4 de junho de 2026

Marjane Satrapi, criadora de Persépolis, morre aos 56 anos

Autora transformou suas memórias da Revolução Islâmica no Irã em uma das graphic novels mais influentes do mundo.
foto AFP

A escritora, ilustradora e cineasta franco-iraniana Marjane Satrapi morreu nesta quinta-feira (4), aos 56 anos. Reconhecida internacionalmente pela graphic novel Persépolis, a artista deixou uma obra marcada pela defesa dos direitos humanos, da liberdade de expressão e da emancipação das mulheres iranianas.

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“Marjane Satrapi morreu de tristeza pouco mais de um ano após a morte de Mattias Ripa, seu marido e o amor de sua vida”, informou à família da escritora num comunicado enviado à agência de notícias AFP.

Radicada na França desde os anos 1990, a artista também dirigiu filmes e publicou outros trabalhos de sucesso, como Bordados e Frango com Ameixas. Nos últimos anos, manteve atuação pública em apoio às mobilizações por democracia e direitos das mulheres no Irã, participando de iniciativas ligadas ao movimento “Mulher, Vida, Liberdade”.

A morte de Satrapi provocou manifestações de pesar no meio cultural e político. O presidente francês, Emmanuel Macron, destacou sua contribuição artística e seu compromisso com valores universais de liberdade e justiça.

Nascida em 1969, na cidade iraniana de Rasht, Satrapi ganhou notoriedade ao transformar sua própria trajetória em narrativa gráfica. Em Persépolis, relatou a infância vivida durante a Revolução Islâmica de 1979, a repressão política no Irã e sua experiência de exílio na Europa. A obra se tornou um fenômeno editorial mundial e foi adaptada para o cinema em 2007, recebendo destaque no Festival de Cannes e indicação ao Oscar de melhor animação.

O que é Persépolis?

Persépolis é uma graphic novel autobiográfica publicada originalmente entre 2000 e 2003. Na obra, Marjane Satrapi narra sua infância e juventude no Irã durante a Revolução Islâmica de 1979, a ascensão do regime dos aiatolás e a Guerra Irã-Iraque. A história acompanha sua transformação de uma menina curiosa e politizada em uma jovem obrigada a lidar com censura, repressão e exílio.

O título faz referência à antiga capital do Império Persa, hoje um importante sítio arqueológico iraniano. A escolha do nome serve para contrastar a riqueza histórica e cultural do país com os estereótipos frequentemente associados ao Irã contemporâneo.

Um dos diferenciais de Persépolis é mostrar o cotidiano de uma família iraniana de classe média, progressista e politizada, rompendo com visões simplificadas sobre o país. Satrapi costumava afirmar que seu objetivo era humanizar os iranianos diante de uma audiência ocidental acostumada a enxergar o Irã apenas pela ótica dos conflitos políticos.

O estilo visual

A narrativa é construída em preto e branco, com desenhos aparentemente simples, mas altamente expressivos. O formato em quadrinhos tornou temas complexos — como revolução, guerra e repressão estatal — mais acessíveis para leitores de diferentes idades e nacionalidades. A obra vendeu milhões de exemplares e foi traduzida para dezenas de idiomas.

Adaptação para o cinema

Em 2007, Satrapi dirigiu, ao lado de Vincent Paronnaud, a adaptação animada de Persépolis. O filme preservou a estética em preto e branco dos quadrinhos, venceu o Prêmio do Júri no Festival de Cannes e recebeu indicação ao Oscar de Melhor Filme de Animação.

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