4 de junho de 2026

Relato sobre os confrontos durante manifestação no Rio

Sugerido por Helio J. Rocha-Pinto

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Por Roger McNaught, no Facebook

Sobre o ocorrido na manifestação de ontem, dia 11 de julho, no Rio:

Atuo como jornalista independente e cinegrafista em no Rio de Janeiro há algum tempo já, presenciei muita violência, mas nada como o que vi ontem. Após uma sucessão de excessos por parte da Polícia Militar ocorridos em vários momentos do ato devo aqui citar alguns que mais grotescos (embora não sejam novidade para as pessoas que moram longe das áres privilegiadas da cidade ).

Para começar, o uso desnecessário de armas de fogo. Durante a dispersão do grupo que estava se manifestando na Av. Chile, presenciei um fato curioso, uma viatura veio em altíssima velocidade e freiou em “cavalo de pau” tendo o policial que estava na carona da viatura com o braço para fora executando disparos a esmo com sua arma de fogo. Obviamente, como jornalista, ao ver isso foquei minha camera e após a descido do mesmo do veículo fui registrar a identidade do animal que havia feito aqueles disparos. Consegui registrar mas a um custo alto, pois durante a sequencia de imagens, sou atingido pelas costas por bala de borracha, numa clara tentativa corporativista de proteger a identidade de uma besta daquelas das lentes de um jornalista. Vale ressaltar que eu não estava nem próximo dos manifestantes, apenas de outros jornalistas, logo… a bala de borracha foi “endereçada” aos jornalistas presentes no momento.

Dali prossegui para Laranjeiras, onde o ato continuaria, somente para ver mais um triste capítulo de arbitrariedades. Chegando lá, presenciei uma manifestação pacífica e ordeira, aglutinando cada vez mais pessoas, com apoio dos moradores locais, e aglutinando mais e mais pessoas a cada instante. Em dado momento começa a “dispersão” já previamente planejada pela PM, fragmentando os manifestantes em pequenos grupos pelas ruas do bairro, encurralando e vandalizando com a liberdade constitucional dos indivíduos presentes, usando de violência desnecessária em ruas residenciais, contando com o apoio de supostos manifestantes que mais tarde vim a registrar em vídeo um deles, que pela forma de linguagem e atitude era na verdade um policial infiltrado. Durante vários momentos da ação policiais apareciam com “artefatos suspeitos” que alegavam ser explosivos utilizados pelos manifestantes. O curioso foi que em momento algum vi manifestantes usarem artefatos complexos, apenas LIXO E CARTAZES. Sob esse pretexto, transeuntes eram sumariamente desrespeitados e humilhados em busca de mais desses artefatos.

Após várias idas e vindas nesse clima de estado de excessão, retornamos à frente do palácio Guanabara. Lá ja encontramos uma situação bem mais exagerada. Policiais sem identificação agredindo pessoas sentadas ao chão, recusando a se identificar, e ao avistar a imprensa começavam gratuitamente ataques com gas e bombas de efeito moral jogadas à queima roupa. àquele momento, onde haviam poucos manifestantes e muitos jornalistas, o alvo certeiro eram os jornalistas. O canhão de água pressurizada foi utilizado para danificar o equipamento dos cinegrafistas presente, sendo jogado nas arvores para molhar e danificar todo o equipamento dos jornalistas que estavam se abrigando atras das mesmas. bombas sendo jogadas a todo momento nos pés dos jornalistas, bombas sendo jogadas nos edifícios residenciais nos quais moradores declaravam desaprovação à truculência policial. Jornalistas e manifestantes se abrigaram em alguns edifícios e numa clínica, também alvo das bombas. àquele momento, tudo e todos eram alvos de uma polícia que que declarou sem medo das cameras que ali estava porque queria e porque gostava de agir de tal maneira. O comandante da ação se negou a falar com um oficial paraquedista que se identificou e com todo o respeito aos colegas de farda pediu que cessassem os abusos, tendo como unica resposta jatos de agua e bombas.

Vários jornalistas foram encurralados em uma rua menor, sendo impedidos de chegar aos advogados que estavam na clínica, numa clara tentativa de impedir que os mesmos tivessem acesso a qualquer tipo de auxílio. Presenciei um fotógrafo idoso ser impedido de ir embora ou mesmo de ficar na calçada e ainda sem nenhum respeito à lei, policiais afirmavam em alto e bom son que qualquer direito constitucional dos presentes so seria concedido se a polícia assim o permitisse. Um guia de um jornalista inglês foi sumariamente agredido e logo após o próprio jornalista inglês foi levado para a van do choque.

Após vários minutos de mais e mais excessos, alguns de nós conseguiram chegar aos advogados que estavam na clínica, onde ficamos sitiados por mais meia hora aproximadamente. Em meio a pessoas sendo atendidas com ferimentos por estilhaços das bombas, representantes da OAB tentaram negociar o fim daquele cenário de horror, com pessoas feridas na cabeça por estilhaços, tiros de borracha à queima roupa dentre outros ferimentos.

Após longa negociação, com a presença de inúmeros advogados, fomos escoltados até o metrô pela comitiva da OAB, seguidos de perto por oficiais da PM que tentavam a todo momento provocar tensionamento psicológico afim de conseguir qualquer motivo para interromper a retirada dos jornalistas e manifestantes. Advogados por vezes tentaram sem sucesso que esses PMs se retirassem, alegando que não era o combinado para a retirada, e a única resposta era o deboche de oficiais da PM.

Mais tarde, fui à delegacia, acompanhado por advogados da OAB para fazer um registro de ocorrência contra a PM, e sabem o mais engraçado? a resposta na delegacia foi mais uma forma de violencia. se recusaram a fazer o registro, alegaram que eu estava bebado ( so se fosse de gas, mas enfim ) e quando o qdvogado insistiu, ainda ouviu a suprema falta de respeito “ah, vai procurar a corregedoria unificada, fica ali em cima do detran”.

Pois é, é assim que as coisas são, e não, não pretendo desistir, vou correr atrás desse prejuízo. não pretendo deixar isso barato não.

Os PMs querem o sangue dos manifestantes e dos jornalistas??? pois é, eu também quero o deles, so que não fora da lei, mas dentro da lei!

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados