
“Shitstorms” e “smartmobs”, expressões de uma cultura de mobilização (só aparentemente) anárquica
por Oinegue ed Oagara
As manifestações de rua de 2013 surpreenderam a todos, alguns positivamente (os que depois se agregaram ao golpe de 2016) e outros negativamente (nós que nos sentíamos seguros com os altos índices de aprovação de Dilma, no terceiro ano de seu governo). O que as diferenciou das mobilizações de rua anteriores em nossa parca experiência democrática foi a rapidez com que um movimento de baixa escala local, as manifestações em prol do passe livre em São Paulo, se transformou num movimento nacional a encher as ruas de várias capitais do País. Outro aspecto que causa perplexidade é a transmutação da agenda reivindicativa relativamente estreita e dirigida às autoridades municipal e estadual paulista num turbilhão de comichões coletivos, aparentemente sem alvo certo e, num terceiro compasso, a apropriação dessa dinâmica disforme por grupelhos de coloração fascista, direcionando-a a protestos que fingiam ser contra a corrupção e contra a declamada baixa qualidade de serviços públicos.
A maioria dos que protestavam em 2013 não sabiam ao certo contra o que se mobilizavam. O que os unia era um delírio de civismo sem conteúdo, ao tom de “we are the people”. But what for? Ninguém responderia com objetividade. Qualquer pauta podia ser inoculada nessa transe rueira, que prontamente seria acolhida. Assim, por exemplo, ocorreu com as palavras de ordem e as faixas contra a PEC 37. Se questionado sobre o significado dessa PEC, cada um daria uma resposta diferente. Ela seria um instrumento dos corruptos. Serviria para acabar com os bravos lutadores do ministério público. Impossibilitaria qualquer investigação criminal séria. Garantiria impunidade a criminosos. E por aí vai. O que esses minions não sabiam era que estavam sendo adredemente usados por uma corporação na briguinha de poderezinhos com outra corporação. A PEC 37 só tratava de atribuir à polícia a exclusividade da investigação criminal , o que, à primera vista, até parece lógico. Mas o que poucos intuíam era que o ministério público queria mobilizar para garantir que também pudesse investigar, como o vinha fazendo com muita controvérsia.
Do ponto de vista do jurisdicionado é irrelevante quem assume uma investigação, contanto que o faça “by the book”, isto é, observe as garantias fundamentais ( devido processo legal, presunção de inocência, julgamento justo, uso parcimonioso dos meios de coerção processual etc.) e se esforce por ser efetivo num país em que, segundo dados do ILANUD, apenas 5% dos homicídios são jurisdicionalizados. Aliás, até para garantir direitos, afastar o ministério público das investigações é uma boa medida, pois garante um funcionamento mais adequado dos filtros de disciplina processual: o ministério público é chamado a intervir nos abusos policiais, assim como o juiz é chamado a intervir nos abusos ministeriais e a segunda instância zela pela correção do juiz singular. Esses filtros são essenciais num ambiente processual penal como o nosso, em que os atores oficiais são exageradamente empoderados. No momento em que se misturam as atividades da polícia, do ministério público e do juiz, o jurisdicionado fica sem ter a quem recorrer. Portanto, sob esse aspecto, a PEC 37 até era salutar, como hoje podemos observar pelos abusos em série noticiados na operação Lava Jato. Mas nada disso foi tematizado na oportunista campanha de rua.
A agenda da PEC 37 era, pois, artificial e mesquinha, turbinada pela Associação Nacional dos Procuradores da República contra a Associação dos Delegados da Polícia Federal. Mas a galera a apoiou sem qualquer espírito crítico, sem saber que estava sevando um monstro contra o outro.
Esse tipo de desinformação ou deformação da informação é típica das mensagens que circulam em redes sociais. Alguém posta umas linhas de conteúdo altamente duvidoso do ponto de vista de sua pertinência com a realidade e logo estas circulam como verdades inegáveis. As redes estão repletas de “hoaxes”, mentirinhas feitas para impressionar os internautas incautos que, por impulso, as passam para frente. Muitos desses “hoaxes” são maliciosos e visam a criar ambiente de indignação, comoção e revolta. Quem os planta nem sempre o faz por ser apenas um espírito de porco incendiário, mas o faz direcionadamente, buscando exatamente isso: acender uma centelha num barril de pólvora.
