
Jornal GGN – Em sua coluna na Folha de S. Paulo, Bernardo Mello Franco critica a campanha publicitária do governo Temer, afirmando que ela “já começa pisando na bola” ao dizer que o peemedebista está há 120 dias no poder, desconsiderando o período em que foi presidente interino.
O colunista ressalta que o próprio presidente afirma que sempre governou “como se efetivo fosse”. O governo também exagera ao falar em “coragem”, já que Temer tem evitado pronunciamentos em locais públicos por medo de vaias, e critica as medidas anunciadas, que misturam fatos positivos a “decisões altamente questionáveis”, como a reforma do Ensino Médio.
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Da Folha
Por Bernardo Mello Franco
O governo lançou uma campanha publicitária para tentar convencer a população de que não é tão ruim quanto ela pensa. É uma missão árdua, e a propaganda já começa pisando na bola. Contabiliza apenas 120 dias de gestão, quando Michel Temer assumiu há exatos 232.
O anúncio usa a expressão “posse efetiva” para justificar a contagem marota. Faltou combinar com o chefe. Em discurso recente, o próprio Temer disse que ignorou a condição de interino e governou desde maio “como se efetivo fosse”.
Na primeira linha da propaganda, lê-se a palavra “coragem”, em letras garrafais. Parece um exagero do redator, já que o presidente tem evitado comparecer a palanques, estádios e até velórios por medo de ser vaiado. Seu último pronunciamento na TV foi transmitido na noite de Natal, quando as panelas estavam ocupadas com peru e farofa.
Mais adiante, o anúncio enumera 40 medidas “que já se tornaram realidade”. A lista mistura fatos positivos, como o apoio da Aeronáutica ao transplante de órgãos, a decisões altamente questionáveis, como a reforma do ensino médio por medida provisória. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já afirmou que a MP viola a Constituição e precisa ser anulada.
Na área econômica, o Planalto também se gaba de medidas polêmicas. Diz que a reforma da Previdência vai garantir a aposentadoria “das gerações atuais e futuras”, mas não explica como isso ocorrerá em Estados onde a expectativa de vida dos homens mal passa dos 65 anos.
Apesar de ocupar uma página inteira de jornal, a propaganda não cita uma única vez a palavra “corrupção”, que dominou o noticiário de 2016. Em outro exagero de marketing, afirma-se que o governo assegurou a “moralização das nomeações nas estatais”. Há poucas semanas, Temer loteou seis vice-presidências da Caixa entre partidos aliados. As nomeações atenderam a PSDB, PP, PR, PSB, DEM e PRB.

alexis
30 de dezembro de 2016 5:52 pmNormal
A mediocridade precisa de uma boa apresentação.
peregrino
30 de dezembro de 2016 6:20 pmNormal2…
ou segundo Hitler tinha tudo para da certo:
[[[toda propaganda tem que ser popular e acomodar-se à compreensão do menos inteligente dentre aqueles que pretende atingir]]]
Ugo
30 de dezembro de 2016 6:31 pmfolha pinel
A folha será homenageada na futura nota de três reais, sem duvidas.
Este comentário a afirmar o exagero da propaganda é uma peça para no futuro (acredito muito incerto para este folhetim) em editorial demonstrar a imparcialidade, o adjetivo na verdade é escandaloso.
Nenhum comentário do bolsa mídia?
Folha vá etc..
jura
30 de dezembro de 2016 9:05 pmMercadores e compradores de ilusões
Alguém acredita em propaganda de governo além do governante? Ou será que nem ele?
E eles, acreditam que nós acreditamos?
O maior talento dos marqueteiros não é nos enganar, porque não enganam.
O grande talento deles é enganar quem os paga com o nosso dinheiro.
A nossa grande idiotice é pagar para ouvir o que não acreditamos!
Quanto pior o governo, maior o investimento em propaganda… Alckmin é o líder!
Ele só tem dois recursos: propaganda e tropa de choque.
A propaganda já não faz mais efeito. A tropa de choque é infalível!
peregrino
30 de dezembro de 2016 9:29 pmsempre que me deparo com este tipo de propaganda…
e pelo forma como muitos interpretam, pulo uma geração e concluo que por nada haver que houvesse de bom, eles apenas apontaram o que não tinha a menor importância
seguinte: este amor por tudo que não presta só pode ser por transplante de carma