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Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana

Jarirí, entoncis, pegô Tuxo nu cólo i foi descenu o corredor bem divagarim inté chegá na garaje. Nicanor e Cascatim já estavam lá.

- Ieu já fiz a ligassão direta, Jarirí. Tamos pronto pá partir. Tomara que o pórtão arrebente rápido. Eu acho qui vai dá tudo cérto.

- Ucê viu se tem gasolina?

- O tanque tá cheio. 

Indaí, Nicanor deu a faísca nos dois fio i o carro ligô. Acelerô nô máchimo i foi de encontro ao pórtão, que feizi um barulhão i escancarô abrino a passajem.

- Nóssa! Cumu é bunita a libérdadi! Sélviçu compréto. Lógo a jienti vai tá in casa. Lógo Tuxo vai sê remendado i tudo vai dá cérto. Viva nóis! È o demonho na rua, nu mei do rédemuínho!

- Viva o mundo, gira-mundo!

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Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana

Cum muito jeito, Jarirí condusiu Tuxo inté a jinéla. Na hóra di pulá, eile viu qui os dois braçu di Tuxo tavam québradu, o que siria um póbrema pá eile pulá, num dava pá fazê força com os braçu balançando daquele jeito sem controle. E foi aí qui eile teve a idéia di pegá uma cadeira. Colocô Tuxo sentadu néla, passô pela jinéla, sigurô nos subaco deile i foi puxanu divagarim inté qui finalmente cunsiguiu transpor eile. 

- Cumo é qui ucê tá, Tuxo?

- Tô cum muitas doris. Paréce qui meu cuórpo todo tá arrentadu.

- E tá mesmo, mestre Bódim vai tê muito trabaio pá te curá.

- Ié vérdadi, num vejo a hóra di chegá lá.

- Agóra nós vamu ir inté a garaje da casa, Nicanor e Cascatim já devem tá drentu du carro, ispéranu a jienti chegá. A premera métadi du plano tá feita.

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Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana

Eiles, entoncis, ficaru ispéranu qui us assassinus fossem durmí. Adispois de uma hóra e meia, Jarirí résorveu pulá o pórtão pá vê se eiles tinham ido pra cama. Anssim qui chegô na jinéla do quarto, viu qui sim, eiles tinham dexado Tuxo sózinho. Éira a chance qui eie tinha di libertá Tuxo. Cum muito cuidadu, Jarirí escancarô a jinéla, qui éira baixinha, i pulô pá drentu. Cuandu chegô pérto di Tuxo, viu o quanto eile tinha sido machucado, o rosto deile tava parécenu um bife crú. Dessamarrô as córda qui tavam prendenu as mão deile pá trás, i cumessô a chacualhá eile.

- Tuxo! Tuxo! Acórda! Ieu vo te libertá. Ucê conségui andá?

- Eu acho qui sim. Graças a deuso ucê chegô. 

- Ucê conségui pulá a jinéla? Éila é baixinha. Eu vo te ampará.

- Ieu tenho di conseguí di quarqué jeito.

- Entoncis, vamo caminhá inté lá. Vai sê fácil.

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Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana

Entoncis, Jarirí viu qui a garaje da casa ficava ao lado.

- Óia, Nicanor. Tem um artomóvil na garage, paréci qui é um fusca.

- Ié vérdadi. Ieu seio fazê ligassão diréta in quarqué carro.

- Adondi ucê aprendeu a fazê uilsso?

- In antes di sê capanga, ieu fiz parte duma quadrilha qui róbava carro na capitar.

- A féchadura da garaji é iguar a do pórtão de entrada. Ucê faizi u sélviçu nu carro, eu trago Tuxo, ucê acelera u fusca nu úrtimo, arrebenta o pórtão i a jiente iscapa desse inférno.

- É uilsso memo, o fusca vai aguentá, o motor fica atráiz do carro. Vai sê fácil istourá o pórtão.

- Vamu isperá us assassinus durmirem pá jienti por u plano em prática.

