26 de junho de 2026

Matam o próprio filho, agridem jornalistas e pedem golpe militar, por Leonardo Sakamoto

 
Jornal GGN – O jornalista Leonardo Sakamoto analisa, em seu blog, acontecimentos ocorridos nos últimos dias, como os manifestantes que pediam intervenção militar na Câmara, as agressões contra jornalistas no protesto contra o corte de gastos no Rio de Janeiro, o bate-boca entre Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski no Supremo Tribunal Federal, e o pai que matou o próprio filho em razão de preferências políticas, em Goiânia.
 
Para ele, estes casos resultam do abandono de limites que permitem a convivência, além de um déficit de formação para a empatia e a falta de cultura política para o debate. “Não somos educados, desde cedo, para saber ouvir, falar, respeitar a diferença”, afirma.
 
Para Sakamoto, há o risco de abrir espaço para um ”salvador da pátria”, alertando que a democracia “é tão frágil como um folha de papel em branco”.

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Do Blog do Sakamoto
 
 
por Leonardo Sakamoto

1) Um grupo de 50 manifestantes ocupou a mesa diretora da Câmara dos Deputados e exigiu um golpe militar, anunciando – de forma sebastianista – a chegada de um ”general” redentor. Defendiam o fechamento do Congresso Nacional que, segundo alguns deles, estaria tentando implantar o comunismo no país.

2) Jornalistas apanharam de manifestantes em um protesto contra o pacote de corte de gastos do governo do Rio de Janeiro – que, se aprovado, reduzirá direitos de servidores públicos. Entre os que protestavam, uma grande quantidade de policiais e agentes penitenciários. Caco Barcellos, um dos maiores repórteres deste país, foi agredido fisicamente e hostilizado por uma turba ensandecida de manifestantes sob gritos de ”golpista”. Repórteres do UOL, do G1 e de O Globo também foram agredidos.

3) Após Gilmar Mendes pedir vistas e interromper um julgamento sobre uma ação que trata de direitos de trabalhadores (estava no lado que já havia sido vencido pela maioria dos ministros), ele e Ricardo Lewandowski bateram boca em plena sessão. O barraco do Supremo Tribunal Federal, com cada um tentando provar que o outro era mais leviano no trato com a coisa pública, quebra a imagem de uma corte constitucional, que deveria ser de diálogo e serenidade.

4) Um engenheiro de 60 anos matou a tiros seu filho, um universitário de 20, por – de acordo com a polícia – discordar de que o jovem participasse de protestos estudantis e por ser contra suas preferências políticas – o rapaz seria anarquista. O filho chegou a fugir, mas foi perseguido pelo carro do pai, que o abateu. E, depois, se matou.

São quatro acontecimentos violentos, frutos do desrespeito a instituições que são estruturantes de nossa sociedade e do consequente abandono de regras que balizam os limites de nossos desejos e de nossos atos. Limites que tornam possível conviver no mesmo pedaço de chão.

Limites que, deixemos bem claro, nunca valeram para quem é jovem e negro na periferia de uma grande cidade, indígena e ribeirinho em uma área de interesse de grandes empreendimentos ou trabalhadores e pobre em geral.

Temos um déficit de formação para a empatia, para reconhecer no outro alguém que tem os mesmos direitos que nós. Mas também para a cultura política do debate – infelizmente, não somos educados, desde cedo, para saber ouvir, falar, respeitar a diferença e, a partir daí, construir consensos ou saber lidar com o dissenso. Não somos educados para a tolerância e a noção de limites.

Ao mesmo tempo em que o aumento do acesso à internet nos levou a descobrir que nem todo mundo pensa como nós, as bolhas das redes sociais trouxeram a falsa sensação de que a maioria das pessoas pensa igual a nós. Daí, muita gente está em estado de guerra deflagrada. Guerra contra outras pessoas que não concordem com as suas versões da realidade, tida por eles como verdades absolutas.

Estamos chegando ao fundo do poço? Claro que não. Até porque, lá no fundo, tem um alçapão.

