26 de junho de 2026

102 anos de Assis Valente

Atualizado às 10h28

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19.03 – Há 102 anos nascia Assis Valente!
(compositor com jeito de cronista e poeta popular brasileiro )

Do MPBnet

Assis Valente nasceu em 19 de março de 1911, em Santo Amaro, BA. Teve, desde criança, uma vida bastante conturbada. Até os 10 anos foi roubado dos pais, trabalhando em regime de semi-escravidão em casa de família e se tornado ajudante de farmácia. A família que o fez trabalhar também o fez estudar durante a noite – e Assis se tornou, aos dez anos, um discursista de primeira qualidade, além de declamador (adorava Guerra Junqueiro e Castro Alves).

Aos 10 anos foi trabalhar em um circo, como declamador e comediante – mas isso logo deixou Assis cansado. Foi para o Rio exercer a função de protético (suas dentadura ficaram famosas – Lamartine Babo costumava chamá-lo de “O Pivô do Samba”). Gozador, sua primeira música e sucesso é Tem Francesa no Morro, gravada por Araci Côrtes (Done muá si vu plé lonér de dancê aveque muá…).

Assis compunha sempre já pensando na pessoa que cantaria seu samba. Quando conheceu Carmem Miranda ficou boquiaberto com a cantora. Tentou se aproximar tendo aulas de violão com um homem que julgava ser o pai adotivo da cantora. Engano. Decidiu então compor um samba em exaltação à Bahia. Carmem gostou e gravou. Para o outro lado do disco, Assis compôs a famosa Good Bye, Boy.

O sucesso na voz de Carmem Miranda foi estrondoso, e Assis seguiu compondo para ela: Camisa Listada, Uva de Caminhão, Minha Embaixada Chegou, …E o Mundo não se Acabou. Uma produção grande e impecável. Quando Carmem foi para os EUA, Assis se sentiu abandonado – mas já era bastante procurado por outros cantores, que adoravam suas músicas.

Um dos preferidos de Carmen Miranda e gravado pela nata da música brasileira de sua época como Mário Reis, Araci de Almeida e Orlando Silva, ele compôs sambas, marchas carnavalescas e juninas e até músicas natalinas. Irreverente e original, vivia numa disparidade entre a alegria exaltada em suas músicas-crônicas, de um lado; e a carga trágica de sua vida pessoal, de outro. Assim era Assis Valente!

Quando soube que Carmem viria ao Brasil, Assis correu para compor duas músicas para ela: Recenseamento e Brasil Pandeiro. Carmem gravou a primeira e disse, sobre a segunda: “Assis, isso não presta. Você ficou borocoxô”. Isso magoou profundamente o compositor, por saber que a música era de boa qualidade – e por ver o sucesso que fez posteriormente nas vozes dos Anjos do Inferno.

E foi a tristeza que fez com que ele tentasse o suicídio duas vezes, morrendo finalmente na terceira tentativa. Eram 6:00 da tarde de 6 de março de 1958. (fonte: Carô Murgel/mpbnet)

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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