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relações perigosas

As relações de Palocci e do BTG Pactual, por Luis Nassif

Não tenho motivos pessoais para gostar de Guido Mantega. Pequeno, mesquinho, inseguro, foi o primeiro Ministro da Fazenda, desde que iniciei a carreira de jornalista econômico, a me colocar na lista negra. Ele e Alexandre Tombini, presidente do Banco Central.

Mas não bate bem esta história de Antônio Pallocci, de que Mantega montara uma central de vazamento de informações financeiras.

Vamos entender um pouco mais esse jogo.

Desde que se criou o chamado Open Market brasileiro – venda diária de títulos públicos e privados – há vazamentos de informação. No governo Sarney, Maílson da Nóbrega tinha um esquema de vazamento de informações, não apenas no Banco Central, mas na Receita Federal – que dispunha de um índice de correção.

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Xadrez do elo desconhecido entre Temer e Yunes

Atualizado às 19:15 do dia 27/02

Qual a razão do primeiro amigo de Michel Temer, José Yunes, ter entrado em pânico, quando seu nome apareceu em delação de executivo da Odebrecht, a ponto de procurar o Ministério Público Federal para uma delação sem sentido?

Aos jornalistas, Yunes disse que lhe foi solicitado por Elizeu Padilha – Ministro-Chefe licenciado da Casa Civil – que recebesse “documentos” em seu escritório. Os tais “documentos”, na verdade, eram propinas pagas pela Odebrecht e levadas até ele pelo notório doleiro Lúcio Funaro.

Aos jornalistas, Yunes declarou ter sido apanhado de surpresa. E, assim que se deu conta do ocorrido, procurou o amigo Temer, que o acalmou.

Ao MPF, declarou que nada disse a Temer.

De sua parte, Temer mandou informar os jornais que exigirá explicações de Padilha.

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Alexandre Moraes, a Transcooper e a advocacia administrativa

Há uma confusão sobre os serviços prestados por Alexandre de Moraes a uma cooperativa de vans supostamente controlada pelo PCC. O problema não são os clientes em si. Não se está demonizado a atuação do advogado que, como tal, pode defender Deus e o diabo, mas o possível uso do escritório como forma de contrapartida a favores conferidos aos clientes, enquanto titular de cargo público. Especialmente depois que se constata, em inúmeros episódios, que uma das formas mais reiteradas de corrupção política é a contratação de escritórios de advocacia ligados a autoridades, como acontece nos tribunais superiores, incluindo o próprio Supremo Tribunal Federal (STF), no Tribunal de Contas da União.

Como Secretário da Kassab, responsável pela regulação do transporte coletivo, Moraes tomou uma série de medidas polêmicas, algumas de amplo interesse da Transcooper – cooperativa supostamente controlada pelo PCC. Assim que deixou o governo e assumiu o escritório de advocacia, foi premiada com as ações cíveis da Transcooper, 123 apenas no Tribunal de Justiça de São Paulo, segundo os últimos levantamentos.

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Os advogados curitibanos “especialistas em Moro”

O site do escritório Arns de Oliveira & Andreazza traz na página principal matéria do jornal Gazeta, de Curitiba, sobre a nova especialidade dos advogados locais:

“Time de advogados curitibanos ‘especialista em Moro’ atrai de Youssef a Cunha.

Esse é o lema que tem permitido a alguns advogados curitibanos vender seus serviços a processados da Lava Jato.

O escritório é de propriedade de Marlus Arns de Oliveira. Marlus assumiu os casos milionários de delação premiada com a saída de Beatriz Catta Preta, a primeira advogada contratada para a delação. Até pouco antes, manifestava-se contra a delação. Qual a razão, então, para um obscuro advogado curitibano, com algumas histórias cabeludas em sua biografia, ter se tornado um especialista em delação?

O título da matéria da Gazeta explica: antes de ser especialista em delação, é especialista no juiz Sérgio Moro.

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Xadrez da reconstrução do Brasil

O PSDB de Sérgio Motta e Mário Covas tinha um projeto de poder de 20 anos, porque pensava em um projeto de Nação. Apostava que a estabilidade econômica e a pacificação política pós-real permitiriam desenvolver um conjunto de políticas legitimadoras que garantissem o poder do partido.

O projeto dançou com a inoperância do governo Fernando Henrique Cardoso e com sua falta de visão política sobre as novas bandeiras a serem içadas.

O PT de Lula entrou, então, com um plano de 20 anos, porque ancorado em um projeto de Nação. Desenvolveu políticas sociais, políticas industriais, avançou nas políticas educacionais e científico-tecnológicas.

