Valor é recorde histórico das licitações. Expectativa é de investimento de R$ 7 bilhões
- Brasileiras Petra e Petrobras estão entre maiores vitoriosas no leilão
- Investimentos mínimos previstos já passam de R$ 3,8 bilhões
RIO – A 11ª Rodada de Licitações de Petróleo e Gás da Agência Nacional de Petróleo (ANP), no Rio, nesta terça-feira, arrecadou R$ 2,823 bilhões em bônus arrecadados com 11 bacias leiloadas, ultrapassando a barreira dos US$ 2,1 bilhões acumulados na 9ª Rodada, em 2007. Ao fim do evento, Magda Chambriard, diretora-geral da ANP, disse que o montante é “um recorde absoluto nas rodadas de licitações da ANP”. Segundo Magda, foram arrematados 142 blocos no total.
— A expectativa é de investimento de R$ 7 bilhões. Isso é espantoso, é grandioso — disse ela.
Magda destacou o uso de tecnologia, o uso do código de barras e a possibilidade de se fazer download dos resultados via internet em qualquer país do mundo como avanços desta rodada.
O leilão marcou também a volta de Rodolfo Landim, ex-diretor da Petrobras e ex-presidente da OGX, de Eike Batista, ao setor de exploração de petróleo com a sua Ouro Petro. A rodada também é marcada pela força da Petrobras, que levou diversos blocos em parcerias com outras empresas. A brasileira Petra, que tem blocos em terra nas bacias do Parnaíba e São Francisco, onde explora gás, é uma das maiores vitoriosas. No primeiro setor, do Parnaíba, houve recorde bônus desde a 8ª rodada. No segundo setor, por outro lado, 54 blocos não tiveram propostas.
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e Magda abriram o evento. Magda havia afirmado logo na chegada ao evento que eram esperados bônus de R$ 2 bilhões. Segundo ela, as empresas demonstraram maior interesse pela Bacia da Foz do Amazonas, onde serão ofertados 97 blocos.
— É um sucesso aboluto até agora e vai continuar — destacou Magda, destacando que até o momento foram ofertadas áras da Bacia do Parnaíba, Foz do Amazonas e Barreirinhas.
Segundo Magda, a ideia é a descentralizar o investimento exploratório em direção ao Norte e Nordeste do país.
— Essa 11ª Rodada vem contando com forte disputa entre as empresas. Selecionamos 64 empresas, 30 delas classificadas como operadoras A, portanto candidatas a operar em águas profundas — disse Magda. — Tivemos de suspender o credenciamento, pois esperávamos 700 pessoas e já são mais de mil — disse Magda.
Com a rodada, pretende-se ampliar a produção de petróleo, gerar empregos e aumentar a renda da sociedade brasileira. Magda anunciou ainda a aprovação de José Gutman como um dos diretores da ANP, escolhidos pela presidente Dilma Rousseff. Ela contou que a cerimônia de posse de Gutman vai ocorrer semana que vem, no Itamaraty. Magda Chambriard disse ainda que essa rodada contou com aperfeiçoamentos tecnológicos, como a leitura de código de barras.
— Ele só vai acrescentar à ANP.
O presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), João Carlos França de Luca, disse que também acreditava em uma arrecadação recorde. De Luca estimava que o valor seria superior a R$ 2,5 bilhões.
O interesse maior na Foz do Amazonas é porque é uma área nova além de ter resultados satisfatórios com descobertas no Oeste Africano e na Guiana Francesa.
Nova fases nas licitações
O ministro Edison Lobão destacou que hoje dá-se início a uma “nova fase” nas rodadas para licitação:
— Por muito tempo, havíamos desistido de fazer tais licitações por razões de interesse nacional. Esse é um fato real. Hoje, temos duas leis: a que está em vigor já há algum tempo e a nova lei do pré-sal. Por mais de dois anos, a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, além de mim e outras autoridades nacionais, estudamos esse conjunto de lei que compõe o regime de partilha que vamos aplicar com o pré-sal. Temos a rodada de hoje e amanhã (estava previsto um segundo dia de leilão amanhã, mas a rodada foi encerrada hoje), e a de outubro, para o gás não convencional. E depois haverá a do pré-sal — afirmou Lobão.
Segundo Lobão, os novos estudos realizados com o pré-sal vão “surpreender positivamente”. De acordo com ele, nos últimos 20 anos, o Brasil triplicou a produção de petróleo. E nos próximos dez, o governo pretende dobrá-lo.
— O Brasil é hoje um outro país. Nós éramos endividados com o Fundo Monetário Internacional, e devíamos satisfações. Nós hoje emprestamos dinheiro a ele e temos uma das maiores reservas internacionais — disse.
Ele destacou ainda a produção do estado Maranhão, em larga escala e a baixo custo. E o mesmo deve ocorrer no Piauí, disse.
A 11ª Rodada ofereceu 289 blocos em 11 bacias sedimentares do país. A sequência de licitações, por bacias sedimentares foi: Parnaíba, Foz do Amazonas, Barreirinhas, Potiguar, Espírito Santo, Pará-Maranhão, Ceará, Pernambuco-Parnaíba, Sergipe-Alagoas, Tucano e Recôncavo.
Dos 289 blocos ofertados, 123 são em terra e 166 no mar: 94 deles são em águas profundas, 72 em rasas, totalizando 155,8 mil km2. Mais de 60 empresas foram habilitadas a participar do leilão, entre elas OGX, Shell, BG, Repsol, Queiroz Galvão, BHP BillitonMaersk, Statoil, Chevron, Petronas e outras.
Foram oferecidos blocos na margem equatorial do Brasil e também em áreas maduras, em que já houve ou existem hoje atividades de exploração de óleo e gás, como as Bacias de Sergipe-Alagoas, Recôncavo e a parte terrestre da Bacia do Espírito Santo.
A Bacia do Parnaíba é considerada nova fronteira petrolífera e fica na região Nordeste. Tem área aproximada de 680 mil km2 e se estende aos estados de Maranhão, Piauí, Tocantins, além de trechos de Pará, Ceará e Bahia. O único campo produtor da bacia atualmente é Gavião Real, da OGX, de Eike Batista. Parnaíba tem potencial para produção de gás natural.
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