
Jornal GGN – Mesmo tendo sido arrancada a fórceps da Presidência por meio de um processo de impeachment cheio de controvérsias, Dilma Rousseff segue como um dos alvos preferenciais da velha mídia, como demonstrou a última edição de Época. A revista editada pela Globo – que viu sua receita publicitária saltar 25% desde que Michel Temer assumiu o poder – lançou mão de mais um vazamento – dessa vez, não foi a Lava Jato! – para cravar que Dilma furou a fila do INSS para se aposentar um dia após ter sido derrotada no Senado.
Apenas a leitura cautelosa da reportagem assinada por Bruno Boshossian – que deverá ser processado por Dilma por calúnia e difamação, assim como o veículo para o qual trabalha – já revelaria a fragilidade da denúncia de Época. Mas uma nota enviada ao GGN nesta segunda (3) pela servidora acusada de privilegiar Dilma e a manifestação da entidade que defende os servidores do INSS ajudam a desmontar o factoide.
Para sustentar a tese de que a aposentadoria da ex-presidente saiu em tempo recorde, Época escondeu a data em que o trâmite foi iniciado, tratou o fato como algo feito por baixo dos panos, associou sua tramitação junto ao INSS com o calendário do impeachment e lançou mão de expressões dúbias para dar contornos de ilegalidade ao processo.
É o que ocorre logo no começo do texto, quando Época aponta que em menos de 24 horas após a decisão definitiva do Senado contra Dilma, “um de seus aliados mais próximos, o petista Carlos Eduardo Gabas, entrou pelos fundos da Agência da Previdência Social do Plano Piloto, na Quadra 502 da Asa Sul de Brasília”, acompanhado de uma “mulher munida de uma procuração em nome de Dilma. (…) No papel agora de pistolão, Gabas subiu um lance de escadas até uma sala reservada, longe do balcão de atendimento ao público, onde o esperava o chefe da agência, Iracemo da Costa Coelho. Com a anuência de outras autoridades do INSS, o trio deu entrada no requerimento de aposentadoria da trabalhadora Dilma Vana Rousseff.”
Fernanda Cristina Doerl dos Santos, exonerada da função que ocupava na Coordenação Geral da Administração de Informações de Segurado do INSS em função desse factoide, disse, em nota, que foi procurada pela presidência da República sob Dilma e pela Diretoria de Benefício para fazer a análise da ex-presidente em dezembro de 2015.
Época não apurou – ou não quis evidenciar – o motivo pelo qual o processo de Dilma tenha sido feito com total discrição, mas ele é bastante óbvio: tratava-se da presidente da República em exercício, cujos dados, assim como de qualquer outro segurado, devem ser mantidos sob proteção do Estado.
“Como se tratava da presidente do Brasil, esta análise não poderia ocorrer em uma Agência da Previdência Social ou por meio de um requerimento rotineiro, uma vez que os dados de identificação da presidente são documentos sensíveis e havia um risco enorme de ficarem expostos e serem alvos de divulgação criminosa, bem como por questões de segurança pública, até porque estávamos vivendo um momento político complicado no País”, explicou Fernanda.
Tudo teve início, portanto, em 12 de dezembro de 2015, quando Fernanda começou a elaborar “relatório informando que o cadastro previdenciário da Sra. Dilma Roussef necessitava de acertos tanto quanto aos dados cadastrais como a eventos previdenciários. Era necessário correção do nome da pessoa e confirmação de alguns vínculos de emprego mediante a apresentação da carteira de trabalho ou certidões de entidades da qual tinha prestado serviço.”
Para lançar dúvidas sobre o processo de Dilma, Época considerou “atípico” que os dados cadastrais da ex-presidente tenham sido alterados cerca de 16 vezes em um único dia, mesmo que isso tenha ocorrido na… fase de análise e correção de dados cadastrais!
A reportagem ainda diz que, para Fernanda, “o procedimento foi o mesmo aplicado a qualquer cidadão. Ao longo daquelas dez horas, foram validados, alterados e excluídos vínculos trabalhistas desde 1975, que contariam para o cálculo de anos trabalhados por Dilma na concessão de sua aposentadoria, nove meses depois”.
Continuou a reportagem-denúncia: “Foi contabilizado um tempo de contribuição previdenciária de 40 anos, nove meses e dez dias. Quando Gabas saiu da sala, Dilma estava aposentada, com renda mensal de R$ 5.189,82, teto do regime previdenciário. Tal celeridade poderia ser o triunfo de uma burocracia ágil e impessoal, implantada pelo governo Dilma. Mas não. O tempo médio de espera para que um cidadão consiga uma data para requerer aposentadoria em uma agência da Previdência é de 74 dias, segundo informações do INSS – 115 dias no Distrito Federal, onde o pedido de Dilma foi feito.”
Se tivesse fornecido a data correta do início do processo – 12/12/2015 – Época daria ao seu leitor a condição de verificar sozinho que se passaram não apenas 115 dias, mas pelo menos 270 dias desde que a Presidência da República procurou o INSS para solicitar o benefício da ex-presidente.