Há aqueles que se utilizam da justificativa da discussão política para poder extravasar seu ódio e seu desejo por sangue e demonstrar toda sua incapacidade de sentir essa empatia pelo semelhante. Ou aqueles que não conseguem ser contestados ou admitirem ignorância sobre algo sem usar a agressividade como saída. Fazem isso vomitando política, mas poderia fazer o mesmo – ou realmente fazem – em nome de seu time de futebol, de sua religião, de sua cor de pele, de sua origem social – ou de qualquer outra razão irracional.

Mas é claro que o contexto político do ”salve-se quem puder” e a crise econômica aumentaram a fervura. Onde isso vai dar, depene da gente. O esgarçamento institucional atingiu o Executivo e o Legislativo. O risco é de ocorrer também com o Judiciário. E se ninguém acreditar em mais nada, sobrará espaço para um ”salvador da pátria”, com ”colo de pai” e ”mão firme” para evitar que nos devoremos.

As pessoas acham que a democracia é algo forte. Mas é tão frágil como um folha de papel em branco.

Por enquanto, vamos transformando o Manifesto Antropofágico, de Oswald de Andrade, em profecia cumprida. ”Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.”

 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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14 Comentários
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  1. Node

    17 de novembro de 2016 7:00 pm

    Continua esta estória de

    Continua esta estória de agressão, que agrassão nada, o povo reconhece o grande serviço que ele e a empresa em que trabalha presta ao Brasil e tenta lhe dar um chapeuzinho, mal agradecido . . . .

  2. Antonio Uchoa Neto

    17 de novembro de 2016 7:37 pm

    Não conheço Caco Barcellos,

    Não conheço Caco Barcellos, até porque não assisto os programas da emissora onde ele trabalha, mas sei que se trata de um jornalista extremamente conceituado, principalmente entre seus colegas de profissão.

    Mas, se a Rede Globo, como tudo indica que fará, se colocar na posição de vítima, ele estará obrigado, moralmente, a esclarecer que tem plena consciência que os ataques que sofreu – e esse, se não me falha a memória, não é o primeiro – são dirigidos à emissora onde trabalha, e não a ele, pessoalmente.

    Tomara que tenha a coragem de fazê-lo.

  3. Inforo

    17 de novembro de 2016 8:48 pm

    Próxima colunista da Folha

    Ao ver. ,no corredor, um painel  comemorativo do centenário da imigração japonesa no Brasil, lá desde 2008, em que, estilizada, nossa bandeira é justaposta à bandeira do Japão…

     

    [video:https://youtu.be/NojHBPe10ks align:center]

     

    Rosangela Elizabeth Muller

    1. Celio Mendes

      17 de novembro de 2016 9:26 pm

      Uma prova cabal e em vídeo de

      Uma prova cabal e em vídeo de que os imbecis perderam completamente a modéstia.

      1. Alan Souza

        17 de novembro de 2016 9:33 pm

        Confirmação do que sempre digo aqui

        Como já comprovaram estudos científicos, direitistas são burros. Prova a ciência, provam os fatos como esse!

        1. Athos

          17 de novembro de 2016 10:48 pm


          Se eu fosse vc….o Nassif e o pessoal daqui, leria um pouco sobre técnicas de lavagem cerebral….

          Aparentemente é um tipo de ciência que está mais avançada do que imaginam….
          Não são apenas notícias trocadas com viés baseado na eterna dicotomia entre ideologias.

          No momento a propaganda subliminar está a estimular uma revolta de negros NOS EUA.

          Observe a lavagem….no viés das notícias. É algo que vem de cima….
          É a mesmo tipo de lavagem cerebral que faz com que nossa sociedade diga aos favelados que FAVELA é muito legal e que eles deveriam ficar por aí mesmo….e com sorriso no rosto.

          Lavagem cerebral!

          1. Alan Souza

            18 de novembro de 2016 11:12 am

            Pelamor…

            Que espécie de lavagem cerebral faz alguém desconhecer a bandeira do Japão, uma das mais conhecidas e emblemáticas do mundo todo? Daquelas que a gente aprende lá nos tempos de ensino fundamental? Lavagem cerebral nada, isso é burrice de direitista mesmo!

