As recentes tensões entre Estados Unidos e Brasil, a disputa tecnológica e financeira em escala global e o avanço de novas potências econômicas são, para o cientista político Leonardo Avritzer, sinais de uma mudança profunda na ordem internacional.
Em entrevista ao Jornal GGN, o pesquisador afirma que o mundo vive um processo de transição no qual a hegemonia exercida pelos Estados Unidos desde o pós-guerra dá sinais claros de esgotamento.
Segundo Avritzer, as dificuldades enfrentadas por Washington para impor sua agenda em diferentes regiões do planeta, somadas ao fortalecimento econômico da China e ao surgimento de mecanismos alternativos de integração financeira, revelam um cenário cada vez mais multipolar.
Nesse contexto, o Brasil passa a ocupar uma posição estratégica, especialmente por iniciativas que ampliam sua autonomia tecnológica e financeira – e é nesse ponto que entra o Pix que, na visão do cientista político, representa mais do que uma inovação bancária bem-sucedida.
De acordo com Avritzer, o PIX simboliza a capacidade de países emergentes desenvolverem soluções próprias, reduzindo a dependência de estruturas financeiras historicamente vinculadas aos interesses norte-americanos.
“O Pix incomoda os Estados Unidos”, afirma o cientista político. Na avaliação dele, a ferramenta se insere em um movimento global de busca por alternativas aos sistemas tradicionais de pagamentos e transferências internacionais, em um momento em que diferentes países procuram ampliar sua soberania econômica.
Durante a conversa, Avritzer também analisa o papel do governo Donald Trump nesse processo de transformação global. Para ele, a atual política externa norte-americana reflete as dificuldades de uma potência que já não consegue exercer a mesma influência de décadas anteriores.
A entrevista aborda ainda temas centrais do debate nacional, como a recuperação da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os desdobramentos da polarização política, a força social do bolsonarismo e as perspectivas para a disputa eleitoral de 2026.
Assista à entrevista completa e confira a íntegra da análise de Leonardo Avritzer sobre as mudanças na ordem mundial e seus efeitos para o Brasil.
Veritas
9 de junho de 2026 7:24 amO fim do quarto império, o anglo saxônico, é também o fim dos impérios materialistas. Os impérios babilônico, persa, greco-romano e anglo saxão se caracterizavam por ter uma classe que dominava riquezas materiais, ouro, prata, bronze, produtos industrializados, bens financeiros e, assim, detinham os poderes político, econômico e social. O novo império que surge se caracteriza pelo domínio compartilhado de bens imateriais
Conhecimento científico, afeto, inteligência emocional, capacidade de realizar networks,criatividade, habilidades artísticas,intuitivas e capacidades espirituais passam a ser bens de destaque. Por isso, o quinto império é de um mundo multipolar, de relações colaborativas entre as pessoas e as nações, sem um domínio de uma nação ou grupo específico. As bigtechs,embora tenham grande acúmulo de dados, não possuem intuição, consciência e insights, e estão mais fragilizadas neste novo mundo. Quanto mais o Brics, instituições Governamentais, ONGs e Empresas se voltarem para atividades que promovam os bens acima, notadamente os avanços dos conhecimentos científico, psíquico-espirituais e atitudes colaborativas benéficas a todos, mais fortemente prosperarão.