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Os escombros do PT, por Aldo Fornazieri

Os escombros do PT, por Aldo Fornazieri

As eleições municipais reduziram o PT a pouco mais que escombros. Não faltaram advertências, principalmente a partir de 2013, de que o partido se encaminhava para um desastre. As críticas foram colhidas pelos petistas de duas formas: o menosprezo arrogante por parte de quem detinha poder e direção e acusações por boa parte da militância que, também arrogante, classificava as críticas como PIG, moralistas, esquerdistas etc.

O poder fez muito mal ao PT: a estrutura partidária e dirigentes se corromperam, a militância se domesticou e os movimentos sociais que orbitavam em torno do PT começaram a orbitar em torno do Estado, sendo cooptados e perdendo a energia combativa na luta por direitos e justiça. O PT se transformou no partido dos palácios, dos gabinetes, do luxo e da arrogância. Ninguém promove tal movimento sem que desabe sobre ele, mais dia menos dia, o merecido castigo do povo.

O PT alimentou a mesma crença que as elites históricas conservadoras alimentaram desde os tempos coloniais no Brasil: a de que a sociedade pode ser moldada e transformada desde o alto, desde o Estado. Esta prática sempre engendrou dominação e não liberdade e cidadania. Enquanto esta crença permanecer vigente, o Brasil permanecerá eternamente deficiente em seu conteúdo nacional e popular e a sociedade carecerá de vínculos societários republicanos, orientados para o bem comum e para o interesse público. Aqueles que chegam ao poder sempre se tornarão representantes de grupos e interesses particularistas, a se apossar do erário público em detrimento dos interesses de caráter universalizante. Será sempre o velho patrimonialismo vestido com roupas novas.

O PT se deixou abater pelo erro mais comezinho que as esquerdas vêm cometendo desde o século XX: a corrupção. A corrupção vem sendo, ao longo das décadas, a espada nas mãos da direita e da mídia para fazer rolar as cabeças da esquerda. Os eleitores mostram-se intolerantes à corrupção das esquerdas, pois, querem ver nelas uma reserva moral da sociedade, um exemplo da administração correta da coisa pública, um cimento de ética na sociedade. Quando as esquerdas se corrompem, os eleitores se sentem traídos.

Pouco a pouco, o PT foi caminhando para aquela condição mais indesejável da política: ser odiado. Isto já era visível nas eleições de 2014. De lá para cá, a imagem do partido foi se deteriorando, seja porque as denúncias se revelaram medonhas, seja porque os ataques dos seus inimigos foram devastadores sem que houvesse uma linha de resistência e de contraofensiva. Ao mesmo tempo em que se destruía, o partido se deixava destruir. A cada ataque, a direção partidária reagia com notas burocráticas e protocolares, foi perdendo credibilidade e deixou de ostentar virtudes e força moral capazes de mobilizar a militância. Como já se disse, a direção do PT tornou-se um comitê de generais de gabinete sem exército e a militância se tornou um exército sem generais.

“Ser odiado” é a condição absoluta que precisa ser evitada em política, ensina Maquiavel. Como partido antimaquiaveliano que é, o PT, ao passar da praça para os palácios deixou de olhar a realidade com os olhos da praça, deixou de se situar na planície e passou a olhar o povo com o ângulo de mirada dos palácios. Mas não sabia jogar o jogo dos palácios e passou a acreditar em aliados que eram e são gananciosos, simuladores e ambiciosos. Emprestaram prestígio aos petistas enquanto estes lhes eram úteis e os traíram sem cerimônia na consumação do golpe. Golpe que o próprio PT ajudou a construir seja pela sucessão de erros políticos, de incompetências, e seja pela própria falta de apoio à presidente Dilma em momentos delicados em que o governo caminhava para a deriva.

Pela condução desastrosa que o PT vem tendo nos últimos anos, a direção partidária deveria renunciar nos primeiros dias desta semana. Uma comissão provisória deveria ser constituída com a tarefa de convocar e conduzir um Congresso partidário antes do final do ano. Se nenhum aceno for feito neste sentido, a tendência maior é a de que o PT caminhe para uma divisão irreversível. Não é admissível que os condutores do desastre continuem comandar um partido que foi esperança do povo brasileiro e se afogou nos seus próprios erros. Não há, em torno da atual direção, capacidades políticas, morais e intelectuais que sejam capazes de tirar o partido da crise.

Que fazer?

Esta velha pergunta, que precisa ser recolocada, suscita hoje muito mais dúvidas do que certezas às esquerdas. Antes de tudo, as esquerdas precisam se unir em torno do que sobrou dessa devastadora eleição: Freixo no Rio de Janeiro, João Paulo em Recife, Edmilson Rodrigues em Belém, Edvaldo Nogueira em Aracaju etc.

Com muitas divisões, com baixa propensão à unidade, com um ideário desconectado ao mundo contemporâneo, com organizações autoritárias e burocráticas, com uma retórica que não dialoga com a sociedade, com uma enorme crise em suas visões de mundo, as esquerdas vivem uma defensiva mundial, ao mesmo tempo em que cresce o rancor e o ódio neofascistas.

A crise das esquerdas se alinha com a própria crise civilizacional que tende a se agravar em várias dimensões: ambiental, social, econômica, humana. O mundo do futuro próximo, dizem os economistas e analistas mais atentos, será um mundo sem empregos, com populações que viverão cada vez mais. Em contrapartida, a concentração de renda e riqueza é crescente. As democracias são cada vez menos legítimas e cada vez mais incompetentes em fornecer respostas aos problemas das sociedades.

As esquerdas brasileiras pararam no tempo. Discutem os problemas com retóricas e paradigmas do século XX, quiçá, do século XIX. Nos últimos anos houve um abandono das incipientes experiências de governança democrática que vinham sendo desenvolvidas. Nos municípios, nos estados e no governo federal, os governantes, secretários e ministros ditaram as suas “verdades” às sociedades. Ao mesmo tempo em que direitos deixaram de ser garantidos, não se investiu na inovação e na qualidade dos serviços e direitos. Os governos continuaram analógicos em sociedades digitais. Reformas cruciais, seja no plano macro ou no plano micro, sequer foram cogitadas.

A ideia de aglutinar as esquerdas numa frente, que garanta a unidade na pluralidade, ganha força em face das fragilidades e derrotas recentes. A construção dessa frente, se vier a se concretizar, contudo, necessita de um processo amplo de definição de conteúdos programáticos e de métodos de condução dos processos internos. A perspectiva é a de que essa frente aglutine partidos, movimentos políticos e sociais, indivíduos e grupos cívicos, num novo tipo de organização e de relação política, sem as práticas hegemonistas e de controle burocrático, tão comuns às esquerdas.

A derrota eleitoral, somada ao golpe e às perspectivas de retrocessos em direitos, foi avassaladora. Subestimá-la, persistir nos erros e não fazer autocrítica significa contribuir para a consolidação de um projeto conservador que vem se delineando. Neste momento, o desafio das esquerdas é paradoxal: precisa construir sua unidade ao mesmo tempo em que promove um ajuste de contas.

Aldo Fornazieri – Professor de Filosofia Política.

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Depois do touro abatido todo

Depois do touro abatido todo mundo se acha com coragem de pegar no chifre. Pois é isso que temos agora: um processo de expiação que para algum desavisado pode até parece que regredimos à Idade Média na qual eremitas saiam perambulando pelas ruas conclamando pelo arrependimento dos pecadores: "Arrependei-vos, irmão, enquanto é tempo! Se não Satanás vos espera!"

Tempos da (nada) Santa Inquisição onde hereges, bruxas e quem mais afrontasse a Santa Madre eram torturados para confessarem o que sabiam, o que não sabiam e o que deveriam saber. Algo mais ou menos parecido com o Tribunal do Santo Moro, respeitadas, é claro, as proporções. Ou seja: pelo menos no primeiro se poderia arrepender e sair numa boa. Já no segundo, necas de Curitiba, digo, pitibiriba! 

Logo no pórtico de entrada, esse aviso que certamente Dante copiou para inserir na sua Divina Comédia:

Antes de mim coisa alguma foi criada

Exceto coisas eternas.  e eterna eu duro

Deixai toda a esperança, vós que entrais!

Se é inegável e irrespondível muito do que o articulista aduz, da mesma maneira é evidente que carrega nas tintas e nos pincéis numa análise que perde parte da sua consistência em razão de simplismos nada condizentes com o perfil e a respeitabilidade desse intelectual. Para quem estivesse aportando agora no planeta Terra certamente apreenderia que esse PT merece tudo que está passando e mais alguma coisa. 

Sobra péssima retórica enquanto falta consistência factual a frase abaixo:

O PT se transformou no partido dos palácios, dos gabinetes, do luxo e da arrogância.

Que o PT cometeu erros e equívocos, nada a questionar. Entretanto, indaga-se: quem não cometeu ao longo da história do país? Onde estão os fatos e as situações que possam corroborar juízo tão definitivo? Quem do PT ficou rico, milionário, após os 14 anos de Poder? O Lula, o José Dirceu, O Genoíno, o Suplicy, o Palloci.......Quem? Arrogância quando e porque se recebe críticas exatamente pelo contrário, ou seja, a tibieza(beirando à covardia) com que exerceu o Poder, cujo exemplo maior foram as indicações para o MP e o Supremo, feitas com excesso de republicanismo? 

Enfim, um artigo aceitável e pertinente enquanto não descambou para formação de juízos terminativos e descabidos

 

 

 

 

 

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C.Poivre

PT substitui o mordomo

O modismo da hora à esquerda(?) do espectro político é um discurso único: o PT é o culpado de tudo! Vai ser assim, criminalizando o PT e elegendo-o o bode expiatório que se pretende construir uma Frente para recuperar o país para a democracia? A direção nacional do PT deveria fazer uma vigilância constante na vida de seus mais de mil filiados para ver se estão agindo honestamente em seu dia-a-dia? Onde no mundo está este partido tão puro que não tem um só corrupto em suas fileiras? A corrupção não é mais inerente ao ser humano como era antes? Eleger um alvo e assestar nele tudo de ruim que a democracia está vivendo no Brasil é muito fácil e cômodo. E o rolo compressor do Poder Econômico que concentrou todos os seus muitos e caros recursos em derrotar os candidatos de Esquerda (e não só os do PT) não conta? Em 13 anos todas as mazelas sociais, políticas e econômicas de mais de 500 anos deveriam ter sido resolvidas? É uma análise enviesada em todos os seus aspectos, sem profundidade e feita no calor da hora.

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Enio José Silva

2º o autor o PT deu o Golpe ?

O Sr. Aldo, autor do texto, citou 8 vezes "as esquerdas", mas, o único partido citado é o PT, porque será ?

E, pelo raciocinio do autor, o João Goulart foi o responsável pelo golpe de 64 ?

Pera aí né !

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Maria Júlia Silveira

PT, o bode expiatório no expurgo da esquerda

O PT tinha que dar o exemplo, afinal sempre lutou contra a Velha Política e seu modus operandi.

Este é o consenso incluindo petistas, simpatizantes e a esquerda em geral. Incluindo este que escreve.

É também o argumento do STF, da PF, do MPF, do Moro, da imprensa golpista, dos que colaboraram para a saída de Dilma, entre eles o FHC, o Aécio, o Serra.