Época preferiu, contudo, tratar a “aposentadoria-relâmpago” de Dilma como “apenas um episódio de privilégio, obtido por meio de atalhos proporcionados por influência no governo.”
O resultado disso é uma ameaça de processo por parte da ex-presidente, que explicou que poderia estar aposentada há anos, se quisesse. “A regra para aposentadoria exige no mínimo 85 pontos para ser concedida à mulher, na soma da idade mais tempo de contribuição. Dilma Rousseff atingiu 108 pontos, pelo fato de ter contribuído por 40 anos como servidora pública e chegado aos 68 anos de idade.”
“Infelizmente, o jornalismo de guerra adotado pelas Organizações Globo e seus veículos demonstra que a perseguição a Dilma Rousseff prosseguirá como estratégia de assassinato de reputação, tendo como armas a calúnia e a difamação. Os advogados de Dilma Rousseff avaliam os procedimentos jurídicos a serem adotados contra Época, seu editor-chefe e o repórter para reparar injustiças e danos à sua imagem pública.”
Fernanda também diz que está analisando as providências jurídicas necessárias contra a reportagem e pelo fato de ter sido exonerada sem que o INSS tivesse feito uma auditoria interna comprovando qualquer irregularidade em sua atuação para conceder a aposentadoria à Dilma.
Ela solicitou que o sindicato da categoria peça esclarecimentos ao Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário sobre a nota expondo “servidor público no desempenho de suas funções, insinuando irregularidades de procedimentos que nem se quer foram auditados ou que tenha havido parecer conclusivo de irregularidade, assediando moralmente e maculando a imagem profissional e pessoal do servidor público.”
Nesta segunda, a Federação Nacional de Sindicatos de Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social se solidarizou com Fernanda e disse que o secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, Alberto Beltrame, responsável pela demissão da servidora, não fez apuração das acusações feitas pela revista.
“Vamos apresentar denuncias aos órgãos de controle, CGU, AGU e TCU e Comissão de Ética da Presidência da Republica, para apurar os fatos e investigar as atitudes intempestivas do ministro e sua equipe, assegurando que os servidores do INSS sejam respeitados em seus direitos”, afirmou a Federação.
fabio GM
3 de outubro de 2016 7:52 pmPalhaçada
Sabem que tudo é uma palhaçada, que uma semana apos as reportagem, os ditos movimentos socias não colocaram mais posts sobre a noticia.
Frederico69
3 de outubro de 2016 8:20 pmisso é o que dá acreditar em mentiroso contumaz!
de vez em sempre, acabam passando vergonha! e não é poca vergonha!
Antonio Carlos Conceição
3 de outubro de 2016 9:40 pmPassa vergonha quem tem, essa
Passa vergonha quem tem, essa turma não tem a mínima vergonha na cara.
O leitor dessas revistas gosta de baixaria para ficar espalhando, não estão nem aí para verdade, contradições, vergonha etc.
Inforo
3 de outubro de 2016 8:23 pmQuem sabe…
Quem sabe daqui 20 anos quando o PT voltar ao governo ele saiba distinguir adversário de inimigo.
Inimigo se aniquila.
Tomou Dilma e Lula?
Bonobo De Oliveira Severino
4 de outubro de 2016 8:06 amEh o país, idiota!!
Parafraseando James Carville.
serralheiro 70
3 de outubro de 2016 8:24 pmFora temer, fora beltrame.
Fora temer, fora beltrame.
Sérgio Rodrigues
3 de outubro de 2016 9:15 pmCoisa do PIG!
Vale tudo para atingir o PT e suas lideranças!…
Adelino
3 de outubro de 2016 11:32 pmA arma errada provoca resultado ineficaz
Numa sociedade capitalista a parte mais sensível do corpo é sem duvida o bolso. Portanto, se a esquerda é 20 ou 30% da população brasileira o objetivo deveria ser que esta camada da população não consumisse esta midia, objetivamente cancelando suas assinaturas e não diariamente supreendendo-se com as posições da Folha, do Globo, etc.como parece o assunto diário, como se intimamente houvesse um desejo de mudança de um inimigo para um parceiro.
Alan Souza
4 de outubro de 2016 12:10 pmNum mundo dos sonhos seria assim…
Mas o que eu tenho de amigo que vive repetindo “eu sou de esquerda, mas a Dilma tinha que sair, não dava mais!”, isso não tá no gibi! Todos se dizendo de esquerda e lendo sofregamente Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino, etc…
Jose mestre Carpina
4 de outubro de 2016 12:51 amque tal também….
mostrar as formas como o FHC conseguiu acumular tantas aposentadorias……????
