Mesmo que hoje o Bolero Carioca seja dançado absorvendo uma quantidade maior de gêneros musicais, inicialmente caracterizou-se por ser dançado em músicas tradicionalmente conhecidas como Boleros de origem espanhola ou de países colonizados pela Espanha, como Cuba. Assim, o Bolero Carioca pode ser visto como o mais modificado e novo dos três estudados nesta pesquisa, tanto devido à prática em diferentes estilos musicais quanto à técnica propriamente dita. Talvez esta seja uma das razões que expliquem a quantidade restrita de fontes bibliográficas abordando esta dança.
Acosta (2003) registra que quando o bolero foi incluso no Brasil, inúmeros autores incursionaram por ele dando um inevitável sabor de bossa nova, citando compositores e intérpretes como Luisinho Rodrígues, Gilberto Gil, Roberto Carlos, Miltinho, Carlos Lyra, Vinicius de Moraes, Ivan Lins e Caetano Veloso.
Fonseca (2008) refere-se ao bolero dançado no Brasil, que denominamos “Bolero carioca”, como uma dança de origem cubana, afetiva, caracterizada por movimentos sensuais de aproximação e afastamento. As músicas são descritas como lentas e românticas e a dança composta de passos básicos com variação frontal, dançado deslizando os pés no chão para frente e para trás, passos caminhados e giros com deslizes, sendo possível rodar diversas vezes no salão. Refere-se ao compasso como quaternário, eventualmente binário, tocado em 24 compassos por minuto quando lenta e 44 compassos por minuto quando rápida. Considera a manutenção da postura e a importância de se marcar a pausa quando os pés estão entre o avanço para frente ou para traz como as características que chamam a atenção na dança.
Ruthes (2007) desenvolve, no Brasil, um trabalho exclusivamente sobre música para a dança de salão e considera que o Bolero Carioca é dançado em músicas de compasso quaternário. A autora diz que a batida forte está no primeiro tempo do compasso, o segundo tempo tem uma batida fraca, o terceiro uma batida meio forte e o quarto também fraca. A informação da autora sobre o compasso quaternário do bolero confere com os exemplos de partituras apresentadas por Huidobro (1997), onde o compasso 4/4 é definido para boleros tradicionais como “Besame mucho” (Consuelo Velasquez) e “Contigo” (Cláudio Estrada).
Quanto à técnica, Ruthes (2007), coloca que se dança com muita proximidade entre o par, como se fossem uma unidade. Reforça que há suavidade nos passos e giros, havendo caminhadas de mãos dadas como em um namoro. Sobre os passos, a autora descreve que há uma alternância entre rápido e lento, fazendo com que o dançarino sinta a batida mais forte a cada quatro pulsações rítmicas. Para a autora, o bolero sofreu modificações, acabando por ser diferente conforme as escolas que os ensinam, sendo que o modo mais conhecido de dançar é com passo frente e trás.
Relações entre boleros
Conforme Mingote (1950), o bolero foi uma dança espanhola de ritmo ternário, derivada das seguidillas, diferente dos Boleros Latinoamericano e Carioca (binários/quaternários). Acosta (2003) considera que seria um mistério como passou de ternário para binário concluindo que de fato isto nunca aconteceu.
Desta forma, entendemos que as músicas dos Boleros Primogênitos (ternários) não tinham relação com as músicas dos Boleros Latinoamericanos (binários), que por sua vez, são as mesmas que deram origem ao Bolero Carioca (quaternário).
Outras diferenças podem ser notadas claramente, uma delas é a questão geográfica. Enquanto os Boleros Primogênitos podem ter se expandido a partir da Espanha (com ou sem origem ou participação romana e árabe), o Bolero Latinoamericano disseminou-se nas Américas Central e do Sul a partir de localidades colonizadas principalmente por espanhóis, em especial Cuba. Já o Bolero Carioca surge no território brasileiro que não tem expressiva colonização de espanhóis ao se comparar com outros grupos colonizadores.
Apesar destas considerações, não se pode descartar definitivamente a existência de alguma plausível relação entre os três boleros aqui estudados.
http://www.efdeportes.com/efd159/o-bolero-e-sua-historia.htm
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