Mas o mesmo não é exigido do PMDB, do PSDB, do DEM e do Temer, Renan Calheiros, Aécio, FHC, Serra.

Ou seja, eles podem roubar e fazer o que quiser porque é o que se espera deles. Mas o PT?

Quer dizer, não se está questionando o roubo em si, mas de forma moralista se questiona somente o PT. 

O bode expiatório é o PT.

Então os outros partidos podem roubar?

Adultos que não conseguem pensar que não adianta quem meta a mão no caixa do erário, importa é que é errado que ninguém pode fazê-lo, seja para comprar emenda de reeleição ou para financiar partidos políticos como se fez na Petrobras desde a ditadura militar, seguiu no governo Sarney, adentrou no Collor, Itamar, no FHC, no Lula e na Dilma.

Vocês são primários.

Moralistas.

A democracia foi sequestrada por estes grupos e corporações que faziam lobby na Petrobras, financiavam políticos e sequestraram o voto do povo.

Não temos uma democracia real. Temos uma farsa. Votamos, mas não temos a garantia de que nosso voto será respeitado.

O que se faz em todas as instâncias do estabilishment é condenar o PT para condenar a política e condenar o povo.

A conspiração está sendo orquestrada por vários atores que desejam que o Brasil não se modernize.

O desejo da plutocracia é mudar tudo para que tudo fique igual.

Não se enganem. As manobras estão sendo realizadas para que a plutocracia continue dando as cartas retirando das ruas o poder de definir agendas no Congresso e judiciário.

Tornando possível a volta do neoliberalismo.

Mas a resposta está nas ruas, na organização de coletivos, associações, sindicatos, partidos políticos que podem impedir o avanço da agenda conservadora.

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Tau Golin

DA DERROTA DO PT PODE SURGIR UMA FRENTE REPUBLICANA

DA DERROTA DO PT PODE SURGIR UMA FRENTE REPUBLICANA

Apesar de ter sofrido uma "expulsão branca" do PT na década de 1990, sempre reconheci a importância de algumas de suas políticas e mesmo continuei votando em alguns de seus candidatos. Por questão de independência e autonomia, há duas décadas dou apoio aos seus programas políticos relevantes e inclusivos à cidadania, e mesmo a candidatos que lutam individual e quixotescamente por algumas bandeiras civilizatórias. Nos últimos 20 anos milhares de pessoas com aderência social, participativas em todos os setores da sociedade, se afastaram do PT. Todavia, o dilema é que, no geral, as opções à esquerda, também carregam os mesmos vícios, ou seja, de autoritarismo ideológico, ou da mais reles corrupção.

Continuo um humanista republicano radical (no sentido de políticas e convivências iluminadas nestes princípios). E, ao contrário de ver messianicamente o fim do mundo na derrota humilhante e punitiva do PT, entendo que o seu peso, ao mergulhar na intolerância e no saque do patrimônio do povo, com desclassificados e gente sem profissão transformadas em milionários, possibilita um movimento de reordenação democrática (sem adjetivos), republicana, humanista, inspirada em princípios de “economia comuneira”, em que a dualidade da parte partidária se relacione dialeticamente com o todo da nação; que o Estado não seja apenas parte da tática, do meio, para o dirigismo do todo. Antes de tudo, a derrota do PT é um aviso, quando não um diagnóstico, também para outras organizações autoritárias e obsoletas pretensamente de esquerda e revolucionárias.

Mais ainda, não se constrói o necessariamente transformador, o novo, com gente carcomida pelo obsoleto e pelos vermes oportunistas e corruptos da sinergia burguesa; com aquela gente que forma a legião dos executores dos projetos fraternos e humanos; com aqueles que oscilam entre a empáfia de estadistas até a triste cena de habitantes de penitenciárias.

Dói, e como dói, olhar algozes de sonhos, anos de militância decente de milhares de pessoas... Ex-camaradas como presidiários...

A culpa não é da burguesia grileira, do estamento que domina o país desde o Império, da direita fascista e rancorosa, do lúmpen que oscila entres as mãos que oferecem esmolas e oportunidades clientelistas. Os responsáveis são aqueles que não estiveram e não estão à altura dos desafios da história. Apesar de empunharem bandeiras aparentemente generosas, promovem retrocessos dolorosos. A realidade é que o Brasil terá tempos dificílimos pela frente. E já circula por aí que o “mal” venceu o “bem”. Ilude-se quem quer com fórmulas prontas, transferidoras da culpa aos outros. Quer dizer, com tais pressupostos, talvez não se consiga superar a médio prazo a derrota histórica sofrida porque a tropa principal não estava pronta e a estratégia/táticas adotadas tergiversou a utopia popular.

O texto do Aldo ajuda em muito compreender aquilo que muitos petistas e ex-petistas alertavam desde a década de 1990. Alguns iluminados pela história e cultura política, mesmo antes...

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Manu Guitars

Vou mais longue.....

Para min se o projeto prioritario é por o Brasil no trilhos da "normalidade" democratica num prazo mais ou menos curto, eu acho que não so as esquerdas devem ter um projeto minimo em comun como toda ajuda é boa.Quero dizer que ter nesta frente ampla, gente de centro e mesmo "liberais" na definiçao "classica filosofica"(definição minimalista wiki:Liberalismo é uma filosofia política ou uma visão de mundo fundada sobre ideais que pretendem ser os da liberdade individual e da igualdade.Os liberais defendem uma ampla gama de pontos de vista, dependendo de sua compreensão desses princípios mas, em geral, apoiam ideias como eleições democráticas, direitos civis, liberdade de imprensa, liberdade de religião, livre comércio e propriedade privada).Não acho que o problema politico no Brasil seja so um problema direita /esquerda, mas uma real reflexão sobre o que o Brasil e Brasileiras/os querem como pais, um grande pacto me parece nescessario para voltar a normalidade.....Eu não vejo o "governo (fora)Temer como um governo neo liberal, para min eles são um grupo de capatazes cercados de um bando de jagunços......eles estão trabalhando para "os outros".Todo cidadão democrata e republicano(patriota no sentido de querer o melhor para o seu pais) seria bem vindo.Não creio que Tancredo Neves teria o mesmo discurso que Aecio Neves.....não creio que Ullises Guimarães estivesse de acordo com esta bandalheira, a mesma coisa com Pedro Simon e muitos outros...Tenho duvidas se Enrique Ricardo Lewandowski ou Marco Aurélio Mendes de Farias Mello estão de acordo com esta palhaçada...eu acho que se tivermos uma inversão da tendencia atual, mais gente vai sair do mato....juizes, promotores e mesmo parlamentares.Por as coisas em termos de esquerda moçinhos e direita/centro bandidos, me parece um pouco infantil...o debate de fundo ideologico pode ser feito numa segunda etapa....prioridades amigos, prioridades........     

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Sérgio da Mata

Excelente análise. Mas se a plutocracia vai ouvir...

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sabra arad

Disgusting......

Aldo tece as críticas de sempre, as acusãções de sempre esquecendo toda a obra do PT. Fala do PT como se fosse o seu PSDB. Isto não é verdade. O PT caiu mais por seus méritos do que por seus deméritos. A arrogância dos palácios de que Aldo fala é tão distante do PT quanto o apartamento de ABC de Lula é de Higienópolis, ou do apartamento em Paris.  Tão distante quanto a aposentadoria de Dilma e a riqueza de um Serra.  Será que a distancia do PT às bases, pode sequer ser comparada com a proximidade de todos os outros partidos.  È disgusting e desgastante ouvir esta ladainha, que não compreendeu ainda o que é ser governo neste nosso país. É muito fácil hoje falar em incompetências do PT. Quando hoje se vê juizes incompententes. porque violam a legislação, abertamente, fazem peças jurídicas totalmente incompetentes.  misturam julgamento com investigação, e mesmo após tantos erros e tanta incompetencia, estão incensados como sendo brilhantes astutos e audazes.. Caro Aldo,  é importante dar o nome certo às coisasn, a queda do PR  não tem nada a ver com erros do PT , ou incompetências .  pois isto liquidaria definitivamente todos os oponentes políticos. OU será que você acha que o nosso usurpador de plantão é um gênio.  Tudo isto ocorreu agora, mas vem sendo tentado desde que um operário sentou no ALvorada. Demoraram, mas a economia e a crise mundial falou mais alto. E saiba que este povo vota na economia. Neste   momento esta casta  que assumiu estava em desespero,  como fera acuada se torna de fato perigosa. Veremos o que farão e depois venham me falar em competência e incompentencia. Eu diria que nem a mídia é competente, é apenas cínica e tem poder e força.

A incompetência do PT, será que foi o republicanismo?  Ao contrario seria  anti democrático. Parece que ninguèm se importa com a destruição de todas as nossas instituições. Veja de fato a operação Lava Jato e verás que acusados do PT somam uns poucos que se contam nos dedos. E destes  a maioria não enriqueceu, seu mal foi , por razões republicanas ter sentado à mesa com bandidos.  POrtanto modere as  suas palavras quanto a corrupção. Veja que não estou dizendo que não há, mas é claro que se isto fosse relevante nenhum partido estaria no poder. A arrogância de que tanto falam é apenas porque  não concebem esta plebe em determinados cargos.  Como diziam é um zé ninguém muito do metido a besta. Se arrogância fosse o mais importante o que seria do PSDB, Dória e Cunha. 

Reconstruir um movimento de oposição sim, esta comiseração é ridicula.

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Alice no País das Desmaravilhas

Tem quem cai sozinho, tem quem é derrubado. Tem os 2.

Se há uma culpa ao PT por sua situação atual é a de atuar publicamente como se os adversários lutassem limpo, dentro das regras, etc. e tal,como se não fossem usar todo o poder que tem e sempre tiveram há séculos para retomá-lo por bem ou mal.

Entendendo autoridade como um poder reconhecido, o PT (e seus governos) que teve delegação do povo para usá-la, abdicou dela contra aqueles que não a tiveram durante 13 anos, mas que jamais abdicaram do poder.

Eles tinham autoridade (e consequente poder, embora o inverso não seja necessariamente verdadeiro) sobre a ABIN, sobre a policia federal, sobre as forças armadas e suas inteligências, os ministérios, as estatais, enfim, a faca e o queijo na mão para fazer em 13 anos contra a quadrilha do 1% e seus políticos, o que a lava-jato fez em 2, lá na instância primária.

Cortar da míRdia cartelizada o fôlego que eles cortaram dos blogs "sujos" e da EBC em 24 horas.  Fazer o inevitável toma-lá-dá-cá da governabilidade ativo e não passivo:

Não um " eu te dou e vc me apoia" mas um "ou vc me apóia ou vai em cana" (o que acabaria acontecendo com o tempo, fazendo a limpeza na velocidade e quantidade POSSÌVEL).

Não tem nada a ver com desviar-se da "pureza esquerdista". O mundo não é puro e o poder sempre foi dos poderosos, seja nos EEUU, na ex-URSS, no Reino Unido, na Coréia do Norte,na Etiópia.ou neste torrão varonil.

A diferença básica é no alcance e abrangência do poder e poderosos, para o individual/grupal restrito ou para o coletivo amplo.

O resultado esta aí.

Não porque alguém caiu.

Mas porque foi derrubado.

