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Profissão Escritor e jornalista. Autor de "Soledad no Recife", pela Boitempo, e “O filho renegado de Deus”, pela Bertrand Brasil.

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12 poetas do Recife no rádio, por Urariano Mota

Por Urariano Mota*

O projeto nasceu para a Rádio Frei Caneca, emissora pública, que em fase experimental toca música. Eu pensava, e penso ainda, que a poesia pode entrar no rádio como se fosse música nos intervalos das canções. Talvez com um anúncio: “a rádio que toca poesia”.  É possível, desde que o poema seja bem lido e organizado em um ambiente receptivo. Afinal, todo ouvinte é uma pessoa, e toda pessoa é capaz e carente de poesia.

Depois de mais de 2 meses sem resposta,  apresentei o roteiro à Rádio Universitária  99.9 FM, no Recife. Então gravei o texto com a técnica, e o jornalista Roberto Souza lançou a poesia no ar, no programa O Redator Comunitário, por mais de duas semanas. A cada manhã subia um ou uma poeta. Vocês bem podem imaginar o que aconteceu. O ouvinte primeiro teve um espanto, depois um acostumado espanto, e mais adiante a espera dos minutos de poesia.  

Como o projeto não visa lucro ou pagamento autoral,  divulgo a seguir o roteiro dos 12 poetas do Recife. Qualquer rádio do Brasil fique à vontade para usá-lo. O importante é que a poesia sobreviva.

A seguir, a poesia pra tocar no rádio.

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Ariano Suassuna, erudito e popular, por Urariano Mota

Por Urariano Mota*

Há três anos, em um 24 de julho, assim falavam as notícias:

“O velório de Ariano Suassuna, realizado no Palácio do Campo das Princesas, no Centro do Recife, foi encerrado na tarde desta quinta-feira (24). Iniciado na noite anterior, ele ficou aberto durante toda a madrugada e recebeu grande número de parentes, amigos e fãs do escritor. 

Em cima do caixão, foram colocadas bandeiras do Sport, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), do estado de Pernambuco e do Brasil. O enterro está previsto para acontecer no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, Grande Recife, por volta das 16h”.

Mas as notícias nada falavam do clima real, do povo real, no enterro de Ariano Suassuna. Eu estava na fila, do lado de fora do Palácio do Governo, à espera da ordem para que todos pudessem entrar em ordem até o caixão. Mas a fila não se movia. Nela, apenas se ouviam murmúrios de um povo que se conformou à fila de inúteis esperas, sob o sol ou sob a chuva como um destino. Na longa conformação as pessoas se lamentavam: “disseram que depois da missa a gente podia entrar. Mas já faz mais de hora que a missa acabou”. Eu olhava meu relógio, que parecia também ganhar a imobilidade da fila: 30 minutos, quarenta minutos... Juro que eu temia ouvir a qualquer momento um grito de lá da frente:

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Para o amor maduro, por Urariano Mota

Por Urariano Mota*

Neste Dia dos Namorados, salvo do esquecimento esta crônica para os casais de todas as idades. 

Assim como nas sucessões do tempo de toda a natureza, da flor que fenece e cai e se ergue em outra a partir dos grãos derramados, assim como a onda do mar que se espraia e se desfaz e se refaz dos seus restos em nova onda, assim também o amor se faz um sentimento de marcas e rugas que entranham à vista o sol que se foi e se organiza em nova pele. Tem um sabor íntimo do vinho de que se aprendeu a gostar, uma cumplicidade de lições apreendidas ao toque sem palavras, que o primeiro fogo não poderia construir.

Pois não é próprio do fogo o consumo e o autoconsumo voraz no incêndio, mas lento depois até as brasas que por fim esfriam? Pois sendo próprio do fogo a destruição inexorável, linear e de sentido único, do começo para o fim e sempre, é no entanto mais próprio da pessoa humana o guardar semelhança com os fenômenos naturais, mas sem se deixar reduzir ao que não tem o salto e a qualidade da gente.

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O terror em Londres e o Brasil, por Urariano Mota

O terror em Londres e o Brasil

por Urariano Mota

No mais recente atentado terrorista em Londres, os jornais chamaram a atenção para uma importante autoridade policial, que dirige a segurança para os ingleses. As notícias falavam, sem atentar para o histórico da figura:  

“Cressida Dick, comissária da polícia de Londres, informou ao início da manhã deste domingo que o ataque em Londres fez sete vítimas mortais e feriu 48 pessoas. Os três atacantes foram abatidos e, nesta altura, a polícia acredita que a situação está "sob controlo", mas as áreas afetadas vão continuar interditas e os agentes prosseguirão com as buscas para assegurar que a ameaça foi totalmente neutralizada”.

