4 de junho de 2026

O Escândalo do leite adulterado

Operação Leite Compen$ado: fórmula da fraude foi entregue em vidro de pepino ao MP gaúcho

  • Porção de ureia contida no vidro era suficiente para produzir dez litros de leite, dos quais um litro era fraudado com água, diz promotor


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PORTO ALEGRE – Uma fórmula estampada num vidro usado de pepino deu início às investigações da operação Leite Compen$ado, que flagrou fraudes no leite produzido no Rio Grande do Sul que podem ter chegado a 15 milhões de litros em um ano. A fórmula chegou ao Ministério Público (MP) por meio de um informante, que indicou que ela estava sendo usada por transportadores de várias regiões do estado pelo menos desde abril de 2012.

O pote, segundo o promotor Alcindo Bastos da Silva Filho, continha uma porção de 10g de ureia, que servia para mascarar a diluição do leite com água. Com isso, era possível aumentar o volume levado do produtor para a indústria e aumentar o ganho dos transportadores. O produto químico contém formol, que pode causar câncer se for ingerido. A porção de ureia contida no vidro era suficiente para produzir dez litros de leite, dos quais um litro era fraudado com água.


Segundo o promotor, os três grupos fraudadores desarticulados pelo MP usavam a mesma fórmula. Mas não há convicção ainda de que ela tenha sido repassada aos transportadores pela mesma pessoa. O promotor Mauro Rockembach, que também investiga o caso, informou que a fraude é antiga e estava em desuso no estado há pelo menos 30 anos.
As proporções foram confirmadas posteriormente nas escutas telefônicas realizadas pelo MP durante as investigações que resultaram na prisão de nove suspeitos entre quarta e quinta-feiras – sete deles continuam detidos e duas funcionárias de entrepostos frigoríficos foram soltas. As escutas foram autorizadas pela Justiça, que não permitiu a divulgação dos conteúdos. Segundo o Ministério Público, há indícios de que a fórmula tivesse sido vendida aos transportadores flagrados na fraude.

O MP confirmou as informações com a Receita estadual, que comprovou compras de ureia superiores a 100 toneladas no período de um ano pelos transportadores investigados. A matéria-prima, segundo o Ministério Público, era suficiente para fraudar entre 10 milhões e 15 milhões de litros de leite.

Como a operação do MP gaúcho conseguiu interceptar cerca de 600 mil litros de leite, a expectativa é de que o restante da produção adulterada tenha sido consumida pela população. Entretanto, segundo os promotores que investigam o caso, é difícil comprovar essa quantidade porque o produto não está mais no mercado. Durante a ação, foram apreendidas três toneladas de ureia com os suspeitos da fraude.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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