Enviado por Odonir Oliveira
Reitero cada palavra cantada por Ednardo, Belchior e Amelinha, da década de 1970 até aos últimos anos… até 2015.
A Palo Seco
Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava
De olhos abertos, lhe direi:
Amigo, eu me desesperava
Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 76
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente eu grito em português
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente eu grito em português
Tenho vinte e cinco anos
De sonho e de sangue
E de América do Sul
Por força deste destino
Um tango argentino
Me vai bem melhor que um blues
Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 76
E eu quero é que esse canto torto
Feito faca, corte a carne de vocês
E eu quero é que esse canto torto
Feito faca, corte a carne de vocês
Sergio Saraiva
27 de junho de 2015 9:23 pmCorre o boato
de que A Palo Seco é uma resposta a resposta que Raul Seixas teria dado a Beelchior.
Belchior chamou Caetano de velho compositor baiano, então, Raul teria dito que Belchior só sabia reclamar e que ele, Raul, não era “apenas o cantor”.
Belchior teria respondido que enquanto alguns sonhavam de olhos abertos, ele se desesperava.
Raul morreu, Belchior se encontra em local incerto então sabido e Caetano… bom, Caetano tornou-se uma metamorfose ambulante que ora dá no cravo, ora na ferradura.
Amo a todos os três.
alfeu
28 de junho de 2015 12:53 am*
“A Palo Seco” ; João Cabral de Melo Neto
1.1.
Se diz a palo seco
o cante sem guitarra;
o cante sem; o cante;
o cante sem mais nada;
se diz a palo seco
a esse cante despido:
ao cante que se canta
sob o silêncio a pino.
1.2.
O cante a palo seco
é o cante mais só:
é cantar num deserto
devassado de sol;
é o mesmo que cantar
num deserto sem sombra
em que a voz só dispõe
do que ela mesma ponha.
1.3.
O cante a palo seco
é um cante desarmado:
só a lâmina da voz
sem a arma do braço;
que o cante a palo seco
sem tempero ou ajuda
tem de abrir o silêncio
com sua chama nua.
1.4.
O cante a palo seco
não é um cante a esmo:
exige ser cantado
com todo o ser aberto;
é um cante que exige
o ser-se ao meio-dia,
que é quando a sombra foge
e não medra a magia.
2.1.
O silêncio é um metal
de epiderme gelada,
sempre incapaz das ondas
imediatas da água;
A pele do silêncio
pouca coisa arrepia:
o cante a palo seco
de diamante precisa.
2.2.
Ou o silêncio é pesado,
é um líquido denso,
que jamais colabora
nem ajuda com ecos;
mais bem, esmaga o cante
e afoga-o, se indefeso:
a palo seco é um cante
submarino ao silêncio.
2.3.
Ou o silêncio é levíssimo,
é líquido e sutil
que se ecoa nas frestas
que no cante sentiu;
o silêncio paciente
vagaroso se infiltra,
apodrecendo o cante
de dentro, pela espinha.
2.4.
Ou o silêncio é uma tela
que difícil se rasga
e que quando se rasga
não demora rasgada;
quando a voz cessa, a tela
se apressa em se emendar:
tela que fosse de água,
ou como tela de ar.
3.1.
A palo seco é o cante
de todos mais lacônico,
mesmo quando pareça
estirar-se um quilômetro:
enfrentar o silêncio
assim despido e pouco
tem de forçosamente
deixar mais curto o fôlego.
3.2.
A palo seco é o cante
de grito mais extremo:
tem de subir mais alto
que onde sobe o silêncio;
é cantar contra a queda,
é um cante para cima,
em que se há de subir
cortando, e contra a fibra.
3.3.
A palo seco é o cante
de caminhar mais lento:
por ser a contra-pelo,
por ser a contra-vento;
é cante que caminha
com passo paciente:
o vento do silêncio
tem a fibra de dente.
3.4.
A palo seco é o cante
que mostra mais soberba;
e que não se oferece:
que se toma ou se deixa;
cante que não se enfeita,
que tanto se lhe dá;
é cante que não canta,
cante que aí está.
4.1.
A palo seco canta
o pássaro sem bosque,
por exemplo: pousado
sobre um fio de cobre;
a palo seco canta
ainda melhor esse fio
quando sem qualquer pássaro
dá o seu assovio.
4.2.
A palo seco cantam
a bigorna e o martelo,
o ferro sobre a pedra
o ferro contra o ferro;
a palo seco canta
aquele outro ferreiro:
o pássaro araponga
que inventa o próprio ferro.
4.3.
A palo seco existem
situações e objetos:
Graciliano Ramos,
desenho de arquiteto,
as paredes caiadas,
a elegância dos pregos,
a cidade de Córdoba,
o arame dos insetos.
4.4
Eis uns poucos exemplos
de ser a palo seco,
dos quais se retirar
higiene ou conselho:
não o de aceitar o seco
por resignadamente,
mas de empregar o seco
porque é mais contundente.
(http://gilvanmelo.blogspot.com.br/2010/11/palo-seco-joao-cabral-de-melo-neto.html)
[video:https://www.youtube.com/watch?v=DI6CMVGqWZ4 align:center]
tiao
28 de junho de 2015 1:35 pmMaravilha!!! Meu domingo será
Maravilha!!! Meu domingo será melhor,tenho certeza.Há quanto tempo não ouvia… Obrigado!
Odonir Oliveira
28 de junho de 2015 8:31 pmÉ preciso mais que ouvir. Sentir.
ÁGUA GRANDE
[video:https://www.youtube.com/watch?v=PdDs5sbL7z4%5D
DESEMBARQUE
[video:https://www.youtube.com/watch?v=OlgIgri6khY%5D
TREM DO INTERIOR
[video:https://www.youtube.com/watch?v=mVeAlnEPY1g%5D
AUSÊNCIA
[video:https://www.youtube.com/watch?v=0jCtXqyxFGc%5D
ALAZÃO – CLARÕES
[video:https://www.youtube.com/watch?v=HTN6x5c23tE%5D
Anna Dutra
29 de junho de 2015 2:11 amObrigada pelo belo post e
Obrigada pelo belo post e pela acolhida. Uma beleza de fim de semana!
Abraços rimados!