Dançou ao não perceber os novos tempos de militância em redes sociais, ao não conseguir se desvencilhar das políticas tradicionais e não dispor de uma estratégia para o segundo governo Dilma.

O grupo que assumiu o poder não tem projeto algum.

Na ponta do PMDB montou o maior assalto ao poder desde o governo Sarney.

Na ponta do mercado, um grupo de economistas que se move exclusivamente por bordões ideológicos e visão de curtíssimo prazo. São a contrapartida do mercado à superficialidade desenvolvimentista de um Guido Mantega.

Já o ex-PSDB tornou-se um partido de direita tosca, perdendo qualquer capacidade de planejamento do futuro. Seus formuladores ou se aposentaram ou desistiram do partido. As lideranças atuais só conseguem articular o discurso da intolerância e do antipetismo.

Não há poder que sobreviva sem um projeto de Nação.

Esse quadro lança o seguinte quebra-cabeças para os próximos anos.

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Serra transforma Itamaraty em bunker golpista, por Jeferson Miola

Serra transforma Itamaraty em bunker golpista

Jeferson Miola

A maioria dos funcionários do Itamaraty, em todos os escalões da carreira – do cargo de Terceiro-secretário ao de Embaixador de 1ª Classe – é educada segundo a tradição que entende que o Ministério das Relações Exteriores é um órgão de Estado, não de governo.

De acordo com essa tradição, o Itamaraty seria uma instituição imune às injunções políticas do governo de turno, porque seria um órgão permanente e regular de representação e de defesa dos interesses do Estado brasileiro no exterior.

Essa distopia institucional ajuda entender a lógica do ex-chanceler da Presidente Dilma, que fez a transmissão de cargo ao chanceler usurpador José Serra. Mauro Vieira foi o único ex-ministro do governo legítimo, em toda Esplanada dos Ministérios, que transmitiu o cargo ao sucessor ilegítimo nomeado pelo presidente usurpador Michel Temer.

O cargo de Ministro não pertencia ao embaixador, e sim à Presidente eleita por 54.501.318 votos para dirigir o Brasil no plano doméstico e no intercâmbio mundial. Por isso, o ex-chanceler não poderia dispor do cargo [que não lhe pertencia] como dispôs, sobretudo no contexto de ruptura constitucional com a farsa do impeachment.

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Serra renega o Brasil, por Fernando Rosa

no Senhor X

Serra renega o Brasil

por Fernando Rosa

Em meados dos anos setenta, o general Ernesto Geisel, então presidente do Brasil, inaugurou uma nova fase da política externa brasileira em relação aos Estados Unidos. Assinou o Acordo Nuclear Brasil-Alemanha, que resultou nas usinas Angra I e II, provocando grande tensão com os ainda parceiros da “doutrina de segurança nacional”. Também abriu relações diplomáticas e comerciais com a República Popular da China, desafiando o núcleo duro dos militares, então comandado pelo general Silvio Frota.

Na época, questionado sobre a proposta de aproximar-se da China, “porque era comunista”, Geisel foi taxativo na defesa de uma política de multilateralidade nas relações internacionais, segundo conta o livro “O caso dos nove chineses”. “Se vocês querem ser coerentes, então, vamos cortar relações com a Rússia também e vamos nos isolar, vamos virar uma colônia dos Estados Unidos”, respondeu ele, mantendo a sua posição. E desde então, a relação entre Brasil e China cresceu até chegar aos níveis atuais.

Passados quarenta anos, nesta semana os golpistas interinos decidiram dar mais um passo para revogar a política externa brasileira, desde Geisel, e retornar ao alinhamento submisso aos Estados Unidos. A declaração de imprensa do ministro de Relações Exteriores José Serra com o Secretário de Estado dos EUA é uma afronta à soberania nacional. Talvez seja a peça mais acovardada de um representante de Estado diante de outro representante de Estado, fora de épocas de guerra – vejam o vídeo abaixo.

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Falta um 11º mandamento na lista bíblica de Dallagnol

Há duas maneiras de ler a Lava Jato: pelas manchetes e pelas entrelinhas.

Já que as manchetes são óbvias, vamos a uma releitura através das entrelinhas do que saiu publicado nos últimos dias.

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O repórter policial da Folha, Frederico Vasconcellos, divulgou trechos de um trabalho de Ségio Moro de 2004, sobre a Operação Mãos Limpas, da Itália. Já havia sido divulgado e analisado no Blog há tempos. Como é repórter policial, restringiu-se aos abusos para-legais analisados por Moro na Mãos Limpas, e vistas por ele como imprescindíveis para a Lava Jato. Tipo, em linguagem policial: tem que manter o suspeito na prisão o máximo de tempo possível afim de que ele abra o bico.

