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Seca se agrava no Sistema Cantareira

Enviado por Webster Franklin

Do Tijolaço

Seca se agrava e Cantareira tem seu pior dia desde a “gambiarra”

Fernando Brito  

 

Ontem, ao longo do dia, entraram só 125 milhões de litros de água no Sistema Cantareira.

E saíram, mesmo sendo um sábado, dia de menor consumo, 2 bilhões de litros.

São dados oficiais da própria Sabesp.

A vazão afluente foi de 1,45 metros  cúbicos por segundo, a segunda menor do ano.

Mas, o “saldo” hídrico foi o pior desde o início do bombeamento, porque, no dia da menor afluência (0,8 m³/s, em 22 de maio), a liberação de água para os rios de sua bacia estava  um metro cúbico por segundo abaixo da atual.

A saída de água pelo Túnel 5, por onde a água do Cantareira se junta ao reservatório de Paiva Castro (onde estão entrando cerca de 2 m³/s), registrou uma vazão de 19,19 m³ que, somada aos 4 m³/s liberados para os rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, dá 23,19 m³/s de vazão defluente total.

vazão

A diferença entre o que entra e o que sai de água voltou aos dias terríveis de fevereiro, como você pode ver no gráfico, mesmo com muito menos água liberada.

Basta fazer as contas com os 180 bilhões de litros que remanescem no Cantareira, aí incluído todo o volume que se espera bombear para o abastecimento da Grande São Paulo.

Até o final da semana que se inicia, metade do volume previsto para bombeamento do maior reservatório, o Jaguari-Jacareí, já terá sido retirado. Um pouco menos de dois meses depois de ser iniciado.

Mantido o ritmo atual e se todas as previsões otimistas da Sabesp estiverem certas, a segunda metade durará menos de um mês: em torno de 15 de agosto.

Com otimismo, porque os reservatórios, neste momento, se assemelham mais a um conjunto de canais do que a represas.

Restarão então dois meses da água abaixo da tomada d’água do reservatório Atibainha.

chuva

Isso se todas as “gambiarras” funcionarem plenamente e as afluências melhorarem um pouco.

Nos seis primeiros dias de julho, a água afluente chegou a meros 2,3 m³/s, pouco mais de 20% da mínima mensal já registrada desde 1930, que é de 11,7 m³/s.

Novamente, os dados estão disponíveis e é só nossa imprensa querer tratar o assunto com a gravidade que ele tem.

A necessidade de racionamento de água, que era dramática, tornou-se desesperadora e esconder isso é tão grave que não é possível que um governante o faça, por razões eleitorais.

Não é possível sustentar a retirada de água no volume em que está sendo feita.

Nem mesmo o remanejamento de parte dos consumidores do cantareira para o sistema Alto Tietê pode ser mantido, porque o ritmo de esvaziamento deste que é o segundo maior fornecedor de água para os paulistanos também aponta pouco mais de 100 dias de consumo: tem 24,8% de seu volume útil e cai a 0,2% ao dia.

Manter o ritmo atual de consumo é loucura.

Pode ser a sobrevivência eleitoral de Alckmin.

Mas é o suicídio de nossa maior metrópole.

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Uma solução

Tenha Fé Alkimin.

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Pode-se enganar alguem por algum tempo, muitos por muito tempo, mas não todos o tempo todo!

Tucanaram a agua

Ah, mas agora com o Alckmin ligadão em seu iPhone com aplicativo do tempo, ta tudo resolvido. Eh so fazer o mesmo ! Quando o aplicativo indicar chuva, preparem as crianças para o banho e coloquem as bacias nas calçadas ! 

 

 

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Jose Borges

Uma questão importante é a

Uma questão importante é a utilização em grande escala de poços artesianos para uso residencia, industrial e agricola. Isso diminui o  volume de agua que sobe naturalmente à superficie reduzindo a vazão de corregos ,nascentes  e rios. Com a perspectiva de racionamento, quem tem condições financeiras vai fazer um poço artesiano contribuindo para piorar os reservatórios.

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Paulo F.

Região Metropolitana de São Paulo é órfã de pai e mãe!

