sempre fiz ao Pasquim. Nao vou deixar de reconhecer a verdade dela agora só porque estou indignada com outras críticas, essas sim mentirosas, que estao sendo feitas ao jornal (que ele seja racista, etc.)

            Só que isso nao tem relevância nenhuma agora! Isso nao tem nada a ver com os atentados (e nao creio que as charges contra Maomé também tenham, a nao ser na subjetividade dos executores; mas esse atentado foi bem encomendado, nao?). E decididamente nao acho que seja a hora para ficar “catando” os motivos para censurar o jornal. Acho nojento esse movimento “Je ne suis pas Charlie”. É um movimento de des-solidariedade às vítimas! Embora eu nao goste nadinha do estilo Argolo de argumentar, nesse ponto pelo menos ele tem razao. Fazer isso agora é no fundo buscar justificativas para o ataque culpando as vítimas.  

            E me apavora também o discurso subjacente a boa parte dessas críticas, de que nao se poderia satirizar religioes. Céus, levamos séculos para conseguir o direito a nos libertar da obrigaçao de seguir os preceitos religiosos, e querem voltar atrás? Voltar aos “crimes” de blasfêmia e heresia? 

            Repare, eu nao sou defensora da liberdade de expressao sem limites, diferentemente talvez de você e de alguns que também estao defendendo Charlie. Humor do tipo Danilo Gentili é um lixo, que se volta só contra minorias, só defende preconceitos. Mas nao é o que Charlie faz! Charlie apenas defende o direito de ser demolidor em relaçao a tudo o que é poder, sagrado, pensamento dominante, etc. E esse tipo de humor é necessário! 

            Leia o artigo de Miguel do Rosário sobre isso. Eu em geral nao gosto dele, mas o artigo está perfeito. Eis o link: http://www.ocafezinho.com/2015/01/15/porque-eu-sou-charlie-parte-ii/

          3. Mauro Chazanas

            17 de janeiro de 2015 1:48 pm

            Anarquista, eu acho que

            Anarquista, eu acho que concordamos em tudo, ou quase tudo. Mas isto penso não ser o mais importante. O mais importante é exatamente isso que voce colocou: argumentar com boa fé.

            Não vejo problema, por exemplo, em, numa discussão sob um ponto qualquer, voce me demonstrar, ao trazer as informações a, b ou c e usar tuas interpretação e argumentação, honestas, como voce disse, que eu estava equivocado. Por que é que eu ficaria chateado? Eu costumo é até agradecer, quando acontece isso. Caramba, alguém me ensina algo importante e eu fico com raiva dessa pessoa? 

            Há de um tudo no Je ne suis pas Charlie. A motivação desse movimento não é única, nem é uniforme o modo de seus adeptos se expressarem.  Vai de quem deliberadamente distorce, falsifica e mente até quem argumenta com qualidade, e em alguns casos com muita qualidade, e é com esse pessoal da qualidade que eu quero aprender.  E digo aprender sem ironia nenhuma, é aprender mesmo a ver o humor, a religião, a política, a vida, com outros olhos que não os meus.

            Me chama a atenção, no Je ne suis pas Charlie, o esfôrço que alguns fazem para desacreditar o jornal, e para isso vale tudo. É como, e posso estar enganado, só posso especular pois eles não falam a verdade do que os incomoda, é como, continuando, se sentissem de alguma forma ou por algum motivo ameaçados, que suas leituras do que é o mundo e do que se deve e se pode fazer para mudá-lo estivessem sendo postas em xeque, que sentissem estar ficando sem chão. 

            É difícil rever posições, é difícil questionar o sagrado, seja o sagrado na religião, seja o sagrado na política, seja o que for que a pessoa considere seu “sagrado”.

            O Contardo Calligaris, no artigo que saiu em 15 de Janeiro na Folha, diz o quanto é difícil ser Charlie diante dos fundamentalismos que vendem certezas e sentido pelas ruas. E descreve o ato de que participou, de protesto do que aconteceu, como “uma reunião dos que acham que nada é sagrado para todos, salvo o princípio de que nada deve ser sagrado para todos”.

            Charlie Hebdo fez parte de minha formação. Isso eu sempre soube. O quanto ela foi importante nesta formação, o quanto do que sou hoje devo a Charlie Hebdo, só ficou claro para mim após 7 de Janeiro.

            Continuou sendo importante, continua, ao longo do tempo. Quanta falta faz uma Charlie Hebdo aqui no Brasil, agora, por exemplo, para cuidar de um Aécio Neves, de um Eduardo Cunha, de um Bolsonaro, de infelizmente tanta gente.

            De um Marcos Feliciano! Como esse pessoal simbolizado no Marcos Feliciano agride, machuca, os gays, as lésbicas, todo o povo LGBT!

            Um cartaz em uma das manifestações de Junho de 2013, que vi no documentário “20 centavos” ou no “Junho”, não me lembro agora, dizia: *Meu c* é laico”. Puro Charlie Hebdo.

            Sobre o direito à livre expressão sem limites, acho que passei essa imagem quando escrevi em algum canto que deveria ser igual ao direito de greve deveria ser: existe direito de greve, ponto. Mas não fui feliz quando escrevi isso porque faltou acrescentar algo importante.

            Sobre o direito de greve, penso isso mesmo, exatamente assim.

            Sobre a livre expressão, para mim as coisas estavam resolvidas, e de um jeito muito simples. Discutir ou satirizar ideologias, quaisquer que sejam, tranquilo,  sem limitações.  Discutir ou querer fazer graça com a vida de uma pessoa, um ser humano, como o Gentili fez com a menina que seria globeleza, passível de exame pela Justiça, mas sempre a posteriori. Idem com estigmatizações de um povo, seja judeu, cigano, árabe, sei lá mais quem. Idem com raças, ou genêros, ou orientação sexual.

            Tudo resolvido. Até eu tomar conhecimento da posição do Chomsky. Aí balançou, está balançando minha certeza, não porque, ao menos até agora e se é que estou entendendo direito, ele tenha demonstrado cabalmente que o que eu acredito esteja errado, mas não dá para simplesmente ignorar que alguém com essa estatura intelectual e política traz algo diferente. Estou estudando esse ponto, com afinco.

             

          4. Anarquista Lúcida

            17 de janeiro de 2015 3:11 pm

            Vc tem razao ao dizer q há várias coisas no Je ne suis pas

            Mas acho todas elas equivocadas. Aliás o artigo do Miguel do Rosário que te recomendei fala bem sobre várias delas. 

            Há a recusa da defesa da liberdade de expressao por causa do uso que o PIG tem feito dela. E aí as pessoas nao notam mais as diferenças e os contextos. 

            Há uma visao equivocada do que seria uma conduta própria para a esquerda. Sou plenamente favorável que se analise o papel dos EUA e da Europa na causaçao do terrorismo, ou que se analisem as dificuldades dos emigrantes europeus e seus descendentes na Europa hoje, o contexto da extrema direita, etc. Mas isso nao deve fazer entao que nao se possa criticar o terrorismo! Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. E, menos ainda, a tentar relativizar o ataque, e no fundo culpar as vítimas. 

            Outra, relacionada ao anterior, é o “coitadismo” em relaçao aos muçulmanos. Como se o fato deles serem discriminados e explorados na Europa lhes garantisse direitos especiais a terem o islamismo defendido de qualquer sátira num país laico. Nao. Se eles se ofendem com as sátiras, nao leiam nem comprem o jornal. Ou se algo realmente passar dos limites legais que entrem na justiça. Mas que vivam com o tipo de legalidade do país hospedeiro, nao tentem impor seus próprios princípios. Pior, tratá-los como se fossem irracionais e incapazes de compreender isso é tratar a todos como terroristas em potencial! É esse o discurso anti-racista? Melhor nao fazer piadas, diria a minha maezinha, porque senao eles podem ficar bravos e fazer atos terroristas. Argh! 

            E isso no fundo é ignorar todos os aspectos estranhos desse ataque, que sugerem fortemente que ele era sabido a priori e foi deixado acontecer porque interessava. Nao foi por causa das charges a Maomé, se elas nao existissem o pretexto seria simplesmente outro. Até acredito que os caras que executaram — se eram realmente muçulmanos, do que nao estou certa — pudessem ter isso como motivaçao pessoal, mas nao é isso o que determinou a “permissao” dos serviços de segurança nem a causa mais profunda (desejos de justificar o bombardeio do Yemen, por ex., e de colocar a França de novo sob o tacao dos EUA, de que ela tinha se afastado um pouquinho ao votar pelo estado Palestino). 

            Outro aspecto da recusa às charges é no fundo a sacralizaçao das religioes, colocá-las num pedestal, dizer que nao podem ser “ofendidas”, etc. Só o que faltava, voltarmos aos “cirmes” de blasfêmia e heresia. 

            O único aspecto de se dizer Je ne suis pas Charlie aceitável, a meu ver, nao seria uma recusa de identificaçao com o jornal, mas uma desconfiança em relaçao às marchas organizadas por Hollande, ao clima que isso poderia suscitar. Mas acho que há dois lados, ao menos, nisso também. As marchas tanto poderiam fortalecer a extrema direita quanto a defesa dos imigrantes. Mas tenho que sair e este comentário já está grande demais. 

