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O ovo da serpente, por Thiago Rodrigues Cardin

do Coletivo Transforma MP

O ovo da serpente

por Thiago Rodrigues Cardin

Já há algum tempo, pessoas sérias vêm alertando sobre os riscos de estarmos chocando no Brasil ovos de serpente – metáfora para o nascimento de práticas e ideais fascistas com potencial para causar grandes prejuízos à sociedade.

Apenas para ilustrar um exemplo, em junho de 2015, destacou o jornalista Luiz Fernando Vianna, em sua última coluna (“A serpente no deserto”) publicada no jornal Folha de São Paulo[i]:

“Já se escreveu nesta coluna sobre uma espécie de ‘economia do ódio’ que vem contribuindo para a subsistência da imprensa. O lixo despejado nas áreas destinadas aos comentários de leitores – e nas redes sociais, onde se compartilham os textos publicados em jornais e revistas – resulta em audiência para os sites de notícias e, logo, em receita publicitária.

A economia nacional derrete. E o jornalismo enfrenta um período de dúvidas existenciais do qual não sabe com que cara sairá. Como pregar equilíbrio e inteligência num momento em que destempero e estupidez pagam as contas? É pregar no deserto.

(...)

Chega a ser pedagógico: graças à fraqueza do Executivo, o Congresso levanta as tampas dos nossos esgotos. Fascismos, racismos, intolerâncias religiosas e de classe, desejos genocidas... Elementos que marcam toda a história brasileira e andavam contidos pelo que se acreditava ser um amadurecimento democrático ressurgiram com força.

Se imprensa, forças políticas sérias – não as que, em busca de ganhos imediatos, endossam as vontades de Cunha – e setores da sociedade (mesmo minoritários, pois também têm direito à voz) não reagirem, a serpente sairá do ovo. Foi um pouco sobre isso que se tentou falar neste espaço nos últimos meses”.

Registra-se que os riscos dessa nova “guinada fascista” não seriam um fenômeno exclusivamente brasileiro, e aumentaram consideravelmente com a ascensão das redes sociais como plataformas de difusão de informação, conhecimento e, sobretudo, opiniões pessoais.

Pouco antes de seu falecimento, o escritor e filósofo italiano Umberto Eco demonstrou sua preocupação quanto ao tema, afirmando que as redes sociais dariam o direito à palavra a uma “legião de imbecis” que antes falavam apenas “em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade”. Com a internet, o “idiota da aldeia” teria sido promovido a portador da verdade, tendo “o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel”[ii].

Se de um lado é inegável o papel verdadeiramente revolucionário da internet na história da humanidade, também salta aos olhos que foram as redes sociais o instrumento catalizador da insatisfação de pessoas historicamente favorecidas que, devido aos avanços civilizatórios das últimas décadas, perderam uma pequena parcela de seus privilégios ou, ao menos, o direito de falarem sozinhas.

Sobre o assunto, afirma a jornalista Eliane Brum, em trecho de magistral artigo (“A boçalidade do mal”) publicado em maio de 2015 no periódico El País[iii]:

“A boçalidade do mal, uma das explicações possíveis para o atual momento, é um fenômeno gerado pela experiência da internet. Ou pelo menos ligado a ela. Desde que as redes sociais abriram a possibilidade de que cada um expressasse livremente, digamos, o seu ‘eu mais profundo’, a sua ‘verdade mais intrínseca’, descobrimos a extensão da cloaca humana. Quebrou-se ali um pilar fundamental da convivência, um que Nelson Rodrigues alertava em uma de suas frases mais agudas: ‘Se cada um soubesse o que o outro faz dentro de quatro paredes, ninguém se cumprimentava’. O que se passou foi que descobrimos não apenas o que cada um faz entre quatro paredes, mas também o que acontece entre as duas orelhas de cada um. Descobrimos o que cada um de fato pensa sem nenhuma mediação ou freio. E descobrimos que a barbárie íntima e cotidiana sempre esteve lá, aqui, para além do que poderíamos supor, em dimensões da realidade que só a ficção tinha dado conta até então.

