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Profissão Escritor e jornalista. Autor de "Soledad no Recife", pela Boitempo, e “O filho renegado de Deus”, pela Bertrand Brasil.

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Uma noite de carnaval na ditadura, por Urariano Mota

Uma noite de carnaval na ditadura

por Urariano Mota

O que dizer de alguém como Vargas, que me fala nesta noite? É simples, absurdo, cheira mal e me dá lição de que bom é o pão para todos. Eu nada sei, e ninguém sabe até aqui, o heroísmo de que será capaz por uma razão fora do manual marxista que ele vulgariza, com o dedo na minha cara. Ele é o herói sem  Olimpo, devo dizer, o herói sem Homero, sem um só narrador, mas acima da nossa altura, penso, pela ação que desenvolverá daqui a menos de um ano. Agora, nesta noite da sexta-feira de carnaval, não. Com a cerveja que dá um calor do peito, com a batida de limão, o militante de oculto nome Getúlio parece não gostar de mim. E continua a inquisição:

- Você já leu Trótski? Nem mesmo Isaac Deutscher? Nãão?! 

- Eu vi Lênin – me defendo.

- O quê? O Estado e a Revolução? Que fazer? Imperialismo, etapa superior do capitalismo?

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Raduan Nassar X roberto freire, por Urariano Mota

Raduan Nassar X roberto freire

por Urariano Mota

Sinto não poder ainda escrever com o devido distanciamento. Tentei até passar mais tempo sem falar, pois esperava que o fragor da onda se perdesse no horizonte. Mas não devo mais, sob pena de omissão. Entendam por favor a urgência e descontem as mal traçadas que vêm a seguir.  

Na solenidade da entrega do Prêmio Camões a Raduan Nassar,  quase toda imprensa brasileira preferiu esquecer a beleza do discurso do escritor.  Aqui, houve uma inversão. Pelo noticiário, mais importante que o Prêmio Camões foi a baixeza, tratada como resposta,  do ministro da cultura. No Jornal da Cultura (essa palavra tão destruída no Brasil de hoje) um comentarista chegou a lembrar o passado do ministro como de um homem de esquerda, e portanto isento defensor do novo governo: "ele vem do PC do B". Santa ignorância, total e absoluta, porque o comentarista desconhecia por completo o que houve com o movimento comunista no Brasil. O ministro da cultura destruída veio do PCB, de onde saiu para o PPS, a versão mais infame do que pode ser um partido com tintas de ex-revolucionário.

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Direitos humanos no rádio, por Urariano Mota

Direitos humanos no rádio

por Urariano Mota

No mais recente 13 de fevereiro, foi comemorado o Dia Mundial do Rádio. Em boa utilização desse aniversário, a diretora-geral da UNESCO Irina Bokova declarou que o acesso público à informação é essencial para fortalecer o Estado de Direito. E mais:

“A alfabetização midiática e informacional nunca foi tão essencial para construir a confiança na informação e no conhecimento, em uma época em que as noções de ‘verdade’ são desafiadas”. O que vale dizer, o rádio também pode promover os direitos humanos, que no geral vêm sendo tão desprezados por comunicadores reacionários no Brasil e no mundo. 

Bem sei por experiência a intensidade da luta no ar, que não gera socos no vazio. Há muito, conheço como anda a opinião pública intoxicada de ódio e terror.  Lembro, primeiro, de um programa de direitos humanos no rádio, o Violência Zero, em que estivemos eu, Rui Sarinho e Marco Albertim, o  excelente escritor e jornalista que perdemos há pouco. No estúdio da Rádio Tamandaré do Recife, na altura dos anos 80, sentíamos a disputa de ideias na sociedade recifense entre punir sem medida e o direito à justiça. Ainda que sem método científico, pelos telefonemas dos ouvintes notávamos que a divisão entre os mais bárbaros e civilizados era quase meio a meio.

