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Profissão Escritor e jornalista. Autor de "Soledad no Recife", pela Boitempo, e “O filho renegado de Deus”, pela Bertrand Brasil.

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Postagens

Lula e a destruição de provas contra o PT, por Urariano Mota

Por Urariano Mota

Em abril de 2006, em artigo sob o título “A imprensa e Lula em 2106”, eu chamava a atenção para a dificuldade do historiador em conhecer o Brasil 100 anos depois:

“Então o nosso historiador do futuro faz uma impressionante descoberta. Em 2006, na imprensa brasileira todos os fatos, todas as coisas, todos os acontecimentos, fossem do mar, da terra, do ar, do pensamento, dos répteis, das temíveis cobras corais, dos peixes até o mico-leão-dourado, todos os reinos e possíveis ocorrências se relacionavam, sempre, com o governo Lula. Para mal, of course... Até chegar a este extremo:

Nada se compara ao incidente de uma peçonheta cobra-coral que atravessou o caminho do presidente em 2003, o historiador viu em um jornal documento. Acontecera em Buíque, Pernambuco. Um agricultor, para defender o seu presidente, matou a cobra a pau. Pergunta de matéria do Estado de São Paulo:
‘Morte de cobra em Buíque foi crime ambiental?’...

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Gagárin e o Recife, por Urariano Mota

Gagárin e o Recife, por Urariano Mota

No dia 12 de Abril de 1961, o soviético Yuri Gagárin se tornou o primeiro homem a viajar no espaço. Distante da Guerra Fria, que hoje volta com o Pig Trump, o Museu do Ar e Espaço dos Estados Unidos relembrou na semana passada o herói russo: “Hoje em 1961: Yuri Gagárin se tornou o primeiro humano a voar pelo espaço ao dar uma volta ao redor da Terra”. Mas quase ninguém sabe que Yuri Gagárin passou em Pernambuco. Como explico a seguir, no trecho que copio do Dicionário Amoroso do Recife:

Quando pesquisamos, em todos os lugares nos informam que Yuri Gagárin foi o primeiro homem a completar uma volta em torno da Terra. Dizem até que a pequena estatura de Gagárin contribuiu para o seu grande feito, uma vez que ele circulou em uma nave apertada. Mas a gente consulta, pesquisa nos mais diversos arquivos, e ninguém fala que o astronauta Yuri Gagárin passou uma vez no Recife.

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O homem Lula nesta sexta-feira santa, por Urariano Mota

O homem Lula nesta sexta-feira santa, por Urariano Mota

Vocês perdoem a tentativa desta homilia em plena sexta-feira santa. Perdoado, devo dizer:

 “Pilatos mandou então flagelar Jesus. Os soldados teceram de espinhos uma coroa, puseram-na sobre a sua cabeça e o cobriram com um manto de púrpura. Aproximavam-se dele e diziam: Salve, rei dos judeus! E davam-lhe bofetadas. Pilatos saiu outra vez e disse-lhes: Eis que vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele nenhum motivo de acusação. Apareceu então Jesus, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Pilatos disse: Ecce homo! Eis o homem!” (Jo 19,1-5).

Eis o homem! Quando Lula se despedia da Presidência, esteve no Recife.  No discurso desse dia, ele falou:

“Então resolvi fazer as caravanas da cidadania. E comecei fazendo a primeira caravana percorrendo o trajeto que a minha mãe percorreu com oito filhos, saindo de Caetés até a cidade de Santos, em São Paulo. Parando em cada cidade, conversando com as pessoas. Depois eu percorri 91 mil km de carro, de trem, de ônibus, de barco. Para conhecer a cara, o jeito, o contar da piada, da graça, o cantar do povo pernambucano, o sofrimento do povo brasileiro. E isso me deu uma dimensão do Brasil que eu queria governar”.

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Literatura para os imprescindíveis, por Urariano Mota

Literatura para os imprescindíveis, por Urariano Mota

Uma reportagem no Diário de Pernambuco, sob o título de “Projeto aproxima alunos da literatura pernambucana”, me acordou para uma experiência vivida em escola pública, na  Escola Caio Pereira, no Alto José Bonifácio, no Recife.  

No texto do Diário de Pernambuco, lemos:

“O Projeto Outras Palavras já visitou 223 escolas estaduais, levando autores para conversas e doando livros

Para aproximar estudantes do ensino médio da produção literária local, foi criado o projeto Outras Palavras. Ontem, a ação levou o contista Luiz Coutinho, autor de Nós, os bichos, à Escola de Referência em Ensino Médio Diario de Pernambuco, no Engenho do Meio. Capitaneado pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), o programa é fruto da inquietação da vice-presidente do órgão, Antonieta Trindade, após 32 anos de trabalho em escolas estaduais.