Descobrimos, por exemplo, que aquele vizinho simpático com quem trocávamos amenidades bem educadas no elevador defende o linchamento de homossexuais. E que mesmo os mais comedidos são capazes de exercer sua crueldade e travesti-la de liberdade de expressão. Nas postagens e comentários das redes sociais, seus autores deixam claro o orgulho do seu ódio e muitas vezes também da sua ignorância. Com frequência reivindicam uma condição de ‘cidadãos de bem’ como justificativa para cometer todo o tipo de maldade, assim como para exercer com desenvoltura seu racismo, sua coleção de preconceitos e sua abissal intolerância com qualquer diferença.

Foi como um encanto às avessas – ou um desencanto. A imagem devolvida por esse espelho é obscena para além da imaginação. Ao libertar o indivíduo de suas amarras sociais, o que apareceu era muito pior do que a mais pessimista investigação da alma humana. Como qualquer um que acompanha comentários em sites e postagens nas redes sociais sabe bem, é aterrador o que as pessoas são capazes de dizer para um outro, e, ao fazê-lo, é ainda mais aterrador o que dizem de si. Como o Eichmann de Hannah Arendt, nenhum desses tantos é um tipo de monstro, o que facilitaria tudo, mas apenas ordinariamente humano”.

Pois bem.

O que defendemos é que não há mais qualquer sentido em discutirmos acerca dos riscos de uma eventual eclosão fascista: as serpentes já foram geradas, e circulam livre e impunemente entre nós.

E nem tratamos aqui de deputados racistas, homofóbicos e misóginos que louvam publicamente torturadores e comparam quilombolas a gado, tampouco de prefeitos que derrubam prédios com gente dentro e acordam pessoas em situação de rua com jatos de água no inverno.

Falamos do fascismo mais rasteiro, praticado cotidiana e abertamente por milhares (milhões?) de pessoas orgulhosamente autointituladas “cidadãos de bem” (em uma das mais espetaculares ironias do destino, “Cidadão de Bem” era o nome de um antigo jornal da Klu Klux Klan).

Tratamos do fascismo de “pessoas comuns”, que aderem sem qualquer reflexão a preconceitos que lhe são oferecidos, absorvendo-os e retransmitindo-os de forma livre e acrítica, sem nenhum medo de punição – uma nova espécie da “banalidade do mal” tratada por Hannah Arendt. Para se ter uma noção de quantos são e do nível de seus “argumentos”, basta passar os olhos em qualquer (mas qualquer mesmo) caixa de comentários de grandes portais de comunicação, quando o fato noticiado guarda mínima relação com direitos humanos ou envolve o nome de personalidade de alguma forma identificada com ideais progressistas.

Enfim, as tampas dos bueiros foram escancaradas e já não vivemos mais um tempo de civilidade, tampouco de normalidade democrática. O tempo agora é outro: de supressão de direitos e pequenas garantias conquistadas por minorias historicamente excluídas; de ofensas gratuitas e críticas ao “politicamente correto”; de relembrar às mulheres seu verdadeiro lugar (que inclui um papel de destaque na economia doméstica, controlando os preços do supermercado).

É tempo de pós-verdade e de direito penal do inimigo.

É tempo de espancar homossexuais em metrô; de tatuar a testa de delinquentes. É tempo de amarrar adolescentes em postes, de fazer justiça com as próprias mãos; é tempo de chacinar pobres em favelas – de preferência negros, a carne mais barata do mercado, como nos lembra Elza Soares.

É tempo de aberrações ultraconservadoras, como “escola sem partido”; é tempo de bancada “boi, bala e bíblia”.

É tempo de “bandido bom é bandido morto”, desde que, evidentemente, os bandidos sejam “quase todos pretos, ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres” (viva Caetano).

Em outras palavras, a discussão daqui em diante deve ser outra: sobre a premente necessidade de resistirmos a esses novos tempos e sobre de que maneira o combate deve ser travado.

