Sugerido por Gunter Zibell – SP
Da RFI
Modelo contra a crise, Alemanha tem baixos salários e pobreza elevada
Lúcia Müzell
Atrás do título de maior economia da Europa e quarta maior potência mundial, a Alemanha esconde uma realidade muitas vezes difícil sob o ponto de vista social: o país tem índices elevados de pobreza e os baixos salários foram um dos principais temas da campanha eleitoral para as eleições legislativas do último domingo. Os social-democratas queriam instaurar um salário-mínimo na Alemanha, algo que não existe no país.
De acordo com o Instituto Federal de Estatísticas da Alemanha Destatis, 15,8% dos alemães correm o risco de ficar pobres, contra 14% na França ou na Suécia. A média europeia é de 16,9%. Os aposentados são os mais atingidos pelo problema, muitos deles com rendas mensais que não chegam a 952 euros, considerada a linha de pobreza no país. A queda da demografia alemã só piora situação, por mais que o país tenha se aberto à imigração profissional.
As regras trabalhistas flexíveis e o baixo custo da mão de obra, em comparação com a vizinha França ou outras economias ricas da Europa, são algumas das chaves para explicar a alta competitividade do país e os baixos índices de desemprego, apesar da crise internacional. Isso só é possível porque, na Alemanha, os salários são negociados diretamente entre os sindicatos e os empresários.
Mas esta situação está sendo cada vez mais questionada, como explica Sabine Le Bayon, especialista na economia alemã do Observatório Francês da Conjuntura Econômica, ligado à Sciences Po, em Paris. “Sentimos cada vez mais, nos últimos anos, que a pressão está aumentando. Inicialmente, somente alguns sindicatos apoiavam um salário-mínimo legal como na França, imposto pelo Estado. Mas pouco a pouco, mais sindicatos foram se unindo a esta causa, enquanto uma parte dos empresários está menos reticente”, explica. “Além disso, a opinião pública está vez mais sensível a este assunto porque vários estudos mostram, por exemplo, que há quase 2 milhões de alemães que ganham menos do que 5 euros por hora, 22% dos assalariados ganham pouco na Alemanha, contra 6% na França, e tem muitas pessoas em trabalhos precários que ganham extremamente mal e que não têm os mesmos benefícios.”
Sabine Le Bayon acha que dificilmente a Alemanha vai passar a ter um salário-mínimo, mesmo que a chanceler Angela Merkel, reeleita no domingo, forme uma aliança com os social-democratas. Reformas no sistema de negociações trabalhistas, entretanto, devem ser feitas para evitar salários baixos demais, o que estava comprometendo o consumo interno na Alemanha.
“Nos últimos dois anos, com a lenta retomada do comércio internacional e com as taxas de desemprego muito baixas, os sindicatos estão conseguindo negociar bons aumentos salariais nos setores industriais, que se repercutem parcialmente no restante dos assalariados. Isso faz com que o consumo interno esteja mais dinâmico do que antes”, afirma. Graças à sua indústria forte, a Alemanha é a segunda maior exportadora mundial de bens de consumo, atrás da China.
Assis Ribeiro
25 de setembro de 2013 1:52 pmO modelo
Empobrecer a maioria para garantir os altos lucros de uns poucos.
Tudo em nome do “crescimento”.
Cunha
25 de setembro de 2013 3:09 pmO que tem que acontecer no
O que tem que acontecer no planeta para que não mais prevaleça a lei da selva, a lei do mais forte?
Os ricos ficando mais ricos a cada dia e a quantidade de pobres aumentando cada vez mais.
Quando haverá a verdadeira democracia?
Qual o caminho para se chegar a uma distribuição civilizada de riqueza?
ARH
25 de setembro de 2013 4:03 pmTítulo e matéria mal escritos
O título e a matéria estao mal escritos (ou mal traduzidos). O título dá entender que há elevados indices de pobreza na Alemanha, mas não apresenta qual é este índice (diz apenas que 15, 8% dos alemães correm o risco de ficar pobres – risco não é certeza e também ainda não são pobres).
Todos as informacoes são comparadas com a França, inclusive o especialista consultado é francês.