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O amor antes do ponto, por Urariano Mota

O amor antes do ponto, por Urariano Mota

Há quem pense que a carência de tudo era a causa “determinante”, para usar uma palavra das discussões da época, a causa fundamental para o que amávamos então. Assim como a economia determinava a história, a política, a sociedade, enfim, todo o universo material e espiritual, porque assim nos teria ensinado Marx – e sempre conforme o jargão simplificador das nossas encarniçadas discussões -, assim também a nossa carência de afeto seria a essência do que amávamos. Quando ouvíamos Tenderly com Ella Fitzgerald, ou os agudos do pistom de Louis Armstrong, quando ali nos encantávamos com a música, que nos deixava como almas penadas de carinho a flutuar, isso devia ser consequência do determinante, o coração que era só fome. Escapava de nós, digamos, a dialética do subjetivo e do objeto, para usar uma categoria mais filosófica. Mas não. Penso que o surgimento de Eva estava além dos argumentos da simplificação e do sofisticado. Stars fell on Alabama, penso, cantava na surdina. Desde a primeira noite, quando não foi possível tê-la plena, naquela agonia em pé, encostado à parede de tabique. Amor apressado, veloz, porque lá fora me esperava para ter uma dormida Olavo Carijó. Maldito. Por que sempre haverá um dever na hora da mais sublime felicidade? É como uma punição, um freio ou uma interdição dos poderes ocultos do sagrado evangelho, de Deus, não se poder abandonar ao prazer, ao amor livre e liberado. É como se não pudesse haver um justo e honrado momento em nossas vidas para um Summertime. Numa manhã, acordar cantando e abrir as asas, voar pelo céu, mas até essa manhã não há nada que possa nos ferir, será? Ainda assim, naqueles minutos concedidos pela carência, guardo a sua delicadeza e graça ao tocar a porta do quarto onde eu ainda estava sozinho. Tocou a porta, que cedeu. Não julgava que ela viesse, não acreditava que o convite feito numa voz cheia da coragem dos bêbados, falada entredentes na pia do corredor, “deixo a porta encostada”, numa ousadia que não sei onde fui buscar, mas sei, foi a ousadia da necessidade, eu duvidava que ela aceitasse o convite feito sem as flores da corte cavalheiresca. Gutural, com a falta de educação dos brutos: “deixo a porta encostada”. Apesar disso, ela acedeu, acendeu e ascendeu para mim.

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A beleza na Miss que envelhece, por Urariano Mota

A beleza na Miss que envelhece, por Urariano Mota

A imprensa fala hoje, entre um Trump e Temer, do próximo Concurso Miss Universo 2017.  Há leitores para tudo, em especial para o que distrai das angústias da vida.  E para as candidatas, agora, tudo é agitação e vivas a seus encantadores corpos.  Muito bem, aplausos. Mas o que virá para elas quando chegar o futuro que voa tão rápido nos próximos dias?

Penso numa senhora que certa vez me concedeu uma entrevista. Ela, Vera Lúcia Torres Bezerra, era então uma mulher a quem a educação e a gentileza não deveriam perguntar a idade.

Em uma discreta graça, que a maldade chamaria coquete, de passagem ela contou que foi Miss em 1963 quando possuía apenas 16 anos! Ah. Pela implacável aritmética em 2010, devíamos ter 2010 -1963 = 47. E quarenta e sete mais dezesseis, sessenta e três.  Mas isso era segredo, ela falava com uma graça maior, porque mocinhas menores de idade não poderiam participar do concurso. Então, pelas normas legais, se ela foi Miss aos dezoito, estaria  na ocasião por volta  dos sessenta e cinco anos. Mas a Lei e a cruel Aritmética de nada sabem. Entendam, não é bem que as pessoas, as mulheres em particular, e Vera Lúcia em especial, não sintam nem sofram quarenta e sete mais dezesseis anos. Sentem, percebem, sofrem, se desesperam ou se acomodam a esse inexorável. Não quero ser, nem poderia em razão de natural deficiência, um Catão, um copiador de procedimentos de Plutarco, a invocar ética dura e pesada moral. Mas pessoas como Vera Lúcia penetram em nossa consciência como uma antecipação do que seremos. O que nos salva ou nos salvará quando tudo for perdido?