Sobre a necessidade de resistência não há controvérsia: deve ser feita imediatamente e de forma ininterrupta, sem trégua, por todos aqueles que ainda possuem alguma aspiração por igualdade e justiça social. Quanto à forma, porém, ainda não há consenso, havendo os que pacientemente nos ensinam a difícil arte de conversar com um fascista, como Márcia Tiburi[iv], e os que pregam que “não é argumentando que se modifica algo, mas desativando os afetos que sustentam tais escolhas [fascistas]”, como Vladimir Safatle[v].

Aos operadores do Direito, propomos algo mais simples: que a intransigente defesa da Constituição de 1988 bastaria para que marquemos posição e demonstremos claramente de que lado estamos nas trincheiras.

Para ilustrar, imaginamos uma conversa entre quatro amigos, discutindo quais objetivos que o Estado brasileiro deveria perseguir:

- O Estado deve diminuir de tamanho e abolir todos os impostos que recaem sobre os empresários, inclusive sobre seus lucros, já que são eles que geram empregos e levam esse país pra frente – defende um simpático adorador do Pato Amarelo.

- O Estado deve se preocupar apenas com a segurança de seus cidadãos, botando em cana os delinquentes (sem preocupação com sua integridade, já que cadeia não é hotel de luxo) e acabando com essa bandidolatria – argumenta com o dedo em riste um cidadão de bem.

- O Estado tem que acabar, só tem corrupto na política, devemos deixar tudo nas mãos dos militares, pra colocar ordem e disciplina nessa bagunça – vocifera com agressividade um contumaz paneleiro.

- Acho que o Estado deveria buscar a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades sociais, combater todas as formas de discriminação e promover uma sociedade mais livre, justa e solidária[vi] – diz timidamente o quarto amigo, para espanto e indignação dos outros três, que bradam em uníssono:

- Vai pra Cuba, vagabundo!

Enfim, para o bem e para o mal, em tempos como os atuais, defender a Constituição se tornou um ato revolucionário.

Para o bem porque temos um norte claro e extremamente sólido a nos conduzir (aliás, enaltecemos o papel de todos os que de alguma forma foram responsáveis por gerir um documento tão extraordinário quanto a Carta de 1988, praticamente impensável em se tratando de história brasileira): a defesa da dignidade da pessoa humana (art. 1º, III); o combate a todo tipo de preconceito (art. 3º, IV); a prevalência dos direitos humanos (art. 4º, II); a igualdade material entre homens e mulheres (art. 5º, I); o repúdio à tortura (art. 5º, III); a função social da propriedade (art. 5º, XXIII); a integridade física e moral dos presos (art. 5º, XLIX); a presunção da inocência (art. 5º, LVII); um salário mínimo que garanta necessidades vitais básicas como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social (art. 7º, IV); os princípios da liberdade de ensino e do pluralismo de ideias (art. 206, II e III); dentre tantas outras garantias constitucionais que poderíamos elencar por horas.

Para o mal porque, caso percamos essa batalha, com a retirada completa ou paulatina dos direitos civilizatórios previstos na Carta Magna (e o desmonte já está em pleno andamento), o período de trevas será bem maior que nossas previsões mais pessimistas.

Aliás, para os nascidos pós redemocratização e que jamais havíamos vivido dias tão sombrios, o atual momento é desesperador. Serve de alento, nesses momentos, os conselhos de amigos mais experientes, a nos lembrar do movimento pendular da História: mais cedo ou mais tarde, o horror vai passar.

Até lá, não nos enganemos, continuaremos presenciando barbaridades e retrocessos – ainda estamos longe do fundo do poço. Mesmo assim, é imperativo resistir desde já, todos os dias, religiosamente, combatendo sem tréguas atrocidades fascistas e defendendo de forma intransigente os direitos fundamentais e os parcos avanços civilizatórios conquistados nos últimos trinta anos. Se possível, sem perder o bom humor e a serenidade – deixemos o ódio para os covardes e os cidadãos de bem.