          5. Mauro Chazanas

            17 de janeiro de 2015 9:17 pm

            O verdadeiro maior objetivo
            Gostei muito da série do Miguel do Rosário. Dos três artigos, me senti mais contemplado no primeiro. Sobre a história oculta do atentado, acho que só nos restará especular, a menos que surja algum outro Bradley Manning, hoje Chelsea, na hipótese do atentado ter sido concebido pelas potências ocidentais, ou parte delas. A teoria de ser algo concebido pelas potências ocidentais para intensificar a guerra ao EI, ou preparar supostos ataques por terra e ar ao Iemen, ou algo similar, não me parece satisfatória, simplesmente porque elas, as grandes potências, não precisam disso. Quando querem, quando lhes interessa, o fazem sem dar satisfação à opinião pública. Ou até mentem descaradamente, como na Guerra do Iraque e as armas do Sadam. Não estou descartando essa hipótese, queria deixar bem claro, só estou achando pouco provável. Um outro elemento que me faz pensar assim é que uma operação desse tipo, culminando na Al-Qaeda do Iemen assumir a paternidade, implica numa quantidade muito grande de pessoas que teriam que ter tomado conhecimento, e depois do  surgimento do Assange, da Chelsea Manning, até do Anonymous, seria um risco muito grande para os mafiosos correrem.   De tudo que está rolando por aí, a teoria que estou achando a mais plausível é que realmente tenha sido obra exclusiva da Al-Qaeda, pouco importando se é do Iemen, mas não pelos motivos que estão ganhando popularidade, que são o de vingar o profeta e o de atacar a França por causa de sua participação na guerra contra o EI. A verdadeira motivação seria outra. A teoria diz que esse ataque tem como objetivo intensificar o recrutamento de jovens europeus de lares muçulmanos pelas organizações extremistas islâmicas. O ato visou provocar os governos europeus a fazer exatamente o que parecem começar a fazer (tratar os imigrantes e seus descendentes como inimigos em potencial) e provocar as populações de seus países a fazer exatamente o que parte delas começou a fazer ( hostilidade nas ruas, bombas em mesquitas, etc…). O endurecimento da Europa contra os muçulmanos é tudo o que os terroristas querem, pois isto vai desembocar em uma reação dos muçulmanos, principalmente dos jovens, e a espiral de ódio só fará aumentar. Chegaria um momento onde o alistamento nas fileiras do EI, da Al-Qaeda, do Boko Haram pareceria aos jovens revoltados ser a opção mais atraente, lógica e natural.  Há que se lembrar que há de três a cinco mil jovens europeus integrando os quadros do Estado Islâmico. As perspectivas desse número se multiplicar, por três, por cinco, é muito atraente para os terroristas. E veja, e aí o pesadelo aumenta a níveis estratosféricos, esses jovens nem precisariam sair de seus países para combater. A exemplo da semana passada, poderiam matar e morrer nos países onde moram. A tática de atacar uma comunidade exatamente para provocar sua reação não é nova nos movimentos terroristas. Terroristas sunitas ligados ao Estado Islâmico fizeram e continuam fazendo isso direto no Iraque, atacando os xiítas até o ponto dos xiítas responderem com ataques às comunidades sunitas, onde então o Estado Islâmico vai recrutar mais membros, que se alistam para se vingarem. Macabro, né? Bem, é só mais uma teoria. Tomei conhecimento há alguns dias, deixei passar um tempo, ainda não apareceu nada que a desabone, pelo contrário, aqui e ali vão pipocando informações que lhe dão mais credibilidade. 

            http://www.salon.com/2015/01/10/the_real_politics_of_charlie_hebdo_it_wasnt_about_religion_or_free_speech/

               

             

             

          6. Anarquista Lúcida

            17 de janeiro de 2015 9:48 pm

            Só li 2 artigos do Miguel; vou procurar o terceiro

            Concordo com essa possível motivaçao de que vc fala. Mas há tb a outra, paralela, que já ocorreu historicamente: se o ataque veio das potências ocidentais, especificamente de Israel, uma motivaçao para incluir o supermercado judeu seria exatamente a de amedrontar judeus e convencê-los a ir para Israel. 

            O importante agora é exatamente nao deixar o ataque ser usado pela extrema direita. É nesse sentido que achei importante a participaçao de muçulmanos na marcha de Hollande, e a crítica ao atentado feito por clérigos maometanos. 

          7. Mauro Chazanas

            17 de janeiro de 2015 11:48 pm

            Sonhar não custa nada, já dizia a Mocidade Independente

            Uma das fotos mais bonitas da manifestação em Paris de 11 de Janeiro é a que mostra um homem com um cartaz escrito “Eu sou muçulmano e amo os judeus” ao lado de um homem com um cartaz assim: “Eu sou judeu e amo os muçulmanos”.

            Isso me remete à conversa que tivemos há alguns dias. Eu acredito que a humanidade, um dia, chegará onde eu queria estar, um mundo sem fronteiras, um mundo sem Estado. Aquela história do sonho, da utopia.

            Sobre como o mundo está mudando, me contaram uma piada que achei engraçada:

            Lá no comêço dos anos 60, estavam o Fidel e o Che batendo papo e uma hora Che Guevara perguntou:

            – Fidel, voce acha que um dia os ianques e nós restabeleceremos relações?

            – Ih, rapaz, acho que só no dia em que o presidente dos Estados Unidos for um negro e o Papa for um argentino!

             

             

             

          8. Anarquista Lúcida

            18 de janeiro de 2015 12:01 am

            É, mas cuidado com o polyanismo…

            Agora falando sério acho que é por aí. As pessoas terao que lutar pelo sentido dos acontecimentos, nao deixar que esse sentido seja estabelecido pela Direita. 

          9. Mauro Chazanas

            18 de janeiro de 2015 2:57 am

            As esquerdas já estão levando de 7 a 1

            Na linha do que voce acabou de falar, as esquerdas brasileiras cometeram e cometem um erro terrível, com exceção do PSTU, que já no dia 8 publicou na primeira página de seu site uma nota de repúdio, assinada pela LIT-QI.

            Quem também falou, pouco e muito bem, foi Luciana Genro. Já Gilberto Maringoni, que pena.

            Saindo do campo da esquerda, o PPS, através do Roberto Freire, emitiu uma nota simplesmente obscena.

            O silêncio do PT e do PC do B é ensurdecedor.

            Em política não existe o vácuo. Todo o tempo todo o espaço é ocupado.

            As esquerdas brasileiras no geral se abstiveram e a direitona através da mídia está deitando e rolando.

            Aqui no Brasil, Anarquista, esta guerra está sendo perdida. Cedo ou tarde as esquerdas pagarão o prêço por sua atitude.

            No mais, quanto ao governo Dilma, vou colocar no modo Polyana On, como voce fala. Prefiro dar uma de louco e acreditar que o Brasil esteja fazendo gestões diplomáticas sem conhecimento do público, em prol daquilo que Dilma defendeu na ONU no ano passado.

            País que pretende mesmo ser membro permanente do Conselho de Segurança não pode se omitir numa hora dessas, ficar olhando para o próprio umbigo.

            Tem criança de dez anos de idade se explodindo na Nigéria. Dez anos de idade.

            O Brasil é um dos poucos países que falam com todos os países do mundo. E não se mexe, caramba!

            No primeiro governo Lula a participação brasileira foi decisiva para a situação na Venezuela não degringolar.

            Em seu discurso de posse a Presidenta Dilma disse que ao lado da América Latina e Caribe, iria privilegiar a África.

            Criança explodindo na Nigéria, caramba!

          10. Anarquista Lúcida

            19 de janeiro de 2015 6:15 pm

            O importante é que a esquerda européia nao perca essa guerra

            Daqui do Brasil pouco podemos fazer a esse respeito. O importante é que o atentado nao fortaleça a Direita européia e a atitude anti-imigrantes, ou endurecimento de legislaçao anti-terrorista do tipo Patriot Act. Quanto à política externa brasileira, ela recuou bastante desde Celso Amorim, mas… Em relaçao ao governo tb entro no modo Polyana On, porque sei que, por mais que eu possa criticar uma coisa ou outra, qualquer alternativa seria MUUUUIIIITO PIOR. 

          11. Mauro Chazanas

            19 de janeiro de 2015 6:41 pm

            Aviso aos navegantes: este meu comentário NÃO é Charlie Hebdo

            Com certeza seria pior.

            Tô até imaginando a cena, o Aécio correndo pra Paris pra desfilar junto com a comissão de frente aquela, e já que tava lá mesmo, iria dar um rolê por tudo que é…bom, deixa pra lá.

          12. Anarquista Lúcida

            19 de janeiro de 2015 6:51 pm

            Se fosse só isso, até que nao seria tao grave

            Aliás, se por infelicidade este país caísse nas maos dele, quanto mais tempo ele passasse na farra em vez de governar, melhor… 

          13. Mauro Chazanas

            19 de janeiro de 2015 8:21 pm

            Hahahahahahahahaha

            rsrsrsrsrsrsrs, essa foi boa!

            E pior que é verdade!