As reações na rede costumam ser impulsivas e desregradas. Internautas, em grande parte, não pensam, apenas refletem e reagem. O teclado está à mão e o monitor ligado. Seu discurso não é dialógico, mas, muito mais monológico “interativo”. Na sua frente não há olhos a serem encarados sob aprovação ou censura, mas só uma tela que presenteia, de tempos em tempos, o internauta falastrão com novas linhazinhas de discurso obtuso.O grande prazer é receber essas linhazinhas de resposta com o mínimo intervalo (“lag”). Se demora muito, o internauta falastrão se impacienta e muda de ambiente (“grupo”) discursivo. Vai assim dizendo um monte de coisas desencontradamente, pelo prazer de polemizar e fazer marola. A maioria dos internautas talvez não tivesse coragem de dizer uma fração das barbaridades que escreve se olhasse nos olhos de seu interlocutor real. Nesse ambiente, por isso, homofobia, racismo, misoginia e outros discursos de ódio são rotineiros, intoxicando a mente e o caráter de quem o frequenta acriticamente. O descontrole sugere uma anarquia sem valores e sem rumo. Apenas sugerem, pois essa dinâmica virtual pode ser induzida e direcionada a certos fins, comerciais, políticos ou religiosos, por exemplo.
As grandes marolas discursivas, verdadeiros tsunamis virtuais, aquelas que induzem comoção cibernética de grande escala, chamam-se na literatura especializada de “shitstorms” ou tempestades de merda (no mundo político, foi Angela Merkel, em 2012, que usou a expressão pela primeira vez). Alguns shitstorms são tão intensos que transbordam do mundo virtual para o real, independentemente de seu conteúdo ser verdadeiro ou não. Geram reações indignadas institucionais, com ameaças de processos, exigências de retratação, pagamento de danos morais e por aí vai. Quando atingem o interesse coletivo, são capazes, até mesmo, de mobilizar massas, principalmente se turbinadas pela mídia comercial. Um exemplo típico foi a notícia mentirosa ventilada na internet, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais de 2014, de que Youssef Chahin, o primeiro delator da operação Lava Jato tinha falecido misteriosamente. Logo a revista Veja e outros meios impressos e digitais comerciais passaram a reproduzir a notícia com a sugestão de que pudesse ter sido assassinado por gente próxima a Dilma, para evitar que falasse sobre fatos que denegrissem a reputação de seu governo. As reações à notícia foram virulentas, principalmente as partidas do candidato adversário. Mas logo aquilo que parecia fato inconteste se revelou um “hoax” barato e uma fotografia de Youssef no hospital onde estava internado provou que estava bem e sendo atendido adequadamente.
Shitstorms, se bem planejados e inoculados em momentos-chave do processo político, têm o potencial de derrubar governos, mudar resultado de eleições, criar ataques especulativos na bolsa de valores ou comprometer políticas públicas propostas. Podem, também, ser articulados com movimentos de massa no espaço real com auxílio de aplicativos de comunicação como o “Messenger” do Facebook ou o WhatsApp. Estes são poderosos instrumentos para induzir dinâmicas de grupo conhecidas como “smartmobs” (mobilização ou arruaça inteligente). Criam-se grupos de infinitos participantes vinculados a uma rede social que produz a informação, para combinar a presença maciça de seus membros em determinado cenário, como, por exemplo, um local em que a presença do chefe de estado ou de governo está agendada para ato oficial. O mobilizados podem, então, vestir-se, por exemplo, de preto como forma de protesto e gritar palavras de ordem que ensurdeçam o discurso oficial. Foram assim, em épocas distintas, inviabilizados os governos da Tailândia e das Filipinas.
Em 2013, tudo indica, não foi diferente: O limitado movimento pelo passe livre em São Paulo, desproporcionalmente reprimido pelas forças policiais do PSDB, dificilmente se transformaria numa onda de insatisfação indefinida com alcance nacional se não fosse o intenso uso de redes sociais. Só no terceiro momento, uma vez lograda a dinâmica inteligentemente induzida, que se passou a dar conteúdo às manifestações, agora claramente voltadas contra o governo federal, com a criação, até, de organizações de apoio como o Movimento Brasil Livre e os Revoltados On-Line. E o resultado esperado por seus articuladores se concretizou: o indíce de aprovação do governo Dilma despencou em poucos meses, de 78% para 33%.