Como adverte Eliane Brum (sempre ela!) ao final de seu artigo “Em defesa da desesperança”[vii], é necessário resistir ainda que a fé desmorone, e mesmo que não tenhamos qualquer perspectiva de vitória a curto prazo:

“Talvez tenha chegado a hora de superar a esperança. Autorizar-se à  desesperança ou pelo menos não linchar quem a ela se autoriza. Quero afirmar aqui que, para enfrentar o desafio de construir um projeto político para o país, a esperança não é tão importante. Acho mesmo que é supervalorizada. Talvez tenha chegado o momento de compreender que, diante de tal conjuntura, é preciso fazer o muito mais difícil: criar/lutar mesmo sem esperança. O que vai costurar os rasgos do Brasil não é a esperança, mas a nossa capacidade de enfrentar os conflitos mesmo quando sabemos que vamos perder. Ou lutar mesmo quando já está perdido.

Fazer sem acreditar. Fazer como imperativo ético”.

Em resumo, e para que ninguém mais se engane: as serpentes já foram chocadas. Dias temer-ários virão. Resistir é preciso.

 

Thiago Rodrigues Cardin – Promotor de Justiça em São Paulo e membro fundador do Coletivo por um Ministério Público Transformador

 

 




[i] “A serpente no deserto”, acessado in http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfernandovianna/2015/06/1644890-a-serpente-no-deserto.shtml

[ii] “Redes sociais deram voz a legião de imbecis, diz Umberto Eco”, acessado in http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/ansa/2015/06/11/redes-sociais-deram-voz-a-legiao-de-imbecis-diz-umberto-eco.jhtm

[iii] “A boçalidade do mal”, acessado in https://brasil.elpais.com/brasil/2015/03/02/opinion/1425304702_871738.html

[iv] Como Conversar com um Fascista. Marcia Tiburi. 1ª ed. Editora Record, 2015.

[v] “Um fascista mora ao lado”, acessado in http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vladimirsafatle/2017/03/1863080-um-fascista-mora-ao-lado.shtml

[vi] Constituição Federal de 1988:

“Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II - garantir o desenvolvimento nacional;

III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.

[vii] “Em defesa da desesperança”, acessado in https://brasil.elpais.com/brasil/2015/12/21/opinion/1450710896_273452.html

 

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Ótimo texto. Um alento

Ótimo texto. Um alento descobrir que existem promotores com esse ponto de vista. 

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ze sergio

ótimo....

Promotor de Justiça? Do MP / SP? Bem se diz que se senta em cima do rabo para ficar olhando o rabo dos outros. É surreal. Sai da moita, caro Promotor. A Casa Grande que já esmagava a Senzala logo abaixo, agora depois dos anos de 1990, ficou insuportável. Casa Grande virou Mansão. Dezenas de novos cômodos para alojar Juízes, Procuradores, Promotores, Desembargadores... A novissima e exclusiva Capitania Hereditária. E o MP / SP? Todo filiado ao Tucanistão. E os processos contra estes "honestos"? Tudo devidamente engavetado. O pai de todos os engavetadores: O Engavetador Geral da República. Obra-Prima do Tucanistão e MP / SP. E onde está trabalhando o MP / SP? Nallini, Capez, Temer, Fleury respondem. É realmente a Pátria do Cinismo, Canalhice e Hipocrsia. Por que será MP / SP? Por que será que estão explodindo carros fortes, todos dias na Disneylândia da Bandidagem, Terra de Picolé de Chuchu? Milhares de toneladas de explosivos passeando livremente pelo estado de SP, junto com toda elite de facção criminosa, que todos sabem, até as pedras, quem são e onde estão. Instituíram até o MP do Crime juntamente com o Tribunal do Crime. Mas logicamente o MP / SP tem muito o que fazer e muitas Convenções Internacionais para ir, que impedem o melhor resultado do seu trabalho. Seria cômico, se a mediocridade permitisse. O Brasil se explica. E se lamenta.        