      2. mc

        16 de janeiro de 2015 4:08 pm

        E agora eu percebi uma coisa

        E agora eu percebi uma coisa que – essa sim – é bem engraçada: de onde você tirou isso de “um idoso passando a mão na bunda de duas mulheres, consensualmente”? Já eu vejo um velho caquético se aproveitando de sua condição de homem para ter prazer com os corpos de duas mulheres jovens que, para aceitarem isso, devem de alguma forma sentir-se obrigadas a isso… porque eu juro pra você: não tem nesse mundo nenhuma mulher com uma bunda dessas que realmente deseje um velho desses.

        1. Alessandre de Argolo

          16 de janeiro de 2015 4:19 pm

          Agora você foi extremamente preconceituosa

          Desculpe a franqueza. A charge é muito clara quanto à consensualidade: as mulheres abraçam carinhosamente o homem idoso na charge e não demonstram nenhuma preocupação ou incômodo pelo fato dele passar a mão na bunda delas. A consensualidade e a satisfação de todas as pessoas envolvidas na charge são muito nítidas, tanto do homem idoso quanto das mulheres jovens.

          Agora, quando você afirma que “não tem nesse mundo nenhuma mulher com uma bunda dessas que realmente deseje um velho desses”, fica claro o teu preconceito contra os idosos e por que exatamente você não gostou da charge. Irritou a você o fato de um homem idoso estar na companhia de duas mulheres bonitas, jovens, e elas estarem gostando da situação, como deixa claro a charge. Por algum motivo ainda não muito claro, isso a incomodou.

          1. Daytona

            16 de janeiro de 2015 4:22 pm

            Melissandre queria a mão na

            Melissandre queria a mão na bunda dele.

          2. mc

            16 de janeiro de 2015 4:56 pm

            Ué! Mas é claro que foi isso,

            Ué! Mas é claro que foi isso, o que mais seria? É por isso que a charge é machista, pela assimetria entre o homem e as mulheres retratadas. O motivo do meu incômodo não poderia ser mais claro: é que a charge remete a um tempo e um ambiente no qual a mulher é uma coisa linda, acessível para todos os homens, mesmo os não-lindos. A mulher nesse tipo de humor é sempre jovem bonita e gostosa, e sempre ama os homens, que quase nunca são jovens bonitos ou gostosos. Aquela coisa meio Pasquim. 

            Nesse universo, os homens velhos se relacionam com mulheres jovens e todo mundo acha tranquilo – mas não o oposto. Porque… imagine um desenho com uma senhora bem velha e feia com a mão na bunda de dois gostosões: não seria diferente a recepção? Não abriria outras interpretações da sua parte – ou você ainda ia achar tudo bonito, tudo consensual, nada de preconceito contra os idosos, etc? Pode ser, mas acho improvável.

            É realmente bem interessante esse nosso diálogo, porque você interpreta a charge da maneira oposta à minha. Você achou uma coisa bonita, onde elas “abraçam carinhosamente”… Eu juro para você que em nenhum momento me passou pela cabeça essa interpretação. Aliás foi por isso que eu trouxe esse exemplo, já que para mim ele é absoluta e inequivocamente um exemplo que mostra a assimetria entre o homem e as mulheres retratadas.

            Realmente é um exemplo, na verdade, do problema da posição de cada um numa piada – de por qual lado ela nos interpela, de como nos identificamos com quem está retratado, etc. Bem delicado isso.

          3. mc

            16 de janeiro de 2015 5:36 pm

            Mais um detalhe: Se a gente

            Mais um detalhe: Se a gente considerar o contexto dessa charge, como quer o autor do artigo original que estamos aqui comentando, a coisa fica ainda pior. Ela foi feita em 2013 por ocasião da mudança da idade das aposentadorias na França – daí o “a vida começa aos 60”. Wolinsky fez a charge para ajudar na campanha do Partido Comunista Francês pela mudança da idade para 60 anos. Resultado… as mulheres do partido e do resto da esquerda imediatamente reagiram – porque com essa charge, Wolinsky as tirou da campanha de seus camaradas, já que ele está dizendo que a vida começa aos 60… para os homens. Na época houve muito debate, hoje só achei dois exemplos: https://bellaciao.org/fr/spip.php?article137381  e http://www.planete-ump.fr/t33061-Sexisme-au-Front-de-Gauche.htm 

    2. Marco St.

      16 de janeiro de 2015 3:23 pm

      Putz!!
      Já havíamos passado

      Putz!!

      Já havíamos passado dessa fase sabe?….

      Charles Hebdo sempre atacou todas as ideologias. Inclusive a própria esquerda, feministas, gays, machistas…

      Wolinski SÓ foi mestre de 99,99% dos chargistas do mundo inteiro. Sempre gostou de sexo. Sacanagens. Ele adorava as muheres. Quase todas as suas charges são sempre isso. Sexo. Velho taradão. E, naturalmente, sacaneava com toda a hipocrisia que vc mesmo nos exemplificou aqui com sua visão “anti-machista”. Wolinski não acreditava em vida após a morte, mas se ele estiver errado deve estar rolando de rir com seu comentário.

      Aliás, curioso a extrema dificuldade de algumas pessoas lidarem com o rompimento das fronteiras do poiticamente correto.

      Charlie Hebdo é completamente irresponsável.Tá escrito na capa.  A intenção deles é exatamente essa. Tirar as pessoas da zona de conforto. Não é um jornal “sério”. Só o leva ao pé da letra quem não entende o tipo de humor que fazem.

      Já pensou o que aconteceria se uma dessas pessoas “horrorizadas” com a Charlie, assistisse um episódio qualquer de South Park? ….

      Crianças assistem South Park. Ótima maneira de se vacinarem contra  o politicamente correto.

      1. Daytona

        16 de janeiro de 2015 3:34 pm

        Ou se divirtam com as

        Ou se divirtam com as piadinahs racistas do Danilo Gentilli, ícone desse humorzinho politicamente incorreto!

      2. mc

        16 de janeiro de 2015 3:55 pm

        Cruzes! Quando eu disse que fico “horrorizada”?

        Não fico horrorizada … só não acho graça, e acho machista. Posso não achar graça? E posso chamar o Wolinski de machista? Posso chamar de velho babão feio típico representante dos velhos babões feios remanescentes dos anos 60 que ainda insisem em assobiar pras mulheres na rua e chamar de queridinha etc etc – aqueles chatos? Ou você acha que ele ia ficar magoadinho comigo?

    3. Juliano Santos

      16 de janeiro de 2015 5:23 pm

      “E o pior, quando você

      “E o pior, quando você precisa de um texto desse tamanho para explicar uma charge – nesse caso, além de machista e racista, de repente a charge é simplesmente… ruim.”

      A palavra além está colocada aí equivocadamente. O texto é grande exatamente para provar por todas as formas e com mil exemplos que a revista não é machista nem racista. Ao que parece, para voce não foi grande o suficiente.

      Agora, de fato, a qualidade das charges é algo subjetivo. Eu mesmo não gostei de algumas que vi. Então abstenha de acusar a Charlie de racista e vire um crítico de charges 

      1. mc

        16 de janeiro de 2015 5:54 pm

        Não, não foram suficientes.

        Não, não foram suficientes. Por dois motivos:

        (1) A percepção da ofensa pertence ao ofendido. Se alguém diz que ficou ofendido, é porque ficou: está descrevendo um sentimento que teve. Ao ofensor não está dado o direito de dizer que não ofendeu – pode dizer que “não teve intenção” de ofender, mas não que não ofendeu. 

        (2) Como achei que tinha deixado claro no comentário, se o desenho não se auto-explica, é porque é ruim. Não precisa ser um crítico de charge para dizer isso. Simplesmente, se você faz uma charge querendo representar X mas metade do mundo entende que representou Y, e você tem que ficar explicando horas e horas que não era Y, é porque a charge não funcionou. É o caso da charge com a ministra: ou ela está mostrando uma mulher negra como uma macaca, e portanto, é racista, ou, se mesmo ao mostrar uma mulher negra como uma macaca ela não quis ser racista (como argumenta o autor do artigo), então trata-se de uma charge ruim, porque parece racista sem querer. Charge boa a gente bate o olho e interpreta, não deveria depender de manual de leitura para saber o que, na verdade, o cara quis dizer.

        1. Anarquista Lúcida

          17 de janeiro de 2015 2:43 am

          E o sentimento de ofensa de um tem direito de reprimir o outro?

          Pense bem, MC. Os conservadores — nem precisam ser só os claramente homofóbicos — ficam horrorizados e ofendidos quando vêem carícias entre homens ou entre mulheres, carícias que eles aceitariam em pares heterossexuais. Entao os gays devem ser proibidos de trocar carícias? 

          Ou as religioes devem ser postas acima de qualquer coisa, sao sagradas, nao se pode bulir com elas? A Idade Média nao acabou? Nao existem mais os crimes de blasfêmia e de heresia! 

          Esclareço: nao estou defendendo a liberdade de expressao sem limites. Humor tipo Gentili, que debocha de minorias, é inaceitável (mesmo assim nao acho que deva ser proibido, e sim criticado; há uma diferença aqui). Mas os redatores de Charlie Hebdo têm todo direito de manter o seu discurso dessacralizador sobre as religioes. Quem se sentir ofendido nao compre o jornal, pombas. 

          Se é para censurar Charlie Hebdo, censuremos Rabelais, Diderot, Voltaire, e, em português, Guerra Junqueiro, Fernando Pessoa, Saramago… 

          1. mc

            17 de janeiro de 2015 7:29 am

            Certa confusão sobre liberdade de expressão?