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Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana

Jarirí e Nicanor, entoncis, ficaru in cilêncio, pensau in como fazê pá tirá Tuxo dali. Tava difícil incontrá uma saída páquele enrosco. Adispois di um tempo, Jarirí falô:

- No quarto, só tem a cadera na quar o póbri Tuxo tá amarradu i a mesa in qui us assassinus istão sentados. Num tem cama, o qui significa qui eiles passarão pá outro quarto cuando forem durmí, i Tuxo vai cuntinuá amarrado na cadera. Eu penso qui a nóssa chance ié esperá eiles caírem nu sono, entrá divarinho i in cilêncio no quarto, dessamarrá Tuxo, pulá a jinéla di vórta i caí nu mundo.

- Inté aí tá cérto, maisi cumu Tuxo vai pulá o pórtão todo muído i arrebentado?

- Poisi é. É néssa segunda parte du plano qui ieu tô pensanu agóra,

- Incuanto ucê tava lá drentu ieu examinei a féchadura du pórtão, eila é das boa, difícir di estourá sem fazê muito baruio.

- Sim. I agóra?

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Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana

Jarirí pulô o muro cum facilididadi, éra alto, maisi tinha adondi colocá os pé. Viu qui tinha um corredô largo i comprido ao lado da casa, qui dava acésso às jinélas dos quarto. A premera jinéla tava iscura, a segunda i a tércera tumém, só a quarta tinha luz. Indaí, eile se aproximô cum tudo cuidado i viu qui, além di tê luz, a jinéla tava meia-abérta. Agachou-se i levantô a cabeça divagarim, só u bastanti pá oiá dentru. I foi cuandu ficô gelado, viu Tuxo amarradu numa cadera i cum o rosto insanguentadu i inchado. No canto óposto, viu qui tinha trêis homi sentadu jóganu baraio. Éra o bastanti pá eile saber naqueli mómento. Entoncis foi vortanu pá avisá Nicanor i pensá no qui fazê. Anssim qui pulô u muro di vólta, Nicanor já foi priguntanu:

-  Achô eile? Eile tá aí?

- Sim, Nicanor. Tá lá dentru, in péssimu estado. Todo machucadu. 

- I agóra? O qui nósis vamo fazê?

- Ieu ãinda num seio, nósis temos di pensá in cumu résgatá eile.

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Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana

Adispois di ixaminá bem a casa, Jarirí viu que dava pra pulá o muro i chegá inté as jinélas. Pelas frésta das jinélas, siria pussível enxergá i iscuitá pra sabê se Tuxo tava lá drentu.

- Ieu vo pulá u muro, Nicanor. Ucê fica aqui cum Cascatim.

- Ieu quéro ir junto cum ucê.

- Não. É mélhór ucê ficá aqui. Se ucê inxergá arguém se aproximano, ucê pula o muro pra me avisá. 

- Ta bão, entoncis. Maisi ucê num pódi tumá nunhuma atitude sem me falá. Ieu preciso sabê pra módi te ajudá se arguma cousa saí érrado. Num entra drentu da casa sem eu sabê.

- Tá cérto. 

- E se ucê for discubérto i pêgo? O que que eu faço?

- Córri pra casa di Bódim pra eiles todos tumá a décisão du qui fazê.

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Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana

Cascatim, entoncis, cuntinuô a andá i farejá por muitas rua. Jarirí i Nicanor foru ficano cada veiz mais cançados de o seguir pelas ruas iscura e desértas, maisi num tinha otro geito, só Cascatim pudiria incontrá Tuxo, eiles tinham di confiá nu faro deile. I foi indaí qui Cascatim parô in frente a uma casa grande e imponente, qui éra bem diférenti das otras casa da rua, todas pequenas i póbris. Cascatim foi inté o pórtão i cumessô a arrastá as pata i oiá pra eles, cumo qui dizenu qui éira ali o lugá in qui Tuxo istava. I foi entoncis qui Nicanor falô pá Jarirí:

- Ieu cunheço éissa casona, éila é uma das muitas casa qui u pai di Catarina tem na ciudadi. Ieu num tenho maisi ninhuma dúvida, Tuxo taí drento, i só deuso sabi o estado in qui eile está.