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Grande artigo!

Esse artigo precisa ser compartilhado. Eu já o estou fazendo.

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LUCIANA GOMES FERREIRA

Otima reflexão. só nao

Otima reflexão.
só nao concordo que a internet tenha feito resurgir os facistas. Eles nunca desapareceram. Na Alemanha de Hitler bastou um pequeno incentivo para que os esgotos transbordassem. E nao tinha internet. Devem ser outros fatores que chocam os ovos. É tarefa difícil humanizar humanos. Mas como foi com o nazismo precisa ser agora. Temos que resistir e mostrar que existem mais comedores de serpentes do que elas pensam.

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O fascismo só foi derrotado

O fascismo só foi derrotado porque tinha Stalin de um lado e Roosevelt do outro. Churchil só falava.

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PJ não VOTA!

O Jornalismo acabou e a eleição não tem fim!

A metodologia da resistência

 

Alguns poderão me chamar de ultrapassado e saudosista, mas...não consigo vislumbrar outra forma básica de resistência que não a constituição de grupos de pessoas organizadas em bases locais, sejam elas bairros, associações, coletivos, sindicatos e assim por diante.

Nos idos da fundação do PT, como precoce militante de base, eu fazia parte do Diretório da Bela Vista/Bexiga. Ora tínhamos, fora o grupo dirigente formal, outros três núcleos com cerca de pelo menos uma dúzia de pessoas em média. Estes núcleos ainda que refletissem um pouco a miríade de grupos que se abrigavam no PT de então, realizavam o trabalho de base no bairro. Visitavam filiados, discutiam o programa do partido, envolviam-se com as questões locais do bairro, compatilhavam conhecimentos sobre os direitos sociais e políticos. Criavam enfim laços reais com a população que apesar de todas as dificuldades do período, avançavam em suas lutas diárias.

Em outras palavras, conseguiam organizar-se melhor, fortaleciam-se, ampliavam seu acesso aos direitos e às formas de luta.

E e este quadro se repetia em quase todos os diretórios do partido da cidade. Na minha opinião, esta forma de ação foi responsável no longo prazo por grande parte dos avanços do projeto político do PT, e da incorporação e consolidação de muitos novos militantesmseja do partido, seja das causas sociais. Isto até que a lógica do "projeto de poder" tivesse se sobreposto com todas as filigranas nefastas da "governabilidade"a qualquer custo.

Não me proponho aqui a sugerir a regeneração do PT pela ressurreição dos núcleos de base. Temo que neste caso o Rubicão já tenha sido ultrapassado há tempos. Cito apenas como exemplo.o método organizativo utilizado.

A conscientização política é uma coisa que pode , felizmente, acontecer a qualquer cidadão, e por inúmeros caminhos. Mas de consciente a atuante, ainda resta uma grande distância. A atuação, e no caso deste artigo, a ação coletiva contra o fascismo, depende de um processo permanente de atuação que só os núcleos organizativos podem tornar realidade. Masi do que isto, é um processo educativo, é quase como frequentar diariamente uma escola. Não que as ações individuais não sejam importantes. Elas são aliás necessárias, mas acho que apenas os coletivos organizados podem dar uma resposta mais contundente. As redes sociais e outras ferramentas tem também o seu papel, mas nada substituirá o chamado "trabalho de formiguinha", que caminha a passos pequenos, mas constrói presencialmente a organização que pode derrotar o fascismo.

 

 

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joao marcos faria

Concordo. Entendo que

Concordo. Entendo que enquanto não participarmos da vida política no Brasil veremos políticos corruptos e mal intencionados assumindo poderes.

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Quem não tem vergonha ...

Na verdade, não acredito que "o bom humor e a serenidade" vão resolver este problema. Venhamos e convenhamos, os jesuítas dizem: "quem não tem vergonha precisa aprender a ter medo". A classe dominante apenas aprenderá mediante medo, ou seja, mediante violência. Até onde percebo, somente por meio demedidas que custem sangue às classes dominantes poderemos mudar o país, haja vista o fato de que moral e ética são elementos que elas não entendem!