Porque, apesar de autorizado, até por necessáio e merecido,

Não soube dar porradas

Merecidas

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Ao PT (assim como a qualquer

Ao PT (assim como a qualquer partido tradicional brasileiro) falta responsabilização pelas ações e transparência das decisões. As direções de partidos devem ter suas ações discutidas pelos interessados. E, caso sejam percebidas como inadequadas, a direção possa ser alterada. Em democracias mais estáveis, eleições ruins levam a novas direções, demissão das velhas.

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Márcio Cubiak

"Corrupção"

Artigo muito bom, Sr. Fornazieri, porém só faço o comentário adicional de que não foi a "corrupção" que derrubou o PT, e sim seu republicanismo. O PT é tão corrupto quanto qualquer outro partido, se aceitar doações de campanha de caixa 2 for considerado "corrupção; e isto porque nosso sistema eleitoral não deixa opções a quem não queira aceitar doações. Sem as doações, o PT teria sido um PSOL. Não teria se aliado a ninguém e talvez não teria nem ganho nada, eleição nenhuma, isto é um presidencialismo de coalizão, infelizmente.

Aquilo que aqui chamamos de "corrupção", é legalizado em quase todos os países do mundo, nos EUA é chamado de Lobby. sem isto, uma democracia num sistema capitalista não funciona. Nos EUA e na maior parte do planeta. é normal que empresas doem dinheiro para políticos aprovarem projetos de seu interesse. Aqui só a direita tem este privilégio.

O combate a "corrupção" foi na verdade apenas uma desculpa para pegar petistas, pois teriam apeado o PT do poder até por uma multa de trânsito se não achassem nenhum outro motivo.

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Agora quanto a Maquiavel, isto o autor do post tem razão. Sem Maquiavel, nenhuma disputa eleitoral será vencida. Maquiavel é um incompreendido; 90% do que Maquiavel escreveu é ótimo, e plenamente aplicável a qualquer democracia do século XXI. Os outros 10% que Maquiavel escreveu, e que parecem anti éticos, precisam ser compreendidos que eram devido a terem sido escritos 400 anos atrás, por um homem recém saído da Idade Média. Alguma coisa que Maquiavel escreveu realmente é preciso relevar e entender no contexto da época em que foi escrito. Mesmo assim, a maior parte do que ele escreveu continua atualíssima e imprescindível para se ganhar disputas de poder.

Recomendo aos governantes de esquerda, ler Maquiavel (o Príncipe), Sun Tzu ( A Arte da Guerra),  Lao tse ( Tao Te Ching), e Baghavad Gita, quatro  ótimos Livros best Seller sobre a arte de  governança,  de estratégias e de batalhas. E lógico, treinar muito Xadrez, a nível Master.

O republicanismo do PT será definitivamente enterrado, outros partidos de esquerda o sucederão no poder. E desta vez, não irão nomear inimigos para cargos chave, nem fritar omeletes na casa do adversário.

Num jogo político a nível Master, onde a direita é discípula  fervorosa de Maquiavel, não há lugar para ingenuidades.

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Ze Guimarães

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Tristão

Ganhou quem ouviu as ruas....

Excelente o artigo. Ou o PT mucha as orelhas e começa a se reconstruir ou passará a ser mais um PSTU da vida.

Sandra Cavalcante num artigo de jornal salientou muito bem que a característica mais importante para um político se eternizar é a humildade. A medida que o político se esquece dela, se afasta do povo e de seus eleitores, se apruma pra bancarrota. Com o PT não foi diferente: começou em  com um ministério mágico, compondo competências de vários partidos, mas aos poucos, conforme cresceu seu sucesso, foi enxugando seus colaboradores e se atrelando às raposas mais podres da política por comodidade e por ingenuidade. Nas ruas o povo expressou seu descontentamento expelindo qualquer partido de suas manifestações. O PT ignorou. Se manteve cego às demandas populares. Aí vem um almonfadinha, raposinha filho de político experiente, e diz que abre mão do salário de prefeito e só quer ser gestor não político. Arrembenta nas urnas. Assim será também com o próximo candidato a governador ou presidente que se propor a acabar com a aposentadoria dos políticos. Arrebentará também. O povo sabe que é necessário enxugar, até aceita ou engole reduzir direitos, mas não se conforma com a injustiça da classe política nadar de braçada nas benesses pagas pelo povo e exigir dele sacrifícios. O sistema político está podre, se auto-beneficiando mesmo num quadro de extrema economia. Não estranhem se o povo pedir pelo absurdo da volta dos militares. Espera-se apenas igualdade de sacrifícios.

Na história sempre se viu que quando o poder reinante não enxerga o inconformismo do povo, então aceita-se até o extremo exagerado como solução. Corrupção sempre houve e sempre haverá. Mas ela só agride quando debocha da inteligência do povo.

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De novo a humildade cristão!

Não é possivel o PT ser mais um PSTU, porque este nunca foi um PT. O PSTU "prega ", fala somente para os convertidos. Edmund Wilson, em Rumo a Estação Finlândia, já observa esse carater moral de membros da esquerda. São os guardões da moral e bons costumes da esquerda.

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Ronaldo Ferreira Vaz

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pedro lorençon

a reconstrução das esquerdas


Para iniciar: Uso o termo " esquerdas" mas não concordo com o uso dos termos esquerda e direita , assim como o uso no plural da esquerda e não da direita.

Entendo que todas as tendências tem variantes.

Bem, discordo que para a reconstrução das esquerdas, tem se que fazer um mea culpa e assumir toda a penitência por esta derrota. Guinar a direita , então , como sugere Aldo, é o fim da picada.

Que o poder corrompe é mais do que sabido, tanto que, a finalidade da doutrina de esquerda é chegar a falta total de poder, de poderosos e obedientes. Se fosse para ficar com a elite mandando e o povo ( plebe) obedecendo, não precisaria de esquerd(s).

O PT se empolgou, Não subiu no salto, mas uma euforia tomou conta de um partido que se achava imbatível. Se melecou no dinheiro público para mobilização de sua ideologia e consecução de seus projetos. Investiu em mídia , em serviços, em melhorias com um dinheiro que vinha de modo escuso e que transitava por orgãos paralelos. É o que se diz " aprelhamento do estado".

Lamber feridas não vai resolver nada. Ganhar terreno , hoje, significa a volta as origens. Mas se os partidos de esquerda devem ser honestos e a ruptura desta honestidade é considerada traição, como fazer para recuperar a confiança do traído? Seria impossível dentro da leitura de Aldo. Então só restaria lamentar-se.

Dar a volta no cenário que a mídia pinta é a única saída. Comprovar que é melhor do que os outros , ainda que erre, ou se locuplete é a única coisa que se pode fazer.

porém, a conclusão do processo eleitoral do 1o. turno, nos mostra uma realidade interessante: Não aceitar alguém é a nova ordem.

neste quadro , temos a esperança de que um novo líder possa ocupar este vácuo. Bater firme na direita é o único modo de deixar as atuais direita e esquerda em pé de igualdade. Formar um líder independente é um desafio a ser vencido.  

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Sabe quando o PT começou a

Sabe quando o PT começou a cair e não foi por causa da corrupissaum?

Quando pessoas doutas tipo o Fornazziere encamparam a pauta da revolussaum primaveril dos R$0.20, do Não Vai Ter Copa, da inocência dos blackblocs, e nos levaram a este fragoroso inverno.

Era legal ser revolussionario, fazer revolussaum.

Afinal, fazia tempo que navegávamos em mares calmos, céu de brigadeiro, precisávamos dar uma agitada na pauta dos direitos, que eram apenas reformistas kapetalistas, que não eram estruturais, que faltava vontade política, que não eram levadas ao congresso, estávamos cansados da inércia e do populismo consumista, que o grande problema era ter levado o povo ao consumo e não à consciência política, que não bastavam cotas, mesmo que conquistadas a duras penas, ao mesmo tempo em que cobrávamos ação, criticávamos a coalizão com, principalmente o PMDB, sem o qual ninguém governa.

Análises que iam ao encontro da direita e eram reproduzidas na mídia hegemônica. 

Houve erros sim, mas houve também muita ajuda dos sabichões para que nos jogassem neste caos.

O problema jamais foi a corrupissaum da esquerda, por mais que ualquer pessoa em sã consciência não possa concordar com este tipo de desvio ético.

Vou dar um exemplo de proximidade com a população, movimentos sociais etc.

Meu candidato a vereador foi escolhido como o melhor vereador de SP pelo movimento Voto Comsciente. Sempre foi atuante junto à periferia, foi responsável por uma série de melhorias em sua região, assim como em toda SP. O cara trabalhava diuturnamente, sem folga, em todas as questões. Saúde, moradia, transporte, educação, com grandes conquistas para a população. 

Ficou na suplência e sabem o que eu ouvi de quem não votou nele, apesar de ser ""quem grande cara, faz mesmo, ponta firme"? Que ele não fez mais que obrigação, pois foi eleito pra isso. 

Tentei argumentar que este seria um bom motivo para reelegê-lo e me responderam que tem que dar chance pra outro.

Qual a parte de falta de proximidade e politização que não houve? 

Esta resposta veio de pessoas, ativistas regionais que estavam lutando junto com ele e votaram em outros.

Cansei, cansei, cansei.

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João Pereira

É isso aí Nilva

Concordo com voce, Nilva. A esquerda ideologicamente pura, imaculada, tem um odio incontido ao PT, e o Fornazieri é um grande representante deste corrente de pensamento. Ele está mais preocupado em bater no PT, em qualquer circunstancia, do que em ajudar a iluminar o momento tenebroso que atravessamos.

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Sabe quando o PT começou a

Sabe quando o PT começou a cair e não foi por causa da corrupissaum?

Quando pessoas doutas tipo o Fornazziere encamparam a pauta da revolussaum primaveril dos R$0.20, do Não Vai Ter Copa, da inocência dos blackblocs, e nos levaram a este fragoroso inverno.

Era legal ser revolussionario, fazer revolussaum.

Afinal, fazia tempo que navegávamos em mares calmos, céu de brigadeiro, precisávamos dar uma agitada na pauta dos direitos, que eram apenas reformistas kapetalistas, que não eram estruturais, que faltava vontade política, que não eram levadas ao congresso, estávamos cansados da inércia e do populismo consumista, que o grande problema era ter levado o povo ao consumo e não à consciência política, que não bastavam cotas, mesmo que conquistadas a duras penas, ao mesmo tempo em que cobrávamos ação, criticávamos a coalizão com, principalmente o PMDB, sem o qual ninguém governa.

Análises que iam ao encontro da direita e eram reproduzidas na mídia hegemônica. 

Houve erros sim, mas houve também muita ajuda dos sabichões para que nos jogassem neste caos.

O problema jamais foi a corrupissaum da esquerda, por mais que ualquer pessoa em sã consciência não possa concordar com este tipo de desvio ético.

Vou dar um exemplo de proximidade com a população, movimentos sociais etc.

Meu candidato a vereador foi escolhido como o melhor vereador de SP pelo movimento Voto Comsciente. Sempre foi atuante junto à periferia, foi responsável por uma série de melhorias em sua região, assim como em toda SP. O cara trabalhava diuturnamente, sem folga, em todas as questões. Saúde, moradia, transporte, educação, com grandes conquistas para a população. 

