19 de junho de 2026

Dorival, 100 anos de Caymmi

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Em um 30 de abril, pelos idos de 1914, a terra boa Salvador recebeu seu filho dileto. Nasce Dorival, sempre Caymmi, que passeou pelas artes desde o primeiro chorar para o mundo. Dorival cantou, compôs, tocou dolente um violão, pintou e atuou. Tudo junto e reunido na maior concentração de arte em um único vivente. E no viver do povo baiano, se inspirou. E na música negra, passeou tons e imagens memoráveis. E no juntar de tantas inspirações, criou um estilo próprio, um novo cantar.

Dorival, filho de Durval e Aurelina, casou com Adelaide Tostes, a cantora Stella Maris. De tão musical união, nascem três novos músicos: Dori, Danilo e Nana.

Uma pitada de sangue italiano no frigir da história familiar. O bisavô paterno veio da Itália para trabalhar no reparo do Elevador Lacerda. A música veio cedo, com o pai funcionário público e amador na música, que tocava piano, violão e bandolim. A mãe, mestiça de portugueses e africanos, cantava.

Filho de Durval Henrique Caymmi e Aurelina Soares Caymmi, era casado com Adelaide Tostes, A cantora Stella Maris. Todos os seus três filhos também são cantores: Dori Caymmi, Danilo Caymmi e Nana Caymmi. O menino cresceu, o fonógrafo era amigo e incendiou a vontade de compor. Cantava ele. Cantava ao lado do fonógrafo, no coro da igreja. Aos treze anos começa a trabalhar, interrompendo os estudos. Vai para uma redação de jornal, O Imparcial, como auxiliar. No fechar do jornal, tornou-se um vendedor de bebidas.

A primeira música, “No Sertão”, chega em 1930, e aos 20 anos estréia como cantor e violonista em programas da Rádio Clube da Bahia. Em 1935 o nome está feito, e passa a apresentar o musical Caymmi e suas Canções Praieiras.

Chega 1938. No Ita, Dorival vai para o Rio de Janeiro tentar emprego como jornalista e fazer o preparatório de Direito. Fez alguns poucos trabalhos, em O Jornal, do grupo Diários Associados. Mas a música não mais o deixou, continuando a compor e a cantar. Nesta época conheceu Carlos Lacerda e Samuel Wainer.

Em Junho de 1938 estreou na rádio, cantando duas canções. Como calouro saiu-se bem e dali passou a cantar dois dias por semana. Desta participação a interpretação de “O que é que a Baiana tem?” junta-se a Carmen Miranda. A música virou a própria Carmen, que fez uma carreira no exterior depois de interpretá-la no filme Banana da Terra.

E na malemolência do ficar e partir, do juntar e desunir, Dorival virou filho da terra, Terra Brasil, com suas canções entoadas de norte a sul, leste a oeste, além de nossas fronteiras, no doce balanço do mar da poesia. Um lamento, outro, uma canção, mais uma, povoando a história de nossa música.

Em 16 de agosto de 2008 os sons se movem em direção da memória, e morre Dorival, filho de uma terra pródiga. 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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21 Comentários
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  1. Assis Ribeiro

    30 de abril de 2014 2:03 pm

    Excelente matéria, para o

    Excelente matéria, para o excelente Caymmi.

    Grande homenagem.

    1. lucianohortencio

      30 de abril de 2014 2:58 pm

      Ao amigo Assis!

      Com um abraço apertado da lourdes e do luciano!

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=fKlyuQwbxSM%5D

  2. Dulce (Madame X)

    30 de abril de 2014 2:09 pm

    Post adorável. 🙂

    Post adorável. 🙂

    1. lucianohortencio

      30 de abril de 2014 2:53 pm

      À Dulce (Madame X)

      Com um fraterno abraço da lourdes e do  luciano

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=_gQQDR1wnd4%5D

  3. Mar da Silva

    30 de abril de 2014 2:09 pm

    Dorival merece toda

    Dorival merece toda homenagem. Senti falta de uma referência aos orixás. Mas tudo bem. 

    1. lucianohortencio

      30 de abril de 2014 2:48 pm

      Para Mar da Silva!

      Aqui vai uma boa referência!

      Abraço do luciano

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=MOjIlsuEzhg%5D

  4. jns

    30 de abril de 2014 3:04 pm

    BEIJOS PELA NOITE

    Da lavra de Caymmi, Carlos Lacerda e Jorge Amado

    [video:http://youtu.be/Wqu4f_vE6PM%5D

    Numa coincidência do destino, dois gigantes da história do Brasil vieram ao mundo no mesmo dia e no mesmo ano do século XX: o baiano Dorival Caymmi e o carioca Carlos Lacerda, cujos centenários de nascimento se completam por estas horas, na quarta-feira 30 de abril de 2014.