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Esse diálogo fictício entre

Esse diálogo fictício entre os quatro amigos, entre eles um solitário "petralha", eu presencio no cotidiano. Geralmente se um "petralha" se posicionar contra amarrar pivete em poste, ouve como resposta "está com pena, leva para casa". O nível de argumentação é esse. Mas não é só de fã de Bolsonaro, é do cidadão do senso comum.

O texto diz que esse caldo de cultura foi gerado e desenvolvido nas redes sociais. Verdade, mas é também dentro delas que está o antídoto contra a serpente. É do veneno que se extrai a cura.

Nesse sentido vejo claramente que a esquerda, principalmente o PT, no governo e fora dele, descuidou da luta pelos corações e mentes dos cidadãos conectados a grande rede. A direita, a coxinha e a fascista, nadou de braçadas. Se os progressistas tivessem sido mais ativos na rede, haveria hoje um pouco mais de equilíbrio.

Mas para não ser totalmente pessimista lembro de um fato curioso que aconteceu aqui no prédio. Um sujeito tentou entrar pela janela de uma apartamento do terceiro andar. É o chamado ladrão homem-aranha. Ficou preso na janela e claro atraiu a vizinhança. Mas logo se percebeu que era um pobre coitado que nem arma tinha.

O morador apareceu e foi interpelar o intruso. Mas para minha surpresa o clima de linchamento não tomou conta. Claro, houve gritos para o morador empurrar o sujeito para se esborrachar no chão. Mas também houve quem se preocupou com a segurança do rapaz. Enfim, vi um frescor de civilização no episódio. Mas talvez seja um caso fortuito, ou não, quem sabe? Se a gente desacreditar do ser humano como é que faz?

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Juliano Santos

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Policarpo

Penso um pouco diferente.

Penso um pouco diferente. Entendo que as esquerdas e os progressistas têm sido bastante ativos na rede como atestam este e outros sites/blogs (os partidos menos), nem por isso existe mais equilíbrio ou menos "fascismo" na opinião pública. Aonde definitivamente não existe equilíbrio nenhum é na chamada grande imprensa onde de fato foi gerado esse discurso e esse ativismo antidemocrático (para não dizer diretamente fascista).

Quem acompanha a algum tempo o comportamento da chamada grande imprensa no país sabe que o que mudou foi apenas a situação política com a chegada do PT no poder. Depois de emprestar a pena para diferentes governos (ditatoriais e democráticos) a grande imprensa se viu forçada a transformar-se diretamente de “relações públicas e órgão de propaganda do Governo” em “partido político de oposição” (como declarou impune e distraidamente a ANJ em março de 2010). Depois de seguidas e consecutivas derrotas a grande imprensa e os setores que ela representa, realistas que são, decidiram que era hora de matar ou morrer, já que democraticamente seria muito difícil sacar o PT do poder (a última derrota para Dilma simplesmente foi o sinal necessário para que as tropas atacassem).

A grande imprensa foi a responsável por inocular na opinião pública o vírus da intransigência e da intolerância. Mas vamos ser sinceros, o veneno tomou conta de num corpo social já bastante comprometido e suscetível de contágio por diversas e diferentes razões. O antipetismo existe desde que o PT apareceu e sempre foi mais ou menos mobilizado pela grande imprensa sempre e quando necessário, o que diferencia a situação foi a adversidade, e a necessidade de empreender uma verdadeira cruzada, uma verdadeira caçada. E também não tinha sido a primeira vez que se lançavam “Às favas, senhor presidente, todos os escrúpulos de consciência”.

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Empório

Sobre blogs, coloco também o empório à disposição: http://oemporiodocesar.blogspot.com.br/

 

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imagem de Roberto Monteiro
Roberto Monteiro

Ao contrário de outros,

este Promotor me representa.

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