Já em Setembro de 1943, quando se sabia que a guerra iria terminar com a derrota da Alemanha e os Aliados invadiam a Itália, a situação no pós guerra da Europa do Leste e da divisão da Alemanha em 4 Zonas de Ocupação já estava encaminhada nas conferencias do Cairo, Casablanca e Tehran embora a decisão final tenha ficado para as conferencias de liquidação do conflito, de Yalta e Potsdam.
Mas restavam duas grandes incógnitas no planejamento político dos anglo-americanos, a situação no imediato pós guerra da França e da Itália onde os movimentos de resistência eram em grande medida dominados pelos comunistas.
A situação na França tinha um grande maestro, o General De Gaulle, que com sua brilhante decisão de fazer a Divisão Leclerc entrar em Pais antes dos americanos e convencer Eisenhower, contra a opinião do Gen.Patton, do alto lucro político de Paris ser libertada por franceses e não por americanos, o controle gaulista barraria o Partido Comunista de Maurice Thorez na chegada ao poder.
Na Itália o quadro era mais complicado. A resistência no Norte da Itália estava inteiramente na mão dos comunistas de Palmiro Togliatti, com a saida dos alemães o PCI ganharia um poder incontestável sobre a região e no Pais.
Foi por essa razão que o chefe dos serviços de inteligência americanos, o OSS, antecessor da CIA, Allen Dulles procurou um acordo com o ainda poderoso Exercito alemão que ocupava o Norte da Italia com 1 milhão de homens bem armados e em perfeita formação. As forças alemãs na Itália eram as mais bem organizadas que restavam para os alemães, não tinham sido derrotadas , apenas recuavam em boa formação, tinham bons suprimentos e munição.
Mas sua rendição seria inevitável quando a Alemanha caísse, o que estava próximo. Dulles raciocinou que a rendição dessas forças aos “partigiani”, a resistência comunista, seria um desastre político. O Partido Comunista assumiria o poder em todo o Norte da Italia, a região industrial e rica do País.
Criou então o Plano Crossword, que seria a rendição antecipada, antes do fim da guerra na Alemanha, de todas as forças alemães na Itália. Por emissários chegou ao General das Waffen SS (SS combatente) Karl Wolff, o segundo na hierarquia, depois de Himmler e que tinha o comando geral no Norte da Italia.
O plano de reuniões para chegar a um acordo conhecido como Operação Sunrise se iniciou em 8 de Março de 1945, em Lucerna, Wollf entrou na Suiça em trajes civis acompanhado de dois assistentes.
O plano previa o seguinte calendário. Entre 15 e 16 de março o Grupo de Exércitos C, que continha o grosso da tropa alemã recuaria para norte em direção ao sul da Alemanha e se entregaria aos Generais Lyman Lemnitzer do Exercito dos EUA e ao General Terence Alley, do Exercito britanico.
Em 29 de Abril o restante das forças alemãs se renderia ao General Harold Alexander, do Exército britânico e comandante geral Aliado na Itália, em Milão.
Assim a transferência do território dominado pelos alemães se daria sem intervenção da resistência.
Antes do início das negociações Dulles pediu a Wolff uma prova de sua autoridade sobre as forças alemãs, a libertação de Felicio Parri, um dos mais altos comandantes da resistência e que estava prisioneiro na Alemanha.
Em dois dias Parri estava de volta à Itália, o que comprovou o poder de Wolff. Parri foi depois da guerra Primeiro Ministro da Itália. Tambem importante fiador das negociações foi o Cardeal Schuster, de Milão, que tinha acesso a Wolff e a Dulles. No final houve nava reunião em Lugano na Suiça para acertar os detalhes da rendição.
Dulles concluiu que depois da rendição o PCI era ainda a grande força politica da Itália e que a única barreira com prestígio político para enfrentá-lo seria o Vaticano. Começou aí a longa e vitoriosa aliança entre os EUA e o Vaticano, costurada por Dulles. O Estado Vaticano estava sem recursos por causa da guerra. Dulles se comprometeu a fornecer os recursos financeiros que o Vaticano necessitava para seu funcionamento. A partir dessa colaboração foi possível um trabalho de construção da Democracia Cristã, partido que fez frente vitoriosa contra o PCI por meio século, uma das boas vitorias da CIA em meio a muitas derrotas da guerra fria.
Enrtraram no esquema de colaboração as riquíssimas dioceses de Chicago e Nova York que passaram a ser os sustentáculos financeiros do Papado. A relação da Itália com os EUA foi muito mais afetuosa do que dos EUA com a França. A Itália acolheu a segunda maior base aérea dos EUA na Europa (em Aviano) e se tornou parceira da política externa americana, ao contrario da França. Os EUA colherem os frutos da clarividência de Allen Dulles em março de 1945.em meio aos escombros e as dificuldades do teatro de guerra italiano.
Como curiosidade, o General Karl Wolff obviamente pediu e obteve garantias de proteção dos EUA, sendo ele o 2º homem da SS foi poupado de punições que fatalmente o levariam à forca em Nuremberg, cumpriu prisão para respeitar as aparências mas no geral salvou-se. O grande mistério que nem Allen Dulles decifrou é como Wolff conseguiu autorização pessoal de Hitler para se render no Norte da Itália, algo que parecia impossível quando o nazismo praticava uma politica de lutar até o último tiro. Dias antes de se render Wolff conseguiu chegar a Berlim de avião, se encontrou com Hitler, que gostava muito dele, conseguiu autorização para se render, ainda passou no banco em meio as ruínas e no subsolo retirou jóias e títulos.. O fato de ter saído vivo do bunker do Fuhrer era a prova da autorização para a rendição.
Há um longo capítulo sobre a atitude da URSS com essa rendição parcial, algo que Stalin não admitia mas no fim aceitou depois de penosas negociações, o ato de rendição contou com a concordância relutante dos russos.
Referência: http://www.archives.gov/iwg/declassified-records/rg-263-cia-records/rg-263-zimmer.html
Deixe um comentário