    A foto de Dorival Caymmi lá em cima retrata o que ele foi durante toda a vida, compositor genial e cantor sedutor.

    Já a do tribuno Carlos Lacerda eterniza um momento relativamente breve da sua existência, o de militante de esquerda vinculado ao Partido Comunista. Escolhi a imagem de 1935 porque ali e nos anos seguintes Lacerda conviveria com o escritor Jorge Amado, quadro do PCB, e Dorival Caymmi, simpatizante do partido.

    Na década de 1940, Carlos Frederico Werneck de Lacerda (Carlos em homenagem a Karl Marx; Frederico, a Friedrich Engels) se tornaria o mais brilhante anticomunista que o país conheceu, um infatigável semeador de golpes de Estado e o orador mais talentoso da República. No flanco direito, acabaria rompendo ou se afastando de Jorge e Caymmi.

    Na segunda metade dos anos 1930, os três ainda na esquerda, Caymmi compôs a melodia, e Lacerda e Jorge escreveram a letra de uma linda canção, “Beijos pela noite”.

    Por conta dos desencontros ideológicos, essa obra-prima só viria a ser conhecida nos festejos dos 80 anos de Dorival. Quem esquadrinhou a origem da composição foi Stella Caymmi, em sua ótima biografia do avô, “Dorival Caymmi: O mar e o tempo” (Ed. 34, 2001).

    Procurei o livro, mas a biblioteca aqui de casa está um caos, e não o encontrei. Lembro que Stella revelou que a primeira parte da letra é de Jorge Amado, e a segunda, de Carlos Lacerda.

    Como entusiasta de um rabo-de-saia, Jorge celebra a paixão:

    “Aqui/ O teu corpo nos meus braços/ Nossos passos pela estrada/ Nossos beijos pela noite/ E a Lua/ Pelos campos minha amada/ Pelos bosques, pelas águas/ Acompanha o nosso amor”.

    Lacerda, ao contrário, deprime-se como o jovem, ele, que tentara o suicídio na juventude (isso eu li no primeiro volume da biografia “Carlos Lacerda: A vida um lutador”, do historiador John W. F. Dulles (Nova Fronteira, 1992):

    “Hoje já passado tanto tempo/ Pela noite escura e triste/ Pelas vias alamedas/ A chuva apaga a marca dos teus passos/ Do caminho abandonado/ A saudade é o meu luar”. (…) “Um dia sentirás a mocidade / No teu corpo fatigado/ Da saudade dos caminhos/ Então sob a lembrança dos meus beijos/ Nosso amor adolescente poderá recomeçar”.

    Em 1945, Caymmi (1914-2008) comporia o jingle da campanha eleitoral comunista:

    “Ordem e tranquilidade | Progresso e democracia | Para o povo igualdade | O partido é o nosso guia”

    Em 1950, Carlos Lacerda (1914-1977) pregou: “O sr. Getulio Vargas, senador, não deve ser candidato à Presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar”.

    CRÉDITOS:

    Blog do Mário Magalhães | 29/04/2014

    LINK:

    http://blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br/2014/04/29/nos-100-anos-de-caymmi-e-lacerda-o-blog-toca-a-obra-prima-que-eles-criaram/

    1. lucianohortencio

      30 de abril de 2014 4:08 pm

      Para Dom JNS!

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=RAykSsut9bI%5D

      1. jns

        30 de abril de 2014 6:11 pm

        Fora do Tom

        BITUCA contou que a briguenta Família Caymmi cantava a música de Jobim assim:

        “Não deixe o mundo mau levá-la outra vez | Me abrace simplesmente | Não fale, não lembre | Não FODE meu bem”

        [video:http://youtu.be/d0fWGAt2hq0%5D

        1. lucianohortencio

          30 de abril de 2014 11:51 pm

          Dentro do Tom!

          Dentro do Tom, amigo JNS… Mais dentro impossível!

          Aí vai Nelson Gonçalves e Os Cariocas interpretando Marina!

          Abração do luciano

          [video:https://www.youtube.com/watch?v=PIt_Md6sQB0%5D

  5. ReginaAlbrectsen

    30 de abril de 2014 3:30 pm

    Caymmi, 100 anos…

    …Morre a carcaça, perpetua-se o poeta! 

