Do O Globo
CNI revisa para baixo projeção para a expansão do PIB e da indústria
Para entidade, economia crescerá 3,2%, abaixo dos 4% previstos anteriormente; e a indústria, 2,6%, não mais 4,1%
RONALDO D’ERCOLE
SÃO PAULO – Depois de começar o ano com algum ânimo, as indústrias já começam a rever suas previsões para o desempenho da economia em 2013. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu sua estimativa de crescimento do PIB para 3,2% no ano, ante 4% da previsão anterior. A CNI rebaixou também sua projeção para o PIB industrial, que era de 4,1%, agora para 2,6%. Os dados constam do Informe Conjuntural Trimestral divulgado hoje pela entidade.
— Quando fizemos as projeções, no final de 2012, tínhamos dificuldade de entender o cenário econômico, então trabalhamos com duas possibilidades: um, de retomada mais rápida dos investimentos, e outro mais lento. Agora, constatamos que a expansão da formação bruta de capital (investimentos) não crescerá tanto — disse Flávio Castelo Branco, gerente executivo de política econômica da CNI, que rebaixou de 7% para 4% a expectativa de aumento dos investimentos este ano.
Na revisão dos números, portanto, acrescentou ele, a CNI não incorporou a queda de 2,5% na produção industrial em fevereiro, dado divulgado ontem pelo IBGE. Dado que não mudaria muito o novo cenário traçado pela entidade, que já contemplava um retração de 1,5% na produção no mês passado. A CNI espera um desempenho com altos e baixos, “em gangorra”, da indústria neste primeiro semestre, com um segundo mais “homogêneo” na trajetória de recuperação da atividade do setor.
A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) também sinalizou que pode rever suas expectativas para o ano. Tomando já os números ruins do setor em fevereiro, a entidade paulista considera que há sinais de “grandes dificuldades” para o Brasil alcançar os 3% de crescimento do PIB projetados no início deste ano.
— Iniciamos o ano prevendo crescimento da indústria de 2,5%, e do PIB de 3%. Com estes primeiros dados, já sabemos que o desempenho industrial será menor. Se não houver mudanças na política econômica, vamos enfrentar grandes dificuldades em 2013 — afirmou Paulo Skaf, presidente da Fiesp.
Júlio Gomes de Almeida, economista da Unicamp e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, considera a projeção de uma expansão de 2,6% para a indústria este ano ponderada, apesar da tendência “claudicante” para a atividade industrial no primeiro bimestre, que fechou com expansão de 1,1%.
— Como a indústria encolheu 2,5% em 2012, na verdade o que se espera é tão somente uma reposição daquela perda este ano —disse Gomes de Almeida, para completar: — Mas há uma desaceleração no setor agora, e quando isso acontece não se sabe onde vai parar.
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