            Mas quem falou em reprimir? Eu não, só falei em criticar. Eu acho que está havendo uma certa confusão (não sua particularmente, uma confusão geral) nessa questão da liberdade de expressão: ela significa ser livre para se exprimir, não estar acima da crítica. A pessoa publica uma coisa, está no seu direito; o outro não gosta e reclama, está no seu direito. O artigo original que estamos comentando aqui confunde isso tudo, e no fundo, ele está dizendo que ninguém pode criticar o Charlie, que quem critica o Charlie so pode ser um ignorante bruto etc.

            Sobre censurar, também, eu não falei nadíssima – aliás pelo contrário, falei que não acho que se deva censurar uma charge por ser machista. Eles tem liberdade de publicar coisas machistas; e eu, em contrapartida, tenho a liberdade de dizer que são machistas –  simples assim. 

          2. Anarquista Lúcida

            17 de janeiro de 2015 2:30 pm

            Sobre isso concordo

            O correto é isso: quem nao gosta de algo, critique esse algo. Mas eu teria algumas nuances nisso. Por ex., é diferente publicar algo mesmo realmente ofensivo, tipo Gentili, num jornal pequeno, de sátira, etc, como Charlie ou O Pasquim, e num jornal da grande imprensa que se pretenda “sério”, etc; é diferente num programa de TV a cabo ou na TV aberta. Na TV aberta acho que um Gentili nao devia ser permitido. 

          3. mc

            17 de janeiro de 2015 2:43 pm

            Concordo também Anarquista,

            Concordo também Anarquista, sobre a diferença entre a TV e um jornal independente – mas com uma ressalva. Quer dizer, concordo inteiramente contigo que não dá para aceitar tudo na TV, que é aberta e pública. Mas discordo da coisa de “não ser permitido”, acho que aí entramos em uma trilha que fica difícil de controlar. Um bom modelo seria do tipo sueco: não há exatamente proibição de nada, a priori, mas as redes de TV assumem publicamente o compromisso de serem éticas. Periodicamente esse compromisso é examinado, e a empresa pode perder a concessão se não tiver cumprido. Enfim, acho que por aí pode sair algo bom, um controle ético democrático mesmo e não censório (ou seja, não de proibição prévia). Coisa delicada mas importante de ser dicutida… 

          4. Anarquista Lúcida

            17 de janeiro de 2015 2:47 pm

            É, tinha d ser por aí, nao poderia ser p/ censura prévia

            Mas teria que haver uma política a esse respeito por parte da emissora. Sob pena de sançoes. 

        2. Anarquista Lúcida

          17 de janeiro de 2015 2:49 am

          Ao contrário do q vc diz, charges nao sao auto-explicativas

          E nao sao feitas para serem entendidas por outro povo e fora do contexto. Na França e no momento da publicaçao as pessoas entenderam a charge… Que nao foi feita para ser entendida por brasileiros que nao saibam nao só o contexto em que o episódio se deu (a charge anterior de Minute) nem que o Reassemblement Bleu Marine era o movimento de Marine Le Pen, nem que o sinal que parece uma flama é o símbolo da Frente Nacional, nem quem era a mulher retratada. Nao é por ser uma imagem que nao há um texto subjacente.  

          1. mc

            17 de janeiro de 2015 8:19 am

            Mas aí fica difícil…

            … porque o  fato é que essas charges estão sendo vistas por outros povos e fora do contexto o tempo todo. Claro, a gente olha esses desenhos de enxeridos, pois não são feitos para nós – e alguns a gente não entende nada de nada mesmo, porque não sabe quem são as pessoas retratadas, etc. Nesse ponto você tem razão: sem o contexto, a gente perde a piada política. Mas o problema da charge racista vai além do não entender a piada política: quem vê esse desenho solto do seu ambiente original, e não sabe nada disso sobre ter uma charge anterior, Bleu Marine, etc etc, fica com a séria impressão de estar simplesmente diante de um desenho de uma mulher negra com o corpo de um macaco. E isso torna a charge racista. Ela se abre a ser lida assim, e a ser criticada por isso.

          2. Anarquista Lúcida

            17 de janeiro de 2015 2:33 pm

            Estao sendo vistas por causa do ocorrido

            Do contrário, só estariam sendo vistas fora da Europa por quem já conhecesse o jornal e o apreciasse. Vc nao pode esperar que carunistas deixem de fazer uma charge porque ela seria mal interpretada por alguém que nao era destinatário dela! Aí essa pessoa até pode criticar a charge, mas a crítica é equivocada, decorre de falta de informaçao. 

          3. mc

            17 de janeiro de 2015 5:09 pm

            mas muito pelo contrário…
            … eu *de modo algum* espero que esse (ou qualquer outro) cartunista deixe de fazer essa (ou qualquer outra) charge por este (ou qualquer outro) motivo! Pode fazer. O que eu defendo aqui é o direito de, depois, podermos *criticar* o que ele fez. Mas aqui parece que a liberdade de expressão é uma via de mão única… O cara pode desenhar o que quer, mas eu tenho que entender de um certo jeito X e não achar ruim de jeito nenhum…. Ai mas isso tá difícil em pessoal.

          4. Anarquista Lúcida

            17 de janeiro de 2015 9:51 pm

            O direito de criticar sempre existe

            Mas é importante nao fazer críticas falsas… Também acho que este nao é o melhor momento para fazer tais críticas, pois, agora, criticar as charges é objetivamente uma forma de justificar o ataque. 

          5. mc

            18 de janeiro de 2015 12:00 pm

            não necessariamente Anarquista,
            Pode ser importante sim criticar o jornal justamente agora. Porque tem pelo menos duas formas de entender esse atentado: (1) se as charges são apenas blasfemas, o atentado foi um ato de fanatismo religioso; e (2) se as charges são racistas e demonizam os muçulmanos, a motivação do atentado não é simplesmente fanatismo religioso, é algo mais complexo, a ser entendido na perspectiva de um exame aprofundado da situação dos filhos de imigrantes na França hoje, entre outros. Querer entender isso não é querer justificar o ataque – ao contrário, pode ser fundamental para evitar mais violência.

          6. Anarquista Lúcida

            19 de janeiro de 2015 6:19 pm

            Nao acho que seja 1 ou 2, mas sim 1 E 2…

            Sendo as charges blasfemas (elas sao) ou nao, racistas (nao sao) ou nao, de qualquer forma o contexto da situaçao dos filhos de imigrantes na França tem que ser considerado. É uma questao independente da outra. E também acho que nao se pode “evitar mais violência” cedendo às chantagens dos violentos. É um preço alto demais. 

          7. mc

            19 de janeiro de 2015 11:03 pm

            Um dos melhores artigos sobre essa polêmica até agora!
            Saiu um excelente artigo de Nabil Wakim sobre a polêmica em torno da linha editorial do Charlie Hebdo, no site medium.com (“Seven Questions My American Friends Ask About the Charlie Hebdo shootings”). Não sei se concordo inteiramente com a posição do autor. Mas justamente por isso me sinto bem à vontade para recomendar a leitura aqui. Ele me fez pensar muito, é bem rico, talvez por ter sido escrito por alguém em uma posição privilegiada para tratar do assunto em boa perspectiva (um francês de origem árabe que vive nos Estados Unidos). Confiram:

            https://medium.com/@NabilWakim/the-charlie-hebdo-shootings-explained-to-my-american-friends-81f34f3c9c3e

            Trecho:
            ” I think it’s wrong to say Charlie Hebdo is racist. But I do think they made stupid choices. In a country where racism against Muslims and Arabs is high, and at a time when a lot of political parties are using fear and hate against Muslims to gain political power, it was definitely not a very good idea to ride that horse.

            When Charlie Hebdo published these cartoons, I was upset because I thought it really wouldn’t help Muslims and Arabs in France. I was ashamed they did it, because as a journalist, and also as an Arab living in France, I know how hard it is to fight stereotypes and racism in this country. And I thought Charlie Hebdo should be, as it had always been, on the side of solidarity and cleverness. But I didn’t think that these mistakes meant they are a bunch of racists. (Needless to say it doesn’t allow anyone to violently attack them or to threaten them).”

          8. Anarquista Lúcida

            21 de janeiro de 2015 1:42 am

            Excelente artigo, obrigada

            E embora eu nao concorde com as críticas que vc salientou, acho que esse é o tom adequado de fazê-las, para quem assim pensa. Nao deturpando o trabalho de Charlie, reconhecendo que eles nao sao racistas, mas lamentando a escolha das charges sobre Maomé por causa do efeito sobre os muçulmanos da França.

            Discordo disso, já disse, até porque acho que isso no fundo é tratar os muçulmanos franceses como crianças que nao sabem conviver com a diferente cultura do país em que vivem. Também acho que o Ocidente levou 3 séculos para se livrar da influência das igrejas (ICAR e reformadas) e que nao tem cabimento voltar atrás nisso, recriando o crime de “blasfêmia”. 

    4. Alex Sotto

      16 de janeiro de 2015 9:51 pm

      Charge bem idiota

      Carregada de machismo e preconceito.

      A vida começa aos 60. Para os homens que conseguem “pegar” mulheres de 30. Para as mulheres,  pela charge, a vida deve tarminar aí por volta dos 50.