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A ditadura ainda não é um fantasma, por Urariano Mota

A ditadura ainda não é um fantasma

por Urariano Mota

Na semana passada, com o Exército nas ruas de Brasília para reprimir a “baderna” nos protestos contra Temer, mais de uma pessoa lembrou as imagens do golpe de 1964. Nessa associação entre o que foi e o presente, alguns analistas falaram em fantasmas da ditadura que voltavam às ruas.  Mas penso que não é fantasma um regime ainda insepulto, apesar do novo tempo da democracia que vivemos. Quero dizer, não pode estar morto esse tempo que não foi assimilado como tragédia. Os crimes contra os direitos humanos dessa época ainda estão impunes. E mais grave, o drama humano dos assassinados e guerreiros não é sequer conhecido pelos mais jovens.  

Nos limites deste espaço, divulgo um trecho do meu próximo romance “A mais longa duração da juventude” nas linhas a seguir.

Por que Soledad Barrett caiu no vulgaríssimo laço do Cabo Anselmo? Eu não posso, ninguém pode escrever um teorema das relações humanas. Para os sentimentos não há um conjunto de frases lógicas, num crescendo que se revela ao fim um desastre. Numa tragédia, CQD, Como Queríamos Demonstrar. Não sou mecânico ou cruel, porque falo à luz da viva experiência. Nos anos da ditadura, os militantes mais ardorosos queriam imprimir no coração o imediato de suas convicções partidárias. Às vezes nem era preciso gravar a impressão do panfleto, porque já estava inscrito. Quero dizer, havia mistura de sentimentos, vários, dos mais piedosos da formação cristã a palavras de ordem....

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Temer, o presidente-fantasma, por Urariano Mota

Temer, o presidente-fantasma, por Urariano Mota

Entre os significados da palavra fantasma, podemos ver no Dicionário Aulete:

“Suposta aparição de pessoa que já morreu; alma penada; ASSOMBRAÇÃO; ESPECTRO”. Ou então, a seguir: “Imagem sobrenatural que alguém julga ver”. E mais adiante: “Pessoa que apenas aparenta ou representa um papel que deveria ter”

E mais nos ajuda o bom dicionário:

“Seguindo um substantivo, ao qual se liga por hífen, tem valor de adjetivo e significa 'não existente, fictício, criado para iludir, especialmente com fins fraudulentos’ ”.

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Lula e o caso do Tríplex, por Urariano Mota

Arte: Greg/DP

Lula e o caso do Tríplex

por Urariano Mota

No depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro, o destaque do interrogatório foi o famoso tríplex do Guarujá. Esse  maravilhoso e paradisíaco superapartamento, luxuoso e digno de um dos maiores líderes políticos do planeta, encheu mais os nossos olhos e ouvidos que o profundo riacho do Ipiranga cantado no Hino Nacional.  

A esta altura, acredito que o tríplex se tornou mais que um caso judicial e político. Pelas perguntas que iam e voltavam, pela riqueza de abordagens, pelos diferentes ângulos levantados por Moro, pelo vulto do vilão, personagens e  crime, o apartamento se fez também o caso do tríplex 174 da literatura policial. Não custa nada lembrar as principais características do gênero.  

Desde Edgar Allan Poe, com Os Assassinatos da Rua Morgue, a literatura policial se caracteriza pelos elementos básicos de crime, investigação e descoberta do criminoso. Mas, sabemos: do começo ao fim o desenlace deve ter uma razão lógica e possível.  O narrador, ou a voz que conduz, não pode cometer erros técnicos ao falar do método do crime e da investigação. Os personagens e o ambiente devem ser reais. Percebem? O que haveria de mais concreto que o fabuloso tríplex na praia do Guarujá no tempo da delicadeza da propina?

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Para o dia das mães, por Urariano Mota

Para o dia das mães, por Urariano Mota

Neste domingo, penso que é de justiça um trecho do romance “O filho renegado de Deus”, que publiquei na Bertrand Brasil em 2013. Estas são as linhas: 

