4 de junho de 2026

AP 470 acabou com pecha para Justiça, afirma Sandra Cureau

Da Folha

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Para Cureau, mensalão acabou com pecha para a Justiça do país

DE SÃO PAULO

A subprocuradora-geral da República Sandra Cureau acha que os réus condenados do mensalão vão tentar protelar, de todas as formas, o resultado do julgamento. Para ela, o processo criminal foi importante, porque elimina a “pecha de que só se condena ladrão de galinha”.

(FV)

Folha – O MPF está isolado da sociedade?
Cureau – Eu não acho que esteja isolado nem distanciado da sociedade. Um estudo apurou que 85% das ações civis públicas são ajuizadas pelo Ministério Público. A sociedade brasileira confia no Ministério Público.

Acha que a PEC 37 vai passar?
Espero, sinceramente, que não. Isso seria um mal para o Brasil. Existem situações em que o Ministério Público precisa investigar. E vai haver investigações que não precisam ser dele. Acho que os poderes investigatórios do Ministério Público não podem se chocar com os da polícia; a gente tem que trabalhar em harmonia.

O julgamento do mensalão abrirá caminho para a contestação das provas? Há risco de que qualquer procurador abra processos com base na teoria do domínio do fato?
Eu não participei em nenhuma fase desse processo. Acredito que os réus condenados vão tentar de todas as formas protelar o trânsito em julgado dessa decisão. Até porque existe na esfera penal o instituto da prescrição e normalmente o réu, principalmente o réu economicamente bem aquinhoado, se vale disso. O STF é soberano no julgamento e, se ele julgou e entendeu que as provas eram suficientes, seria mostrar para a sociedade brasileira que o Brasil amadureceu. Que condena, sim, réus que tiveram cargos e funções importantes. É importante tirar essa pecha de que aqui só se condena ladrão de galinha.

A sra. acha que o Ministério Público é transparente?
Sim. Alguns mais que os outros. Pela evolução que o Brasil está vivendo, essa transparência vem sendo mais exigida. Onde não existe, vai ter que existir.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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