O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) relatou nesta quarta-feira (12) uma abordagem que classificou como ostensiva e intimidatória por parte de policiais militares na noite anterior, após o motorista que o transportava deixá-lo em casa. O petista afirmou que pediu uma apuração à Secretaria de Segurança Pública do estado, comandada pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Segundo Haddad, o episódio ocorreu por volta das 22h30, após um evento na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Largo São Francisco. O candidato afirmou que a viatura inicialmente abordou seu carro de maneira rápida, utilizando os faróis para iluminar o interior do veículo. Ele disse não ter considerado a situação incomum naquele momento.
Depois que o motorista o deixou em casa, porém, a mesma viatura teria continuado acompanhando o veículo. Segundo o relato, os policiais teriam se aproximado diversas vezes, inclusive emparelhando com o carro e chegando próximo à parte traseira.
O motorista teria seguido até um hotel para se proteger e, de acordo com o advogado de Haddad, Hélio Silveira, ouviu uma ordem ríspida de um policial para deixar o local. Haddad afirmou que o motorista ficou assustado com a situação e que os agentes estavam armados com três fuzis.
“Pode ter sido coincidência, pode ter sido confusão, mas tem que haver no mínimo uma apuração”, afirmou o candidato. Ele também disse não querer transformar o episódio em um “cavalo de batalha” eleitoral, mas considerou necessário torná-lo público para que houvesse condições de investigar o ocorrido.
Secretaria aponta operação contra quadrilha
A Secretaria de Segurança Pública apresentou uma versão diferente para o acompanhamento. Segundo o secretário Osvaldo Nico Gonçalves, uma investigação determinada pelo governador Tarcísio concluiu que não houve tentativa de intimidação contra Haddad.
De acordo com o secretário, policiais estavam procurando integrantes de uma quadrilha conhecida como “gangue do quebra-vidro”, suspeita de roubos de celulares na região da Avenida 9 de Julho. O grupo utilizaria ferramentas para quebrar vidros de veículos e furtar objetos.
Segundo Gonçalves, os policiais teriam visto o carro de Haddad deixar o local onde o candidato havia sido deixado e seguido o veículo porque procuravam suspeitos. O acompanhamento teria terminado quando o automóvel entrou em um hotel na região da Avenida 23 de Maio. Os agentes teriam então constatado que o veículo não tinha relação com o crime e deixado o local.
O boletim de ocorrência registrado no 27º Distrito Policial, em Campo Belo, confirma que policiais foram acionados após testemunhas relatarem um roubo e iniciaram buscas por um Nissan Kicks preto. O documento registra a prisão de suspeitos e a apreensão de celulares e ferramentas utilizadas para quebrar vidros, mas não faz referência à abordagem ou ao acompanhamento do motorista de Haddad.
O veículo utilizado pelo motorista do candidato, segundo o registro, era um Ford Fusion prata.
O boletim também indica que os policiais envolvidos não utilizavam câmeras corporais durante o patrulhamento. A ausência das imagens pode dificultar a reconstrução independente da abordagem relatada pelo motorista.
O episódio ocorre em meio à disputa eleitoral e a críticas já feitas por Haddad à política de segurança pública do governo Tarcísio, especialmente em relação à violência policial e às mudanças no sistema de câmeras corporais utilizadas pelos agentes.
Diante das versões divergentes, a apuração solicitada pelo candidato deverá esclarecer se o acompanhamento do veículo ocorreu exclusivamente no contexto da operação policial ou se houve algum comportamento irregular por parte dos agentes.
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