Do site do IE-SPem:

http://ie.org.br/site/noticias/exibe/id_sessao/4/id_noticia/3672/Associa...

Associado ao Instituto envia recomendação para os candidatos ao governo do EstadoPor Julio Cerqueira César NetoPublicado em 19 de maio de 2010

Associado ao Instituto desde 1954, Julio Cerqueira César Neto é membro da Divisão Técnica de Engenharia Sanitária do Instituto e um dos organizadores do Seminário Enchentes na Região Metropolitana de São Paulo. Recentemente ele enviou uma recomendação aos candidatos ao Governo do Estado de São Paulo no qual citou os seguintes pontos: 

A Região Metropolitana de São Paulo é órfã de pai e mãe, não tem ninguém nem nenhuma instituição que se preocupe e/ou cuide dela. 

O Comitê da Bacia do Alto Tietê e sua Agência, única instituição na região capaz de impor alguma racionalidade no seu processo de desenvolvimento através do gerenciamento dos recursos hídricos se encontra praticamente desativado desde Maio de 2006. 

A Calha do Tietê extravasou 4 vezes nos últimos meses devido ao assoreamento do seu leito que praticamente não é limpo desde a inauguração da sua ampliação há já quase 5 anos.
Os canais do Pinheiros extravasaram 2 vezes nos últimos meses por deficiência de operação e manutenção de suas bombas. 

O Tamanduateí extravasa várias vezes todos os anos. 

A bacia do Alto Tietê à montante da barragem da Penha continua a apresentar urbanização incompatível com as necessidades de manutenção das vazões de restrição e a proteção dos seus 5 mananciais. Tem apresentado também enchentes das várzeas ocupadas devido ao intenso assoreamento do seu canal principal. 

A Sabesp estabeleceu como prioridade o atendimento dos seus acionistas em detrimento dos seus usuários, pois praticamente não investe em novos mananciais após a conclusão do Sistema Cantareira há quase 20 anos e em tratamento de esgotos há mais de 10 anos. Além do mais continua lançando a maior quantidade dos esgotos que coleta nos rios e córregos sem tratamento. Continua também cobrando pelos esgotos sem na realidade prestar esse serviço. 

Os mananciais da região continuam desprotegidos agravando a qualidade de suas águas e mesmo assim a Sabesp mantém seus sistemas de tratamento convencionais já superados para tratar essas águas. 

A operação dos reservatórios da região continua sem comando. DAEE, SABESP e EMAE operam os seus de forma independente. A Sabesp demonstrou no último ano hidrológico que operou o Sistema Cantareira priorizando o abastecimento de água desprezando a necessidade de controle de cheias provocando enchentes na bacia do Piracicaba à jusante dos reservatórios.
O DAEE ainda não se organizou adequadamente para manter e operar os piscinões sob sua guarda.

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Será que Alckmin é tão

Será que Alckmin é tão provinciano a ponto de achar, cinicamente, que 3 dias de chuva irão salvar o Sistema Cantareira? Essa reportagem é inacreditável. Não tenho nem palavras para comentá-la:
 

Alckmin usa aplicativo de celular para prever chuva no Cantareira

RAFAEL ITALIANI E FABIO LEITE - O ESTADO DE S. PAULO

07 Julho 2014 | 12h 18

Sistema registrou nova queda, de 0,2 ponto porcentual, chegando a 19,4% da capacidade

SÃO PAULO - O governador Geraldo Alckmin (PSDB) usou um aplicativo que vem instalado no iPhone para monitorar a possibilidade de chuva nas cidades com represas do Sistema Cantareira, que vive a maior crise de abastecimento da história. Na manhã desta segunda-feira, 7, durante uma coletiva de imprensa, o candidato à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes pediu o aparelho celular dele para informar aos jornalistas em quais dias da semana deveria chover no manancial.