Ficou na suplência e sabem o que eu ouvi de quem não votou nele, apesar de ser ""quem grande cara, faz mesmo, ponta firme"? Que ele não fez mais que obrigação, pois foi eleito pra isso. 

Tentei argumentar que este seria um bom motivo para reelegê-lo e me responderam que tem que dar chance pra outro.

Qual a parte de falta de proximidade e politização que não houve? 

Esta resposta veio de pessoas, ativistas regionais que estavam lutando junto com ele e votaram em outros.

Cansei, cansei, cansei.

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Felipe Lopes

Análise perfeita, só lamento ter demorado tanto a vir

Sobre a cooptação dos movimentos sociais, sobre a resposta arrogante às críticas (ou simplesmente ignorando, ou classificando quem criticava como PIG, direitista, tucano, etc, etc.), sobre as práticas pouco éticas e tudo mais... essas eram coisas evidentes e já apontadas há 10 anos atrás (na época das comunidades do orkut, ainda....), mas governo, partido e militância se mostraram impermeáveis a tudo isso. Foi preciso chegar ao fundo do poço para que parte da nossa esquerda voltasse a ter um pouco de humildade e passasse a pelo menos cogitar não ser a dona absoluta da verdade e das boas intenções. Torçamos por uma auto-crítica profunda do partido, senão, longa vida ao PSOL. E se o PSOL insistir nos erros econômicos e administrativos... lamentável, mas a esquerda deixará de ser uma opção séria para o país por bem mais que uma década. Por fim, uma passagem lapidar, que merece ser repetida, para não ser esquecida em meio aos velhos vícios brasileiros: "O PT alimentou a mesma crença que as elites históricas conservadoras alimentaram desde os tempos coloniais no Brasil: a de que a sociedade pode ser moldada e transformada desde o alto, desde o Estado. Esta prática sempre engendrou dominação e não liberdade e cidadania."

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Arnaldo Costa

Está tudo dominado pela máfia demotucana!

Não há como resisitir a mais de 20 anos de perseguição e discurso anti-PT feito pela grande imprensa demotucana. Aliados a eles entrou o judiciário e outros agentes públicos, que passaram a operar para a máfia demotucana. Agora, a esquerda e o PT deve  deixar o republicanismo e contra-atacar, obstruindo votações, sendo oposição a qualquer esforço de mundança da quadrilha que tomou o poder e parando o país, da mesma forma que fizeram com os seus governos. Devem também buscar aliados nos órgãos públicos para dar andamento às investigações da corja demotucana, que não são poucas. Precisam acompanhar e cobrar a prisão de bandidos como Aécio, Alckimin, Serra, Agripino, Álvaro Dias, ACM, Richa, FHC. Está tudo dominado pela máfia demotucana e é preciso urgentemente reverter isso.

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Análise corretissima. Em todo

Análise corretissima. Em todo o país o PT perdeu autoridade moral. Mesmo que as acusações de natureza penal possam ser relativizadas, não há como negar  que tenha se transformado "no partido dos palácios, dos gabinetes, do luxo e da arrogância". Caminhava aceleradamente para se transformar no novo PRI, totalmente descaracterizado e corrupto. Não há como negar que políticos corruptos estavam ganhando espaço.

A direita brasileira termina brequando este processo. Chutou para fora dos palacios e jogou com estrondo de volta para o colo do povo brasileiro.

Os movimentos futuros são cruciais. Para não sofrer liquidação total e resistir à ofensiva fascista, é preciso que o comando da sigla passe para lideranças que reconquistem a autoridade moral perdida e que definam novos rumos. 

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Moralismo b*b*c*! Nada pior q lacerdismo dito de esquerda

Que de esquerda nao tem nada, só o discurso exterior.

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Arnaldo Costa

Está tudo dominado pela máfia demotucana

O que me estranha é a facilidade que a direita, com apoio da imprensa e atualmente de agentes públicos, mantem grandes corruptos há décadas no poder sem ser incomodada. Demos uma marcha ré no tempo. Está tudo dominado pela máfia demotucana.

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Mea culpa

Mea culpa, minha máxima culpa.

Vamos todos fazer atos de penitência e de autoflagelação, assumiu que fomos tentados pelos luxo, que nos tornamos arrogantes, aqui na minha cidade, ir de joelhos a vizinha cidade de Trindade. 

Com tudo isso, reconquistaremos a autoridade moral.

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Ronaldo Ferreira Vaz

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Antonio Lobo

Autocrítica não é se

Autocrítica não é se autoflagelar, autocrítica é tentar entender onde você errou e onde você poderia ter feito diferente. Não é aniquilar tudo de bom que você fez só porque fez algumas coisas erradas.

O problema é que neste caso do PT os erros colocam em riscos todos os acertos, que foram muitos. A direita está ai para desconstruir tudo, desde a previdencia, a educação a saúde até a velocidade dos carros na Marginal. E eu não estou muito otimista, acho que existe chances dela conseguir e o retorcesso ser gigantesco. E enquanto a esquerda se degladia, o Bolsa Familia vai embora, o Mais Médicos vai embora, o Minha Casa vai embora, o Programa de Cisternas no Nordeste vai embora e etc e etc

E onde o PT errou e o que ele poderia ter feito diferente. Primeiro, o PT e os frequentadores deste blog devem parar de se fazer de vítima, "o poder do PIG",  o judiciário e bla, bla, bla.

Para começar, o PT errou ao usar a mesma estratégia da direita para chegar ao poder. Errou ao escrever a carta aos brasileiros. Mas vamos dar o beneficio da dúvida , a aliança teria permitido o PT chegar ao poder, a carta aos brasileiros acalmou o mercado. Mas depois do primeiro governo Lula, a popularidade dele era tal que ele poderia ter enfrentado alguns desafios:

- Lula e Dilma indicaram 9 ministros para o STF (Joaquim Barbosa, Carmen Lucia, Levandowski, Fux, Toffoli, Rosa Weber, Luis Barroso, Teori e E Fachin). Nao acertou com nenhum!!!! Repito, não acertou com nenhum!!!! Qual é a explicação possível para a maior incomptência política da história do Brasil? O FHC nomeu só um do ponto de vista da direita acertou na mosca. Alguém tem alguma duvida que se ao invés destes nao sei nem qual adjetivo eu uso tivesse indicado 9 Fabios Konder não teria havido impeachment?

- Lula e Dilma nomearam duas vezes o Roberto Gurgel e o Rodrigo Janot e foi o desatre que foi. Qual a justificativa para nomear pela segunda vez? Não consigo imaginar qualquer? Porque após o primeiro mandato do Janot a Dilam não nomeou a Ela Wiecko? Novamente, o FHC nomeou o Geraldo Brindeiro e foi um sucesso, mais de 450 processos engavetados.

- É verdade que a briga com o PIG não é fácil, mas gastar R$ 600 milhões por ano em propaganda apenas com a Globo??? Alguém explica? Poderia ter mostrado cojones e ter colocado a receita federal em cima da Globo.

Estes são apenas 3 exemplos de que algumas medidas nem tão complicadas assim teriam mudado muita coisa. Nao ha uma simples frase de condenacao moral, mas sim de condenacao da estupidez, que eh muito pior. Podem chamar de autocritica.

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Clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap

Esse moralismo idiota dá náuseas.

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Meus amigos - numa luta longa

Meus amigos - numa luta longa e dura como esta à qual nos propomos, a autoridade moral é fundamental. Me desculpem, mas as lideranças do PT proximas de mim - falo do estado de Goiás, onde está Trindade - são hoje autênticas burocracias de aparelho. Não muito diferente de outras tantas agremiações país afora.

Foi muito bem a candidata a governo em Goiás. Foi excelente seu programa e seu desempenho. Mas seria preciso oxigenar toda a estrutura do PT por aqui, para que ela se transformasse em real alternativa.

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Tamosai no GGN

Diagnóstico duvidoso

Que o PT cometeu erros, eu concordo, mas e os outros? Cometeram erros ainda piores e nem por isso sofreram impeachment, tampouco perseguição implacável da mídia oligopolista e da Justiça. Esse diagnóstico peca por não reconhecer isso. O PT pecou sim por não ser mais maquiavélico e por lidar de forma ingênua com atores de alta periculosidade como a mídia oligopolista, elementos do sistema judiciário, e vários bandidos do Congresso. Estes últimos estão livres e duvido que o MP tome alguma medida contra eles. O PT de Dilma acreditou que o republicanismo por parte do governo geraria republicanismo recíproco. Deu no que deu. A política foi demonizada e os ge$tore$ ganharam as eleições. Quer dizer, perderam para os votos nulos, brancos e abstenções, mas conquistaram os cargos.

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Discordo da análise, mas concordo com os direcionamentos

Essas generalizações ("estrutura partidária e dirigentes se corromperam, a militância se domesticou...") confundem e não captam toda realidade. A conclusão de que Dilma caiu porque quis ou o PT se acabou por seus próprios erros, como sugere Aldo, são vazias. Houve uma guerra desleal e perdemos batalhas importantes.

Houve sim registros de corrupção em empresas de capital misto sob a gestão petista, mas não na administração direta dos governos Lula e Dilma. Ali nunca houve corrupção. No governo Haddad, não houve sequer denúncias de ilícitos, ainda que ele estivesse de início coligado com Maluf.

Nesse lamento de quem ficou de fora, Aldo repete o discurso adolescente e infantil de Erundina. Ainda assim, concordo com a necessidade de união das esquerdas.

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José Ruiz

Joga pedra na Geni..

"O PT se transformou no partido dos palácios, dos gabinetes, do luxo e da arrogância. Ninguém promove tal movimento sem que desabe sobre ele, mais dia menos dia, o merecido castigo do povo" exceto o PMDB, claro..

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Lendo os comentários, percebo

Lendo os comentários, percebo dois tipos de tendência:

1. O problema não somos nós, são os nossos inimigos, que, veja só, tiveram o desplante de lutar contra nós e nos derrotar. Bom, é por isso que eles são inimigos. Se nos derrotaram, foi por que em algum momento não soubemos lutar contra eles.

2. O problema somos só nós, o inimigo não tem nada a ver com isso. Se tivéssemos acertado sempre, não teria havido nem luta, quanto mais derrota. Ora, o inimigo não luta contra nós por que nós cometemos erros, mas por que, para ele, os nossoa acertos são piores que os nossos erros.

 

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Dória nada! Sr. Indiferença e lobbies vencem eleições de2016

>> Que Dória que nada! Sr. Indiferença e lobbies vencem eleições de 2016, por Romulus

  ROMULUS

 SEG, 03/10/2016 - 13:02

Que Dória que nada! Sr. Indiferença e lobbies vencem eleições de 2016

Por Romulus

(I). Centros e grotões

No Facebook o amigo Ciro d’Araújo constata:

"Eleição do Rio ganhou o não votar. Abstenção foi maior do que a votação do Crivella. Depois disso veio brancos e nulos, que somaram mais votos que o Freixo".

Sim, no Rio... uma das cidades mais politizadas do Brasil, que tantas vitorias deu a Brizola e a Lula (inclusive em 89). Dois líderes do campo popular que ousaram ciscar ali... no terreiro da Globo.

