Nos próximos anos, não haverá como o setor elétrico escapar de uma nova reforma. O diagnóstico é de Renato Queiroz, do grupo de energia do Instituto de Economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), em artigo publicado no Blog Infopetro.
Dez anos após a última reforma, há uma série de questionamentos ao setor elétrico, um conjunto de problemas acumulados que só serão sanados com a definição de um novo modelo.
O primeiro, o fato de não se ter alcançado a modicidade tarifaria. Esse fato levou o governo a antecipar a renovação das concessões de energia elétrica, com a polêmica MP 579 de 2012.
A medida foi bem sucedida para as contas residenciais. No caso das grandes contas industriais, a redução foi de 7%. Mesmo assim, a conta fechou apenas com a emissão de títulos públicos.
O segundo ponto foi o enfraquecimento do grupo Eletrobras. A MP 579 afetou drasticamente sua capacidade financeira, inviabilizando a parceria com o setor privado nos leilões de energia e exigindo aportes futuros do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social).
Houve críticas quanto ao método de cálculo das indenizações pagas pela antecipação das outorgas. Para agravar o quadro, a Receita decidiu tributar as indenizações pagas pela alíquota de 35%.
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O quadro não termina aí. Segundo o estudo, enfrenta-se simultaneamente o aumento do consumo de energia elétrica e a queda nos níveis dos reservatórios, obrigando a se chamar as usinas térmicas e reabrindo a discussão sobre os entraves técnicos e ambientais para as usinas implantadas na Amazônia.
Acontece que o combustível para as hidrelétricas – o gás – segundo o trabalho não é competitivo. E as térmicas serão essenciais enquanto outras hidrelétricas e renováveis não aumentarem sua participação na matriz energética. A alternativa será aumentar o espaço para a energia nuclear e para o carvão, provocando a crítica dos ambientalistas.
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A geração com térmicas tem custo maior, que terá que ser absorvido pelas distribuidoras até o reajuste anual, quando então será repassado para os consumidores. Os reservatórios do nordeste estão em tal nível que o ONS (Operador Nacional do Sistema) aconselhou a se poupar água, aumentando a geração com térmicas.
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O setor definiu novas regras para enfrentar esses problemas. São as bandeiras tarifarias, que imporão valores adicionais (de R$ 1,5 a R$ 3 por 100 kWh consumidos) sempre que os reservatórios atingirem determinados níveis mínimos.
Todo esse imbróglio aumentou com as declarações do diretor-ouvidor da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). De que o modelo atual de leilões de energia está “próximo do estado de saturação”.
É esse conjunto de fatores que leva os especialistas da UFRJ a preverem a reforma da reforma da reforma do setor elétrico brasileiro. Conclui o artigo: “No setor elétrico, as reformas são como o pulo do sapo. Não são feitas por gosto, mas por necessidade”.
Nos próximos meses, sem o terrorismo do início do ano – quando se levantou o fantasma do “apagão” – a opinião pública mais esclarecida terá que se debruçar sobre o novo desenho do setor elétrico.
JoselitoSN
12 de setembro de 2013 1:14 pm“Acontece que o combustível
“Acontece que o combustível para as hidrelétricas – o gás – segundo o trabalho não é competitivo. “
*termelétrica
Análise Energia
12 de setembro de 2013 1:15 pmExcelente análise
Concordo totalmente com o diagnóstico. Mas essa “reforma da reforma” poderia ser, na verdade, uma única reforma, levada a cabo com a renovação das concessões. O problema é que o governo tentou fazer tudo “nas coxas” e sabemos que, em um setor tão complexo, o que se faz na pressa e sem a devida análise se torna um problema mais para a frente. Principalmente quando a pressa vem de pressões de curto prazo – como o lobby da indústria por tarifas menores, o desejo do governo de reanimar a economia e a necessidade de controlar a inflação.
Essa correria resultou em uma reforma inútil e em bilhões de reais em dinheiro público jogados ao léu. Ou em indenizações às empresas – que poderiam ser evitadas caso as concessões fossem renovadas em outro modelo – e em subsídios do Tesouro.
Eu calculava que o processo todo da MP 579 custaria até R$43 bilhões aos cofres públicos, mas esse valor ainda deve aumentar um pouco…
http://www.analiseenergia.blogspot.com.br/2013/07/o-buraco-sem-fundo-do-setor-eletrico.html
Filipe Rodrigues
12 de setembro de 2013 1:59 pmPela volta do modelo elétrico
Pela volta do modelo elétrico pré-privatização urgente!!!!
O Brasil é um país muito estranho:
– PSDB que se diz contra os impostos altos, cobra as maiores taxas em estados governados pelo partido.
– O PT que se diz contra as privatizações, vem adotando a política de maneira disfarçada (concessão).
jns
12 de setembro de 2013 2:54 pmProdução e Consumo de Energia
Produção e Consumo de Energia no Brasil
Análise de Dados Históricos e Visão Geral do Setor
Informações resumidas nos gráficos da U.S. Energy Information Administration – EIA
. O Brasil foi o maior produtor de combustíveis líquidos na América do Sul em 2011.
. O gás natural representa apenas uma pequena parcela do consumo total de energia do Brasil.
. O Brasil tem o terceiro maior setor elétrico do hemisfério ocidental, atrás dos Estados Unidos e Canadá.
. O país experimenta rápida expansão da produção e consumo de petróleo, gás natural e energia elétrica nos últimos anos.
FONTE: http://www.eia.gov/countries/country-data.cfm?fips=BR | Última Atualização: 30/05/2013
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Geração de Energia Elétrica
FONTE: http://www.cpflrenovaveis.com.br/ri/show.aspx?idCanal=wku79TYTX/RcDEOqPKDN6Q==
27/02/2013
Athos
12 de setembro de 2013 6:02 pmO modelo de grandes hidros se
O modelo de grandes hidros se esgota com Belo Monte. Agora é a hora das nucleares para garantir a segurança do sistema.
