4 de junho de 2026

As distorções no caso da vistoria do avião da FAB na Bolívia

Por Ilya Ehrenburg

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Comentário ao post “Evo Morales pede desculpas por vistoria em avião da FAB

A coluna de comentários do Blog Luis Nassif é muito mais comedida e respeitosa no seu debate, apesar dos alucinados de plantão, do que o território sem lei chamado Facebook. Neste, calúnias e inverdades aparecem a todo instante. Por isso o meu comentário também aborda o que ocorre no Facebook, para ilustrar o estado de realidade paralela que esta a acontecer por conta da aversão doentia de cunho ideológico promovida pela Revista Veja e assemelhados.

Vamos aos fatos:

O colunista Claudio Humberto, jornalista sem credibilidade alguma, publica uma nota dizendo que o avião do Ministro Celso Amorim havia sido revistado de maneira invasiva, no ano de 2012, devido a desconfiança das autoridades bolivianas de que estaria na aeronave um senador foragido da justiça, e que segue abrigado em nossa embaixada.

É falsa a nota. Ela distorce intencionalmente fatos, e agrega acontecimentos inexistentes. 

O Ministério da Defesa publica uma nota à imprensa, onde explicita que três aeronaves brasileiras tiveram as suas bagagens inspecionadas, inclusive com uso de cães farejadores, o que evidencia procura por possíveis drogas. Convenhamos que o fato seja ofensivo, mas muito diferente de uma revista invasiva, tal como dito pelo colunista, além de estar equivocada no tempo e no espaço.

A nossa Chancelaria emitiu uma nota de repúdio veemente, tanto, que os atos cessaram após a emissão da reclamação diplomática.

Deve-se notar que as revistas em aviões militares não são incomuns, não é algo vedado por convenção. É bom lembrarmos que a Polícia Federal pilhou uma aeronave da Força Aérea Brasileira transportando cocaína, ou seja, realizando tráfico internacional de drogas, para desonra da FAB. Portanto, deve-se ter em mente que as restrições se dão sobre as aeronaves em missão diplomática, cobertas que estão pela imunidade concernente.

Um detalhe interessante é que o governo boliviano emitiu um pedido formal de desculpas, caso seja verídico o informe recente das agências de notícias. Ora, pois, dado que os eventos aconteceram em 2011, e que estes cessaram após a nota de repúdio, o pedido de desculpas se faz desnecessário, tornando-se desta forma, uma mesura. Mesura que é, no entanto, elucidativa da importância que o Brasil possui para as relações exteriores da Bolívia… Acreditem caríssimos leitores, que existem aqueles que no Facebook insistem em chamar o Brasil, justamente por receber o pedido de desculpas, como “subserviente” à Bolívia…  Perder a paciência e chamar de parvos estes tais é o que eu faço. Por vezes perco a linha, e os chamo de idiotas.

Agora, aparecem no Facebook, e outros espaços virtuais, comentários alucinados como se fossem lugares onde as mentiras ganham foro de verdade, apenas por serem ditas. Revistas realizadas por beagles em bagagens possuem um potencial ofensivo menor do que as calúnias que andam a ser feitas por brasileiros, de que houve além de uma revista invasiva na aeronave, outra, pessoal, junto ao Ministro Celso Amorim, inclusive, com a exigência de que este viesse a se despir…

Isso tem nome: calúnia!

Qualquer pessoa com um cérebro minimamente ativo, de pronto perceberia a falsidade de tal afirmação, mas nestes tempos de ódio incitado, de pessoas manipuladas, percebe-se a intenção de tentar criar fatos virtuais, e através da pregação constante e intensa, fazê-los reais…

Pelo que vejo, Goebbels possui bons alunos nomeio virtual brasileiro.

Quero alertar as pessoas, de que a propagação de uma calúnia, ainda que não cite o alvo diretamente, é passível de uma admoestação, que não só redunde em uma retirada posterior dos termos ofensivos, como de uma indenização ao ofendido.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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