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O poeta Alberto da Cunha Melo no seu aniversário, por Urariano Mota

O poeta Alberto da Cunha Melo no seu aniversário, por Urariano Mota

Cláudia Cordeiro, a  incansável divulgadora da obra e pessoa do  poeta, convida todos pelo Face:  “No próximo 8 de abril a partir das 15 horas, no Parque 13 de Maio, Recife, vamos homenagear o poeta Alberto da Cunha Melo, que completaria 75 anos nessa data”.  É claro, os que amamos a melhor poesia no Brasil, os que integramos na alma os poemas bem realizados contra a opressão política e social, não poderemos faltar ao encontro.  

Então aproveito o espaço para publicar um breve texto sobre o amigo e poeta. De imediato, retiro do limbo algumas linhas da apresentação que fiz para o seu livro inédito, Salmos de Olinda. Escrevi e estava guardado até aqui:

Alberto da Cunha Melo, mais uma vez, caminha sobre as águas. Essa frase  quer dizer: o poeta escreve magnífica poesia sobre um caminho tão difícil, que o resultado parece milagre. O leitor não se engane pela evocação da palavra Salmos, que remete a oração ou a cântico sagrado do rei Davi. Nem pense tampouco que, sendo poemas de Olinda, venham salmos da carne transgressora da libação dos dias do rei Momo. Não, nem tanto ao céu, nem tanto à terra.   

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O livro de Ñasaindy Barrett de Araújo, a filha de Soledad Barrett, por Urariano Mota

O livro de Ñasaindy Barrett de Araújo, a filha de Soledad Barrett

por Urariano Mota

Quando maio chegar, o Brasil vai conhecer a poesia da filha de Soledad Barrett, a guerrilheira assassinada no Recife sob a ditadura Médici. Lançado pela Editora Mondrongo, o livro de Ñasaindy Barrett de Araújo tem um nome que sugere a difícil luta da dignidade todos os dias: “Do que foi pra ser Agora”. Para ele, pude escrever a apresentação que divulgo a seguir. 

Poesia e Vida

Chamo a atenção do leitor para o caráter estético e político do livro “Do que foi pra ser Agora”.   

Primeiro, porque é impossível não falar que sua autora Ñasaindy Barrett de Araújo é a única filha de Soledad Barrett. Filha amada pela guerreira de quatro povos, como a chamava o grande poeta Mario Benedetti. E acrescento:  o caráter literário e político do livro se dá não só pelas condições de vida e morte da guerreira paraguaia, assassinada pela ditadura no Recife. Mas pela própria vida de sua filha poetisa.

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Graciliano Ramos atualizado, por Urariano Mota

Graciliano Ramos atualizado, por Urariano Mota

No mais recente 20 de março, a lembrança do dia da morte de Graciliano Ramos deu margem à repetição de erros sobre o escritor na imprensa. Isso, claro, nos espaços mais cultos da mídia, porque no geral o escritor não foi sequer lembrado. Então vieram aquelas clássicas visões do genial mestre em que se destacam a secura do seu estilo, o enxuto,  só ossos, porque a sua obra devia ser reflexo imediato de Vidas Secas. E desse livro, que tomam como romance, logo o autor se torna um Fabiano a caminhar em paisagem árida, espinhosa de mandacaru.

No mesmo dia 20, quando se noticiou o lançamento do livro “Um escritor na capela”, que faz uma homenagem ao escritor comunista que sofreu prisão no Estado Novo, partiu-se para a menção, de passagem e rápida, de Memórias do Cárcere. Ora, todas as vezes em que se fala sobre literatura na mídia, e sobre Graciliano Ramos em particular, eu me torno mais que cinco sentidos de atenção.  E me digo: “alerta, aí vêm topadas e tapados”. E mais uma vez não me frustraram. Com efeito, num salto acrobático foram de Vidas Secas a Memórias do Cárcere. E como se nada dissessem, falaram que a obra máxima das memórias políticas no Brasil, foram publicadas na primeira edição “em dois volumes”. Uma luz vermelha se acendeu em mim, “aí tem – o que é isso?”. Então da sala onde eu estava me vieram à lembrança os volumes da primeiríssima edição da José Olympio, que comprei num golpe de sorte no sebo, desprezados como papel velho. Fui então até a estante e alisei feliz os livros de capa amarela. Ali estavam “os dois”  isto é, o Graciliano real e o da mídia.

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Albert Einstein, a relatividade e o Brasil, por Urariano Mota

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Por Urariano Mota

Num 21 de março de 1925, Albert Einstein passou pelo Rio de Janeiro. Depois, voltou em 4 de maio  Mas quase ninguém fala do desastre cômico da passagem do cientista pela boa sociedade do Brasil. Muitos personagens daquela elite continuam vivos, com uma atualidade arqueológica.