Em São Paulo não foi diferente: o candidato “Sr. Indiferença” – a soma de abstenção + votos brancos + votos nulos – ganhou a eleição para prefeitura. Ou melhor, “no tapetão” da lei eleitoral, acabou perdendo para o segundo colocado: João Dória. O tucano teve mais de 10 mil votos a menos que o “Sr. Indiferença”.

Se em São Paulo e no Rio foi assim, imaginem-se os números nos "grotões" – expressão pejorativa infeliz, aliás... celebrizada por colunistas políticos da grande mídia do eixo...

– ... Rio-São Paulo!

Mais humildade, colunistas das metrópoles...

Aliás, diante de tal grau de alienação, será ainda adequada essa dicotomização geográfica do voto? Pode-se ainda falar em “grandes centros” e “metrópoles” vs. “grotões”?

Bem, se os colunistas tiverem apego e quiserem continuar usando a expressão preconceituosa para com os interiores, melhor seria generalizar então a sua abrangência: falemos agora de “grandes grotões” vs. “pequenos grotões”... ou “grotões centrais” vs. “grotões periféricos”...

Que tal?

O que preferirem, Srs. colunistas. Sintam-se à vontade: não cobro royalties.

*

(II). Critério democrático

Creio ser mais democrático esse uso generalizado da expressão, não?

Se bem que... “mais democrático”? Critério um tanto démodé no Brasil de 2016, não? Há até quem o considere subversivo, ora vejam! Bem, melhor deixar a discussão terminológica de lado e seguir adiante na análise, antes que me acusem de saudosista. Ou pior: de “viúva da Constituição”... ou de “viúva da democracia”!

Tempos brabos! Vai que um japonês "da Federal" – usando tornoseleira eletrônica (!) – bate na minha porta às 6 da manhã e me conduz coercitivamente. Para ser então perguntado, inquisitorialmente:

– Que tal "democracia" é essa, elemento?
– Caaaalma, Sr. Juiz! Não precisa de prisão preventiva para arrancar minha delação. Eu falo da democracia livremente: cresci nos anos 80, ouvindo falar muito dessa tal. Costumavam dizer que era “incipiente”... “imatura”... e que precisava ser “aprofundada”. Falavam isso certamente baseados na crença (excessiva?) no processo civilizatório. Na certeza de que esse não anda para trás... acreditavam no tal do “progresso” da bandeira, sabe? Ora, que nada! A tal da “incipiente”, “imatura” e “superficial” morreu ainda menina... assim, virou anjinho! Uma hora bateu suas asinhas e foi-se embora destas paragens...
– Ah, foi-se embora, elemento? Para onde?
– Difícil precisar, Sr. Juíz... anda muito discreta hoje em dia: Trump nos EUA, Le Pen na França, Brexit xenófobo no Reino Unido, “não” à paz na Colômbia...
– E quando é que ela volta para o Brasil, elemento?
– ...

*

(III). Como chegamos aqui (1)

A demonização da política logra pouco a pouco o seu intento: um grau ainda maior da já alarmante alienação da população brasileira, alheia a tudo e a todos nas instâncias do poder.

A população está:

(i) Saturada da política e dos políticos, todos “farinha do mesmo saco”; e portanto...
(ii) dessensibilizada/anestesiada diante dos sucessivos fatos políticos; e portanto...
(iii) indiferentecínica.

– Tanto faz como tanto fez...

*

(IV). Patrimonialismo versão millennial

E assim, sem o contrapeso mínimo das urnas – magrinhas, magrinhas, coitadas... – e de bases eleitorais atentasativas e mobilizadas, fica mais fácil ainda impor a agenda dos lobbies dos diversos setores da economia em prejuízo do todo da sociedade. Trata-se da versão millennial do velhíssimo patrimonialismo... lá do Weber e do Raimundo Faoro, lembram?

Se o Estado mínimo e a “privataria” não passam no teste das urnas, dá-se golpe, todos (já) sabemos.

Mas isso não significa que antes, durante e depois do golpe não se possa aproveitar a estrutura existente do Estado em favor de certos interesses particulares, não é mesmo?

(a) Como?
– Com a autoridade devidamente “capturada" pelos lobbies (regulatory capture).

(b) O entrave:
– O poder político... “essa gente” eleita que “não entende nada da parte técnica”, escolhida de 4 em 4 anos por “gente que entende menos ainda!”. Imaginem: a maioria deles não tem nível superior, não passou por disputados concursos, não tem pós-graduação no exterior... sequer frequenta colóquios bacanas dos stakeholdes todo mês, ora!

(c) A solução:
– A busca cada vez maior de independência – em face desse tal “poder político” – dos órgãos do Estado judicantes, com poder de polícia e reguladores.

Notem que “coincidência”:
– Não parece muito mais fácil implementar essa agenda independentista num contexto de (i) desgaste da classe política, (ii) vácuo de poder, (iii) déficit de representação e (iv) cinismo da população, culminando numa democracia sem vigor, abatida pela indiferença e caracterizada por baixas taxas de votação?

Evidente que sim!

Resistir à sanha independentista quem haverá de?

(d) Exemplo de captura?
– A famosa porta-giratória (revolving door), que faz o diretor do Banco Itaú (e antes desse o do Bank Boston e antes desse o do George Soros e antes desse...) virar Presidente do Banco Central do Brasil. Apenas para amanhã voltar ao Itaú (e congêneres...) com o passe ainda mais valorizado.

(e) Sonho de consumo dos independentistas?
Escrever “em pedra” a pretendida independência diante da sociedade e de seus representantes eleitos.

Como?
Com leis de boa governança que consagrem essa "independência" – aliás, “boa governança” segundo quem mesmo, hein?

Mandatos fixos de diretores e presidentes... indemissíveis pelo poder político...

– Oh, glória!

Sim, “independência”...

Mas, impertinente que sou, ouso perguntar:

– "Independência" de quem, cara-pálida? Do Itaú – da ida e da volta da porta-giratória – é que não haverá de ser, não é mesmo?

Banco Central é apenas o exemplo mais evidente, em um Estado cuja metade do orçamento foi capturada por rentistas. Mas isso se repete em todos os segmentos econômicos regulados pelo Estado: CVM, CADE, SUSEP, ANVISA, ANP, ANA, ANAC, ANTAQ, ANATEL, ANEEL, ANS, ANTT... ou nos segmentos em que o Estado atua através de estatais (Petrobras, BB, CEF, Eletrobrás...).

E não apenas...

O Supremo não autorizou juízes (!) a embolsar cachês pagos por palestras sem que o seu valor tenha de ser tornado público? Aliás, bota – caché – nisso... nunca uma denominação foi tão adequada!

Para além de “cachês” – escondidos – por “palestras”, que dizer de cursos no exterior pagos por “terceiros generosos” (quem?)? Dentre os quais até mesmo interesses estrangeiros, incluindo governos que não o nosso?

Algo a ver com essas observações aterradoras do Miguel do Rosário, no Blog do Cafezinho?

- Captura do regulador?
- Conflito de interesse?
- Risco moral do regulado (moral hazard)?
- Abuso de poder de mercado dos regulados?
- Ineficiência do mercado viciado?
- Busca de renda por quem é “amigo do rei” (rent seeking)?

Será tudo isso preocupação de marxista radical?

Ou até de quem leu os manuais de Economia (bastante) ortodoxos e que crê – de coração – no capitalismo?

Digo, o capitalismo verdadeiro: com seus “mercados competitivos”, livre entrada de novos competidores e livre saída de empresas ineficientes.

Está aí a telefônica "Oi" para não nos deixar esquecer de como o "capitalismo" (entre aspas mesmo) e seus "riscos" (novas aspas...) “funcionam” (mais ainda...) no Brasil.

E isso não é tudo:

Trata-se apenas de uma das modalidades de captura das autoridades, na classificação proposta por Engstrom. No caso, a captura material. Além (a) da porta giratória e (b) da propina, essa modalidade engloba também (c) os “célebres” financiamentos de campanha e (d) a ameaça de boicote econômico-financeiro ao Estado em caso de “desacordo” com o lobby.

Soa familiar?

Pois é...

Segundo o autor, todas essas sub-modalidades equivalem em alguma medida a corrupção política. Ou melhor: corrupção da política.

Já a captura não material é mais sofisticada: pode ser também denominada “captura cognitiva” ou “cultural”, na qual o regulador – e/ou o juiz e/ou o procurador! – começam a pensar da mesma maneira que o lobby!

- “Lobby”?
- Seria esse apenas o privado?
- Por que não se incluiriam aí também governos estrangeiros?
- Ou terceiros “generosos” querendo iluminar o pobre Brasil de sabedoria?

A assimilação da catequese advém (i) da proximidade (indevida?) entre lobby e autoridades; bem como (ii) da embalagem bonita do “presente” que “generosamente” é dado.

- Aliás, “presente”... será presente de grego a troianos ávidos e ambiciosos?
- Troianos antes circunscritos por uma fronteira, digo, muralha, que impedia o ato de generosidade de se realizar?
- Hmmm...

Saga homérica ou não, chega-se finalmente ao ponto em que as autoridades são pautadas – agora já involuntariamente, na fronteira entre o seu consciente e inconsciente – pelo lobby catequizador.

Exemplo 1:
O lobby já entrega o trabalho pronto – bonitinho e até com grife de banca chique! Assim, como não haverá de prevalecer a lei do menor esforço, tão bem resumida por dois comandos: “Ctrl + C” / “Ctrl + V”?

Algo a ver?

E aqui?

Exemplo 2:
Em tática mais sofisticada ainda, e de longo prazo, o lobby, através do financiamento de pesquisas, colóquios entre pares e lisonjas – tais como premiações – consegue estabelecer – não a sofridas marretadas mas a deleitáveis queijos, vinhos e “verdinhas” – o “consenso científico” em determinado domínio técnico.

Mas notem bem: não qualquer consenso científico, aleatório... trata-se de um consenso científico específico: aquele que o lobby tem por “certo”... aquele para chamar de seu.

Aliás, como acadêmico não posso deixar de me perguntar:
– Se o ponto de chegada já é pré-estabelecido na saída, há que se falar ainda em “cientificidade” para esse “consenso” (olha as aspas aí de novo...).

Pois é... também digo que não.

A maneira como o credo neoliberal impregnou – mediante generosos financiamentos – os maiores centros do conhecimento econômico, do final dos anos 70 até a primeira década do século XXI, é o exemplo de manual (textbook case) dessa tese.

Para quem comungava do credo: dinheiro, fama e glória.
Para quem o criticava: penúria, opróbio e ridicularização.

Fácil chegar a um “consenso” (aspas) “científico” (de novo...) assim, não é mesmo?

Foi preciso a maior crise econômica e a maior recessão desde os anos 30 para que esse “santo graal” caísse no chão e se estilhaçasse. Mas não sem deixar profetas atrasados na Periferia do mundo, ignorantes da (nova) “Boa Nova” do Centro.
[Ver “Trem-bala para o abismo – a política econômica da recessão, de André Araújo, aqui no GGN]

Lisonjas... lobby... captura não material... corrupção da política...

Algo a ver?

(exemplos - infelizmente - não exaustivos)

*

(V). Como chegamos aqui (2): correias de transmissão

Voltando ao início do artigo, falávamos de:

(i) Saturação com a política e com os políticos; e portanto...
(ii) dessensibilização/anestesia; e portanto...
(iii) indiferençacinismo, que levou a...
– Número recorde de abstenções, votos brancos e nulos. O tal “tanto faz como tanto fez”...