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O frevo que se canta hoje no Recife, por Urariano Mota

O frevo que se canta hoje no Recife

por Urariano Mota

No Marco Zero, tocava uma orquestra afinada, passistas faziam um passo de acrobatas, cercados de gente de muitas idades e lugares. Mas eis que de repente, no azul do céu do cais, foi anunciado o frevo de bloco Evocação nº 1, de Nelson Ferreira. Para mim, coisa melhor não há, e me deixei ficar em desarmada prelibação do que viria. Um calor de felicidade correu no peito em atenção à lembrança que guardamos da letra, da canção, do coral de Batutas de São José, do tempo imorredouro da melodia.  Então a voz da cantora soltou:

“Felinto, Pedro Salgado, Guilherme, Fenelon
Cadê teus blocos famosos?...”

Mas esses primeiros versos não dizem bem o que ouvi. Outra canção se fez presente já no começo, porque a cantora cometeu um “Fê-linto”. De imediato, esclareço que tal variação na prosódia local não é coisa boba, sem importância.  Nós estamos falando de um hino da cidade. Trata-se de uma das maiores obras de Nelson Ferreira. Mas o melhor veio depois. Terminada a música, fui ao animador do encontro e lhe fiz ver que aquela “pronúncia” não era conforme a original. Então ele me respondeu com o ar mais puro da tarde:

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Greve dos PMs do Espírito Santo acaba em barriga do Jornal Nacional, por Urariano Mota

Greve dos PMs do Espírito Santo acaba em barriga do Jornal Nacional

por Urariano Mota

Agora, se confirma que o Jornal Nacional cometeu uma tremenda "barriga". Anunciou o fim da greve dos PMS do Espírito Santo em furo de reportagem na sexta-feira 10 de fevereiro.

Pouco depois, o site de O Globo foi mais ponderado, aqui http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2017/02/governo-associacoes-e-sindicato-tem-acordo-e-greve-termina-no-es.html  :

“Representantes dos policiais militares e do Governo do Estado chegaram a um acordo, na noite desta sexta-feira (10) em uma reunião sem a participação das mulheres dos PMs que ocuparam a frente dos batalhões no estado. O anuncio aconteceu no Palácio da Fonte Grande, no Centro de Vitória. As mulheres dos PMs falaram com o G1 e dizem que não foram comunicadas do acordo. Pelo acordo, os PMs voltam às ruas do Espírito Santo às 7h da manhã deste sábado (11). A paralisação completou sete dias nesta sexta-feira (10). A informação do acordo foi publicada no blog da jornalista Miriam Leitão.

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O Gordo e o frevo, por Urariano Mota

O Gordo e o frevo, por Urariano Mota

O Dia do Frevo e seus 110 anos ocorreram nesta semana, em 9 de fevereiro. Tantas vezes já escrevi sobre essa identidade pernambucana e tantas mais hei de escrever, pois o que é da natureza da gente não cansa. Mas hoje falarei da música a partir do Gordo, personagem do meu romance “A longa duração da juventude” **. Acompanhem, por favor, o reflexo do frevo na vida de um homem.   

“Nós estamos no gozo da aurora, na Portuguesa às onze da noite de uma sexta-feira, e o Gordo nos ensina os frevos imortais, de compositores que até hoje ninguém escuta ou fala. Jones Johnson, Toscano Filho, Zumba, Sérgio Lisboa, Nino Galvão. A sua fonte são as memórias da avó, dona Bangue, e do avô, o velho Sucupira, da infância que ele guarda nos discos vinis da Rozenblit. Tesouros. Ele fala num saber que desconcerta, mas não humilha, porque o pagamento será a sua lição. Como agora, num domingo em sua casa.

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Espírito Santo do Horror, por Christiane Brito e Urariano Mota

por Christiane Brito e Urariano Mota

No Brasil, Temer passou a ser o nome próprio de um verbo: temer.

A população do estado do Espírito Santo não merece tamanha trágica ironia. Aquele ser que na liturgia católica se descreve como Deus, a terceira pessoa da Santíssima Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo, hoje no Brasil significa Temer, Caos e Horror.