O uso articulado de shitstorms com smartmobs formou, assim, o “ovo da serpente do golpe” (expressão usada por Jessé Souza). Para combater os golpistas, a vacina tem que ser seu próprio veneno. Os movimentos populares têm que se familiarizar com essas ferramentas, não só para produzirem contra-ação à tática virtual golpista, mas, também, para melhor se organizarem e serem capazes de se mobilizarem estrategicamente. Não há como enfrentar essa enxurrada de minions produzida pela inteligência golpista se não agirmos coordenadamente no espaço virtual e no espaço real. Temos que desconstruir o discurso de ódio dos golpistas e desmascará-los em seu próprio ambiente, com inteligência, argumentação e uma insistência inquebrantável. Temos que invadir seus grupos e deixá-los inseguros, tornar públicas suas intenções antes que se concretizem e, sobretudo, desfazer seus “hoaxes” antes que produzam efeitos. Quando dominarmos o espaço virtual, seremos superiores, porque diferentemente deles, não temos meias verdades inventadas para enganar as massas. Temos massas que se tornam conscientes na luta e não se deixam levar pelas obtusidades fascistas lançadas na rede com diabólicas intenções de enganá-las.
Fernando J.
12 de setembro de 2016 10:19 pmAgora é tarde
O Dr. Oinegue entendeu perfeitamente o potencial destrutivo e desestabilizador de uma imagem proporcionado pelas redes sociais: “Shitstorms, se bem planejados e inoculados em momentos-chave do processo político, têm o potencial de derrubar governos, mudar resultado de eleições, criar ataques especulativos na bolsa de valores ou comprometer políticas públicas propostas. Podem, também, ser articulados com movimentos de massa no espaço real com auxílio de aplicativos de comunicação como o “Messenger” do Facebook ou o WhatsApp. Estes são poderosos instrumentos para induzir dinâmicas de grupo conhecidas como “smartmobs” (mobilização ou arruaça inteligente). Criam-se grupos de infinitos participantes vinculados a uma rede social que produz a informação, para combinar a presença maciça de seus membros em determinado cenário, como, por exemplo, um local em que a presença do chefe de estado ou de governo está agendada para ato oficial. O mobilizados podem, então, vestir-se, por exemplo, de preto como forma de protesto e gritar palavras de ordem que ensurdeçam o discurso oficial. Foram assim, em épocas distintas, inviabilizados os governos da Tailândia e das Filipinas.”
Já pensou se ele aconselhasse a presidente – e ela ouvisse – desde 01.01.2011, e não no apagar das luzes? O Zé Cardozo não viu isso, o Dr. Oinegue, esquecido lá na PGR, via isso com toda nitidez e clareza. Uma pena.
Snaporaz
12 de setembro de 2016 10:25 pmVelhos tempos que um
Velhos tempos que um ventilador fazia o serviço,modesto é verdade, e dava conta razoável do recado.
emerson57
12 de setembro de 2016 10:36 pmverdades
Chega a dar dó o apêgo da coxinhada, principalmente a com diploma superior, às suas verdades incontestes.
a-Lula é o cara mais rico do Brasil. Roubou “bacarai”.
b-Aonde está o produto do roubo então?
a-Vai dizer que ele não robou? E a fazenda com 600 milhões de bois do filho, a Friboi, o jato, o palácio no Guarujá, o sítio com torneiras de ouro maciço em Atibaia?
b-Nada disso existe! Até agora essa midia que te informa só alega, mas não prova.
a- Está mais do que provado, eu vi no Jornal Nacional e li na Veja.
b-Esse povo que te informa mente. Por outro lado, voce sabe o que foi feito do helicoptero tranportador de cocaina? O dono estava lá votando no golpe contra Dilma. Contra o Laércio existem provas, contas em Linchenstein entre outras. Contra Temer as “tretas” no porto de Santos por ex., contra Kunha (somos todos, lembra?) foi o MP suiço que descobriu as contas com milhões. Nenhum deles está sendo perseguido por isso.
a-Claro que o Lula roubou. Só não prenderam ainda.
b- Entendi. Na sua opinião Lula é mais inteligente que os outros. Cometeu crime, você tem certeza, só que não conseguem provar…
a- *sdruvs@5%&cobras&lagartos….não dá para conversar com petralha……………………
Esse debate é fictício. Qualquer semelhança com fatos reais é totalmente intencional. Algumas agressões, palavrões e falas preconceituosas foram suprimidas em respeito aos leitores.