Mas atenção para as correias de transmissão que nos trouxeram até aqui:

(a) Noticiário mundo-cão na (e da) política na grande mídia; e portanto...
(b) Demonização da política em geral e de certas forças políticas e certas correntes de pensamento em particular; e portanto...
(c) Dessensibilização / indiferença, desprezo e cinismo; e portanto...
(c) Alta taxa de abstenção e de votos brancos e nulos; o que reflete...
(d) "Bases" (com aspas...) eleitorais alienadas, indiferentes, e políticos eleitos fracos, sem o respaldo de urnas "gordas"; o que cria um vácuo de poder suscetível à...
(e) Busca de independência das autoridades não eleitas.

I.e., “independência” do poder político, bem entendido! Não do segmento econômico regulado e de “terceiros generosos”, no Brasil ou fora dele.

– E quem é que fornece a graxa que faz as polias da grande mídia girarem, girarem e girarem...? Mídia que: (1) produz o noticiário mundo-cão da política; e (2) vende aqueles tais “consensos” (aspas) “científicos” (de novo...) como “a verdade revelada”?

Ora, quem fornece a graxa à mídia são eles mesmos: os lobbies!

Atenção para o "plim-plim"! Num oferecimento de Itaú, Bradesco, Vale, Ambev, seguradoras, indústria farmacêutica, Shell, Gol/Tam, Vivo/Claro...

E assim se fecha o círculo de captura das autoridades não-eleitas pelos lobbies, que passam a buscar independência do poder político para melhor corresponder às expectativas dos patrocinadores. E por que não dizer captura também do eleitorado, nesse caso por omissão (induzida)?

O resultado – de hoje – está aí embaixo, descrito pelo amigo Ciro.

Urnas vazias... cinismo e indiferença... demonização da política... lobbies... captura das autoridades e dos eleitores... tudo isso num círculo infernal.

Nada é “coincidência”.

E as correias de transmissão de que falamos seguiram rodando enquanto você lia este texto.

Como perguntei acima: resistir quem haverá de?

*   *   *

Da série "quer que eu desenhe?"

*   *   *

Rapidinha: o temor que a direita tem de Dilma enquanto mito político em construção

Presidenta Dilma vota em Porto Alegre. Apoiadores e imprensa são impedidos pela Justiça e pela truculência da Brigada Militar de registrar o momento do seu voto.

O que temem tanto?

Entenda:

Temer, o PSDB, aliados – e Marina! – terão de aceitar: Dilma continuará sua trajetória rumo a construção de um mito político.
Que ironia!
Mas nada original:
Não foi o julgamento injusto e a pena de morte que tornaram Sócrates maior como figura?
Sem entrar em debate teológico / histórico: não foi o julgamento injusto e o sacrifício de Jesus de Nazaré (Deus e/ou homem) que fundou uma fé?
Pois é...
O mito do homem (e da mulher!) justo, injustiçado por poderes corrompidos ou por uma democracia já degenerada pela demagogia, cala fundo na psique humana. Existe desde que o mundo é mundo.
No golpe contra Dilma Rousseff de 2016 temos os dois: poderes corrompidos aliando-se a demagogos (i) nas corporações do Estado – STF/Justiça, PGR/Janot, PF; (ii) nos grandes grupos de imprensa familiar; e (iii) nas instituições da sociedade civil organizada – OAB, FIESP, CNA, FEBRABAN, igrejas, etc., para julgar – e condenar! – alguém unanimemente reconhecida como justa.
Dessa perspectiva, os algozes de Dilma "fizeram a sua fama". Da mesma forma que, a seu tempo, o Sinédrio e os Romanos – secundados também por populares em frenesi, não é mesmo? – aumentaram a de Jesus de Nazaré, homem e/ou Deus. E ainda, o tribunal popular ateniense aumentou a dimensão da figura do filósofo Sócrates, ao condená-lo de forma iníqua à morte por envenenamento com cicuta.
Quantos outros exemplos não haverá desse mito?
Joana D'Arc queimada na fogueira da inquisição, Tiradentes enforcado e esquartejado como bode expiatório, Dreyfus, vítima do antissemitismo e de uma armação, o suicídio de Vargas, instado pelas mesmas forças que agora golpearam, novamente, a democracia no Brasil...
Deve-se ter cuidado ao brincar de feiticeiro. O caldeirão pode transbordar e queimar quem se supunha mais esperto do que de fato era.
Como disse uma certa justa tratada com iniquidade atroz:
– A vida é dura, Senador!

*   *   *

(i) Acompanhe-me no Facebook:

Romulus e Maya Vermelha, a Chihuahua socialista

(perfil que divido com a minha brava e fiel escudeirinha)

*

(ii) No Twitter:

@rommulus_

*

(iii) E, claro, aqui no GGN: Blog de Romulus

*

Quando perguntei, uma deputada suíça se definiu em um jantar como "uma esquerdista que sabe fazer conta". Poucas palavras que dizem bastante coisa. Adotei para mim também.

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Comentário excelente, mas seria melhor dividido em vários...

Fatie seus comentários, Romulus, sao ótimos e informativos mas grandes demais, os assuntos se misturam, as pessoas cansam de ler.

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O Vol. 2, provocado pelo colega aí debaixo, ta menor:

>> Eleições municipais vol. 2: política se tornou apolítica?!, por Romulus
 ROMULUS
 TER, 04/10/2016 - 05:32
 ATUALIZADO EM 04/10/2016 - 05:37

Eleições municipais vol. 2: política se tornou apolítica?!

Por Romulus

Questão interessante colocada pelo comentarista André B depois de ler o post de ontem (“Que Dória que nada! Sr. Indiferença e lobbies vencem eleições de 2016”)

– A política se tornou então apolítica?

Para responder, temos de fazer a distinção entre duas das várias acepções da palavra política.

Por definição, a "política" enquanto correlação de forças com vistas a cuidar dos problemas da polis não pode ser apolítica. Seria ilógico e mesmo contrafático. Até nas ditaduras mais fechadas e sanguinárias, nos regimes mais autocráticos, há ainda essa tal correlação de forças, embora restrita a um “colégio eleitoral” mínimo. Pense num ditador “militar” vs. seus generais, como em Angola ou na Coreia do Norte. Ou no Comitê Permanente do Politburo do Partido Comunista da China – composto por apenas de 5 a 9 pessoas. Na China isso fica ainda mais claro: evidentemente a atual complexidade da sociedade chinesa exige correlações de força muito mais abrangentes do que os acertos entre a meia dúzia do Politiburo.

Mas no que tange à palavra "política" em sua dimensão partidária-eleitoral nas democracias ocidentais – centrais ou periféricas – não tenham dúvida: a política se torna cada vez mais apolítica. Sim: um oximoro, um paradoxo apenas aparente.

Primeiro porque o colégio eleitoral volta – depois de 100 anos de expansão e franqueamento democratizante – a se estreitar.

Agora num movimento “voluntário”, em que o eleitorado “deliberadamente” fica indiferente à disputa política tradicional. Isso quando não resolve votar naquele que chega de repente e promete fazer a “casa cair”:

(i) Ou pregando uma “pegadinha” deliberada nos políticos tradicionais, que tantas “pegadinhas” vêm pregando neles há décadas (modalidade 1 de “voto de protesto”);
(ii) Ou num impulso de rejeição generalizada, refletindo um descontentamento difuso, não muito bem articulado ou mesmo verbalizado (modalidade 2 de “voto de protesto”);
(iii) Ou, em último caso, como resposta ao desespero diante da indigência batendo às suas portas. Nesse ponto, a taxa de desconto (conceito da Economia) do europeu e do norte-americano pauperizado volta àquela da África Subsaariana. O que importa é garantir o jantar de hoje à noite. E não “impedir o aquecimento global” ou evitar uma guerra comercial como a que levou à Segunda Guerra Mundial.
Trump promete nada menos que rever todos os acordos comerciais bilaterais dos EUA, para uma substituição de importações tardia... algo inimaginável! E afirmo isso como especialista na disciplina. Só não digo que Trump pratica estelionato eleitoral (mais um) porque ninguém pode afirmar ao certo o que se passa na cabeça do sujeito. Vai que....

E como chegamos aqui, a este completo descasamento entre eleitorado e a classe política e partidos tradicionais?

A minha tese é a de que isso decorreu de um processo de divórcio lento e demorado – 30 anos!

Qualquer divorciad@ confidenciará que os longos são os piores... qualquer sentimento de respeito, apreço e mesmo consideração terá tempo suficiente para sumir por completo diante da sedimentação e da introjeção da ideia de que o outro não fará mais parte da sua vida. Não só não fará parte como, a partir de determinado momento, pode passar facilmente à figura de antagonista, em caso de “litigio”.

E qual foi o causus belli entre o eleitorado e a classe política tradicional?

A implementação em menor ou maior velocidade – mas “inexorável” – do Consenso de Washington a partir dos anos 80.

Não importava em quem se votava: Democrata ou Republicano, PT ou PSDB. O grosso do programa de governo – a parte que trata da “fatia do leão” dos orçamentos públicos – já estava dado por FMI, Banco Mundial e credores das dividas soberanas (outros Estados ou banca internacional).

Diferença se havia – e havia! – limitava-se a:

(i) políticas de mitigação da pauperização da base da pirâmide, como transferência de renda; ou
(ii) esforços para dar ao sistema uma cara menos desumana, tentando cavar pequenas rachaduras nos “tetos de vidro” (glass ceilings), instransponíveis aos filhos desse andar de baixo. Verdadeiras barreiras “sutis” à ascensão social.

E por que de tetos de vidro? Porque são “invisíveis”, “suits”... pode-se admirar toda a beleza do que fica para além deles. Mas o incauto debaixo que ousar avançar contra os mesmos quebrará a cara. O vidro é blinddo!

*

Pois bem. Recapitulando, ficamos então com:

– 30 anos de Consenso de Washington “inexorável”; e
– Escolha apenas entre com ou sem “anestesia”.

Ora, num quadro assim inevitavelmente surgirá a indagação: “votar para quê?"

E isso seja na Europa Ocidental da “socialdemocracia” (a partir daí com aspas mesmo...), no modelo “com anestesia”, seja nos EUA da Reaganomics e da trickle down economics, o “gotejamento” do topo para a base da pirâmide da riqueza que se deixa crescer – “sem embaraços do governo!” – lá em cima. Ou seja: o modelo zero anestésico.

E por que num segundo momento passa-se da indiferença do eleitorado à hostilidade aberta contra a política tradicional? À sua negação?

Porque os rentistas e financistas abusaram.

Tomaram partido da alavancagem que detinham sobre o poder político para sangrar os orçamentos até quase o ponto de ruptura.

Soa familiar no Brasil de 2016 e de teto de gastos não financeiros por 20 anos?

Rentistas e finança foram extremamente favorecidos pela conjuntura:

– Fim da ameaça (alternativa?) “vermelha";
– "Fim da História" (?) de F. Fukuyama, como corolário da “inexorabilidade”;
– A liberalização selvagem dos mercados no Centro e na Periferia, muitas delas se valendo da nossa já conhecida "Doutrina do Choque", de Naomi Klein.