- Ieu concórdu cum ucê. Enfim, Cascatim cunsiguiu terminá o sélviçu.

- Sim. Maisi i agóra? 

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Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana

Indaí, Cascatim, todo faceiro, foi tangendo Jarirí i Nicanor pelas rua da ciudadi. Premero, entrô numa rua à direita, adispois à direita tumém, adispois à direita di novo, i adispois à direita i parô.

- U quiquiéuilsso, Cascatim? Ucê saiu nu mesmu lugá. Tá brincanu cum a jienti?

- Tarveiz não, Nicanor. Tuxo pódi tá nesse cuarterão.

- Maisi in qui casa? Nósis num vamo pudê saí batenu di casa in casa.

 - Ieu vo falá sério cum eile.

- Fala mesmu, purqui paréci qui eile tá gozanu cum a nuóssa cara.

- Cascatim, Tuxo tá in qui casa? Eile tá pur aqui? 

Cascatim ficô imóvel, adispois cumessô andá di novo, peganu otra diréssão.

- Ieu acho qui Cascatim farejô qui Tuxo isteve pur aqui, maisi num tá mais. Vamo cuntinuá siguino Cascatim, eile tá fazenu sélviçu cérto. Nósis temos di isperá eile refazê u trajéto di Tuxo.

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Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana

Cascatim, entoncis, cumeçô a latí, parecenu qui tinha cunsiguido lócalizádo u chero di Tuxo. Vinha i vortava córrenu, cumu qui pidino pá eiles o seguí. Indaí, Jarirí falô prele:

- Divagá, Cascatim. A gente num pódi chegá fazenu muito barulho nu lugá in qui Tuxo está, se eile tivé preso, os assassinu qui tão cum eile pódi decidí matá-lo.

- Ié vérdadi, Jarirí. Adispois di chegá adondi eile tá, nósis ainda vamu tê di incontrá um jeito di libertá eile. Se a jienti for discobérto, nósis vamu tá córrenu um grandi pirigo.

- Sim. E cumo Cascatim sintiu u chero deile, uilsso significa qui eile déve di tá vivo.

- Num seio não. Cascatim póde tá sintinu u ódor du córpo sem vida deile. Eu vo priguntá prele:

- Tuxo tá vivo, Cascatim?

Maisi Cascatim num dava ninhum sinár, ficô olhanu pá Nicanor sem si mexê, parecenu estar quérenu mostrá qui eile num sabia a réspósta.

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Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana, por Cafezá

Arte - Ivonaldo Veloso de Melo

Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana, por Cafezá

Adispois di se dispiderem di todos, Jarirí, Nicanor e Cascatim entraru na mata rumo à ciudadi. Chegaru lá pur vórta das onze hóras da noite, qui tava boa pra passa dispercebido purque num tinha lua clarianu. Lógo qui eiles chegaru, Cascatim já cumessô a farejá o ar i o chão, pondo o focinho pra baixo i pra cima, cafungando.

-  Nósis tamo parecenu murcego, qui avua di noite cumo si fossi didia.

- Ié vérdadi, Nicanor. A iscuridão da noite é a nóssa cumpanheira.

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Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana

E a tarde si foi puxando divagar u manto da noite. I o Sol deixô um calorzim gotoso qui si misturava com u cheiro da mata, maisi eiles num istavam contentis, Tuxo num aparicia. Primero, eiles ficaru in silêncio, na expéquitativa di qui eile apariciria a quarqué mómento. Adispois, foram ficando impacientes, inté qui chegô u mómento em que Catarina résorveu falá:

- Ieu to achanu qui já passô da hóra deile chegá. Ié mélhór a jienti tomá arguma décisão.

- Ieu concórdo cum ucê, Catarina. A démora deile num é um bão sinal. 

- Sim, mestre. A salução é a jienti prócurá eile.

- Ieu concórdo, Catarina. Ieu vo lá prócurá eile.

- Ieu vo junto, Jarirí - disse Clódiu.

- Não, Clódiu. Ucê é muito cunhicido na ciudadi, todo mundo sabi qui ucê é filhu du coisa ruim.