      Um sujeito aí abaixo disse que o objetivo era esse mesmo, ser politicamente incorreto.

      Prá mim, uma charge de extremo mau gosto.

      1. Anarquista Lúcida

        17 de janeiro de 2015 2:51 am

        Vc nem tinha notado o machism em suas críticas anteriores hipócr

        Agora que viu a MC e eu falarmos disso, adicionou isso à sua lista de “crimes” de Charlie Hebdo. 

  7. Alessandre de Argolo

    16 de janeiro de 2015 2:53 pm

    Para quem ainda não leu

    Deixo aqui link para post de minha autoria que segue a linha defendida por Leigh Phillips no post acima, o qual demonstra o equívoco do lema “eu não sou Charlie”, ostentado por partidários, em maior ou menor grau, de terrorismo e violência em detrimento da liberdade de expressão e do direito à vida das pessoas:

    https://jornalggn.com.br/blog/alessandre-de-argolo/o-grande-equivoco-do-lema-eu-nao-sou-charlie-por-alessandre-de-argolo#comment-554698

  8. Alessandre de Argolo

    16 de janeiro de 2015 2:54 pm

    Sinto-me absolutamente contemplado pelo brilhante post

    É exatamente o que eu penso. Quem afrma “eu não sou Charlie”, no contexto do atentado que matou 12 pessoas do jornal Charlie Hebdo, compactua com terroristas, variando apenas o grau do apoio. Não há qualquer chance de se afastar disso.

    Eu concordo integralmente com pessoas como Leigh Phillips e Noam Chomsky, gigante defensor da liberdade de expressão, inclusive e também para quem defende ideias de ultra-direita, não importa. Como eu já havia dito no outro post, ideias se combatem com ideias. É no debate livre que se mostra quem está errado e quem está certo, quem defende boas, verdadeiras e válidas ideias e quem defende ideias ruins, falsas e inválidas.

    Sinto-me absolutamente contemplado por esse brilhante post.

    Parabéns ao Leo V pela publicação do texto altamente pertinente. Estamos do mesmo lado. Boicotamos a pseudo-esquerda REACIONÁRIA E ATRASADA que afirma “eu não sou Charlie” e, assim, se coloca ao lado de terroristas inimigos da liberdade de expressão e do direito à vida das pessoas.

    1. Daytona

      16 de janeiro de 2015 3:30 pm

      Reacionários

      Reacionários Atrasados….

      ….frase de Alessandre “Revolução Democrática de 1964” Argolo, grande defensor dos estupradores, torturadores e assassinos da ditadura.

      Isso que eu chamo cara-de-pau.

    2. Daytona

      16 de janeiro de 2015 3:44 pm

      A vantagem de canastrões sem

      A vantagem de canastrões sem cultura como o Argola é que eles não conseguem postar muito sem cair em contradições. Argolo cita Chomsky para respaldar sua opinião, acontece que Chomsky considerava racistas as charges do CH contra os muçulmanos, e denunciava como fraude esse tipo de “liberdade de expressão.

      Em inglês e francês

      Noam Chomsky talks about Charlie Hebdo (2 years ago) : “Freedom of Speech in France is complete Fakery and Fraud”

      Submitted by IWB, on January 12th, 2015Share18 Tweet5 2 Share1 

      Read more at http://investmentwatchblog.com/noam-chomsky-talks-about-charlie-hebdo-2-years-ago-freedom-of-speech-in-france-is-complete-fakery-and-fraud/#i7eqXSTYoEpeO3rf.99

       

      http://investmentwatchblog.com/noam-chomsky-talks-about-charlie-hebdo-2-years-ago-freedom-of-speech-in-france-is-complete-fakery-and-fraud/

       

      E agora, Melissa?

      1. mc

        16 de janeiro de 2015 10:16 pm

        Esse vídeo é o máximo, Chomsky é o máximo,

        … mas eu não consigo dar estrelinhas!!!

        Por isso resolvi escrever isso aqui como comentário, Daytona. Valeu por postar!

        1. Daytona

          17 de janeiro de 2015 12:50 am

          mc, Chomsky foi bastante

          mc, Chomsky foi bastante claro: “Charlie Hedbo publicou charges RACISTAS contra os muçulmanos”, a Melissa(esse era o nome que ele usava no Orkut)Argolo vai querer dizer que Chomsky está errado, que não é isso que o Chomsky pensa, isso serve para ilustrar o nível da falta de noção do rapaz, famoso por sua boca suja e irracionalidade.

      2. Alessandre de Argolo

        16 de janeiro de 2015 11:03 pm

        Cala a boca, fake ignorante e burro

        A posição de Noam Chomsky em relação à liberdade de expressão é MUNDIALMENTE conhecida. Ele defendeu abertamente o direito de historiadores revisionistas do Holocausto, como Robert Faurisson, publicarem as suas obras, tudo em nome da liberdade de expressão. Essa é a posição de Chomsky de todos conhecida.

        Sobre o atentado ao Charlie Hebdo, a opinião de Chomsky não poderia ser outra: ele considerou a reação de horror ao atentado amplamente justificada, INDEPENDENTEMENTE da qualidade do que o jornal publicava.

        Eis o que ele escreveu em artigo sobre o assunto, que você não citou porque não conhece e desinforma as pessoas, como desonesto, burro e ignorante que é:

        “The reaction of horror and revulsion about the crime is justified, as is the search for deeper roots, as long as we keep some principles firmly in mind. The reaction should be completely independent of what thinks about this journal and what it produces.

        The passionate and ubiquitous chants “I am Charlie,” and the like, should not be meant to indicate, even hint at, any association with the journal, at least in the context of defense of freedom of speech. Rather, they should express defense of the right of free expression whatever one thinks of the contents, even if they are regarded as hateful and depraved.”

        Fonte: http://stopwar.org.uk/news/noam-chomsky-on-charlie-hebdo-one-man-s-terrorism-is-another-man-s-war-on-terror

        Tradução livre:

        “A reação de horror e repulsa em relação ao crime se justifica, como a busca pos raízes mais profundas, desde que mantenhamos firmemente na mente alguns princípios. A reação deve ser completamente independente do que se pensa sobre este jornal e o que ele produz.

        Os passionais e onipresentes dizeres “Eu sou Charlie”, e assim por diante, não deveriam ser destinados a indicar, mesmo insinuar, qualquer associação com o jornal, pelo menos no contexto da defesa da liberdade de expressão. Ao contrário, eles [NOTA MINHA: OS DIZERES] deviam expressar a defesa do direito de liberdade de expressão seja lá o que um deles pensa dos contéudos [NOTA MINHA: a exemplo dos publicados pelo Charlie Hebdo], mesmo que eles [NOTA MINHA: os conteúdos] sejam considerados como odiosos e depravados.”

        Como se observa, Chomsky defendeu a liberdade de expressão do Charlie Hebdo, como não poderia ser diferente.

        A única crítica que ele faz, totalmente correta, é ao fato de que o lema passional “eu sou Charlie” não reflete corretamente a ideia, porque a liberdade de expressão deveria ser defendida, independentemente do que publica a revista, sendo errado, portanto, fazer menção ao título da revista na campanha, o que é uma crítica acertada, pois pode induzir ao erro de que somente as ideias da revista é que estão protegidas pela liberdade de expressão, quando ela vale para toda e qualquer publicação, independentemente do conteúdo.

        Essa é a opinião de Chomsky sobre o direito do Charlie Hebdo publicar o que quisesse publicar, tendo condenado o atentado ao considerar justifcada a reação de horror e repulsa ao que chamou de “crime”.

        A opinião subjetiva dele sobre as charges é irrelevante. O que importa é que ele defende a liberdade de expressão do jornal, como eu disse antes e o post acima também fez referência, fake idiota, burro, ignorante. Só um imbecil como você poderia achar que Chomsky fosse ser contra a publicação de alguma coisa, quando ele, condenando o Holocausto e o considerando uma realidade factual, já defendeu o direito de historiadores revisionistas, negadores do Holocausto, publicarem livros e trabalhos historiográficos defendendo e sustentado isso, que ele não existiu como é dito oficialmente etc (por essa sua posição, muitas vezes é acusado desonestamente de antissemitismo por uma parcela dos intelectuais americanos).

        A opinião de Chomsky sobre as charges do Charlie Hebdo é totalmente irrelevante. Não foi nesse sentido que ele foi citado por mim e pelo post, mas sim enquanto defensor radical da liberdade de expressão. É que você é burro e mal entende o que está escrito hahahaha.

         

         

        1. Daytona

          17 de janeiro de 2015 12:39 am

          Melissandre Argola, óbvio que

          Melissandre Argola, óbvio que você não fala inglês, muito menos francês, mas seu nível de ridículo é extremo. Vai brigar com o que o próprio Chomsky está dizendo?

          Você realmente faz jus ao nível de demência da “Casa do Aumentador”

          Literal, as palavras do Chomsky: “Charlie Hedbo publicou charges RACISTAS contra os muçulmanos”, está no vídeo, as declarações em ingl~es do Choimsky e a tradução em francês do entrevistador.

          Chomsky também diz que a loiberdade de expressão na França é uma falsidade e uma fraude(é o título da entrevista), diz que, se o Charlie Hedbo fizesse o mesmo com os judeus, seriam presos.

