As forças do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) realizaram uma nova rodada de bombardeios contra o Irã, elevando a tensão no Oriente Médio após o presidente Donald Trump declarar o fim do acordo de paz com Teerã. Em duas noites de ofensiva, os militares americanos atacaram cerca de 170 alvos estratégicos na costa iraniana, incluindo o perímetro de uma usina nuclear.
Segundo o Ministério da Saúde do Irã, as ações americanas deixaram 14 mortos e 78 feridos nos últimos dois dias. O governo dos EUA justificou a retaliação como uma resposta direta à violação de um cessar-fogo por parte do Irã, que teria afundado 28 embarcações comerciais na terça-feira (7). O objetivo dos ataques, segundo Washington, é reduzir a capacidade iraniana de ameaçar a navegação civil no Estreito de Ormuz.
Durante coletiva de imprensa em Ancara, na Turquia, Trump subiu o tom contra o governo iraniano e sinalizou a continuidade das operações. “Vou dar um pequeno aviso: vamos atacá-los com força esta noite“, declarou a repórteres. Ele acrescentou: “Se for preciso, cortaremos o sistema de energia elétrica e as estações de tratamento de água, mas não queremos isso“.
Explosões perto de reator nuclear
Na quinta-feira (9), várias explosões foram registradas por volta do meio-dia na província costeira de Bushehr. O vice-governador da região afirmou à mídia estatal que projéteis americanos atingiram a área ao redor da usina nuclear local. Não há relatos de danos estruturais à instalação ou de alteração nos níveis de radiação. Um píer de pesca também foi atingido.
Ao longo das últimas duas noites, os bombardeios americanos destruíram sistemas de defesa aérea, ativos de vigilância costeira, armazéns de mísseis e drones, além de infraestrutura logística militar.
Na periferia de Ahvaz, três pessoas morreram. Outros oito militares da Força Aérea e da Marinha iraniana faleceram em ataques prévios em Bandar Abbas e Bushehr.
Teerã promete retaliação em dobro
Em resposta, o governo iraniano ameaçou fechar o Estreito de Ormuz, o corredor marítimo por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás mundial. A via havia sido reaberta justamente com o acordo firmado no mês passado. Uma fonte de segurança afirmou à emissora Press TV que Teerã atacará alvos inimigos numa proporção de “pelo menos dois para um” caso as promessas de Trump se concretizem.
Paralelamente, a Guarda Revolucionária Islâmica assumiu a autoria de ataques a bases militares dos EUA no Kuwait e no Bahrein, utilizando mísseis contra as instalações de Arifjan, Ali al-Salem, Jufayr e Sheikh Isa.
A força armada iraniana advertiu que irá expandir as operações na região se os bombardeios americanos não cessarem.
Deixe um comentário