4 de setembro de 2026

A estratégia de André Mendonça e dos jornalões, por Luís Nassif

A imprensa tratará de ocultar as suspeitas sobre Mendonça enquanto alimenta a fogueira contra Moraes, Gonet e Rodrigues.
Reprodução Youtube

Daniel Bialski, advogado ligado ao bolsonarismo, foi contratado por Vorcaro para tentar reabrir delação premiada.
Em agosto, Vorcaro fez acusações sem provas contra autoridades durante oitiva, enquanto Mendonça exigia relatório da PF.
Principais jornais omitiram encontro de Mendonça com Bialski; imprensa foca acusações contra Moraes, Gonet e Rodrigues.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O criminalista Daniel Bialski já defendeu Michelle Bolsonaro, Cláudio Castro, Onyx Lorenzoni, Milton Ribeiro e Carla Zambelli. É o advogado preferido pelo bolsonarismo. Ele foi contratado por Vorcaro para reabrir as chances de uma delação premiada.

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Em meados de agosto, Bialski realizou uma reunião oficial com o ministro André Mendonça. No mesmo horário em que Vorcaro tinha uma oitiva agendada com a Polícia Federal, a administração da Papudinha — o presídio onde ele se encontra — armou uma arapuca: informou falsamente à PF que o sistema de transmissão não estava funcionando. Simultaneamente, foi prestado depoimento a João Azambuja, juiz auxiliar do gabinete de Mendonça. Nessa oitiva, Vorcaro fez referências a viagens e despesas supostamente pagas em favor de Andrei Rodrigues, chefe da PF, sem apresentar provas.

Há duas estratégias que se completam.

Do lado de Vorcaro, a delação é a única saída. No instituto da delação premiada, só são aceitos acordos de quem aponta responsabilidades no andar de cima, isto é, de seus superiores. Como Vorcaro era o cabeça do esquema, quem seriam esses superiores? A saída encontrada foi implicar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o ministro Alexandre de Moraes.

A segunda estratégia insere-se na guerra híbrida em curso, promovida com a interferência do Departamento de Estado norte-americano. A jogada de Mendonça ao exigir um relatório da PF sobre Alexandre de Moraes, atropelando os procedimentos praxe para jogar lama no ventilador, visou implodir todo o sistema de Justiça — a última trincheira institucional contra o golpismo. Não é por outro motivo que o acordo foi selado entre Mendonça e um advogado estreitamente ligado ao bolsonarismo – para surpresa dos demais advogados, do escritório Leonardo, banca respeitada em Belo Horizonte.

Pouco importa o desfecho desse imbróglio.

O papel dos jornalões

A análise da cobertura da imprensa reforça a ideia da subordinação dos grupos de mídia à pressão do Departamento de Estado.

Há dois temas em pauta. De um lado, as denúncias que expõem os encontros de André Mendonça com Daniel Vorcaro na sede do ITER e as suspeitas sobre contratos firmados com empresas do ex-banqueiro. De outro, os escândalos — ainda sem provas — armados por Vorcaro contra altas autoridades.

Tome-se a home dos três principais jornais no final da tarde de ontem

O Globo

Uma pequena nota na coluna à direita. Internamente menciona a reportagem de Paulo Motoryn no ICL.

Estadão

Nenhuma nota sobre o encontro,de Vorcaro e Mendonça.

Folha

Nenhuma nota a respeito do encontro.

Desfecho

Pouco importa a procedência das acusações; o objetivo é manter a fogueira acesa até as eleições. A imprensa tratará de ocultar as suspeitas sobre Mendonça enquanto alimenta a fogueira contra Moraes, Gonet e Rodrigues.

Repito o que escrevi ontem: se essas manobras derem a vitória a Flávio Bolsonaro, agosto de 2026 será o mês que entrará na história da imprensa brasileira, como o marco definitivo da traição final à democracia brasileira.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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