Me parece mais fruto da animosidade entre os países do que fatos.
Aleandro Chavez
25 de setembro de 2013 6:27 pmO texto diz que a linha de
O texto diz que a linha de pobreza na Alemanha é de 952 euros. Aqui no Brasil é de 140 reais.
macedo
25 de setembro de 2013 4:26 pmOs “minijobs” na Alemanha.
Os “minijobs” na Alemanha.
http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/a_outra_face_do_milagre_do_trabalho_alematildeo_os_quotminijobsquot.html
A outra face do milagre do trabalho alemão: os “minijobs” 08 Fevereiro 2012, 18:22 por Andreia Major | [email protected] A outra face do milagre do trabalho alemão assenta nos “minijobs”, empregos com remunerações de cerca de 50 cêntimos à hora e que já contam com sete milhões de empregados na Alemanha. São já cerca de sete milhões os empregados em “minijobs” na Alemanha, com remunerações inferiores a 60 cêntimos à hora e com funções consideradas de menor importância, de acordo com o “El Economista”.
Limpar chão e lavar pratos estão no topo dos “minijobs” mais oferecidos pelas agências de emprego a preços reduzidos, e estes são considerados o “backstage” do milagre do trabalho alemão.
“A minha empresa explorava-me”, garante Anja, de 50 anos, citada pelo “El Economista”. “Se pudesse encontrar outro trabalho, sairia deste muito, muito rápido”, acrescenta. Durante os últimos seis anos Anja dedicou-se a trabalhos de limpezas e recebia dois euros à hora.
A moderação salarial e as reformas do mercado de trabalho levaram a taxa de desemprego para o nível mais baixo dos últimos 20 anos, e o modelo alemão é frequentemente citado como um exemplo para os restantes países europeus que pretendem reduzir o desemprego e ser mais competitivos.
Anja diz-se escandalizada sempre que ouve falar sobre o “milagre económico alemão”.
Os analistas garantem que as alterações no mercado laboral do início da década de 2000 contribuíram para criar postos de trabalho, porém também fomentaram a existência de trabalhos temporários e mal pagos, aumentando a desigualdade salarial.
Os dados do gabinete nacional de emprego da Alemanha revelaram que o grupo de empregados com salários mais baixos cresceu três vezes mais rápido que o resto dos grupos entre 2005 e 2010. “Isto explica o porquê do milagre do trabalho alemão não ter levado os cidadãos a consumir muito mais”, explica o “El Economista”.
Dado que na Alemanha não existe salário mínimo nacional, os salários podem ser inferiores a um euro à hora, especialmente na antiga Alemanha comunista.
“Tivemos algumas pessoas que ganhavam apenas 55 cêntimos à hora”, explica Peter Huefken, chefe da agência de emprego da cidade alemã Stralsund, a primeira agência que processou as empresas por pagarem salários muito baixos. Huefken afirma que incentivou outras agências a seguirem o seu exemplo.
Em 2011, o número de empregados na Alemanha ultrapassou os 41 milhões, o nível mais alto desde a sua reunificação, em 1991.
carlosbh
25 de setembro de 2013 7:11 pmQuase 2500 reais lá na
Quase 2500 reais lá na Alemanhã para ser considerado pobre. Aqui os petistas consideram isso Classe B.
Brasil é o país da piada pronta, os alemães não sabem o que é pobreza.
otluix
30 de agosto de 2014 11:50 pmresposta a cometário indelicado sobre o Brasil
Vai viver pra Alemanha cara. Vai tentar viver com 900 euros por mês lá. Aqui vc não faz falta ehehehe
NNN
25 de setembro de 2013 7:34 pmTitia Merkel venceu de forma
Titia Merkel venceu de forma assombrosa pela união e os SPDistas preocupados com a possibilidade de alguns ganhar menos que 900 e tantos euros por mes? Desemprego irrelevante, consumo a todo vapor e tudo que a esquerda tradicional consegue criticar é um cenário hipotético de difícil comprovação.
O pequeno crescimento das cadeiras do SPD foi mérito da dêbacle do FDP e da pequena queda dos verdes, não de sua própria agenda.
Mas o que interessa agora é a formação das coalisões.