          Melissandre Argolo é tão patético que ele quer contradizer o próprio Chomsky hahahahahahaha

          Enfim, esse é o “ditadura kid”, sujeito mais sem noção do blog.

          1. Alessandre de Argolo

            17 de janeiro de 2015 4:50 am

            A opinião dele sobre as charges é irrelevante

            Não foi neste sentido que ele foi citado no post de Leigh Phillips, publicado aqui pelo Leo V, nem no meu comentário.

            Se ele acha que as charges eram racistas, ele está errado, entendeu? A opinião dele subjetiva sobre o valor das charges, se são são racistas ou não, é absolutamente irrelevante, não muda nada. Ele pode achar racista e daí? Eu não acho, muita gente não acha. Pronto. Chomsky tem a opinião dele e nós temos as nossas.

            De todo modo, a opinião dele não muda nada, pois, no ponto que importa, ele é favorável à publicação das charges, mesmo se fossem racistas, que foi o que eu disse aqui no comentário inicial.

            Ou seja, ele também defende a ideia da campanha contida no lema “eu sou Charlie”, o que significa que você é um idiota usando um argumento que somente concorda comigo, com Leigh Phillips e que condena a atitude dos terroristas.

            Portanto, Chomsky foi corretamente citado como um intelectual que ajuda ao que eu penso e defendo, assim como o que o autor Leigh Phillips pensa e defende, e isso não depende em nada do que ele acha sobre as charges.

            Dizer que, se o Charlie Hebdo publicasse o mesmo conteúdo sobre judeus que publicava sobre muçulmanos, os cartunistas estariam presos, é totalmente ridículo, porque o que mais existem são charges fazendo piada de judeus, do Judaísmo e do Holocausto.

            Ou seja, o que ele supostamente afirma sobre isso NÃO tem qualquer base nos fatos.

             

          2. Daytona

            17 de janeiro de 2015 11:36 am

            Completamente errado, não foi

            Completamente errado, não foi isso que você disse.

            O que você disse no outro tópico foi que quem não apóia o humor RACISTA do Charlie Hedbo(que você adora, por motivos óbvios)é apoiador do terrorismo. Foi isso que você disse.

            O Chomsky é apoiador do terrorismo?

            Também na questão da liberdade de expressão você está errado em citar o Chomsky, pois ele afirma, com todas as letras, que a suposta liberdade de expressão francesa, baseada no humorzinho racista do CH, é uma falsidade e uma fraude, pois discriminatória, só existe para o humor ofensivo e preconceituoso direcionado a certos grupos, e não outros.

            A perseguição ao Dieudonné confirma a opinião do Chomsky.

            E cadê o movimento “somos todos os 43 estudantes cruelmente massacrados peolo governo do México”?

            Vai ter marcha em Paris?

          3. Alessandre de Argolo

            17 de janeiro de 2015 2:39 pm

            Se alguém não gosta ao ponto de defender a não publicação

            Foi disso que eu tratei no outro post, até porque, fora disso, não teria o que discutir: não gostar das charges e defender a publicação sem que haja violência se enquadra em “eu sou Charlie”.

            Se alguém considera as charges racistas, ao ponto de ser contra a publicação delas, e falar “eu não sou Charlie”, contrariando uma campanha que fala “eu sou Charlie” como forma de expressar o apoio à publicação das charges sem que haja violência, automaticamente defende a posição terrorista. A posição que adere aos terroristas deriva de não gostar e não defender a publicação ou defender a não publicação. Isso está dito com todas as letras em vários pontos do outro post, claro.

            Não se trata, como se observa, apenas de ser contra as charges. Trata de ser contra e defender a não publicação. A publicação das charges é o cerne da discussão, já que não faz sentido afirmar “sou contra porque são racistas” e não se pronunciar sobre a publicação. Se todo o problema nasce da publicação, é claro que não gostar das charges só tem peso se avançar para a não a publicação. Se as charges não forem publicadas, a opinião sobre serem racistas ou não perde sentido, já que os protestos dos terroristas nascem da publicação, que é o que permite que eles tomem conhecimento das charges. Se as charges fossem feitas e não publicadas, não haveria nada disso, nenhuma polêmica.

            Portanto, quando eu afirmo no outro post que não gostar das charges, considerá-las racistas, etc, no contexto dos atentados, implica concordar com os terroristas, é óbvio que isso só faz sentido considerando a defesa da não publicação, claro, até como consequência de ser contra o valor das charges. Isso está dito ao longo do texto quando se fala em contexto dos atentados e quando se fala expressamente em defesa da não publicação. Se alguém não gosta das charges e defende a publicação delas, ótimo, que afirme então “eu sou Charlie”.

            A defesa ou não da publicação é fundamental para o meu argumento. Se alguém que fala “eu não sou Charlie” não defendesse a não publicação, não haveria importância nenhuma na discussão. Se houvesse a publicação, sequer haveria cerceamento à liberdade de expressão, que é o que os terroristas querem. Publicadas as charges, não haveria como vincular a posição do “eu não sou Charlie” com a dos terroristas. Portanto, a defesa da não publicação é fundamental para a crítica ao “eu não sou Charlie” que eu expus no outro post. A liberdade de expressão seria respeitada. É que você é idiota, pensa como um retardado.

          4. Daytona

            17 de janeiro de 2015 2:48 pm

            Repudiar as charges racistas

            Repudiar as charges racistas do Charlie Hedbo não é ser contrário à liberdade de expressão. A distinção feita pelo Chomsky(autor que você citou sem njunca ter lido, apenas para tentar ostentar uma leitura que você, notório fascista desbocado e sem cultura, não possui)foi bastante precisa: se fizessem o mesmo tipo de charges contra os judeus, seriam presos.

            Que liberdade de expressão é essa?

            O que mais denunciou os propósitos fascistas de Argolo, um reacionário radical, foi sua tentativa grosseira de endossar o antagonismo contra os muçulmanos ao propor uma leitura maniqueísta da tragédia: ou se está com CH, ou está com os terroristas.

            Chomsky, que considera racistas as charges do CH contra os muçulmanos, seria considerado um defensor do terrorismo, na concepção fascistóide de mundo do Argolo.

            Com a necessidade da regulação da mídia em pauta, essa concepção radical e completamente irresponsável da liberdade de expressão tornou-se a tábua de salvação de reacionários como Argolo, principalmente na defesa da liberdade para expressar o ódio, o racismo e o preconceito, valores fundamentais para fascistões fracassados como Alessandre de Argolo, concurseiro fracassado, advogadozinho de merda e vagabundo virtual, que passa 24h de seu dia postando na internet.

            O fascismo é o movimento por excelência para canalizar as frustrações de fracassados incorrigíveis como o Alessandre de Argolo, um verdadeiro poço de frustrações. O que pensar de um sujeito que passa o dia postando em variadas comunidades do Orkut com o perfil “Melissa”(acabou apelidado de “Melissandre”), fingindo ser mulher e sermpre se envolvendo em intrigas intermináveis com garotões?

            Sem dúvida alguma é um sujeito frustrado, inseguro, o perfil ideal para o discurso do fascismo, acostumado em alimentar-se das fezes da sociedade.

          5. Daytona

            17 de janeiro de 2015 2:51 pm

            Argolo e seus amigos As

            Argolo e seus amigos As pessoas que se juntam a Argolo em sua cruzada reacionária contra qualquer crítico das charges racistas do Charlie Hedbo são bastante ilustrativas do caráter fascista desse movimento

            SE ESSES 4 SÃO CONTRA, O PAPA SÓ PODE ESTAR CERTO

            :

             

            Num movimento que parece orquestrado, quatro fundamentalistas da imprensa brasileira (Reinaldo Azevedo, Guilherme Fiúza, José Roberto Guzzo e Ricardo Noblat) decidiram liderar uma guerra santa contra o papa Francisco; o motivo: o fato de o pontífice declarar que as religiões não devem ser insultadas, após condenar o ataque à redação do Charlie Hebdo; para os jihadistas da imprensa brasileira, a liberdade de expressão deve ser encarada como um valor absoluto, mesmo que essa não seja a realidade da França (basta pensar no humorista Dieudonné) nem dos Estados Unidos (alô, Wikileaks); ordem do Instituto Millienium?

             

            Cartilha do Instituto Millenium

            Nem todo mundo sabe, mas as famílias Civita e Marinho são sócias e mantenodoras do Instituto Millenium, um think tank criado para tentar organizar o “pensamento correto” da elite brasileira. É desse instituto, apoiado também por empresas como a Gerdau, que saem os Fiúzas, Mainardis, Magnolis, Guzzos, Contantinos e afins.

            Pode-se imaginar que os quatro colunistas tenham tido a ideia simultânea de iniciar sua guerra santa contra o papa Francisco – hoje, uma das figuras mais populares e admiradas do mundo. Mas também não deve ser descartada a hipótese de uma blitz coordenada, como ocorreu em Paris com o ataque ao Charlie Hebdo e ao mercado judaico.

            Se você não quiser refletir muito sobre as declarações do papa Francisco, nem é preciso. Basta olhar para quem levantou a voz contra suas declarações. Se os jihadistas da imprensa brasileira estão contra o papa, não tenha nenhuma dúvida: ele só pode estar certo.