A Segurança Nacional, no sentido policial -- pois a segurança já não mais existe em matéria de direitos trabalhistas, educacionais, saúde, previdência e cultura – solta os últimos suspiros ao privar cidadãos do direito à própria vida e sossego.

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Os urubus e as mortes de Dona Marisa, por Urariano Mota

Os urubus e as mortes de Dona Marisa

por Urariano Mota

Em 2005, quando faleceu Miguel Arraes publiquei no La Insignia, na Espanha:

“Os obituários que sempre esvoaçam e rondam a agonia dos grandes homens desta vez falharam no alcance e na sua mira. Urubus, de boa visão e argúcia, desta vez os obituários erraram o cadáver do brasileiro que se vai. E não exatamente por falta de tempo e de informações.”

O que publiquei antes, também se aplica agora, de modo mais cruel em relação a Dona Marisa, a companheira da vida de Lula. Primeiro, porque a mataram de forma lenta e perversa, indigna, quando a envolveram em crimes de corrupção – quem? Sérgio Moro e bando – em compra de apartamento que jamais possuiu. E mais pedalinhos para os netos! Ainda nessa primeira morte a mataram quando viu caluniarem para a humilhação Lula Amado do Brasil. Dessa primeira morte é inescapável a culpa da grande pequena mídia, que acusa primeiro e apura depois, que publica  maldosas hipóteses como fatos consumados, na base do “se não furtou, alguém furtou para ele”. E mais a perseguição nos processos da Lava Jato, onde o criminoso Lula é visto como o chefe secreto da corrupção de todos os tempos no Brasil. Dessa sua primeira morte, mídia, Moro e demais assemelhados têm uma inescapável culpa. Que enviem condolências e sinais de respeito apenas mostram que a hipocrisia respeita a virtude na aparência.

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A tortura como método de esmagar a pessoa, por Urariano Mota

por Urariano Mota

As notícias sobre o fascismo de Donald Trump chegam nestes dias. Ele fala em reabrir as prisões secretas da CIA no estrangeiro e a continuação do programa de interrogatórios que foi desmantelado em 2009. Palavras de Trump:  “Falei com oficiais dos serviços secretos e perguntei-lhes: ‘Funciona? A tortura funciona?’ E eles responderam-me: ‘Sim, absolutamente!’ Sim, quero trazer de volta a tortura. Quero manter o nosso país a salvo. Eu sempre obedeceria a lei, mas gostaria que a lei fosse expandida. Nós devemos usar algo mais forte do que temos agora. Hoje o waterboarding  (afogamento simulado) não é permitido, até onde eu sei. Eu quero que, no mínimo, ele seja permitido”.

Mas alguma vez se justifica a tortura? Acompanhem por favor como se constroem as possibilidades "morais" que justificam o esmagamento de uma pessoa. O recurso da retórica lança hipóteses semelhantes a este encadeamento:

- Você é capaz de matar uma criança?

- Não, claro que não.

- E se a criança fosse uma terrorista?

- Crianças não são terroristas.

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Até prova em contrário, todo negro é ladrão, por Urariano Mota

No Recife, a denúncia de racismo da Casa dos Frios contra o motorista Mário José Ferreira repercute nas redes sociais. A gerente de uma loja da Casa chamou a polícia para prender o motorista, porque ele estaria fingindo comprar bolos antes do assalto. A Casa dos Frios alega que apenas seguiu um procedimento padrão, porque  suspeitou que o homem estava armado. 

A matéria: Motorista que acusou Casa dos Frios de racismo grava vídeo sobre o caso

Esse caso me leva a uma vítima de racismo no Restaurante Leite, no Recife. Está em meu romance “O filho renegado de Deus”. É ficção, mas como tudo que publico vem do que sei e vivi. O Leite, hoje, continua a ser o melhor restaurante da cidade. O problema  é que, como toda excelência de Pernambuco, dos doces ao frevo, o Leite possui também uma história de exclusão e violência. No Leite,  negros não entravam a não ser de farda  como empregados. Isso pelo menos até os anos 50.