Silvio L. Morais
4 de outubro de 2016 2:19 amProcesso contra a revista e indenização
Praticamente, a presidenta Dilma Rousseff tem a obrigação moral de processar a revista e exigir retratação e uma indenização, mesmo existindo o risco de algum juiz achar que a revista da “Organização Golpe” tem o sagrado direito de exercer a liberdade de mentir contra o PT. Ou pior ainda: “considerando a excepcionalidade da etapa final da vasta limpeza a que é submetido o país, todo esforço é válido para acabar de vez com a raça do PT e de suas lideranças.”
Bonobo De Oliveira Severino
4 de outubro de 2016 8:10 amSe ela tivesse seguido o Modelo Época – GLOBO….
Se a Dilma tivesse seguido o modelo do Partido da revista da Globo-Mossack, teria milhões em paraísos, em contas vizinhas da Mossack, e estaria se lixando para cinco paus do INSS.
maria rodrigues
4 de outubro de 2016 10:48 amTodas essas reportagens da
Todas essas reportagens da Globo tem por fim manipular o povo, incluindo os que ainda sentem honestidade em Dilma, no sentido de dizerem: “Essa sujeita é mesmo uma safada!”.
Se o tempo de serviço da mulher é de 30 anos, já passara do tempo de pedido da aposentadoria.
Dói muito ver que uma funcionária, cumprindo sua missão, de repente se vê afastada do cargo por uma miséria de reportagem com essa.
Essas histórias me fazem lembrar aquelas decisões de Temer ao tentar impedir que Dilma recebesse comida no Alvorada.
É uma mesquinharia sem tamanho, mas o que Época fez, e ainda fará muito, pelo visto, é jogar o povo contra Dilma, para que ela fique no mesmo nítvel em que conseguiram colocar Lula.
João de Paiva
4 de outubro de 2016 1:40 pmPedido de verificação
Prezada equipe do GGN,
Na reportagem está escrito
“Fernanda Cristina Doerl dos Santos, exonerada da função que ocupava na Coordenação Geral da Administração de Informações de Segurado do INSS em função desse factoide, disse, em nota, que foi procurada pela presidência da República sob Dilma e pela Diretoria de Benefício para fazer a análise da ex-presidente em dezembro de 2015.”
No penúltimo parágrafo tem-se
“Nesta segunda, a Federação Nacional de Sindicatos de Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social se solidarizou com Fernanda e disse que o secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, Alberto Beltrame, responsável pela demissão da servidora, não fez apuração das acusações feitas pela revista.”
A dúvida que fica é a seguinte:
Fernanda foi exonerada ou demitida? Exoneração é o mesmo que demissão? Pelo meu entendimento, não. Peço à equipe que verifique isso, pois funcionário público não pode ser demitido sem justa causa e sem processo. Já exoneração de cargo de confiança ou comissionado pode ser feita por ato discricionáriod e superior hierárquico. A reportagem não esclarece essas coisas. No mais parabéns pelo trabalho de reportagem investigativa.
dudu cartucho
4 de outubro de 2016 7:11 pmEnquanto Dirceu , Genoino e
Enquanto Dirceu , Genoino e Gushiken iam pra fogueira, a dilma fritava ovo na grobo e falava em controle remoto. Agora aguente.
Presisamos lutar enquanto temos forças, e ela no mais alto cargo da Republica nada fez pelos companheiros vilipendiados. Quem poderia defende-la está preso ou acabado, e a presidente midia tecnica ficou só.
Levi Oliveira dos Santos
6 de outubro de 2016 2:13 pmFalha do INSS ao analisar pedido de aposentadoria
Bom dia, gostaria de expor uma situação que estou sendo prejudicado pela falha dos funcionarios do INSS, agencia central de Londrina.
Em dezembro/15 eu solicitei o meu pedido de aposentadoria por tempo de serviço e em abril/2016 o INSS me resposteu que eu tinha direito ao beneficio deste que eu aceitasse ou concordasse com nas condições que eles estavam oferecendo.
em 18/05/16 a minha adovada enviou o pedido concordando com a aposentadoria nas condições oferecida e em 30/06/2016 o INSS negou o pedido alegando que eu não tinha concordado com o beneficio da aposentadoria proporcional.
Recentemente eu procurei a ouvidoria do INSS e registrei uma reclamação e gostaria de saber se vocês podem me ajudar divulgando está materia.
Levi Oliveira dos Santos
Londrina/Pr.
Aldo Cardoso
9 de outubro de 2016 2:11 amDilma embalou a fera que a devorou
Sem refletir nas consequências futuras de suas palavras, e querendo impressionar a platéia de sua posse com alguma frase bombástica, ao dizer “…prefiro o barulho da imprensa livre ao silencio das ditaduras…”, Dilma deu à imprensa ávida do seu sangue a senha para tripudiar sobre ela como bem entendesse.
Então, como quem planta ventos colhe tempestades, ela embalou a fera que, por fim, a devorou e, ainda não satisfeita revira agora no túmulo o seu cadáver fresco, coisa que Alvarenga e Ranchinho seriam capazes de parodiar com grande maestria.