        2. Daytona

          17 de janeiro de 2015 12:53 am

          Cala a boca, fake ignorante e

          Cala a boca, fake ignorante e burro

          Exemplo do tipo de “liberdade de expressão” defendida por Alessandre “Revolução Democrática de 1964” Argolo, notório defensor dos estupradores, torturadores e assassinos da ditadura.

          Não poderia ser diferente. Na verdade, o que Argola “diotadura kid” realmente gosta, é das charges racistas do Charlie Hedbo. Simples assim.

          1. Alessandre de Argolo

            17 de janeiro de 2015 5:09 am

            As charges do Charlie Hebdo são sensacionais

            Principalmente as que tiravam onda com os idiotas terroristas covardes, teus herois, que gostam de fazer atentados contra a vida das pessoas com bombas enfiadas no reto (as charges sempre captaram o espírito rsrsrs).

            Tudo em nome da causa da idiotia. Um prato cheio para piadas.

            Não vejo racismo em ironizar tipos desse naipe. Tem mais é que ridicularizar o que pensam esses idiotas covardes, com suas crenças desmioladas querendo tocar o terror para cima dos outros. Eles querem acabar com a liberdade na base da violência. Não vão conseguir, é claro.

            Para cada idiota desse que pratique um atentado com uma bomba enfiada no reto, outros milhares iguais a ele irão voar pelos ares a seguir. E as piadas continuarão a ser feitas, indefinidamente. Aí nós vamos ver quem é que tem mais força para aguentar as regras do jogo. Se os que enfiam bombas no reto para matar os outros covardemente ou se quem vai mandá-los pelos ares na primeira oportunidade com umas bombas bem jogadas nas cabeças deles.

            O pior é que nada disso vale a pena para os lunáticos: não terão virgem nenhuma esperando por eles depois de morrerem. Para acreditar num negócio desse, convenhamos, só mesmo sendo idiota rsrs.

        3. Daytona

          17 de janeiro de 2015 12:58 am

          Como disse, a vantagem desses

          Como disse, a vantagem desses canastrões é sua incapacidade de escrever duas frases sem cair em contradição.

          De fato, Chomsky é um grande defensor da liberdade de expressão, ao mesmo tempo em que considera RACISTAS as charges do Charlie Hedbo, o que é plenamente compatível, não há qualquer contradição, ao contrário do que alegava o bestalhão das Alagoas em outro tópico.

          Esse maniqueísmo falacioso do Argola é típico do fascistão de carterinha que é esse adorador da ditadura.

          1. Alessandre de Argolo

            17 de janeiro de 2015 4:26 am

            Ninguém falou em contradição, idiota

            Eu, para mostrar o ignorante e idiota que é você, somente fiz questão de esclarecer aos leitores do Blog qual a pertinência da opinião de Chomsky para a discussão, de acordo com o que foi dito no post e de acordo com o que eu falei no meu comentário inicial feito aqui:

            1 – Ele condena o atentado ao Charlie Hebdo e as mortes dos cartunistas e demais colaboradores do jornal, o que chamou de “crime” e disse que o horror das pessoas ao que aconteceu estava “justificado”;

            2 – Ele defende a publicação das charges, simplesmente isso.

            Isso é o que interessa para quem, como eu, afirma a validade da campanha que defende o direito do Charlie Hebdo publicar livremente as charges sem ser alvo de terrorismo covarde.

            Chomsky, portanto, também adere ao sentido da campanha “eu sou Charlie”, apesar dele não concordar com o nome da revista usado na campanha, porque ele acha que isso é impertinente, já que o princípio da liberdade de expressão vale para qualquer publicação e não apenas para o Charlie Hebdo.

            A opinião subjetiva dele sobre as charges é totalmente irrelevante e ninguém leva isso em consideração. Se ele acha que as charges são racistas ou que a liberdade de expressão na França é uma fraude, baseado num alegado tratamento diferenciado que o Charlie Hebdo dispensava aos judeus, ele está totalmente errado, porque o que mais existiam eram charges fazendo piadas de judeus, Judaísmo e Holocausto.

      3. Leo V

        17 de janeiro de 2015 12:50 am

        Ele considera fraude é a

        Ele considera fraude é a práica dos Estados que diem ser a favor da liberdade de expressão, asism como dos veículo de comunicação capitalista.

        Chomsky é a favor da liberade de expressão irrestrita

        Aqui o artigo do Chomsky sobre o caso da chacina do Charlie: http://www.telesurtv.net/english/opinion/We-Are-All—Fill-in-the-Blank-20150110-0021.html

        1. Alessandre de Argolo

          17 de janeiro de 2015 4:46 am

          Não dê trela para o fake idiota chamado Daytona

          Ele está apenas trollando, atrapalhando o bom andamento do post. A opinião de Chomsky é a de proteção ao direito do Charlie Hebdo de publicar as charges sem que os responsáveis pela publicação sejam alvo de violência. Ou seja, Chomsky também defende o sentido do lema “eu sou Charlie” (defesa de publicação das charges sem que isso gere violência), para o desespero do fake amalucado Daytona.

          Ele até agora não entendeu, em sua burrice, que o valor atribuído às charges é irrelevante para que afirma “eu sou Charlie”.

          Esse valor só tem sentido para os aloprados defensores de terroristas que gritam “eu não sou Charlie”, pois estes últimos idiotas consideram o valor das charges “fundamental” para a discussão, sendo precisamente isso que faz eles dizerem “eu não sou Charlie” (o valor das charges). Veja que são eles os que se preocupam com a qualidade das charges, ao ponto de serem contra a publicação, o que os coloca do lado dos terroristas, que também querem isso.

          Não é de se admirar que eles pensem assim: geralmente são imbecis sem modéstia, o que não é o caso de Chomsky, para quem a publicação das charges deve ser defendida, mesmo que não se concorde com elas, e jamais isso poderia gerar um ato de violência como aconteceu. Chomsky, como eu e você, sabe que não publicar as charges significa afastar a liberdade e sucumbir às ameaças dos terroristas covardes, o que ninguém lúcido e decente pode aceitar. Os que afirmam “eu não sou Charlie” defendem isso, vergonhosamente.

        2. Daytona

          17 de janeiro de 2015 11:48 am

          Chomsky considera fraude o

          Chomsky considera fraude o fato da suposta liberdade de expressão na França ser discriminatória, só existe para agredir valores de determinados grupos, não outros. É justamente por isso que, no artigo que você linkou, Chomsky separa a liberdade de expressão do Charlie Hebdo, ao contrário da posição maniqueísta defendida pelo Argola, na qual ou você apóia o humorzinho racista do CH, ou você é apoiador do terrorismo. A posição maniqueísta defendida pelo Argola é exemplo de como essas tragédias são instrumentalizadas para direcionar populações contra determinados grupos(vide o exemplo dado por Chomsky do bombardeio da OTAN a um canal de televisão sérbio, que não merece comoção), e isso é fortemente criticado por Chomsky, como por qualquer pessoa que não seja um fascista como o Argolo.

          O ponto central do artigo do Chomsky é a denúncia desse maniqueísmo, utilizado para instrumentalizar tragédias contra determinados grupos, e reproduzido em outro tópico pelo Alessandre de Argolo, notório defensor da ditadura militar. Um trecho:

          No such sardonic comments are in order when we read that France mourns the dead and the world is outraged by the atrocity. There need also be no inquiry into the deeper roots, no profound questions about who stands for civilization, and who for barbarism.

          Esse é exatamente a maneira como o Argolo(e os fascistas em geral) tenta enquadrar a discussão: ou está a favor do CH, ou é defensor do terrorismo.

        3. Daytona

          17 de janeiro de 2015 11:51 am

          É óbvio que Chomsky não

          É óbvio que Chomsky não defende o tipo de liberdade de expressão que ele considera uma fraude. Essa distinção é importante.

          Argolo não só defende a fraude, como sugere que quem, ao contrário dele, não defenda a manifestação do racismo como exemplo dos valores d aliberdade de expressão, é defensor do terrorismo, maniqueísmo fascista fortemente condenado por Chomsky.

  9. mlsantanna

    16 de janeiro de 2015 3:51 pm

    Finalmente posso falar, je

    Finalmente posso falar, je suis Charlie sem medo de errar.