 

 

Nesta segunda-feira, o Estado revelou que o Cantareira tem apenas 25% de probabilidade de se recuperar após a próxima temporada de chuvas, segundo análise estatística feita pelo comitê anticrise que monitora a seca no manancial. "Há uma expectativa de que possa chover a partir das 18h. Depois, chuva na terça-feira, na quarta-feira e na quinta", informou Alckmin aos jornalistas que o acompanhavam em uma visita técnica no Palácio Campos Elíseos. O edifício está sendo restaurado pela Secretaria de Estado da Cultura. O governador continuou interagindo com o aparelho e aproveitou para checar a previsão do tempo nas cidades de Joanópolis, Nazaré Paulista e Mairiporã, onde ficam quatro das represas do Cantareira, Salesópolis, onde fica um reservatório do Sistema Alto Tietê.

 

 

 

Nesta segunda-feira, o nível do Cantareira registrou nova queda, de 0,2 ponto porcentual, chegando a 19,4% da capacidade, segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Estimativas feitas pela concessionária apontam que os 182,5 bilhões de litros do chamado "volume morto" do sistema devem acabar entre outubro e novembro deste ano. 

 

 

Mínima da mínima histórica. Segundo o governador, o Estado se preparou para ter "a mínima da mínima histórica". De acordo com ele, com esse cenário será possível ultrapassar o período seco até a temporada de chuvas, a partir do final do ano. Na semana passada, Alckmin já havia afirmado que não chove em mês que tem a letra 'r'. O governador ainda falou que outros reservatório da cidade como Rio Grande, Rio Claro e Guarapiranga começarão a disponibilizar água para o Sistema Cantareira. 

 

 

"Ainda há uma reserva de 218 milhões de metros cúbicos que não pretendemos destacar", disse o governador. Segundo ele, o uso racional de água em São Paulo está fazendo com que o consumo seja de 4 mil litros a menos por segundo. "Somos o único Estado brasileiro que deu o bônus."

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O governo tem duas

O governo tem duas alternativas de solução do problema.

Uma estrutural e de mais tempo, outra emergencial e imediata.

Uma é do proprio governo outra da iniciativa privada.

A do governo como não poderia deixar de ser é uma obra faraonica e de alguns anos para implantação. E mesmo assim podera ser um enorme desperdicio de dinheiro publico se as condições climaticas naquela região sofreram uma alteração permanente. Se naquela região não voltar a chover mais como antes todo dinheiro colocado ali vai pro ralo. (Sem trocadilho). É do conhecimento que as condições climaticas naquela região vem se alterando nos ultimos dez anos. É pra se pensar seriamente nesta possibilidade.

A da iniciativa privada resolve o problema de imediato utilizando a tecnologia ja existente.

Qual o governo vai utilizar?

O tragico desta situação que o mais viavel é utilizar a agua poluida ja existente da billigs e da guarapiranga, não existe alternativa.

 

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Pode-se enganar alguem por algum tempo, muitos por muito tempo, mas não todos o tempo todo!

Poluir a própria água que se bebe.

Uma tentativa de despoluir o rio Pinheiros objetivando permitir seu bombeamento para a represa Billings foi encetada em janeiro de 2001 com a implantação de uma planta piloto utilizando a técnica de flotação, com capacidade de 10 m3/s, instalada no leito do rio próximo à elevatória de Pedreira.

Contudo, em 2011  embora os testes indicassem uma certa melhoria na qualidade das águas, os resultados não foram suficientes de modo a permitir o bombeamento da água do rio para a Billings. Segundo o promotor José Eduardo Ismael Lutti, “a qualidade da água obtida nos testes não atende os padrões legais e certamente virá a causar danos irreversíveis à Billings e, possivelmente, em consequência, à Guarapiranga, tanto sob o ponto de vista ambiental quanto no de saúde pública”.

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Pode-se enganar alguem por algum tempo, muitos por muito tempo, mas não todos o tempo todo!

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Jicxjo

Ô Fernando Brito,

Ô Fernando Brito, tecnicamente suas análises são imbatíveis, mas parece que no contexto goebelliano em que vivemos a técnica não importa frente à versão imposta por quem pode gritar mais alto. Se um milagre (um dilúvio ou um tsunami para encher a Cantareira) não ocorrer, a mídia já deve ter o plano B, o plano C, etc.:

- Se o Alckmin ganhar, dirão que a culpa é da combinação de uma população gastona, de um São Pedro (ou de uma natureza) petralha e sobretudo da prefeitura do Haddad (caçarão qualquer exemplo de desperdício de água, real ou inventado, na administração municipal: funcionários públicos escovando os dentes com torneira aberta, bla bla bla);

- Se o Padilha ou o Skaf ganharem, falarão que os mesmos é que foram incompetentes, noticiando os problemas apenas a partir de Janeiro de 2015. Até lá, desviará o foco enquanto puder, minimizando a extensão do problema (ao mesmo tempo, celebrará uma segunda gambiarra do governo sainte, o aproveitamento da "reserva estratégica" de esgoto, digo, de água do Tietê).

