4 de junho de 2026

Simplício apela ao Capitão Brasil para resgatá-lo da Estátua da Liberdade

Simplício apela ao Capitão Brasil para resgatá-lo da Estátua da Liberdade

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Com o esgotamento iminente da bateria do celular, Simplício usou a última carga para fazer uma ligação internacional para o Capitão Brasil a fim de apelar para que ele o resgatasse da Estátua da Liberdade, ainda fechada por conta da pirraça com Obama por parte do Partido Republicano americano. Nacionalista roxo, o Capitão Brasil, vendo um brasileiro em real perigo nos Estados Unidos, usou seus superpoderes e baixou instantaneamente sobre Nova Iorque sem ter de passar pela humilhação de horas a fio nos controles do passaporte e da bagagem. 

– Graças a Deus que você chegou, disse Simplício, puxado para fora da Estátua pelos cabelos. Já não estava aguentando de tédio aqui dentro. Não entendo como esses americanos, que acham que devem exportar para o mundo inteiro seu “american way of life”, são capazes de fazer uma coisa tão estúpida quanto pôr 800 mil servidores públicos no olho da rua apenas para impedir que os pobres tenham acesso a planos de saúde mais razoáveis.
– Você deve ser compreensivo com os americanos, retrucou o Capitão Brasil, dando uma última volta aérea sobre Nova Iorque e tomando o rumo do Brasil. Eles se preocupam demasiado com guerras, invasões, policiamento do mundo, ganância, exploração e dominação de outros povos e não têm tempo de pensar nos seus pobres. Nos últimos 30 anos, desde Ronald Reagan, a concentração de renda e de riqueza na América multiplicou-se várias vezes.
– Mas onde está o Capitão América que é o grande combatente americano pela justiça?, perguntou Simplício.
– Meu primo, explicou o Capitão Brasil, nunca foi realmente um sujeito voltado para defender os pobres. Aliás, a praia dele é defender os ricos e o sistema de dominação mundial americano. 
– Você também não é lá um grande defensor de pobres… Se fosse, teria entrado nessa briga do campo de Libra e assegurado maiores vantagens para o Brasil constituir, a partir dele, um Fundo Social mais robusto!
– Faço pelo menos alguma força. Fui eu quem inspirou o Lula a criar o Bolsa-Família e lançar o PAC e o Minha Casa Minha Vida. A classe média alta, que faz cinco refeições por dia e veste a cadelinha da casa com roupas de grife, não gosta muito disso. Contudo, mesmo com as grandes bobagens que a Dilma está fazendo no Governo, especialmente na política econômica, ela continua tendo o merecido apoio da maioria do generoso povo brasileiro, e meu também.
– O que você tem contra a política econômica? Acaso é um economista heterodoxo?, quis saber Simplício.
– Sou apenas um super-herói razoável. Minha maior força é aguentar a estupidez que grassa por aí, inclusive a imbecilidade da política do Mantega. Ele quer ao mesmo tempo fazer superávit primário, o que é uma bobagem em si, e desoneração fiscal – o que, diante da tentativa de aumentar o superávit, é uma bobagem redobrada. Ele perdeu autoridade sobre o Banco Central, que voltou a aumentar a taxa de juros. Ele só fez cagada na política cambial levando a um grande déficit em nossa balança comercial e pondo o país em risco cambial.
Simplício ficou zonzo com a argumentação em cascata do Capitão Brasil. Prometeu a si mesmo estudá-la minuciosamente antes de decidir em quem votar para Presidente. O Capitão Brasil, tendo vindo direto ao Rio, levou-o pelo ar até o Cristo, com a certeza de que ali, sob a autoridade do Papa Francisco, o Partido Republicano americano ainda não mandava. E escreveu na agenda vermelha: “Confúcio disse: Quem tem Mantega no Governo não precisa de um Partido Republicano no pé.”

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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