“Maria, perdoa por agora eu não te chamar de mãe. Assim não te chamo já porque não quero me curvar à degeneração do sentimento, ainda que eu saiba ser filho do sentimento. Por enquanto és Maria, mais mulher, santa que todo casto e pervertido cristão ama. Perdoa-me, por ora. Assim te chamar Maria é um tributo a todas as mulheres como tu, mulheres que deveriam ser abraçadas todas, em lugar de destruídas, como as marias, mariazinhas sem nada, a não ser o sexo e o nome comum. Já vês, com o mesmo discernimento fino dos teus últimos dias, em que vias e mergulhavas num silêncio sozinha, porque não querias magoar a quem amavas, já vês a contradição e o paradoxo do que tenho em ti e como eu te guardo em mim. Pois como posso te remeter àquela que para todo cristão está no céu e ao mesmo tempo te repor na terra, no destino costumeiro de toda desgraçada? Não haveria nisso um descaminho, um desvirtuamento, por querer dar a graça divina a teus vestidos podres e sujos de doméstica? Ou seria, de modo mais próprio, a subversão da subversão, porque traz de volta à terra o que fora deslocado para o céu? Aqui não nego na terra a majestade das tuas vestes que fediam, como depois o disseram. Prefiro este caminho, o de ver o céu, a humanidade magnífica no que tens de despojada, nua, no teu doce leite de índia. Sim, Maria, agora sei e repito e te repito e me reforço em todas as minhas carnes, que sou filho do teu doce leite de índia. Digo isso e assim e desta maneira paro, porque preciso respirar, inspirar, preciso de ar como naquele instante em que me salvaste do soco de Dirico no fígado. E tão primário, elementar e fundamental é o leite que bebi em teus seios, e dele venho bebendo pelo resto da vida, o que talvez não adivinhavas, porque eu próprio até então não sabia desse elementar elemento. Pois sou filho do teu leite, quase diria, sou filho do teu enorme afeto, como outros são filhos do leite de Marias brancas, negras, amarelas, ruivas, pardas, marias. Das Marias desgraçadas, de modo mais preciso. Da precisa Maria Desgraçada que um dia foste.

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Severina doce, fraterna e companheira, por Urariano Mota

Severina doce, fraterna e companheira

por Urariano Mota

Para o 13 de maio, copio um trecho do meu romance “A mais longa duração da juventude” https://www.amazon.com/longa-dura%C3%A7%C3%A3o-juventude-Portuguese-ebook/dp/B01N48T0JU :  

Nunca será demais ou excessivo o tributo que devemos à generosidade da mulher anônima. Em mais de uma oportunidade, o seu coração nos fez abrigo quando tudo era terror de Estado. Penso na cozinheira da pensão, dona Severina, uma senhora negra, analfabeta, que lia como ninguém as necessidades dos fodidos. Mais e melhor que a Irene de Manuel Bandeira, “Irene boa, Irene preta, Irene sempre de bom humor”, maior foi Severina, porque a sua bondade era ativa, não era aquela da criada perfeita, sempre a serviço dos patrões, que por isso entrará no céu, apesar de negra. Não, sob risco, na conspiração sem palavras e sem bandeira, muda, quanto devemos a ela? Severina lia em nossos olhos a angústia, e um sorriso se insinuava em seu rosto, quando nos olhava com olhos graúdos como se nos dissesse: “Eu te compreendo, futuro. Se para a humanidade houver algum, eu te compreendo, futuro camarada”. Esta lembrança vem na escrita. A gente tem que escrever para não ser um filho da puta, ou um ingrato, pior que os gatos domésticos. Por quê? Eu pagava somente a minha vaga e alimentação. Almoçava lá embaixo, mas lá em cima, Luiz do Carmo estava trancado sem comer. Então eu comia até a metade do meu prato. E ao me levantar da mesa com os meus 50% deixados, eu falava para me justificar do modo exótico de comer:

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Teremos festa no 8 de maio francês?, por Guilherme Cavalheiro

Sugestão de Urariano Mota

Amigos, divulgo a seguir a reflexão crítica de Guilherme Cavalheiro, cientista político que hoje vive e trabalha na França. Ele está no olho do furacão e vê por nós o que a tevê nos esconde.

Teremos festa no 8 de maio francês? *

Guilherme Cavalheiro

A França comemora nessa segunda-feira mais uma vitória contra fascistas, racistas, antissemitas e conservadores de todos os matizes. Falo do feriado nacional de 8 de maio, comemoração da vitória contra os nazistas em 1945. Mas poderia estar falando também da provável vitória contra o Front National, partido fundado por fascistas, racistas, antissemitas e conservadores de todos matizes. Infelizmente, se em 2002 Jacques Chirac esmagava a besta imunda com 82% dos votos, a bestinha Le Pen ganhará no mínimo o apoio de 40% dos eleitores no domingo, 7 de maio, mais que dobrando o resultado de seu pai. Do que escapamos com a vitória de Emmanuel Macron ?

