Jornal GGN – Um tipo raro de musgo observado na natureza pela primeira vez em 1857, no Equador, nas cabeceiras do rio Amazonas, foi reencontrado por acaso, na Austrália, por uma estudante de graduação em botânica que participava de uma expedição com professores e outros estudantes. Após a descoberta inicial do musgo, classificado como Sorapilla papuana, só foram encontradas outros poucos exemplares, sendo a última observação na natureza feita em 1936, na própria Austrália.
A universitária Megan Grixti, do segundo ano do curso de Botânica da James Cook University, observou uma estranha formação vegetal de cor azul-esverdeada crescendo em uma única árvore de uma remota floresta remota perto do Monte Lewis, oeste de Mossman. A descoberta pode desvendar um verdadeiro quebra-cabeças botânico, já que os espécimes do musgo mantidos em herbários são tão antigos que os cientistas conseguiam extrair DNA para avaliar melhor sua classificação.
“A Sorapilla é um mistério para os botânicos, pois suas características são diferentes de qualquer outro musgo”, avalia David Meagher, professor da Universidade de Melbourne, líder da expedição. “Essa planta é tão rara que é conhecida por nós somente por meio de alguns espécimes em herbários, velhos demais para produzir amostras úteis de DNA. Por isso, no momento, só podemos supor onde se encaixa na história da evolução das plantas”, disse Meagher.
A estudante disse que já havia visto amostras do musgo, mas que eram tão antigas que nem havia como supor as cores do vegetal quando na natureza. “Eu sabia que estávamos à procura de um musgo que realmente não parece um musgo. O que vi foi uma planta rasteira com uma cor azul-esverdeada. Eu tinha certeza que era algo especial, e outros membros da expedição foram capazes de verificar de imediato que era Sorapilla papuana. Como estudante de graduação, eu estava animada só por ser incluída na expedição. Mas ser a única que vi [o musgo] é um começo maravilhoso para a minha carreira como botânica”.
Vegetal raro
A Sorapilla papuana foi observada no Equador pelo explorador e botânico Richard Spruce. Em 1892, o musgo foi encontrado novamente na Papua Nova Guiné. A última observação do vegetal na natureza havia sido feita na própria Austrália, em 1936, pelo naturalista Cairns Dr Hugo Flecker. “Esta nova coleção de material adequado para a análise de DNA deve finalmente nos permitir preencher uma lacuna aberta há muito tempo na história da evolução das plantas. Esta descoberta nos lembra do quanto ainda existe por descobrir sobre a vida na Terra”, diz Meagher.
Uma equipe da Universidade de Melbourne e da Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos, está trabalhando agora na extração e no sequenciamento de DNA da população recém-descoberta do musgo. Se bem sucedidas as análises, a posição da Sorapilla no reino vegetal será finalmente revelada.
“Temos muitas perguntas sobre a Sorapilla papuana”, afirma o botânico e membro expedição, Andi Cairns. “É uma planta Gondwana, separada de seu parente equatoriano quando o supercontinente se separou milhões de anos atrás? Os dois são encontrados em áreas que não teriam sido próximas antes da divisão continental, mas é um pensamento intrigante”. A estudante Grixti e outros botânicos planejam voltar para a região em busca de outras populações.
Com informações do Phys.org
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