     

     

  10. Andre B

    16 de janeiro de 2015 4:07 pm

    dilema hameletiano

    Na onda Hameletiana do ‘ser ou não ser’, seguem algumas sugestões:

    Contra a hipócrisia assassina dos governos da grandes economias capitalistas,”Je ne suis pas Holland”:

    http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/39147/contradicoes+de+hollande+e+possivel+combater+o+terrorismo+e+vender+armas+a+arabia+saudita+ao+mesmo+tempo.shtml

    Contra a ultradireita maquiada, “Je ne suis pas Le Pain”:

    http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/39140/em+evidencia+apos+ataque+extrema-direita+francesa+e+antieuro+antiaborto+e+quer+baixar+idade+penal+para+13+anos.shtml

    Já que botaram a Ucrânia na roda, contra o neonazismo ‘eu não sou Ucrânia, eu não sou EUA, eu não sou Canadá,eu não sou União Européia”:

    http://www.brasildefato.com.br/node/30649

    Contra o terrorrismo de Estado, “Jo soy Ayotizinapa”:

    http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/39161/governo+mexicano+participou+do+ataque+contra+estudantes+de+ayotzinapa.shtml

     

     

     

     

  11. 16 de janeiro de 2015 4:26 pm

    Temos dois fatos nesse

    Temos dois fatos nesse episódio.  Hellooooo pessoal, pessoas foram assassinadas!  Esquerda ou direita, ninguém merece morrer por seus posicionamentos/opiniões, isso é óbvio ululante!!  Ponto final, não há nem o que discutir sobre isso!!  E isso é uma coisa!!!  Aí vamos para outra coisa……..   que não tem nada a ver com a primeiro mas que acabam se interligando pelos acontecimentos: há uma linha muito tênue que separa o humor “politicamente incorreto” da agressão, da violência, escrita/desenhada.  Eu, partiucalarmente, não ligo para  essas coisas e dificilmente me sinto ofendida ( mas já aconteceu) com o humor politicamente incorreto mas é inegável que charges desse tipo (e de qualquer tipo), hoje em dia, são rapidamente encaminhadas via meios sociais…. mais rápido que rastilho de pólvora.  E, hoje em dia, ainda temos o agravante dos 135 caracteres possíveis (caso do Twitter) e memes, então a charge passou a fazer parte do nosso dia a dia de forma bem mais intensa que antigamente.  Há mais agravantes….na França, um país xenófobo sim, onde os muçulmanos são discriminadas, principalmente no mercado de trabalho (na Europa como um todo); país onde já tivemos a lei proibindo os véus e simbolos religiosos, sendo um jornal de esquerda ou direita, não vejo razões para alimentar ainda mais esse preconceito.  E aí o país, como um todo, errou feio ao alimentar esse ódio, principalmente por um meio de comunicação que não fala para um ou dois gatos pingados mas para mil, milhares, de pessoas.  Hoje em dia é muito fácil encontrar um Anders Behring por aí, um louco solto, disposto a qualquer coisa para fazer valer seu fanatismo.    Precisamos, como um todo, rever urgentemente essa liberdade de expressão pois os ecos desses escritos/textos/comentários, podem acordar muitos monstros por aí.   Usando da literatura moderna, avançada, rebuscada, infantil e mediocre….até o Pequeno princípe avisou….tu serás eternamente responsável por aquilo que cativas!!  E a lei de Newton,  onde toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade.. Agora, volto a repetir…ninguém merece morrer por isso mas como achar razão onde não existe razão?   E, me valendo de todos os clichês disponíveis no mercado, encerro meu comentário. 

    1. Andre B

      16 de janeiro de 2015 4:48 pm

      tática sem estratégia e sem teoria

      muito bom seu comentário. Já que é para discutir a ‘malaise’ da esquerda, o episódio pode servir para discutir a ‘sacralização da tática’ que parece dominar a (não tão)nova esquerda. Tática é variável, de acordo com o contexto, não existe tática absoluta que se mantém obstinadamente independente das circunstâncias. Em uma simplificação grosseira e assumindo o risco de ser logicista, tática é singular, estratégia é particular, teoria é universal(no sentido de abranger o maior número possível de situações e não necessariamente todas elas desde o início do universo). Universalisar uma tática, sem análise da situação concreta orientada por uma teoria e por uma estratégia(ou seja, aonde se quer chegar com uma tática), pode ser o caminho para grupos de esquerda, sem que tenham a intenção, serem utilizados para a estratégia da direita. Acho que uma das origens da ‘malaise’ da esquerda é a sacralização da tática e falta de pensamento estratégico, e nesse segundo ponto o mal estar me parece generalizado.

      1. 16 de janeiro de 2015 7:27 pm

        Esse discurso do ódio precisa

        Esse discurso do ódio precisa ser regulado sim!!  E aqui é independente de ferir a liberdade de expressão….  Jamais poderemos alimentar o ódio…não vejo nenhuma liberdade nisso, nenhuma vantagem nisso, nenhum ganho com isso , em nenhuma esfera, intelectual ou não.  Podemos muito bem pautar fatos e situações sem se valer do ódio, do humor negro que leva ao ódio etc….  Vimos, recentemente, todo o ódio propagado pela mídia em cima do PT ao ponto de hoje em dia vc vê/lê pessoas explicitando isso em redes sociais, em status diários.  é fácil demais manipular massas alias, Shopenhauer já ensinou isso há anos atrás….com a dialética erística!!  

  12. Andre B

    16 de janeiro de 2015 6:55 pm

    o dilema dA Liberdade

    Me parece que o texto discute a questão de forma supeficial, e estou falando da questão geral (liberdade de expressão e “A” liberdade) e não da particular (ser ou não ser Charlie). Portanto fiquem atentos, não estou dizendo que o Charlie era ofensivo ou fazia discurso de ódio, sou ‘além do moderno’  e não ‘pós-moderno’, não quero discutir ‘eventos singulares’, sem com que isso esteja retirando a sua importância ou especificidade.

    Por exemplo, o texto chega a uma conclusão:

    ‘A liberdade de expressão não é um ornamento liberal. É a liberdade primordial, da qual todas as outras liberdades dependem.”

    AH, me desculpe, a liberdade primordial é a de ficar vivo quando a morte pode ser impedida (ou seja, não ser assassinado, não morrer de fome em meio a abundancia de alimentos, de doença por falta de acesso a saúde, de não se autodestruir por internalizar a percepção de que é um ‘ser inferior’ que não merece estar vivo). Me parece que esse é um fato incontestável, posto que absolutamente real: pessoas de quem foi tirada a liberdade de ficarem vivas quando a morte poderia ser evitada perdem a ‘liberdade de se expressar’! Parece que uma certa esquerda virou um ‘ornamento liberal’ e esqueceu o materialismo….

    Isso leva a uma questão, no mínimo dificil. A liberdade de expressão, me parece, inclui segundo o autor a liberdade de ofender e de expressar o ódio, ja que sendo primordial, não tem limites, é um ‘absoluto’, incondicionado!. Pois bem, se a liberdade primordial é a de ficar vivo quando há condições de evitar a morte, a liberdade de ofender e expressar o ódio levanta uma outra questão: a ofensa pode levar a morte?? o direito de ofender e de expressar ódio pode colidir com o direito à vida?

    O caso histórico é o do nazismo, onde a ofensa contínua e intensa aos judeus criava e ampliava o ódio que levava a expressão a se transformar em ação até o culme do holocausto diante da indiferença de muitos. Por outro lado, alguns psicológos defendem a existência de uma ‘violência psiquica’ que pode, de diversos modos levar a morte. Quando um grupo internaliza uma ofensa contínua e intensa pode se gerar um comportamento autodestrutivo que vai da dependência química ao suícidio, pois passam a acreditar que são ‘seres inferiores’, ‘não pessoas'(animais, por exemplo) e que ‘não mercem estar vivos’. Uma certa esquerda precisa ler mais Freud, Lacan,  até a psicologia cognitiva.A psicologia não é um ‘ornamento liberal’!

    Se a liberdade de ofender pode levar a morte, se a liberdade de ficar vivo quando há condições de se impedir a morte é primordial, o que fazer com o direito de ofender e expressar o ódio? censurar, isto é, impedir a expressão ofensiva e/ou de ódio(” A” liberdade pode se autocontradizer indefinidamente, sem solução possível)? processar após a liberdade de ofender e odiar ter sido exercida(“A” liberdade pode conciliar suas contradições)? educar para que as pessoas compreendam que elas mesmas podem ser vítimas do direito de ofender e de odiar e que o direito a vida e ao bem-estar físico e psicológico é maior que o capricho de falar o que se quer irresponsávelmente(“A” liberdade pode se transformar em um processo histórico)? todas as alternativas acima? nenhuma delas?

    Dilemas da liberdade….

  13. Daytona

    17 de janeiro de 2015 11:58 am

    Um ponto importante que ainda

    Um ponto importante que ainda não foi abordado: quanto do apoio de ocidentais aos massacres cometidos por seus governos no Oriente Médio e alhures se baseiam justamente na visão estereotipada e preconceituosa disseminada e reforçada por publicações como o Charlie Hedbo?

     

  14. Anarquista Lúcida

    17 de janeiro de 2015 2:38 pm

    Discussoes entre Argolo e Daytona tornam tópico irrespirável

    Troca de grosserias e insultos, isso nao acrescenta nada. O modo de Argolo “argumentar” prejudica aquilo que ele defende. 

    1. Daytona

      17 de janeiro de 2015 7:47 pm

      Anarquista, o simples fato de

      Anarquista, o simples fato de você, nesse caso, concordar com ninguém menbos que o Alessandre “Revolução democrática de 1964” Argolo já é motivo suficiente para você começar a rever sua posição.

      1. Anarquista Lúcida

        17 de janeiro de 2015 9:54 pm

        É só o que faltava! Vá ser oportunista assim…

        Vou deixar de defender o que sei que está certo porque um troglodita tem a mesma opiniao? Mas até relógio parado dá a hora certa duas vezes por dia. 

        1. Daytona

          17 de janeiro de 2015 11:48 pm

          Bom, fica a dica. Não só um,

          Bom, fica a dica. Não só um, muitos trogloditas defendem a liberdade para expressar o ódio racista. Até Benjamin Netanyahu marchou pelo Charlie Hedbo.

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