A escritora, ilustradora e cineasta franco-iraniana Marjane Satrapi morreu nesta quinta-feira (4), aos 56 anos. Reconhecida internacionalmente pela graphic novel Persépolis, a artista deixou uma obra marcada pela defesa dos direitos humanos, da liberdade de expressão e da emancipação das mulheres iranianas.
“Marjane Satrapi morreu de tristeza pouco mais de um ano após a morte de Mattias Ripa, seu marido e o amor de sua vida”, informou à família da escritora num comunicado enviado à agência de notícias AFP.
Radicada na França desde os anos 1990, a artista também dirigiu filmes e publicou outros trabalhos de sucesso, como Bordados e Frango com Ameixas. Nos últimos anos, manteve atuação pública em apoio às mobilizações por democracia e direitos das mulheres no Irã, participando de iniciativas ligadas ao movimento “Mulher, Vida, Liberdade”.
A morte de Satrapi provocou manifestações de pesar no meio cultural e político. O presidente francês, Emmanuel Macron, destacou sua contribuição artística e seu compromisso com valores universais de liberdade e justiça.
Nascida em 1969, na cidade iraniana de Rasht, Satrapi ganhou notoriedade ao transformar sua própria trajetória em narrativa gráfica. Em Persépolis, relatou a infância vivida durante a Revolução Islâmica de 1979, a repressão política no Irã e sua experiência de exílio na Europa. A obra se tornou um fenômeno editorial mundial e foi adaptada para o cinema em 2007, recebendo destaque no Festival de Cannes e indicação ao Oscar de melhor animação.
O que é Persépolis?
Persépolis é uma graphic novel autobiográfica publicada originalmente entre 2000 e 2003. Na obra, Marjane Satrapi narra sua infância e juventude no Irã durante a Revolução Islâmica de 1979, a ascensão do regime dos aiatolás e a Guerra Irã-Iraque. A história acompanha sua transformação de uma menina curiosa e politizada em uma jovem obrigada a lidar com censura, repressão e exílio.
O título faz referência à antiga capital do Império Persa, hoje um importante sítio arqueológico iraniano. A escolha do nome serve para contrastar a riqueza histórica e cultural do país com os estereótipos frequentemente associados ao Irã contemporâneo.
Um dos diferenciais de Persépolis é mostrar o cotidiano de uma família iraniana de classe média, progressista e politizada, rompendo com visões simplificadas sobre o país. Satrapi costumava afirmar que seu objetivo era humanizar os iranianos diante de uma audiência ocidental acostumada a enxergar o Irã apenas pela ótica dos conflitos políticos.
O estilo visual
A narrativa é construída em preto e branco, com desenhos aparentemente simples, mas altamente expressivos. O formato em quadrinhos tornou temas complexos — como revolução, guerra e repressão estatal — mais acessíveis para leitores de diferentes idades e nacionalidades. A obra vendeu milhões de exemplares e foi traduzida para dezenas de idiomas.
Adaptação para o cinema
Em 2007, Satrapi dirigiu, ao lado de Vincent Paronnaud, a adaptação animada de Persépolis. O filme preservou a estética em preto e branco dos quadrinhos, venceu o Prêmio do Júri no Festival de Cannes e recebeu indicação ao Oscar de Melhor Filme de Animação.
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