Eles abusaram sim... produziram a maior concentração de renda da História humana! Em 2016, pela primeira vez o célebre 1% do topo detém mais riquezas que todos os outros 99%.

O divórcio é então por culpa exclusiva dos rentistas e de sua ganância?

Não. Os políticos também abusaram nos artifícios que costumam utilizar para mascarar a tunga que finança e rentistas fazem no orçamento público.

Que artifícios?

Os da política, ora: discursos insinceros, hipocrisia, cinismo, cara de pau e sucessivos estelionatos eleitorais.

Resultado?

O eleitorado ficou imune. Está "dessensibilizado", como digo no post de ontem. Isso com a ajudinha providencial da grande mídia e dos seus patrocinadores, como explico lá.

Que fazer agora quando os que foram sacaneados por 30 anos resolvem sacanear de volta o sistema com a única arma que lhes resta - o voto?

"Greve"? "atos públicos"? “boicotes”? “desobediência civil”?
Quando? Onde?

Situação difícil...

Ainda mais num contexto de fim do "carreamento" do mercado de opinião pela mídia hegemônica, por natureza moderada e moderadora, em virtude da mudança tecnológica e da ascensão das redes sociais e de suas bolhas rivais.

Ainda vamos bater muito a cabeça antes de descobrir como sair deste buraco em que nos encontramos.

Por ora, imperativos de sobrevivência:

– União (desesperada?) das esquerdas e política de contenção de danos, com luta pela mitigação das perdas dos setores populares / vulneráveis.

Simples assim.

*   *   *

(i) Acompanhe-me no Facebook:

Romulus

*

(ii) No Twitter:

@rommulus_

*

(iii) E, claro, aqui no GGN: Blog de Romulus

*

Quando perguntei, uma deputada suíça se definiu em um jantar como "uma esquerdista que sabe fazer conta". Poucas palavras que dizem bastante coisa. Adotei para mim também.

Seu voto: Nenhum

Ainda acho grande demais... Mas o comentário é seu

Só acho uma pena, porque desencoraja a leitura, e seus comentários sao muito bons, informativos.

Seu voto: Nenhum (1 voto)

é o que o tempo me permite

Obrigado!

Tb acho uma pena. Mas, como hoje a maioria dos meus artigos fica apenas no meu blog e nao sai no GGN, tenho de divulgar por conta propria nas redes sociais (Face, Twitter, Whatsapp, hangouts...). Isso da um trabalhao.

Entao, acabo colocando "varios artigos em 1", para concentrar o esforço de divulgaçao.

Sei que nao é o ideal e que ate desencoraja, como vc diz, mas é o que o tempo me permite hoje.

De qualquer forma, obrigado pelos seus comentarios.

Seu voto: Nenhum (1 voto)

OK. É o q dá. Mais nao deve ser exigido...

O mesmo vale para a avaliaçao dos governos do PT, rs. Fez-se o que foi possível. Se nao responde aos anseios de algo Ideal, que alguns ingênuos buscam, fazer o quê? Mandar lamber sabao, rs.

Seu voto: Nenhum (1 voto)

Pois é!

rsrs

A gente concorda em muita coisa. rs

Seu voto: Nenhum (1 voto)

É difícil combater o pensamento único

A Globo teve sucesso em demonizar o PT e desacreditar a melhor época da política brasileira. O pior é que parte da esquerda, em parte por ingenuidade e em parte por oportunismo, reforçou esse discurso, aumentando com isso a vitória da Direita. Esse discurso dos "erros do PT" ajuda a Direita. Claro que erros houve, nao existe governo nenhum, partido nenhum, que nao cometa erros, os anjos estao todos no Céu, nao na sociedade. Mas ficar insistindo nisso é fazer o jogo da Direita.

Seu voto: Nenhum (3 votos)

Desculpe, cara Anarquista. Eu

Desculpe, cara Anarquista.

Eu sei!

Esse entao ficou enorme - mas nao é bem um comentario. É um post no meu blog que tem a ver com a discussao aqui. Trouxe para ca porque queria o comentario dos amigos (ate essa sua critica!) e ele nao vai sair no GGN. Posts grandes assim e "caóticos" fogem da linha editorial.

Como o comentario dos amigos daqui eh muito importante para mim, coloquei aqui na discussao tb.

De qualquer forma obrigado por me prestigiar com a leitura e o seu comentario.

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imagem de Andre B
Andre B

Não seria a politica que se tornou apolitica?

Acho que algo dessa monta e que não acontece só no Brasil, merece uma reflexão séria e profunda sobre coisas como silencio, indiferença, negação, democracia e politica.

Para mim o não voto coloca uma série de questões: Será que várias das abstenções votos nulos e brancos não foram uma forma de dizer que não se aceita mais a politca que se resume ao voto, uma politica em que o poder e a soberania do povo só existe de fato no momento eleitoral?  Uma politica em que nem mesmo o voto tem valor, pois o eleito pode ser derrubado por um golpe? Não teriam alguns eleitores respondido com indiferença a indiferença que recebem da 'politica'? São os eleitores do não voto que são apolticos ou foi a politca que se tornou apolitica?

Eu obviamente não tenho a resposta, mas essas questão estão sendo colocadas a muito tempo fora do Brasil. Acho que é hora de pensarmos seriamente nelas.

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Veja se ajudei ou atrapalhei tentando responder:

>> Eleições municipais vol. 2: política se tornou apolítica?!, por Romulus
 ROMULUS
 TER, 04/10/2016 - 05:32
 ATUALIZADO EM 04/10/2016 - 05:37

Eleições municipais vol. 2: política se tornou apolítica?!

Por Romulus

Questão interessante colocada pelo comentarista André B depois de ler o post de ontem (“Que Dória que nada! Sr. Indiferença e lobbies vencem eleições de 2016”)

– A política se tornou então apolítica?

Para responder, temos de fazer a distinção entre duas das várias acepções da palavra política.

Por definição, a "política" enquanto correlação de forças com vistas a cuidar dos problemas da polis não pode ser apolítica. Seria ilógico e mesmo contrafático. Até nas ditaduras mais fechadas e sanguinárias, nos regimes mais autocráticos, há ainda essa tal correlação de forças, embora restrita a um “colégio eleitoral” mínimo. Pense num ditador “militar” vs. seus generais, como em Angola ou na Coreia do Norte. Ou no Comitê Permanente do Politburo do Partido Comunista da China – composto por apenas de 5 a 9 pessoas. Na China isso fica ainda mais claro: evidentemente a atual complexidade da sociedade chinesa exige correlações de força muito mais abrangentes do que os acertos entre a meia dúzia do Politiburo.

Mas no que tange à palavra "política" em sua dimensão partidária-eleitoral nas democracias ocidentais – centrais ou periféricas – não tenham dúvida: a política se torna cada vez mais apolítica. Sim: um oximoro, um paradoxo apenas aparente.

Primeiro porque o colégio eleitoral volta – depois de 100 anos de expansão e franqueamento democratizante – a se estreitar.

Agora num movimento “voluntário”, em que o eleitorado “deliberadamente” fica indiferente à disputa política tradicional. Isso quando não resolve votar naquele que chega de repente e promete fazer a “casa cair”:

(i) Ou pregando uma “pegadinha” deliberada nos políticos tradicionais, que tantas “pegadinhas” vêm pregando neles há décadas (modalidade 1 de “voto de protesto”);
(ii) Ou num impulso de rejeição generalizada, refletindo um descontentamento difuso, não muito bem articulado ou mesmo verbalizado (modalidade 2 de “voto de protesto”);
(iii) Ou, em último caso, como resposta ao desespero diante da indigência batendo às suas portas. Nesse ponto, a taxa de desconto (conceito da Economia) do europeu e do norte-americano pauperizado volta àquela da África Subsaariana. O que importa é garantir o jantar de hoje à noite. E não “impedir o aquecimento global” ou evitar uma guerra comercial como a que levou à Segunda Guerra Mundial.
Trump promete nada menos que rever todos os acordos comerciais bilaterais dos EUA, para uma substituição de importações tardia... algo inimaginável! E afirmo isso como especialista na disciplina. Só não digo que Trump pratica estelionato eleitoral (mais um) porque ninguém pode afirmar ao certo o que se passa na cabeça do sujeito. Vai que....

E como chegamos aqui, a este completo descasamento entre eleitorado e a classe política e partidos tradicionais?

A minha tese é a de que isso decorreu de um processo de divórcio lento e demorado – 30 anos!

Qualquer divorciad@ confidenciará que os longos são os piores... qualquer sentimento de respeito, apreço e mesmo consideração terá tempo suficiente para sumir por completo diante da sedimentação e da introjeção da ideia de que o outro não fará mais parte da sua vida. Não só não fará parte como, a partir de determinado momento, pode passar facilmente à figura de antagonista, em caso de “litigio”.

E qual foi o causus belli entre o eleitorado e a classe política tradicional?

A implementação em menor ou maior velocidade – mas “inexorável” – do Consenso de Washington a partir dos anos 80.

Não importava em quem se votava: Democrata ou Republicano, PT ou PSDB. O grosso do programa de governo – a parte que trata da “fatia do leão” dos orçamentos públicos – já estava dado por FMI, Banco Mundial e credores das dividas soberanas (outros Estados ou banca internacional).

Diferença se havia – e havia! – limitava-se a:

(i) políticas de mitigação da pauperização da base da pirâmide, como transferência de renda; ou
(ii) esforços para dar ao sistema uma cara menos desumana, tentando cavar pequenas rachaduras nos “tetos de vidro” (glass ceilings), instransponíveis aos filhos desse andar de baixo. Verdadeiras barreiras “sutis” à ascensão social.

E por que de tetos de vidro? Porque são “invisíveis”, “suits”... pode-se admirar toda a beleza do que fica para além deles. Mas o incauto debaixo que ousar avançar contra os mesmos quebrará a cara. O vidro é blinddo!

*

Pois bem. Recapitulando, ficamos então com:

– 30 anos de Consenso de Washington “inexorável”; e
– Escolha apenas entre com ou sem “anestesia”.

Ora, num quadro assim inevitavelmente surgirá a indagação: “votar para quê?"

E isso seja na Europa Ocidental da “socialdemocracia” (a partir daí com aspas mesmo...), no modelo “com anestesia”, seja nos EUA da Reaganomics e da trickle down economics, o “gotejamento” do topo para a base da pirâmide da riqueza que se deixa crescer – “sem embaraços do governo!” – lá em cima. Ou seja: o modelo zero anestésico.

E por que num segundo momento passa-se da indiferença do eleitorado à hostilidade aberta contra a política tradicional? À sua negação?

Porque os rentistas e financistas abusaram.

Tomaram partido da alavancagem que detinham sobre o poder político para sangrar os orçamentos até quase o ponto de ruptura.

Soa familiar no Brasil de 2016 e de teto de gastos não financeiros por 20 anos?

Rentistas e finança foram extremamente favorecidos pela conjuntura:

– Fim da ameaça (alternativa?) “vermelha";
– "Fim da História" (?) de F. Fukuyama, como corolário da “inexorabilidade”;
– A liberalização selvagem dos mercados no Centro e na Periferia, muitas delas se valendo da nossa já conhecida "Doutrina do Choque", de Naomi Klein.

