9 de julho de 2026

Reiteradamente: “A palo seco”, Belchior, Ednardo e Amelinha

Enviado por Odonir Oliveira

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Reitero cada palavra cantada por Ednardo, Belchior e Amelinha, da década de 1970  até aos últimos anos…  até 2015.

A Palo Seco

Belchior

Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava
De olhos abertos, lhe direi:
Amigo, eu me desesperava
Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 76
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente eu grito em português
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente eu grito em português

Tenho vinte e cinco anos
De sonho e de sangue
E de América do Sul
Por força deste destino
Um tango argentino
Me vai bem melhor que um blues

Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 76
E eu quero é que esse canto torto
Feito faca, corte a carne de vocês
E eu quero é que esse canto torto
Feito faca, corte a carne de vocês

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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5 Comentários
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  1. Sergio Saraiva

    27 de junho de 2015 9:23 pm

    Corre o boato

    de que A Palo Seco é uma resposta a resposta que Raul Seixas teria dado a Beelchior.

    Belchior chamou Caetano de velho compositor baiano, então, Raul teria dito que Belchior só sabia reclamar e que ele, Raul, não era “apenas o cantor”.

    Belchior teria respondido que enquanto alguns sonhavam de olhos abertos, ele se desesperava. 

    Raul morreu, Belchior se encontra em local incerto então sabido e Caetano… bom, Caetano tornou-se uma metamorfose ambulante que ora dá no cravo, ora na ferradura.

    Amo a todos os três.

  2. alfeu

    28 de junho de 2015 12:53 am

    *

    “A Palo Seco” ; João Cabral de Melo Neto

     

     

    1.1.
    Se diz a palo seco
    o cante sem guitarra;
    o cante sem; o cante;
    o cante sem mais nada;
    se diz a palo seco
    a esse cante despido:
    ao cante que se canta
    sob o silêncio a pino.

    1.2.
    O cante a palo seco
    é o cante mais só:
    é cantar num deserto
    devassado de sol;
    é o mesmo que cantar
    num deserto sem sombra
    em que a voz só dispõe
    do que ela mesma ponha.

    1.3.
    O cante a palo seco
    é um cante desarmado:
    só a lâmina da voz
    sem a arma do braço;
    que o cante a palo seco
    sem tempero ou ajuda
    tem de abrir o silêncio
    com sua chama nua.

    1.4.
    O cante a palo seco
    não é um cante a esmo:
    exige ser cantado
    com todo o ser aberto;
    é um cante que exige
    o ser-se ao meio-dia,
    que é quando a sombra foge
    e não medra a magia.

    2.1.
    O silêncio é um metal
    de epiderme gelada,
    sempre incapaz das ondas
    imediatas da água;
    A pele do silêncio
    pouca coisa arrepia:
    o cante a palo seco
    de diamante precisa.

    2.2.
    Ou o silêncio é pesado,
    é um líquido denso,
    que jamais colabora
    nem ajuda com ecos;
    mais bem, esmaga o cante
    e afoga-o, se indefeso:
    a palo seco é um cante
    submarino ao silêncio.

    2.3.
    Ou o silêncio é levíssimo,
    é líquido e sutil
    que se ecoa nas frestas
    que no cante sentiu;
    o silêncio paciente
    vagaroso se infiltra,
    apodrecendo o cante
    de dentro, pela espinha.

    2.4.
    Ou o silêncio é uma tela
    que difícil se rasga
    e que quando se rasga
    não demora rasgada;
    quando a voz cessa, a tela
    se apressa em se emendar:
    tela que fosse de água,
    ou como tela de ar.

    3.1.
    A palo seco é o cante
    de todos mais lacônico,
    mesmo quando pareça
    estirar-se um quilômetro:
    enfrentar o silêncio
    assim despido e pouco
    tem de forçosamente
    deixar mais curto o fôlego.

    3.2.
    A palo seco é o cante
    de grito mais extremo:
    tem de subir mais alto
    que onde sobe o silêncio;
    é cantar contra a queda,
    é um cante para cima,
    em que se há de subir
    cortando, e contra a fibra.

    3.3.
    A palo seco é o cante
    de caminhar mais lento:
    por ser a contra-pelo,
    por ser a contra-vento;
    é cante que caminha
    com passo paciente:
    o vento do silêncio
    tem a fibra de dente.

    3.4.
    A palo seco é o cante
    que mostra mais soberba;
    e que não se oferece:
    que se toma ou se deixa;
    cante que não se enfeita,
    que tanto se lhe dá;
    é cante que não canta,
    cante que aí está.

    4.1.
    A palo seco canta
    o pássaro sem bosque,
    por exemplo: pousado
    sobre um fio de cobre;
    a palo seco canta
    ainda melhor esse fio
    quando sem qualquer pássaro
    dá o seu assovio.

    4.2.
    A palo seco cantam
    a bigorna e o martelo,
    o ferro sobre a pedra
    o ferro contra o ferro;
    a palo seco canta
    aquele outro ferreiro:
    o pássaro araponga
    que inventa o próprio ferro.

    4.3.
    A palo seco existem
    situações e objetos:
    Graciliano Ramos,
    desenho de arquiteto,
    as paredes caiadas,
    a elegância dos pregos,
    a cidade de Córdoba,
    o arame dos insetos.

    4.4
    Eis uns poucos exemplos
    de ser a palo seco,
    dos quais se retirar
    higiene ou conselho:
    não o de aceitar o seco
    por resignadamente,
    mas de empregar o seco
    porque é mais contundente.

    (http://gilvanmelo.blogspot.com.br/2010/11/palo-seco-joao-cabral-de-melo-neto.html)

     

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=DI6CMVGqWZ4 align:center]

     

  3. tiao

    28 de junho de 2015 1:35 pm

    Maravilha!!! Meu domingo será

    Maravilha!!! Meu domingo será melhor,tenho certeza.Há quanto tempo não ouvia… Obrigado!

  4. Odonir Oliveira

    28 de junho de 2015 8:31 pm

    É preciso mais que ouvir. Sentir.

    ÁGUA GRANDE

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=PdDs5sbL7z4%5D

    DESEMBARQUE

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=OlgIgri6khY%5D

    TREM DO INTERIOR

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=mVeAlnEPY1g%5D

     

    AUSÊNCIA

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=0jCtXqyxFGc%5D

     

    ALAZÃO – CLARÕES

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=HTN6x5c23tE%5D

     

     

     

    1. Anna Dutra

      29 de junho de 2015 2:11 am

      Obrigada pelo belo post e
      Obrigada pelo belo post e pela acolhida. Uma beleza de fim de semana!

      Abraços rimados!

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