Enquanto isso, em qualquer cenário, os empresários de carro-pipa ganharão rios de dinheiro como jamais imaginado, estando garantido o financiamento de futuras campanhas do picolé e associados.

Até quando, nestes tempos pós- ou hipermodernos, continuará a população a viver nessa realidade virtual construída pela matrix midiática? Há esperança de que um dia o controle da narrativa social torne-se democrático e sobretudo republicano, voltando a estar minimamente lastreada em fatos, ou estaremos condenados pelas tecnologias de comunicação a viver para sempre à margem de um simulacro baudrillardiano implantado pelos poderosos da vez?

 

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Iara G

Uma coisa que agrava foi colocada no blog, semana passada

É que a esta época a baixa umidade do ar e do solo se faz ativa e vívida. Assim, tem que se "forçar", que se artificializar nas formas de obtenção do líquido, importante e necessário. A tendência é gastar-se mais.

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Sandrotec

Gostaria de uma resposta que

Gostaria de uma resposta que não encontro em nenhum lugar. O que será feito quando o reservatório acabar? 

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Será dito que a culpa é do

Será dito que a culpa é do PT, oras.

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SandrotecSandrotec

Kkkkkkkkk. Poxa Jorge!!! A

Kkkkkkkkk. Poxa Jorge!!! A dúvida é verdadeira mesmo, meu sogro que é um fã do FHC disse que deveriam ser construídas usinas de dessanilização!

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Álvaro Noites

Haja bomba para fazer a água

Haja bomba para fazer a água subir a serra.

Engraçado maa todo eleitor do PSDB tira da cartola essa história de dessalinização. Será que saiu na VEJA?

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Olha, Sandro. Falando sério

Olha, Sandro. Falando sério agora. Eu acho que eles vão direcionar periodicamente a água que vem dos demais reservatórios para atender o pessoal que hoje é abastecido pelo sistema cantareira, talvez uma ou duas vezes por semana, isso enquanto esses reservatórios ainda tiverem água, pois eles também estão secando e com esse "quebra-galho", vão secar ainda mais rápido.

E vão rezar, mas rezar muito pelo retorno das chuvas, em quantidade abundante.

Esse é um caso onde não tem plano B. Qualquer obra para canalizar a água de outros locais ou mesmo a hipótese nada provável de uma usina de dessalinização demorariam tempo que SP não tem.

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No Estadão de hoje

Fiz este comentário mais cedo, mas republico aqui, por considerá-lo importante

Não consigo compartilhar aqui, mas o Estadão de hoje traz mais matérias sobre o Cantareira. Na reportagem principal, mais uma vez, há alguns erros factuais (numéricos, principalmente) relevantes (já que mistura percentuais totais do Sistema Cantareira contando-se ou não com o volume morto), mas dá para ter uma ideia da imensa gravidade da situação. Em síntese, mostra que a chance de o Cantareira se recuperar após o próximo verão é de apenas 25%. E o sentido de "recuperar" é, para mim, bastante leniente, porque consideraria adequado, para tanto, que o sistema estivesse com 37% da sua capacidade útil em Maio do ano que vem - o que forçaria, do mesmo jeito, ou o racionamento ou o uso, novamente, do volume morto em Outubro de 2015.  Cantareira tem apenas 25% de chance de se recuperar após o próximo verão: http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,cantareira-tem-apenas-25-de-chance-de-se-recuperar-apos-o-proximo-verao,1524640  

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Phillip

cantareira

A real solução seria esvaziar, sim, mas a população desta região do estado. Não é e nunca será viável uma aglomeração deste porte. Agora, como fazê-lo, é outra história.

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