5 de junho de 2026

Não joguemos pedras nos médicos brasileiros

O índices da saúde em nosso país melhoraram, de modo que a expectativa de vida é bem maior hoje do que há cinquenta anos e os médicos brasileiros têm muito a ver com isso. Os dois anos a mais de faculdade de medicina poderão criar uma cultura de medicina preventiva-popular entre nossos médicos, com foco na prevenção, habilitando-os para tanto. Não é muito sensato crer que os médicos estrangeiros queiram enfrentar certas debilidades estruturais brasileiras. Muitos virão, é certo, mas muitos voltarão, com certeza. Sempre haverá aventureiros que ficarão, como aquele médico do filme “O último rei da Escócia”, película baseada em fatos reais. Quer dizer, mesmo este voltou para casa! Devemos contar mesmo é com os médicos nacionais. De quem tão mal se tem falado em tantas rodas sociais. 

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Com a melhoria das condições, como por exemplo a segurança de que os salários serão pagos – sim, há casos de cidades interioranas em que o prefeito simplesmente não paga salário de seus médicos! Com a capacitação com foco no trabalho em medicina preventiva, pode ser que os médicos brasileiros desejem, a partir das mudanças que vêm por aí, morar nas cidades medianas do interior, o que já será muito bom e certamente melhorará os índices de saúde de nosso país. É preciso lembrar, contudo, que grande parte dos problemas de saúde não é responsabilidade dos médicos. Para dar um exemplo: de nada adianta ter médicos abundantes, qualificados para medicina preventiva junto ao povão, em uma cidade na qual o saneamento básico é precário e as crianças brincam, diuturnamente, na lama dos esgotos a céu aberto, em meio a dejetos de todo tipo.

Eu não jogaria pedras nos médicos brasileiros, como muitos e muitos bem-intencionados vêm fazendo. A solução está neles, nos médicos nacionais. Coxinhas, mauricinhos ou playboys, não importa. Eles é que terão que dar conta do recado. A verdade é essa. Eles precisam de incentivos para serem convencidos da validade das medidas atuais. Ora, agora quem for para a cidade interiorana abrangida pelo novo programa do governo, pelo menos terá a certeza de receber seu salário. Já é um avanço. Como disse o ministro Padilha, acertadamente, se os médicos querem um plano de cargos semelhante ao de juízes, promotores ou auditores fiscais federais, eles precisam trabalhar em regime de dedicação exclusiva, tal qual estes profissionais. Mas o momento atual não é exatamente o correto para tratar de tal tema. Daqui a alguns anos, ou meses mesmo, os tempos serão mais propícios: haverá a necessidade de repensar as formas de recompensar os resultados que então já terão sido alcançados. Um plano de cargos para os médicos será uma demanda vista com bons olhos pela sociedade, certamente. Vamos acreditar um pouco nos nossos profissionais locais. Não tenhamos complexo de vira-latas com relação ao potencial de nossos médicos. Eles podem mudar. E transformar a saúde do país.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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