            E procure se informar melhor você: negros estão se revoltando nos EUA por conta da eleição de um presidente que é enamorado de uma direita “alt”, assumidamente racista, e de repetidos assassinatos de negros desarmados por policiais, em vários locais do país. O que tem de subliminar em levar um tiro?

            É cada uma que esse sujeito escreve, vou te contar! Quer dar uma pagadinha de intelectual ou conhecedor de “coisas ocultas”, não perceptíveis aos demais, e acaba passando atestado…

          2. Athos

            28 de novembro de 2016 4:12 pm

            …..
            Blacklivesmatter

            Este é o movimento financiado pelo Status Quo para gerar um massacre de NEGROS a fim de ajudar Hillary em sua campanha!
            É o movimento do Passe Livre de lá!
            O que vem a público, manipular e causar confusão!
            Sabe como se verifica?
            Através da QUANTIDADE de ERROS daMÍDIA(Globo de lá) ao noticiar Negros baleados como sendo por motivos raciais.
            ….quando alguns deles, dos casos que geraram protestos, policiais foram BALEADOS!
            É racismo atirar num negro que baleou 2 policiais?
            É racismo quando um policial NEGRO atira num NEGRO?

            O procedimento é financiar estes movie usar a mídia para sua ativação!

            Acorda otário!
            https://en.m.wikipedia.org/wiki/2016_shooting_of_Dallas_police_officers

            E não seja idiota suficiente, como acredito que vc seja, para PENSAR que eu ache que racismo não existe.
            O que estou tentando te mostrar são as manipulações das minorias a fim de SABOTAR a maioria!
            A maioria, que os Negros não são, é a democracia!

            Nossos índios, quem está lá, são as “ONGS” deles. Lavando cérebros….

            Para deixarem de ser brasileiros.

            Como os negros de lá e de cá.
            Os negros daqui vão acabar deixando de ser brasileiros para tornar se afro brasileiros. Algo…. diferente.

            Mas o movimento é para igualdade, hehehe. Por isso te fazem diferente….lavando seu cérebro!

            E….nem percebemos.

          3. Athos

            28 de novembro de 2016 9:42 pm

            A lavagem pré condiciona o cérebro dela a associação do vermelho com O PT. Isso é resultado de lavagem cerebral! Vc faz isso numa população de 20 MK milhões dw pessoas….e….. Tem gente que olha a bandeira do Japão e vê, comunismo. Tem gente que olha para uma ciclovia e vê…. comunismo. Isso é lavagem cerebral! Mas, não sei oq perco meu tempo te explicando algo. Vc deve ter baixo QI… Negros, …sem lavagem cerebral, votaram em Trump! Vc é burro e só se informa pelas mídias de quem faz a lavagem…. Pq não sabe que os Negros dos EUA estão sendo estimulados para se revoltar! Basta observar a quantidade de mortes de Negros que causaram revolta…..e que…. Depois confirmou se que…. Estavam armados MESMO enque, em alguwn casos, chegaram a balear 2 policiais….. Mas foram divulgados, PELA MÍDIA que lava seu cérebro, como tendobsidos baleados POR serem negros apenas….repito porque vc é burro….mas estavam armados e atirando. Isso aconteceu em 3 ocasiões nos meses que antecederam as eleições. Os Negros, a lavagem cerebral neles os faz adorar o estilo gangster! Aonde os Negros vão com estes exemplos? Acorda idiota!

    2. Alan Souza

      17 de novembro de 2016 9:45 pm

      Fica até difícil

      É uma estupidez tão grande, mas tão absurdamente gigantesca, que fica até difícil acreditar que ela esteja falando sério. Ainda mais que ela tem uns traços orientais.

      Mas isso me lembra uma estória que ouvi de um amigo, que viveu os tempos da ditadura militar: durante um desfile de 7 de Setembro em Belém do Pará, um grupo de estudantes do Acre desfilou com a bandeira do estado natal – a bandeira do Acre, pra quem não sabe, tem uma estrela vermelha no canto superior esquerdo.