- Entoncis vo ieu - disse Nicanor.

- Cérto. Cascatim vai junto, eile vai farejá u chero di Tuxo rapidinho.

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Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana

Incuanto Tuxo siguia em diréssão ao rio, Jarirí i Cascatim já tinham deixado sô Jair e Vardí na casa deiles. Quandu eiles chegaru na casa di mestre Bódim, a premera cousa qui acunteceu foi a prigunta inevitável qui Néja fez pá Jarirí:

- Cadê u Tuxo?

- Tuxo ficou na ciudadi, eile tinha di cunversá cos amigos deile. Lógo eile tá di vórta.

- Tuxo é teimoso, disse mestre Bódim. Eile tá córrenu risco grave.

- Ieu seio, mestre. Ieu insistí pá eile vir cum a jiente, mas eile bateu u pé.

- Eile dexô tudos nósis préucupados cum eile.

- Sim, só nos résta isperá a chégada deile.

Indaí, todos si reuniru in vórta di Jarirí pá iscuitá o relato sobri tudo u qui tinha acunticido na ciudadi. Jarirí contô in detalhis i arréspondeu tudas as prigunta qui apariciam. Lógo veio a hóra du armoço. Adispois veio chéganu a tarde cum seu manto suave... quase invisível. Tarde invinha, pá cumessá a féchá u dia.

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Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana

Entoncis, Tuxo partiu in diréssão à casa di Xico da Noite. Ao chegá lá, bateu palma, maisi Xico num aparicia. Gritô:

- Xico, so ieu, Tuxo. Acórda, vem abrí a pórta.

Maisi nada do Xico aparecê. Os otros amigo, qui diviriam tá lá, tumém num apareciam. I foi cuando surgiu o vizinho du lado, sô Joaquim, i falô pá Tuxo.

- Eiles tavam aí até há poco, ieu achu qui eiles foru pu trabaio nu rio, eiles qui são pescadores.

- Dévil di sê uilsso memo, eiles cansaru di mi isperá, ieu to muito atrasado. 

- Ucê sabi adondi eiles péscam? U lugá qui eiles ficam?

- Sim, ieu seio. Ieu tumém so pescadô.

- Entoncis, ié mélhór ucê vortá maisi tarde. Ucê tá parecenu muito cansado.

- Eu to cansado memo, num durmí i fiquei andanu a noite intera.

- Vai pá tua casa e vórta depois.

- Num pósso, mia casa fica muito lonji, tem muitas léguas daqui inté lá. Ieu priciso muito falá cum eisses meus amigo. Vo siguí pro rio inditráizi deiles. 

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Catarina e Jarirí - uma paixão sobre-humana

- Ucê tá parecenu qui tá nérvoso, cum medo di mim. Ieu só queru te fazê uma prigunta.

- Ié impréssão du sior. Pódi priguntá qui eu réspondo.

- Acuntéci qui onti mataru um parceiro meu. Meu grandi amigo qui respondia pur nome Bento Pandero. Ieu num cunheço éissa ciudadi i num seio adondi tá sendo u vélorio i tumém num seio adondi qui fica u sumitério. Ucê pódi mi informá?

- Sim, ieu seio di tudo uilsso. U sior vai incontrá u vélório da ciudadi i o sumitério entranu na primera a isquerda i andanu quatro quarteirão.

- Ah, cérto. Ieu vo fazê maisi prigunta prucê. Ieu acabei di chegá na ciudadi i num to sabenu quem foi qui dispachô u meu amigo. Pur acaso ucê tá sabenu?

Entoncis, vários pensamentu passaru rápido pela cabeça di Tuxo. Na cérta, aqueli homi tumém éra um assassinu i tava quérenu vingança pela mórti du parcero. U mélhór éra eile intregá o assassinu, anssim eiles qui si matassem entre eiles. Siria, pelo menus, mais um a menos.

- Sim, meu sior. Muita jienti da ciudadi já tá sabenu qui quem matô Bento Panderu foi um assassinu chamado Tião Malafé.

- I ucê sabe adondi ieu incontro eisse tal? Leia mais »

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