Eólicas e solares estão vindo com tudo mas este tipo de geração não agrega segurança ao sistema, muito pelo CONTRÁRIO.
Tem outro problema por vir antes da reforma.
O setor ficou 5 anos em stand by por causa dos Bertim. Agora tem outra pica pra ser administrada.
Tem um malandro que ganhou leilão de eólicas oferecendo tarifa de R$80. O pessoal aqui achou ótimo, eu não.
O povo não entende que tem um monte de malandro no mundo. Esse preço para vencer o leilão é inviável e preço muito baixo atrapalha mais que ajuda neste caso.
Ele não vai fazer as usinas.
E a Aneel vai administrar A PICA que, mais uma vez, coloca em risco TODO o sistema.
A sua conclusão está correta, como eu digo aqui há 5 anos. Chegou a hora da sociedade escolher.
Carvão ou nuclear! Não tem outra opção! Faça sua escolha!
Nuclear que pode matar alguns caso haja algum acidente.
Na França não há por exemplo e em diversos países do mundo nunca houve qualquer acidente.
Em Fukushima, mesmo com o acidente o número de mortes é ZERO.Em Chernobyl são 42 mortes.
Ou carvão que mata anualmente milhares de pessoas, principalmente crianças pobres.
Acho que o pessoal do blog não se preocupa muito com Carvão porque não são pobres e seus filhos estão safos, hehehe.
Para estas pessoas eu só tenho a dizer o seguinte.
Se vc não se preocupa com a morte das crianças pobres que moram perto das térmicas a carvão, se preocupe com a pintura do seu carro pois… de onde vc acha que vem a chuva ácida que é frequente nos EUA e China?
DeBarros
12 de setembro de 2013 6:38 pmBasta um acidente para que
Basta um acidente para que uma usina nuclear torne inabitavel uma area de mais de 2000 km2 em torno dela, alem dos inumeros casos de cancer que forcosamente ocorrerao no futuro.
Ha tambem o fato de que nenhuma empresa de ira segurar uma usina nuclear, pelo fato de que se um acidente acontecer, a conta pode chegar aos Trilhoes de R$.
Energia nuclear eh um perigo. Melhor desenvolver o bio-Diesel, Ethanol de cana e de algas e energia solar.
Ah, nao tem com armazenar energia solar? Ainda nao, mas ha muitos trabalhos sendo desenvolvidos nessa area de armazenamento. Logo teremos uma tipo de bateria que podera fazer isso, sem custar uma fortuna.
Athos
12 de setembro de 2013 7:18 pmAmigo, a geração nuclear é a
Amigo, a geração nuclear é a única que oferece seguro. A única!
Em Fukushima, por exemplo, no tremor que precedeu o Tsunami uma barragem de uma Hidro rompeu e matou milhares de pessoas. Tinha seguro? Não, mas vão receber por causa da Nuclear que afetou o lugar já destruido pela barragem.
“Ah, nao tem com armazenar energia solar? Ainda nao, mas ha muitos trabalhos sendo desenvolvidos nessa area de armazenamento. Logo teremos uma tipo de bateria que podera fazer isso, sem custar uma fortuna.”
Então tá. Se tem uma coisa em que NÃO HÁ AVANAÇOS TECNOLÓGICOS é no armazenamento de energia. Vide a bateria do seu celular. Sabe porque o novo smartphone tem maior capacidade de bateria? Porque a bateria é maior. Não é avanço e sim peso.
Mas me vem vc dizer que é o contrário só para contrapor a geração nuclear.
Tem doido pra tudo…
Isso para não entrar no mérito da radiação residual no meio em que as pessoas vvem.
Em Guarapai por exemplo há mais radiação do que em Chernobyl. E as pessoas moram lá em Guarapari. E não há maior incidência de cancer.
Por favor diga que não acredita no que eu disse acima!!!
DeBarros
12 de setembro de 2013 8:34 pmAmigo,
O acidente de
Amigo,
O acidente de Fukushima forcou a evacuacao de milhares de familias e o abandono de milhares de Km2 de terras ferteis e produtivas. Isso custa Trilhoes de U$. Nao ha seguradora no mundo que consiga arcar com essa despesa. Quem esta pagando esses custos eh o povo Japones atraves de seu governo. Ha uma usina nuclear entre Los Angeles e San Diego sendo desativada exatamente por esse motivo. Sabem que se houver um Tsunami como o do Japao, terao que evacuar mais de 20 milhoes de pessoas. Ja imaginou isso?
Quando a baterias, nao estamos falando das miniaturas usadas para celulares e tablets, estamos falando de superbaterias capazes de armazenar energia para um numero consideravel de residencias e ate mesmo industrias. Ha pesquisas avancadas e empresas start-ups investindo pesado nesse tipo de tecnologia. Um exemplo sao as baterias de metal liquido idealizadas por Donald Sadoway do MIT.
Sou contrario por considerar a energia nuclear perigosa e tambem um onus para as geracoes futuras que terao que prover armazenamento e seguranca para milhoes de toneladas de rejeitos nucleares, por milhares de anos.
Por outro lado produzir mais etanol de cana ou algas, assim como energia solar eh uma questao de pesquisa e investimento, que mesmo em caso de acidentes nao forcara a evacuacao de milhares. Sou otimista. Levara alguns anos, mas chegaremos la.
Calvin
12 de setembro de 2013 6:30 pmTraduzindo: o modelo da
Traduzindo: o modelo da gerenta impacienta quando ministra não funcionou….
As térmicas que funcionam foram implantadas pelo Parente após [o primeiro] apagão…