      Foram presos por ordem de um coronel do Exército, presente na parada. Quando questionado por um professor dos estudantes do motivo da prisão, o coronel justificou que eles estavam exibindo a bandeira de um país comunista. Estupefato, o professor perguntou de que país. E o coronel, rápido e sem perder a pose: “de um país comunista desconhecido!”.

  4. Gui Spec

    17 de novembro de 2016 9:26 pm

    Acho dificil enquadrar a

    Acho dificil enquadrar a situação acontecida em Goiania em um “caso” de “opção politica”. Aoarentemente, o pai era pessoa com quadro depressivo e necessidade de controle de situações diversas, isto é claro baseando-se nos relatos da imprensa. Casos de filicidio bem como de parricidio varejam pelos noticiários policiais desde que me entendo por gente e acho forçado colocar a questão como sendo algo do “momento politico que estamos vivendo”. O que me deprime são diversas opiniões postadas em diversos sites de noticias, no quão o ser humano se apresenta na sua forma mais abjeta de pensamento glorificando o pai que fez “justiça”. As redes sociais são apenas mais um local onde o pior e o melhor do ser humano afloram. A “persona” livre das amarras e freios sociais enganada pelo suposto anonimato posta o que há de mais vil. Mas isto é da essencia humana. Vamos observar muitos processos sobre isto nas proximas decadas.

     

  5. Gilson AS

    17 de novembro de 2016 9:43 pm

    A culpa por tudo isso é por

    A culpa por tudo isso é por causa de um merda, um cheirador, um play boy mimado, um filho da puta corrupto, Aécio Neves, que não aceitou o resultado das últimas eleições.

    Tudo o que está ocorrendo é culpa do Aécio Neves. 

    Sem hipocrisia, quero que ele e tantos outros morram.

  6. Edna Baker

    17 de novembro de 2016 10:41 pm

    Desde o impedimento da Dilma

    Desde o impedimento da Dilma o Brasil nāo ė mais o mesmo, virou um inferno. Saudades do Brasil da Dilma.

  7. Luís Henrique Donadio

    18 de novembro de 2016 9:42 am

    O Sakamoto que me desculpe,

    O Sakamoto que me desculpe, geralmente gosto das coisas que ele escreve, até porque ele é muitas vezes capaz de propor um olhar diferenciado, não óbvio, distante do senso comum… mas nessa aí ele está dando uma de isentão.

    Não são iguais Lewandovski e Gilmar Mendes, ou pelo menos não o foram no episódio do bate-boca. Gilmar fala fora dos autos, com a desfaçatez de um político profissional, e isso precisa parar. Se algo deve ser cobrado de Lewandovski, não é a ação de agora, mas a omissão duradoura, sobretudo de quando era presidente da corte e nada fez para pôr cobro à desmoralizante atividade político-midiática do Sinistro Gilmar Mendes.

    E é verdade que Caco Barcellos foi agredido e que a agressão é condenável. Mas faltou falar de uma outra agressão, da qual Caco Barcellos está no pólo ativo: a agressão cotidiana que a imprensa a que ele serve perpetra, interminavelmente, contra a população brasileira e contra o regime democrático. Notícia falsa em cima de notícia falsa, calúnias, interpretações enviesadas, disseminação do ódio, proteção descarada a corruptos aliados, incensamento de “heróis” do MPF e do judiciário que agem ao arrepio da lei, da constituição, dos princípios jurídicos, e até da moral (ou se arvorar simultaneamente em investigador e julgador, como faz o atrabiliário Sérgio Moro, não é imoral?), silêncio absoluto sobre as verdadeiras organizações criminosas de natureza proto-fascista como o MBL, ROL, VPR. Temos sido agredidos e violentados por essa imprensa canalha todos os dias, sem que ninguém sequer se lembre de chamar isso de agressão.

    Ou alguém acha que o cidadão que matou o próprio filho não foi incitado a isso pela imprensa? Quem tiver essa ilusão que vá aos sites do G1 ou do UOL e leia os comentários a essa matéria, onde o ódio ao próximo é erigido em princípio basilar da sociedade, sob a omissão dos responsáveis pela publicação.

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