Na chegada de Einstein ao porto do Rio de Janeiro só não lhe tocaram Cidade Maravilhosa porque a banda não podia tocar o que ainda não existia. Mas as fotos mostram o cientista em um mar de curiosos, que lhe acenavam e sorriam como se ele fosse um astro de cinema. Se tivesse tempo para refletir, certamente ele diria o que certa vez comentou Borges, ao ser cumprimentado por muitas pessoas nas ruas de Buenos Aires: “eles acenam para um homem que pensam que sou eu”.

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O cumprimento impossível dos Dez Mandamentos, por Urariano Mota

Por Urariano Mota*

Vinha eu posto em sossego no ônibus, quando meus olhos viram estas linhas escritas na parede de proteção do motorista: 

MADRE TERESA DE CALCUTÁ - POEMA DA PAZ

 

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Soledad Barrett reaparece em novo romance, por Urariano Mota

Por Urariano Mota

Do romance inédito A mais longa duração da juventude*

As recentes declaração de Michel Temer para o Dia Internacional da Mulher, quando o medíocre lançou coices na intenção de elogio, trazem à tona o nosso novo livro. Nele, Soledad Barrett ressurge entre os militantes socialistas do Recife, linda e terna. A seguir, divulgo algumas linhas sem as descobertas que narro sobre ela, entre os bravos de gerações do Recife.

Na memória, a imagem de Soledad Barrett volta em preto e branco ou sépia. Em uma ampliação fotográfica, o sépia. O preto e branco na penetração de um sonho. Ela é a mulher pretendida por mim e outros militantes naqueles anos. Há um sentimento de delicadeza que nos invade. Eu a vejo no quintal da casa de Marx, em Jaboatão. Cheia de uma beleza que não desejava chamar atenção, me ocorreu. Então ninguém podia imaginar que a visão das suas pernas, que ela nos furtava com túnicas, calças jeans, saias longas, cobriam o trauma de cruzes nazistas em cicatriz, gravadas à força em suas coxas no Uruguai. No entanto, a aparência de pudor era superficial, porque o furto e a negação para os olhos não detinham toda a Soledad, feminina plena do rosto aos seios e pessoa. Há sempre um tom da verdade que busca o núcleo sensível da imagem em sépia. Toca no músculo mais vivo, ponto delicado.

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Gabriel García Márquez aos 90 anos, por Urariano Mota

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Por Urariano Mota

Neste 6 de março, o gênio de Gabriel García Márquez completaria 90 anos. Na sua ótima biografia escrita por Gerald Martin, podemos ler:

Gabo se mostrava claramente angustiado. Depois que conversamos sobre seu trabalho e planos por algum tempo, declarou que não tinha certeza se voltaria a escrever. Então ele disse, quase melancólico: ‘Escrevi bastante, não escrevi? As pessoas não podem ficar frustradas, e não podem esperar mais nada de mim, não é?

Estávamos sentados em imensas poltronas azuis, numa saleta íntima do hotel, de onde se via o anel rodoviário do sul da Cidade do México. Lá fora estava o século XXI, voando. Oito pistas de tráfego incessante.

Ele me olhou e disse:

– Sabe, algumas vezes fico deprimido.

– Como? Você, Gabo, depois de tudo que realizou? Não acredito. Por quê? Leia mais »

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Portela, o rio que não passa de Paulinho da Viola, por Urariano Mota

Portela, o rio que não passa de Paulinho da Viola

por Urariano Mota

Em tempos só de angústia, a melhor notícia da semana foi a vitória da escola de samba Portela no carnaval carioca. Devo dizer, o melhor da notícia foi a circunstância rara dessa vitória. A Portela venceu com a música “Foi um rio que passou em minha vida” de Paulinho da Viola no enredo.  E foi campeã, depois de 33 anos.

E o que fala Paulinho da Viola desse momento raro? À sua maneira modesta, que só quer falar das coisas do mundo, minha nega, ele declara:  “Eu fico muito feliz e honrado com essa referência. Na verdade, o enredo tratava de rios do mundo, tinha esse samba, de repente, foi um motivo de inspiração, É uma coisa que me honra e eu fiquei muito feliz com isso. Eu continuo dizendo que o mérito é da turma que desfilou, que desenvolveu o enredo e que fez um enredo como pretendia, que era tratar dos rios do mundo. Era o rio Portela e os rios do mundo. Isso que é legal”.

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Uma noite de carnaval na ditadura, por Urariano Mota

Uma noite de carnaval na ditadura

por Urariano Mota

O que dizer de alguém como Vargas, que me fala nesta noite? É simples, absurdo, cheira mal e me dá lição de que bom é o pão para todos. Eu nada sei, e ninguém sabe até aqui, o heroísmo de que será capaz por uma razão fora do manual marxista que ele vulgariza, com o dedo na minha cara. Ele é o herói sem  Olimpo, devo dizer, o herói sem Homero, sem um só narrador, mas acima da nossa altura, penso, pela ação que desenvolverá daqui a menos de um ano. Agora, nesta noite da sexta-feira de carnaval, não. Com a cerveja que dá um calor do peito, com a batida de limão, o militante de oculto nome Getúlio parece não gostar de mim. E continua a inquisição:

- Você já leu Trótski? Nem mesmo Isaac Deutscher? Nãão?! 