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Joaquim Nabuco, um profeta do Brasil, por Urariano Mota

Lembro que em 2010, quando se completaram os cem anos da morte de Joaquim Nabuco, muitas reportagens foram publicadas. Em quase todas, o destaque foi para o  homem liberal, o personagem ilustrado de Quincas, o belo. Nas breves menções às ideias mais radicais de Nabuco, dava-se um pulo esperto para o conceito de “homem complexo”.

Copio um trecho eloquente da Veja:

“As mulheres não resistiam a Nabuco... (já o abolicionismo) foi uma história de homens tomados de paixão por uma causa justa e, entre eles, nenhum mais apaixonado do que o jovem pernambucano de família ilustre, pai, avô e bisavô senadores do Império, com muito berço e quase nenhum dinheiro, que se tornou o que de mais parecido poderia existir no século XIX com uma celebridade ao estilo contemporâneo, aclamado, paparicado e adorado... assumidamente metrossexual, ou, como se dizia no século XIX, um dândi, o tipo masculino preocupado com a aparência e sensível a modismos.”

Notem que as coisas mais graves foram escritas assim, entre amenidades e atualizações que vulgarizam ou difamam. A paixão de Nabuco pela causa abolicionista como uma extensão de galã de telenovela se tornou insuportável. Não era justo que ele se destacasse pelo obscurecimento de homens tão fundamentais quanto Luiz Gama, André Rebouças, José do Patrocínio, José Mariano. Homens, enfim, talvez menos belos ou apurados no vestir, mas cheios de amor e entrega absoluta à igualdade das gentes.

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Pátria minha, por Urariano Mota

Pátria minha, por Urariano Mota

Para estes dias de novo golpe no Brasil, esta evocação e invocação de Vinícius de Moraes.

O crítico literário José Castello numa entrevista contou que o poeta maior  Vinicius de Moraes apresentava um show em Lisboa em 13 de dezembro de 1968. Dia em que os militares do Brasil deram um golpe dentro do golpe com o Ato Institucional número 5.  À saída do teatro, militantes da Juventude Salazarista, todos vestidos de terno e gravata, ficaram esperando a saída do poeta para hostilizá-lo. Eles relacionavam Vinicius à esquerda e ao comunismo. Mas o poeta não se deixou intimidar, e contrariando a orientação que lhe foi dada, encarou os manifestantes recitando de improviso todo o seu poema Pátria Minha:

“A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria. Leia mais »

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A literatura em tempos digitais

Urariano Mota e Raimundo Carrero falam na TV Pernambuco sobre literatura e novas formas do romance na internet.

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O futuro neste ano que se inicia, por Urariano Mota

por Urariano Mota

Para que lado sopra o futuro? Essa pergunta não é vã nem abstrata. Ela quer apenas dizer, na inquietação de cada um de nós: qual será o nosso destino nos dias que ainda não vivemos? 

Houve um tempo em que o futuro era a paz idílica, sentimental, onde todas as feras passeavam ao lado de mansas ovelhas. Esse futuro passou. Houve um tempo em que o amor era a resposta certa para toda baixeza humana.  Passou. Houve um tempo ainda em que a simples visão da flor, da orquídea, da cornucópia de pétalas nos jardins, deixava o peito cheio de um sentimento de felicidade, a ponto de suavizar o semblante, de amolecer os músculos, de fazer úmidos os nossos olhos. Esse tempo se foi.  Então, que futuro nos resta? Que paraísos são possíveis? Ou para que inferno o vento sopra?

Os jovens mais sensíveis e angustiados nos perguntam sempre: o senhor acha que ainda é possível uma ditadura de generais no Brasil?  - Não sei, não sabemos, é o que nos vem. Quem sabe é o vento, dá vontade de responder. Mas só o dizer "não sei" para eles é motivo de espanto. Entendemos a razão. Os jovens confundem cabelos brancos com sabedoria. Talvez nem saibam que os idiotas também amadurecem, sem crescimento da experiência. Talvez nem percebam que esse pesadelo do golpe militar nos acompanha todas as noites, como uma amada de sinal invertido.

