A escalada militar no Oriente Médio ganhou um novo capítulo nesta semana, com o aumento das tensões no Iraque após ataques atribuídos aos Estados Unidos e à Arábia Saudita contra posições de grupos armados apoiados pelo Irã.
Além de elevar o risco de um conflito regional mais amplo, os episódios repercutiram imediatamente nos mercados internacionais, levando os preços do petróleo a subir quase 4% diante do temor de interrupções na oferta global de energia.
Segundo o site libanês Al Mayadeen, a crise teve início após bombardeios contra alvos ligados às Forças de Mobilização Popular (PMF, na sigla em inglês) em diversas províncias iraquianas, incluindo Karbala, Bagdá, Basra, Kirkuk, Diyala, Wasit e Nínive. Segundo o comando das PMF, os ataques deixaram ao menos 20 combatentes mortos e 32 feridos, além de danos a instalações militares.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) afirmou que realizou “ataques de precisão” contra grupos alinhados ao Irã, alegando que essas milícias eram responsáveis por ofensivas contra tropas norte-americanas e contra a infraestrutura petrolífera saudita. A Arábia Saudita confirmou participação na operação, afirmando ter atuado em coordenação com Washington.
Resistência Islâmica promete resposta
Em resposta aos bombardeios, a Resistência Islâmica no Iraque divulgou um comunicado classificando a operação como um “novo crime” cometido pelos Estados Unidos.
O grupo afirma que os ataques atingiram não apenas integrantes das Forças de Mobilização Popular, mas também um comboio que prestava assistência a peregrinos que visitavam o santuário do imã Hussein, em Karbala.
A organização também rejeitou as acusações de envolvimento em ataques contra instalações petrolíferas sauditas e voltou a acusar Riad de atuar em alinhamento com os interesses de Washington.
No comunicado, a Resistência Islâmica estabeleceu um prazo até 7 de agosto, correspondente ao 23º dia do mês islâmico de Safar, para que o governo iraquiano demonstre como pretende proteger a soberania do país após ter defendido anteriormente o desarmamento das milícias.
Segundo o grupo, qualquer resposta militar será adiada até o encerramento da peregrinação religiosa de Arbaeen, uma das maiores concentrações de fiéis do mundo islâmico. Depois disso, afirma, uma retaliação aos Estados Unidos será “inevitável” e poderá atingir interesses norte-americanos na Arábia Saudita.
Petróleo reage ao risco de expansão do conflito
O agravamento da crise também repercutiu no mercado internacional de energia. A Al Mayadeen, citando dados da Reuters, destaca que os contratos futuros do petróleo registraram forte alta diante da possibilidade de que os confrontos avancem para novas áreas produtoras ou comprometam rotas estratégicas de exportação no Golfo Pérsico.
O preço do barril do Brent avançou 3,9%, sendo negociado a US$ 87,39, enquanto o WTI subiu 3,8%, para US$ 82,31, por conta do aumento da percepção de risco após o Irã confirmar o lançamento de mísseis balísticos contra instalações militares norte-americanas na Jordânia, em resposta às ações dos Estados Unidos.
Além da escalada militar, o mercado recebeu suporte adicional com a divulgação de uma queda de aproximadamente 3,3 milhões de barris nos estoques de petróleo dos Estados Unidos, segundo dados do American Petroleum Institute (API).
Outro fator que contribuiu para a valorização foi a expectativa de que a OPEP+ suspenda, a partir de outubro, o aumento gradual da produção previsto anteriormente, limitando a expansão da oferta mundial.
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