Eles abusaram sim... produziram a maior concentração de renda da História humana! Em 2016, pela primeira vez o célebre 1% do topo detém mais riquezas que todos os outros 99%.

O divórcio é então por culpa exclusiva dos rentistas e de sua ganância?

Não. Os políticos também abusaram nos artifícios que costumam utilizar para mascarar a tunga que finança e rentistas fazem no orçamento público.

Que artifícios?

Os da política, ora: discursos insinceros, hipocrisia, cinismo, cara de pau e sucessivos estelionatos eleitorais.

Resultado?

O eleitorado ficou imune. Está "dessensibilizado", como digo no post de ontem. Isso com a ajudinha providencial da grande mídia e dos seus patrocinadores, como explico lá.

Que fazer agora quando os que foram sacaneados por 30 anos resolvem sacanear de volta o sistema com a única arma que lhes resta - o voto?

"Greve"? "atos públicos"? “boicotes”? “desobediência civil”?
Quando? Onde?

Situação difícil...

Ainda mais num contexto de fim do "carreamento" do mercado de opinião pela mídia hegemônica, por natureza moderada e moderadora, em virtude da mudança tecnológica e da ascensão das redes sociais e de suas bolhas rivais.

Ainda vamos bater muito a cabeça antes de descobrir como sair deste buraco em que nos encontramos.

Por ora, imperativos de sobrevivência:

– União (desesperada?) das esquerdas e política de contenção de danos, com luta pela mitigação das perdas dos setores populares / vulneráveis.

Simples assim.

*   *   *

(i) Acompanhe-me no Facebook:

Romulus

*

(ii) No Twitter:

@rommulus_

*

(iii) E, claro, aqui no GGN: Blog de Romulus

*

Quando perguntei, uma deputada suíça se definiu em um jantar como "uma esquerdista que sabe fazer conta". Poucas palavras que dizem bastante coisa. Adotei para mim também.

Seu voto: Nenhum

Aguenta aí!

Cara,

Comecei a responder o seu comentario e me empolguei.

To escrevendo outro post. rs

Mas bem menor!

1/5 desse ai só.

Aguenta aí!

Seu voto: Nenhum (1 voto)

Rommulus

Resumo sua brilhante análise em uma frase:

"O MPL f... a democracia e a república brasileira por causa de 20 centavos."

Não fosse por eles não estaríamos aqui, neste cenário de guerra, faixa de gaza, terra arrasada.

Seu voto: Nenhum (6 votos)

Rs Aí vc me intriga com

Rs

Aí vc me intriga com nossos amigos Psolistas num momento em que a união é um imperativo de sobrevivência.

Vamos colocar uma pedra sobre o passado, mas sem esquecer as lições tiradas dali.

"forgive... not forget", em inglês.

Bora? ;-)

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Romulus, me desculpa. Eu

Romulus, me desculpa. Eu geralmente gosto dos seus comentários, mas...

"Em São Paulo não foi diferente: o candidato “Sr. Indiferença” – a soma de abstenção + votos brancos + votos nulos – ganhou a eleição para prefeitura."

... esse argumento foi usado à exaustão pelos perdedores de 2014, e não era nem menos nem mais absurdo naquele momento do que agora. Se houve menos gente que votou em Dilma (ou Dória), houve ainda menos gente que votou em Aécio (ou Haddad).

Só existe uma diferença, e ela é a favor do tucanos. Eles falavam essa barbaridade para dizer "vocês não ganharam" (e, portanto, é lícito derrubar o governo minoritário). Parece que agora vamos usar esse troço para dizer "nós não perdemos" (e, portanto, vamos desistir do jogo).

Na boca deles, soava pelo menos coerente com uma estratégia de luta pelo poder. Na nossa... nem isso.

Seu voto: Nenhum

Caro, Em momento algum eu

Caro,

Em momento algum eu pretendo dizer que "Dória não ganhou" por causa do "Sr. Indiferença" (atenção: faço isso no artigo, mas como ironia!), que nao deve ser empossado, que nao deve governar ou que deve sofrer um golpeachment!

Não... nós somos - e temos de nos manter - diferentes da direita mesmo.

Apenas pego o fenômeno da indiferença política - caracterizada por ela ter "vencido" a eleiçao nas duas maiores cidades do Brasil, entre varias outras cidades - para analisar como chegamos até essa situação.

Compreende?


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Querem o FIM da Soberania do Brasil

Nunca subestime o Poder da Comunicação. Essa nova e crescente onda conservadora está bastante alinhada com os magnatas das comunicações e/ou com a submissão de fiéis a redes de igrejas neopentecostais que estão se unindo para uma tomada de poder, mas não com um projeto de nação e soberania nacional.

Analisar a derrocada do PT nestas eleições na minha visão é muito complexo. São muitas forças internas e externas que querem banir a filosofia da esquerda não só no Brasil como no mundo.

O PT pode ter errado, mas errar faz parte do processo.

O PT foi derrotado pois não aceitou: negociar com FMI; de ser subalternos dos EUA; de fornecer os campos de Petróleo para "as grandes Irmãs" ; e por aí vai ...

O Brasil só começou a esboçar um projeto de nação com Lula. E não foi por acaso que o Palácio do Alvorada, executivos da Petrobras e outros ministros de estado, juízes e etc. estavam todos grampeados pela inteligência norte-americana.

Sérgio Moro, Michel Temer e companhia só são fantoches (traidores) de um grande projeto que é acabar com a Soberania do Brasil.

Seu voto: Nenhum (3 votos)

Algumas observações: "O PT se

Algumas observações:

"O PT se deixou abater pelo erro mais comezinho que as esquerdas vêm cometendo desde o século XX: a corrupção. A corrupção vem sendo, ao longo das décadas, a espada nas mãos da direita e da mídia para fazer rolar as cabeças da esquerda."

Embora isso seja verdade, é uma parte muito pequena da verdade. A verdade toda é a seguinte: o nosso sistema penal criminaliza e pune a corrupção; o nosso sistema político eleitoral torna impossível ganhar eleições sem corrupção. Então não se trata de uma mazela moral do PT (ao contrário do que pensa(va) Heloísa Helena, com seu "meu pai me ensinou a não roubar"). Trata-se de um dilema que afetará todo e qualquer partido que queira ganhar eleições. Parte da esquerda resolve isso abstendo-se de ganhar eleições, seja para se satisfazer, masturbatoriamente, com sua própria superioridade moral, seja postulando um processo não-eleitoral que a levará ao poder "um dia", sem que precise até lá participar do jogo político, que, evidentemente, inclui as eleições. Mas essa parte da esquerda é parte do problema, não da solução.

"Antes de tudo, as esquerdas precisam se unir em torno do que sobrou dessa devastadora eleição: Freixo no Rio de Janeiro, João Paulo em Recife, Edmilson Rodrigues em Belém, Edvaldo Nogueira em Aracaju etc."

Entretanto, não podemos tomar um resultado eleitoral como centro da política. Ganham-se eleições quando se obtém vitórias políticas, não quando se obtém um estado de pureza moral abstrato. Perdem-se eleições quando se coleciona derrotas políticas. Nesse sentido, o PSDB não obteve uma vitória política ontem: obteve uma série de vitórias políticas durante os anos de 2015 e 2016, que culminaram no resultado eleitoral de ontem. Entre estas vitórias, existe uma que é a consecução de uma unidade política da direita, sob a hegemonia tucana. Mas essa unidade é também ela um resultado, não um pressuposto. Dória não derrotou apenas Haddad. Derrotou também seus companheiros de direita, Russomano e Marta, além do próprio setor serrista do PSDB (alguém disse por aqui que enquanto os amadores da esquerda se dividem, os profissionais da direita se unem, mas não parece ser o caso dos profissionais da direita que até anteontem estavam tentando impugnar a candidatura de Dória). E essa vitória de Dória contra Marta, Russomano e Serra não foi construída com apelos a uma unidade abstrata: foi construída por uma demonstração prática de que ele era o candidato capaz de encarnar o sentimento anti-popular em São Paulo, por cima de questões religiosas (o que era impossível para Marta com seu passado petista, e para Russomano com suas ligações religiosas). A unidade não veio antes da luta interna, veio depois dela e em consequência dela.

O que sobrou desta devastadora eleição é o mesmo que sobrou da devastadora campanha política da direita durante os dois últimos anos - e não é nem apenas, nem principalmente, as candidaturas de Freixo, João Paulo, Edmilson e Edvaldo - por importante que seja para todos nós, e para a democracia brasileira, passar por cima dos ranços partidários e apoiar Freixo, para quem é petista, e apoiar João Paulo, para quem é PSOL. É a ainda existente rede de resistência, encarnada em sindicatos e movimentos sociais, que não pode ser destruída por derrotas eleitorais, por mais devastadoras que sejam.

Uma auto-crítica é evidentemente necessária; mas nem é a autocrítica de uma suposta capitulação diante da corrupção, nem a auto-crítica da nossa tendência à divisão: é a autocrítica da tática seguida pelo PT (e copiada em grande parte pelo PSOL) de ganhar eleições presidenciais e depois mudar as coisas de cima para baixo. É também a autocrítica da estratégia "democrático-popular", ou seja, de conciliação de classes, adotada pelo PT, que conduziu ao não enfrentamento de questões fundamentais como a concentração de propriedade no setor de imprensa e comunicação. Mas esta só se fará quando formos capazes de chamar o problema pelo nome, "modo de produção capitalista" e avançar um alternativa socialista, que não seja apenas algum tipo de "capitalismo popular", "capitalismo nacional", ou "capitalismo democrático".

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Clap, clap, clap, clap

Fora, talvez, um certo grau de irrealismo no final do comentário. Porque o problema de nao termos enfrentado essas questoes fundamentais é, pelo menos em grande parte, NAO TERMOS FORÇA SUFICIENTE PARA ISSO, nem em termos da realidade política brasileira nem em termos de consciência da populaçao. Entao, se come pelas beiradas enquanto dá, e chega um ponto que nao dá mais. Ou temos a ilusao de que a situaçao de poder atual e as regras políticas realmente permitiriam a mudança de regime? Ou, ilusao maior ainda, de que temos força política suficiente para passarmos por cima delas?

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Soyons réalistes, demandons

Soyons réalistes, demandons l'impossible.

Sim, você tem razão: mais não foi feito por que nos faltou força política para isso. Porém a estratégia, escrita e documentada e aprovada nos encontros e congressos do PT, era:

ganhar a presidência da república como instrumento num processo de acumulação de forças em direção à transformação social

(Cito de memória; as palavras certamente serão outras, mas o conteúdo é/era/foi esse.)

Porém a presidência da república não foi usada como instrumento para acumular forças em direção à transformação social. Ao contrário, a carência de forças foi usada como instrumento para evitar tensionamentos com a ordem vigente. E é isso que tem de mudar. Ou bem usamos as posições no aparelho de Estado para demonstrar, didaticamente, os limites da ordem vigente e portanto a necessidade de mudá-la, ou fazer política se torna um exercício de administração da impossibilidade de qualquer mudança substantiva. E aí, erramos. Digo isso como petista, militante e filiado, que não vai mudar de partido por causa do impeachment, da Lava Jato, da condenação penal do Zé Dirceu - e, muito menos, por causa de uma derrota eleitoral bastante previsível.

Seu voto: Nenhum

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