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Sonhos do passado e do presente

 

Entrevista sobre o romance “A longa duração da juventude” publicada no Diário de Pernambuco

A luta dos adolescentes e jovens adultos por um mundo melhor e mais justo - e os traumas que podem ocorrer a partir dessa ousadia - são o pano de fundo abordado pelo jornalista e escritor Urariano Mota em seu novo livro, A longa duração da juventude. 

A obra, à venda no site Amazon, é um retorno a memórias do pós-ditadura, mas, ao mesmo tempo, traz uma ponte para o futuro ao relacionar a militância de esquerda dos anos 1960 ao protesto dos estudantes brasileiros na atualidade. “Tenho que contar essa história, senão isso vai ficar perdido. Certas coisas não vão ser ditas se você não falar”, afirma Urariano, colaborador frequente da seção de Opinião do Diario.

O autor dos romances Os corações futuristas, Soledad no Recife e O filho renegado de Deus, além de Dicionário amoroso do Recife, pontua que o romance, segundo ele o mais ambicioso de sua trajetória, foi detonado a partir da morte de um amigo querido, o escritor, jornalista e militante comunista Marco Albertim. “A primeira coisa a destacar é a seguinte: eu não procurei escrever somente sobre a ditadura. Quando eu estava indo visitar pensões onde morei, vi uma passeata de adolescentes protestando com bandeiras por uma educação melhor. Foi quando me ocorreu o fato de que havia uma duração mais longa da juventude. Quem esteve na clandestinidade e foi ao limite da entrega da propria vida está nesses jovens das ocupações de escolas e universidades”.

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Fotos

Sem colaborações até o momento.

Vídeos

Curta de Salvador Dali e Walt Disney

Vale ver pela estranha parceria. O enredo é medíocre, mas os desenhos, aqui e ali, valem a pena.  

O Recife em 1927

Vídeo histórico. Cenas raras do Recife em 1927. E como é natural, para o filme galante, são mais registradas pessoas da classe média da época. Todos de ternos, chapéus, melindrosas, mas aqui e ali aparece um popular - é o motorista. Imperdível.

Literatura, História e jornalismo na TV

Documentos

O fundamental compositor Raul Ellwanger

 

Amigos, Raul Ellwanger está lá no Rio Grande do Sul, no extremo sul do Brasil, e compõe em silêncio, à margem da indústria cultural, e talvez por estar assim à margem compõe como poucos compositores brasileiros nos últimos tempos. (E se vocês não sabem, observem que para os postos à margem todo o tempo é fecundo, pois sempre será tempo de plantar longe do barulho do mercado, que enche o artista de vento e vaidade.)

 

Vocês perdoem o entusiasmo, que explicarei lá no fim. Pois então, o gajo (ou como se diz em gauchês, "o cara"?), mas em bom português universal devemos dizer, o fecundo companheiro lá de Porto Alegre acha pouco o que produz e me enviou de presente 3 CDs: Ouro e Barro, País da Liberdade e Teimoso e Vivo. Os CDs foram entregues a mim por Joelma, assessora na Comissão da Verdade de Pernambuco, no dia do lançamento do meu romance  O filho renegado de Deus. A humanidade é assim, a gente pensa que vai ser útil e recebe o que não esperava.

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Áudio

Sem colaborações até o momento.

Comentários

13/02/2017 - 19:09

Bem pós-tado. Eu não aguento mais ouvir/ver os apresentadores da Globo Nordeste falarem Ô-linda, em lugar de Ó-linda. Geram uma fala que nem é pernambucana nem de São Paulo. É puro frankestein.  

13/02/2017 - 19:05

O seu comentário ilumina o texto com a experiência cearense. Viva!

13/02/2017 - 19:04

Sempre ativo, sempre acordado, o pesquisador Luciano Hortencio. Muito obrigado.