Gabriel Moreno
12 de setembro de 2016 11:01 pm“Não há como enfrentar essa
“Não há como enfrentar essa enxurrada de minions produzida pela inteligência golpista se não agirmos coordenadamente no espaço virtual e no espaço real. Temos que desconstruir o discurso de ódio dos golpistas e desmascará-los em seu próprio ambiente, com inteligência, argumentação e uma insistência inquebrantável. Temos que invadir seus grupos e deixá-los inseguros, tornar públicas suas intenções antes que se concretizem e, sobretudo, desfazer seus “hoaxes” antes que produzam efeitos.”
Isso. Sugeriria mais duas frentes de ação. A primeira, é que os grupos progressistas e anti-golpe na internet organizem-se no sentido de essas orientações serem aplicadas e majoritárias. A “anarquia” da rede é uma mentira em parte, pois o ódio do campo oposto unifica. Não temos ódio mas temos consciência, que pode ser unificadora também. É importante que as ações sejam tomadas conjuntamente e que as orientações acima sejam disseminadas pelas diversas comunidades pela internet, chegando aos seus administradores.
Outra sugestão é um acréscimo a essa lista de ações. O que eu observo é que a direita chega nos ambientes virtuais provocando, seja nas suas próprias páginas, seja nas páginas progressistas. A energia dispendida com eles não tem fim, porque eles sempre vão rebater e vão ficar alongando a discussão sem qualquer motivo. Sugiro que se bata menos boca com eles e se reforce mais os laços entre os progressistas/antigolpistas, comentando e reforçando os posts de um e outro.
Um bom exemplo nesse sentido é a área de comentários daqui mesmo (Jornal GGN) e do Diário do Centro do Mundo. Nesses locais, a direita tem pouco espaço de atuação. E por que isso? É simples, o campo progressista ocupou o local com discurso qualificado e repercute uns aos outros. De vez em quando vem um troll da direita, mas ele é ignorado pela maioria e eles não conseguem se impor. Um contra-exemplo é o local de comentários do Brasil 247. Muitos trolls, alguns com postagens claramente fascistas, drenando toda a energia e o conteúdo. Todos rebatem e lhes dão audiência, sem necessariamente ocuparem o resto do espaço.
Isso precisa ser debatido seriamente e ser colocado em prática rapidamente. Em resumo: organização, coordenação, reforço mútuo entre pessoas de mesmo opinião, ocupação dos espaços, ignorar trolls, persistência e discurso anti-ódio. Não precisa jogar flores, mas manter o nível do debate e não cair na provocação. Se baixar o nível, estamos no território da direita. O que eles querem é esse clima de “vale-tudo” online, onde eles conseguem predomínio.
A exceção é se a ação contra trolls for coordenada e massificada. Se muita gente responder ao mesmo tempo, com argumentos, jogando o ódio deles contra eles próprios, a ação se quebra. A “escrotidão”, com o perdão do tempo, só consegue imperar no silêncio conivente. Um levantando a voz, com outros concordando, quebra o encanto. A escrotidão se volta contra o seu próprio agente, desmascara-o e desmoraliza-o.
arkx
13 de setembro de 2016 1:51 am2013: a esfinge que a Esquerda não quer entender
sim, é Junho de 2013 que ainda pulsa. mais do que isto: se trata da imensa dificuldade da Esquerda tradicional em compreender Junho de 2013.
e para chegar a compreendê-lo de nada adianta insistir na versão que Junho de 2013 foi apropriado pela Direita, quando foi a Esquerda quem sempre rejeitou aquilo que o movimento trouxe ao primeiro plano da política brasileira.
toda a análise da Esquerda tradicional carece de um elemento vital: seu formuladores jamais estiveram nas ruas nem em 2013, tampouco nas manifestações seguintes até a Copa de 2014.
e ainda além desta deficiência, acrescente-se que também não se debruçaram cuidadosamente no exame do inesgotável material gravado durante aquele período. e muito menos demonstram qualquer conhecimento acerca dos diversos documentos de análise produzidos pelos participantes.
outra enorme distorção presente na visão que a Esquerda tradicional formou sobre Junho de 2013 é que suas conclusões se constroem a partir da perspectiva da av. Paulista – onde na grande manifestação da noite após o recuo no reajuste das tarifas houve uma incisiva participação de grupos proto fascistas.
mas isto não ocorreu no restante do país. ao contrário, na mesma noite no Rio de Janeiro, uma gigantesca multidão ocupou literalmente toda a av. Pres. Vargas, num comparecimento maior do que o de SP, sem que se registrasse presença minimamente significativa de grupos de Direita.