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Como receber os gringos que invadirão o Brasil, por Urariano Mota

Como receber os gringos que invadirão o Brasil

por Urariano Mota

A BBC Brasil anunciou ontem http://www.bbc.com/portuguese/brasil-39802863 :

“Tropas americanas foram convidadas pelo Exército brasileiro a participar de um exercício militar na tríplice fronteira amazônica entre Brasil, Peru e Colômbia em novembro deste ano.

Segundo o Exército, a Operação América Unida terá dez dias de simulações militares comandadas a partir de base multinacional formada por tropas dos três países da fronteira e dos Estados Unidos.

Descrita pelas Forças Armadas como uma experiência inédita no Brasil, a base internacional temporária abrigará itens de logística como munição, aparato de disparos e transporte e equipamentos de comunicação, além das tropas. O Exército afirma que também convidou ‘observadores militares de outras nações amigas e diversas agências e órgãos governamentais’".

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Primeiro de maio, por Urariano Mota

Em um primeiro de maio de 2015, escrevi que em Curitiba os professores estavam desprezados, cercados e reprimidos. Ali, a pedagogia estava vencida por bombas, espancamentos e balas de borracha, que deixavam um soldo para os mestres de 213 feridos. Mas não imaginava o inferno que viria com o primeiro de maio de hoje em todo o Brasil.

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Eu também já fui ladrão, por Urariano Mota

Eu também já fui ladrão, por Urariano Mota

Eu também já fui ladrão, confesso.

Eu e um amigo, a quem chamarei de Hermann, trabalhávamos em um banco privado. Começávamos o expediente às 7 da manhã, quando não mais cedo, e terminávamos por volta das 20 horas. Melhor dizendo: fazíamos um breve intervalo para o outro dia. Isso, é claro, quando não demonstrávamos maiores provas de amor ao ofício estendendo a jornada até as 22 horas. Ainda assim, não chegávamos a ganhar o pão com o suor do próprio rosto, porque: a) o que ganhávamos não dava para o pão acompanhado de qualquer proteína; b) não suávamos, porque o trabalho era sob o frescor do ar-condicionado. Mas alguma coisa ganhávamos, como veremos.

Nada direi sobre Hermann, um descendente de empresário sueco, um descendente bastardo já se vê, um sujeito deserdado, que estendia olhos mui nobres para o que os seus dedos finos não alcançavam. A saber, tudo: cervejas, cigarros, e, luxo dos luxos, almoço, janta e ceia. Nada direi. Importa saber que em uma fatídica noite Hermann estendeu sua cobiça para uma direção. Acompanhei-o, não bem por solidariedade, mas por experiência. Os seus olhos sempre se dirigiam para o que eu também ambicionava.  E vejo e vi então o grupo dos quatro gerentes que entrava em nossa última sala, próxima à cozinha (mirem como o diabo nos queria). Ali se encontrava o refrigerador, que de ordinário abrigava somente água, nada mais que água.  De sede, portanto, não morreríamos.

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Fotos

Sem colaborações até o momento.

Vídeos

Curta de Salvador Dali e Walt Disney

Vale ver pela estranha parceria. O enredo é medíocre, mas os desenhos, aqui e ali, valem a pena.  

O Recife em 1927

Vídeo histórico. Cenas raras do Recife em 1927. E como é natural, para o filme galante, são mais registradas pessoas da classe média da época. Todos de ternos, chapéus, melindrosas, mas aqui e ali aparece um popular - é o motorista. Imperdível.

Literatura, História e jornalismo na TV

Documentos

O fundamental compositor Raul Ellwanger

 

Amigos, Raul Ellwanger está lá no Rio Grande do Sul, no extremo sul do Brasil, e compõe em silêncio, à margem da indústria cultural, e talvez por estar assim à margem compõe como poucos compositores brasileiros nos últimos tempos. (E se vocês não sabem, observem que para os postos à margem todo o tempo é fecundo, pois sempre será tempo de plantar longe do barulho do mercado, que enche o artista de vento e vaidade.)

 

Vocês perdoem o entusiasmo, que explicarei lá no fim. Pois então, o gajo (ou como se diz em gauchês, "o cara"?), mas em bom português universal devemos dizer, o fecundo companheiro lá de Porto Alegre acha pouco o que produz e me enviou de presente 3 CDs: Ouro e Barro, País da Liberdade e Teimoso e Vivo. Os CDs foram entregues a mim por Joelma, assessora na Comissão da Verdade de Pernambuco, no dia do lançamento do meu romance  O filho renegado de Deus. A humanidade é assim, a gente pensa que vai ser útil e recebe o que não esperava.

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Áudio

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