13/02/2017 - 13:19

Você e sua brava família também fazem parte da história do Recife.  O seu comentário honra o texto. Abração. 

11/02/2017 - 16:30

Na altura do tempo 31:49 o Jornal Nacional anuncia o fim da greve dos PMs do Espírito Santo. Faltou acertar com os grevistas

09/02/2017 - 10:37

É mais grave. Pela qualidade da tradução, o caso é mais que  plágio. É uma falsa autoria, pois entre as qualidades do ex-ministro não se encontra o bom conhecimento da língua. Tudo indica: Alexandre de Moraes não foi o autor do livro plagiado. Uma reportagem investigativa deveria avançar para descobrir quem é o ghost-writer do ex-ministro.

Pista: procurem  o autor entre os assessores de  Alexandre Moraes.

04/02/2017 - 19:26

De Mario Benedetti:

"Tus manos son mi caricia
mis acordes cotidianos
te quiero porque tus manos
trabajan por la justicia

si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos

tus ojos son mi conjuro
contra la mala jornada
te quiero por tu mirada
que mira y siembra futuro

tu boca que es tuya y mía
tu boca no se equivoca
te quiero porque tu boca
sabe gritar rebeldía

si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos

y por tu rostro sincero
y tu paso vagabundo
y tu llanto por el mundo
porque sos pueblo te quiero

y porque amor no es aureola
ni cándida moraleja
y porque somos pareja
que sabe que no está sola

te quiero en mi paraíso
es decir que en mi país
la gente viva feliz
aunque no tenga permiso

si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos"

27/01/2017 - 08:40

Grande e imenso trabalho, Mara. Escuto agora "Estrada do Sol" na voz/interpretação de Agostinho dos Santos.

Salvou a manhã, o dia, a semana. Muito obrigado. 

26/01/2017 - 14:15

Linda interpretação de Bethânia, muito à vontade, senhora da voz e afinação. Mas ela canta errado o frevo de Antônio Maria. Notem que ela por 2 vezes canta:

"Saudade que eu sinto do Clube dOS PaIS, doS Vassouras...".

A letra do genial Antônio Maria é:

"Saudade que eu sinto do Clube das PÁS, do Vassouras..."

Como não conhecia o carnaval do Recife, Bethânia nem imaginava que o Clube das Pás é um clube cujo nome vem dos trabalhadores braçais (mais um do Recife, da origem do frevo). PÁS, plural de pá, instrumento de trabalho. Não é bem uma associação de  pais de alunos.

E dO Vasouras porque Antônio Maria se referia ao clube por elipse, não ao plural de vassoura.

26/01/2017 - 11:18

Eu não sabia da ligação entre a Casa dos Frios e o Restaurante Leite. O vínculo entre os dois casos foi estabelecido por minha intuição e pela história do Recife. Grato, Carlos Guimarães.

21/01/2017 - 16:16

Sei que a foto nem precisa de legenda. Mas aí vai: o retrato da hipocrisia brasileira. 

14/01/2017 - 18:22

11/01/2017 - 21:43

Faltas que notei: os brasileiros "O ano em que meus pais saíram de férias" e "Pixote, a lei do mais fraco". Mas no geral, a maior falta é do belo fime de Truffaut, "Os incompreendidos". Para não falar do olhar da criança em "Ladrões de bicicletas".

01/01/2017 - 12:45

Na Gobo Nordeste:

"Polícia Civil de PE investiga confusão envolvendo o senador Humberto Costa em livraria no Recife"

Na Folha de Pernambuco:

"Humberto Costa se envolve em briga em livraria no Recife"

Na Rádio Jornal, do Recife:

"Senador Humberto Costa se envolve em confusão em Livraria do Recife"

Da próxima vez em que um militante de oposição a Temer for morto, dirão:

"Arruaceiro é morto depois de provocar cidadão"

 

 

31/12/2016 - 16:15

Com um forte abraço pra você, Eugenia, Lourdes e Maria Inês