esta manifestação de 20/06/2013 no Rio foi brutalmente reprimida pela PM na frente da prefeitura, no final da av. Pres. Vargas. ao sofrerem um bombardeio cerrado de balas de borracha, spary de pimenta e gás lacrimogêneo, seguido do ataque da cavalaria da PM, os manifestantes recuaram. grupos se reagruparam ao longo da avenida, e enfrentaram os policiais. assim surgem os adeptos da tática black bloc no Rio.
no vídeo abaixo, em 20/06/2013 na av. Pres. Vargas, Rio de Janeiro (cenas no vídeo a partir de 2’00’’), observe-se que, ao contrário da versão cunhada pela Esquerda tradicional, não se tratam de “meninos mimados da zona sul carioca”. em sua maioria são moradores das periferias e das “comunidades”.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=FTEoPHVTd9Y%5D
considere-se também as enormes manifestações no restante do país, com destaque para Fortaleza, com seguidos enfrentamentos com a polícia. vídeo abaixo com documentário sobre as manifestações em Fortaleza, um excelente material para se compreender a tensão dentro do próprio movimento entre o casal infernal: “pacifistas” x “radicais” .
[video:https://www.youtube.com/watch?v=KktR7Xvo09s%5D
em 18/06/2013, no vácuo aberto pela irrupção nas ruas, ocorre a primeira tentativa explícita de capturar as manifestações para impor uma pauta unificada a um movimento marcadamente horizontal e descentralizado.
é postado um vídeo do Grupo Anonymous Brasil reivindicando 5 causas: arquivamento da PEC 37/2011, a saída de Renan Calheiros da presidência do Congresso Nacional, investigação e punição de irregularidades nas obras da Copa, pela PF e MPF, criação de uma lei que trate casos de corrupção no Congresso como crimes hediondos, fim do foro privilegiado.
causas absolutamente incongruentes com o Anonymous, que apesar da pluralidade característica de coletivos não centralizados, converge para uma linha de ação direta e atuação não institucional. todas as “5 causas” apontando na direção contrária e com um sentido coerente com o defendido por setores do MP e da PF.
nem Anonymous e demais coletivos envolvidos com Junho de 2013, tampouco o Governo e o PT, se deram conta da óbvia manobra em curso.
Junho de 2013 nunca foi o problema. ao contrário, era parte da solução. até mesmo as “5 causas” não eram incompatíveis nem com Junho de 2013 e menos ainda com as exigências de aprofundamento da Democracia Brasileira. o problema está em negar a realidade e tentar inutilmente enquadrá-la em análises com data de validade há muito vencida;
vídeo “As 5 causas”:
[video:https://www.youtube.com/watch?v=v5iSn76I2xs%5D
as infiltrações nas manifestações pelos órgãos de segurança já ocorriam. vídeo abaixo com militar atuando no ataque dos manifestantes ao Palácio Itamaraty.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=ndUCBsSOVVU%5D
ainda no contexto de Junho de 2013, é impossível não considerar o mega vazamento efetuado por Edward Snowden, revelando como a NSA espionava a Petrobrás, grandes empresas brasileiras e a própria Dilma Roussef. frise-se também que o país preferido para asilo político por Snowden era o Brasil – evidentemente que o Brasil não oferece a menor condição de independência segurança para isto, o que demonstra o quanto a Esquerda tradicional ficou aquém de sua missão no governo.
quanto ao caso Snowden em 2013, é imprescindível assistir ao documentário “CitzenFour”.
vários coletivos produziram seus documentos de análise e autocrítica sobre Junho de 2013. alguns podem ser acessados em:
LUTANDO NO BRASIL – Sobre grandes mobilizações e o que fazer quando a fumaça se dissipa.
LUTANDO NO BRASIL – Parte II: RECIFE, SÃO ROQUE E RIO DE JANEIRO
para um visão do ponto de vista dos participantes das insurreições mundiais:
Aos Nossos Amigos
sem querer ter sido pretensioso, mas apenas na esperança de contribuir para o debate
atenciosamente
.
Roberto Monteiro
13 de setembro de 2016 6:08 pmEu tenho um conhecido que se arrependeu.
Desfilou no primeiro protesto aqui na minha cidade. Ainda hoje o lembro de tê-lo alertado sobre não participar, mas como gosta de modinha, foi. Bem feito. Agora viu no que deu.