- Eu vi Lênin – me defendo.

- O quê? O Estado e a Revolução? Que fazer? Imperialismo, etapa superior do capitalismo?

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Raduan Nassar X roberto freire, por Urariano Mota

Raduan Nassar X roberto freire

por Urariano Mota

Sinto não poder ainda escrever com o devido distanciamento. Tentei até passar mais tempo sem falar, pois esperava que o fragor da onda se perdesse no horizonte. Mas não devo mais, sob pena de omissão. Entendam por favor a urgência e descontem as mal traçadas que vêm a seguir.  

Na solenidade da entrega do Prêmio Camões a Raduan Nassar,  quase toda imprensa brasileira preferiu esquecer a beleza do discurso do escritor.  Aqui, houve uma inversão. Pelo noticiário, mais importante que o Prêmio Camões foi a baixeza, tratada como resposta,  do ministro da cultura. No Jornal da Cultura (essa palavra tão destruída no Brasil de hoje) um comentarista chegou a lembrar o passado do ministro como de um homem de esquerda, e portanto isento defensor do novo governo: "ele vem do PC do B". Santa ignorância, total e absoluta, porque o comentarista desconhecia por completo o que houve com o movimento comunista no Brasil. O ministro da cultura destruída veio do PCB, de onde saiu para o PPS, a versão mais infame do que pode ser um partido com tintas de ex-revolucionário.

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Direitos humanos no rádio, por Urariano Mota

Direitos humanos no rádio

por Urariano Mota

No mais recente 13 de fevereiro, foi comemorado o Dia Mundial do Rádio. Em boa utilização desse aniversário, a diretora-geral da UNESCO Irina Bokova declarou que o acesso público à informação é essencial para fortalecer o Estado de Direito. E mais:

“A alfabetização midiática e informacional nunca foi tão essencial para construir a confiança na informação e no conhecimento, em uma época em que as noções de ‘verdade’ são desafiadas”. O que vale dizer, o rádio também pode promover os direitos humanos, que no geral vêm sendo tão desprezados por comunicadores reacionários no Brasil e no mundo. 

Bem sei por experiência a intensidade da luta no ar, que não gera socos no vazio. Há muito, conheço como anda a opinião pública intoxicada de ódio e terror.  Lembro, primeiro, de um programa de direitos humanos no rádio, o Violência Zero, em que estivemos eu, Rui Sarinho e Marco Albertim, o  excelente escritor e jornalista que perdemos há pouco. No estúdio da Rádio Tamandaré do Recife, na altura dos anos 80, sentíamos a disputa de ideias na sociedade recifense entre punir sem medida e o direito à justiça. Ainda que sem método científico, pelos telefonemas dos ouvintes notávamos que a divisão entre os mais bárbaros e civilizados era quase meio a meio.

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Fotos

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Vídeos

Curta de Salvador Dali e Walt Disney

Vale ver pela estranha parceria. O enredo é medíocre, mas os desenhos, aqui e ali, valem a pena.  

O Recife em 1927

Vídeo histórico. Cenas raras do Recife em 1927. E como é natural, para o filme galante, são mais registradas pessoas da classe média da época. Todos de ternos, chapéus, melindrosas, mas aqui e ali aparece um popular - é o motorista. Imperdível.

Literatura, História e jornalismo na TV

Documentos

O fundamental compositor Raul Ellwanger

 

Amigos, Raul Ellwanger está lá no Rio Grande do Sul, no extremo sul do Brasil, e compõe em silêncio, à margem da indústria cultural, e talvez por estar assim à margem compõe como poucos compositores brasileiros nos últimos tempos. (E se vocês não sabem, observem que para os postos à margem todo o tempo é fecundo, pois sempre será tempo de plantar longe do barulho do mercado, que enche o artista de vento e vaidade.)

 

Vocês perdoem o entusiasmo, que explicarei lá no fim. Pois então, o gajo (ou como se diz em gauchês, "o cara"?), mas em bom português universal devemos dizer, o fecundo companheiro lá de Porto Alegre acha pouco o que produz e me enviou de presente 3 CDs: Ouro e Barro, País da Liberdade e Teimoso e Vivo. Os CDs foram entregues a mim por Joelma, assessora na Comissão da Verdade de Pernambuco, no dia do lançamento do meu romance  O filho renegado de Deus. A humanidade é assim, a gente pensa que vai ser útil e recebe o que não esperava.

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Áudio

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