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Mais sofisticado, o colunista Mário Sérgio Conti aborda outros ângulos do trabalho, exaustivamente discutidos no Blog. Um deles, o uso desabusado da imprensa, através do vazamento de notícias visando comandar a pauta.

Aborda também os aspectos geopolíticos da cooperação internacional - a rede internacional de autoridades de vários países, montada inicialmente para o combate à narcotráfico e ao terrorismo e, depois, estendida para outras atividades ilícitas, sob controle estrito das autoridades norte-americanas.

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Aqui, mostramos claramente que a cooperação internacional tornou-se uma peça da geopolítica norte-americana, visando impedir concorrência desleal de empresas de outros países contra as americanas.

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O espetáculo do 'desagravo' a Eduardo Cunha, por Chico Alencar

O espetáculo do 'desagravo' a Eduardo Cunha, por Chico Alencar

A sucessão de louvores começou com o PSDB e desfila por todos os partidos, à nossa exceção. Antes mesmo do início da fala de Eduardo Cunha na CPI da Petrobras, alertei ali que não poderia acontecer uma sessão laudatória, de mera manifestação de apoio ao presidente sob investigação. Não é essa a função de uma Comissão Parlamentar de Inquérito!

Também disse que seria um depoimento necessariamente parcial, isto é, de uma só parte, de uma única visão.

A exemplo do que vai acontecer com Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras – que será de fato inquirido, depois do depoimento revelador de Barusco – deveriam ter sido ouvidos antes na CPI aqueles citados na petição de inquérito da Procuradoria Geral da República contra ele: Fernando Baiano, figura central (com quem Cunha reconhece ter tido "relações por ser ele representante de uma empresa espanhola com negócios com Eike Batista"!); Alberto Youssef, o empresário Julio Camargo; o policial Jayme Oliveira; Rafael Angulo (contabilista do doleiro); Francisco Reis; Jorge Picciani.

Também a ex-deputada Solange Almeida teria o que dizer.

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Para entender Eduardo Cunha, por Victor Hugo Agudo Romão

Por Victor Hugo Agudo Romão

Para entender Eduardo Cunha

A vitória acachapante de Eduardo Cunha para Presidente da Câmara explicitou um processo que ocorre desde o início do 1º governo de Dilma Rousseff: o de fortalecimento do lobby empresarial no legislativo brasileiro.

Dilma buscou enfraquecer a velha política. As emendas parlamentares foram distribuídas a conta gotas, os ministros tinham a tutela de secretários-executivos da confiança da presidenta e pouco podiam se manifestar, feudos importantes nas estatais foram desfeitos. O PAC reduziu a importância dos parlamentares na negociação de grandes obras, pelo menos para a maioria do congresso. O RDC (Regime Diferenciado de Contratação) reduziu a discricionariedade do gestor especialmente em pequenas e médias obras.

Nem mesmo a arte de simular influência, tão comum na política, foi permitida aos congressistas. Não havia carona no avião presidencial e a sonhada foto do parlamentar descendo do avião em sua base ao lado de um presidente da república. Dilma pouco recebia os congressistas no Palácio do Planalto e eram raras as fotos ao seu lado.

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Estados Unidos e Cuba: o recomeço, por Daniel Afonso da Silva

On a new beginning foi o primeiro grande discurso do presidente Barack Obama. Proferido no Cairo, a 4 de junho de 2009, representou a disposição do recém-empossado líder norte-americano em recomeçar contatos quebrados. Primeiro com o mundo muçulmano, demonizado pelos Estados Unidos após os ataques do 11 de setembro de 2001. Depois com todos aqueles ainda hostis aos Estados Unidos.

Sete semanas antes de sua eleição, o mundo presenciara a quebra do Lehman Brothers e a consolidação do pânico decorrente da instalação mundial da crise financeira.

No primeiro instante era consensual imputar aos Estados Unidos e ao presidente George Bush as motivações e as razões de toda a crise. A guerra ao terror tinha, havia muito, se revelado um fracasso na forma e no conteúdo. A investida no Iraque era entendida pela opinião como o núcleo de todas as frustrações e crises.

Ao menos desde a execução, claramente arbitrária, de Saddam Hussein, muitos norte-americanos e não-norte-americanos insuflavam crise de confiança nos gestos e ações dos Estados Unidos e do presidente Bush.

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