Um saco de gatos, por Izaías Almada
O crime bem organizado: é assim que se poderá definir o que vem acontecendo há anos no submundo da política brasileira.
Já não é segredo para ninguém minimamente esclarecido o fato de que o Brasil se tornou um saco de gatos e não estou me referindo aos queridos felinos, mas aos que praticam a gatunagem (furto, roubo) em suas mais diversas modalidades, seja na função de cargos públicos nos três poderes da república (executivo, legislativo e judiciário) ou na gestão de empresas privadas, no mundo financeiro em seus mais diversos negócios e – o que é tão ou mais chocante e só agora revelado – no mundo religioso. Seiscentos e tantos milhões de reais em dízimos? Quanto custará um exorcismo?
Como o sistema capitalista encontrou o caminho das pedras para sobreviver? No mundo digital, usando as “fake news” e a Inteligência Artificial para espalhar a mentira como fato verdadeiro…
Foi então criada a anarquia, a confusão e, sobretudo, o confronto com a democracia, onde o crime organizado juntou-se às instituições públicas e privadas, deixando a sociedade brasileira e seu atual governo em delicada situação para as eleições que se aproximam.
Senão vejamos: quantos estão envolvidos nos “negócios” do Banco Master? E agora, no Banco Digimais? Se os três poderes republicanos são independentes e autônomos, por qual razão estão se digladiando?
O governo anuncia diariamente a defesa da soberania do país, mas o indefectível Trump já faz ameaças contra a nossa soberania.
No meio de tanta confusão, o que será do Brasil se a extrema direita ganhar as eleições?
O que mais entristece é ver à nossa volta a luz do socialismo ir apagando uma a uma, desligada desde Washington que, com as recentes “eleições livres” da Colômbia e do Peru, ajudou ampliar o saco de gatos.
E agora, José? Estamos preparados para defender a nossa soberania?
“Aux armes, citoyens, Formez vos bataillons!”
Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.
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