    Hoje, comemoramos o seu jubileu. Se vivo fosse, Caymmi faria 100 anos. O que nos consola é saber que a música e a poesia são eternas. E que os filhos desse filho da terra cantarão e cantarão e cantarão muito mais.

    Viva Dorival Caymmi!

    1. lucianohortencio

      30 de abril de 2014 3:46 pm

      À amiga Regina Albrectsen!

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=w4RRaMl-DtU%5D

  6. Paulo H. Souza

    30 de abril de 2014 4:07 pm

    de 100 pra 100

    DO CENTENÁRIO DE VINÍCIUS PARA O CENTENÁRIO DE DORIVAL CAYMMI. 

     

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=woZr2ALsCxc align:center]

    1. lucianohortencio

      30 de abril de 2014 5:47 pm

      Grande abraço, amigo Paulo!

      Garimpaste DORA, que até eu havia esquecido…

      Muito obrigado! Valeu mesmo!

      luciano

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=Az6bjXQo5Wc%5D

  7. Maria Luisa

    30 de abril de 2014 5:31 pm

    “talvez a voz de Salvador antiga, chamando por Caymmi”

    Caymmi, como Jorge, sempre me faz sonhar com a Bahia, Salvador e seus cheiros, terra de todos os santos e seu mar, mil vezes decantado !

     

    VOZES DO MAR

    Quando o sol vai caindo sobre as águas
    Num nervoso delíquio d’oiro intenso,
    Donde vem essa voz cheia de mágoas
    Com que falas à terra, ó mar imenso?…

    Tu falas de festins, e cavalgadas
    De cavaleiros errantes ao luar?
    Falas de caravelas encantadas
    Que dormem em teu seio a soluçar?

    Tens cantos d’epopeias? Tens anseios
    D’amarguras? Tu tens também receios,
    Ó mar cheio de esperança e majestade?!

    Donde vem essa voz, ó mar amigo?…
    … Talvez a voz do Portugal antigo,
    Chamando por Camões numa saudade!

    Florbela Espanca

    Poesias Completas

    Lisboa,  Publicações Dom Quixote, 2000 

    1. lucianohortencio

      30 de abril de 2014 5:56 pm

      Para Maria Luisa!

      Na certeza que vai gostar muito… 

       

      Grande abraço do luciano

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=i2bAkvYGGlk%5D

  8. Maria Luisa

    30 de abril de 2014 7:14 pm

    Luciano,

    Que homenagem linda essa sua, da Lourdes Nassif e da Laura Macedo mais abaixo, é esta de nos oferecer a linda musica de Caymmi. Musica essa que fala do Brasil, das coisas do Brasil e do povo brasileiro, como poucos! Como so os gênios sensiveis, largos de alma são capazes. Fico arrepiada com certas musicas que ele criou. Que coisa linda esse dom, que aprimorado, faz com que artistas como Caymmi, façam musicas e letras que nos elevam e nos fazem ser melhores do que somos. 

     

    1. lucianohortencio

      30 de abril de 2014 11:54 pm

      Nunca Mais!

      Amiga Maria Luisa,

      Obrigado pelos excelentes comentários. Ouça nossa SAPOTI interpretando NUNCA MAIS!

      Abraço do luciano

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=l5XGPm3hWDM%5D

  9. Laura Macedo

    30 de abril de 2014 10:07 pm

    Infinitas Rosas

    Infinitas Rosas para Dorival Caymmi e, também, para: os autores deste excelente post – Luciano Hortencio / Lourdes Nassif e todos os comentaristas.

    Super beijos a todos. Viva Dorival Caymmi!!

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=TCU4nzUZuaY%5D

    1. lucianohortencio

      1 de maio de 2014 12:00 am

      Amiga Laura!

      Nossos Posts igualam-se em nível e através da inarredável vontade que temos de divulgar a maravilhosa música brasileira. Envio a ti LÁ VEM A BAIANA, que editei em homenagem à amiga Lúcia, pessoa muito querida e trabalhadora, que ainda hoje mantém seu tabuleiro de acarajé e outros quitutes baianos aqui na nossa Beira Mar, em frente ao Náutico Atlético Cearense.

      Abração do luciano

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=8Rawy8LKsEo%5D

      1. Laura Macedo

        1 de maio de 2014 1:59 am

        Quero conhecer a Lúcia

        Na minha próxima ida à Fortaleza quero conhecer a Lúcia e saborear seus quitutes 🙂

        Abraços da amiga Laura.

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