Na semana passada, realizou-se no Rio de Janeiro, a 11ª Conferência e Exibição sobre alta tecnologia em agricultura, promovida pela publicação NewAgInternational, com sede na França.

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Não teve e, provavelmente, nunca terá a repercussão das São Paulo ou Rio Fashion Week. Pena. O que lá desfilou também deixaria o País mais bonito, produtivo e a custos muito mais baixos do que o tradicionalmente exposto.

Foram montados 46 stands de empresas e organizações nacionais e estrangeiras que desenvolvem e fornecem inovações tecnológicas para produção e manejo agrícolas.

É coisa séria. Do evento participaram cerca de 350 delegados de 38 países.

Irrigação, controle biológico de pragas e doenças, insumos especiais para nutrição vegetal de solo e foliar, nanotecnologia, maximização orgânica de herbicidas, fitormônios naturais contidos em algas marinhas, ácidos orgânicos para hidroponia, tratamentos de sementes.

Mais importante: o que lá se mostrou e discutiu pouco tinha a ver com os tratamentos convencionais, ligados a conglomerados que faturam ao redor de 200 bilhões de dólares por ano comercializando agroquímicos.

No Brasil, como na maioria dos países, as empresas fabricantes desses produtos ainda não têm o gigantismo das fornecedoras de nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K) para a nutrição vegetal, ou de agrotóxicos para sua defesa.

Até porque a complexidade dos processos industriais e componentes naturais ou orgânicos requerem menores recursos de capital e investimentos em ativos imobilizados. Também, as restrições regulatórias que lhes são impostas pelo governo brasileiro impedem sua livre comercialização e divulgação agressiva.

Ainda assim, e esta é a boa novidade, as tecnologias lá expostas mostram irreversível tendência de utilização de insumos para uma agricultura de baixo impacto ambiental.

Apesar da presença de técnicos da Embrapa e de outras organizações públicas e privadas, inclusive entre os palestrantes, nossas folhas e telas cotidianas pouca divulgação deram ao evento.

O mesmo não acontece quando os canhonaços mercadológicos das multinacionais miram o pensamento agrícola e massificam seu consumo.

Amanhã escrevo sobre algumas tecnologias a que fui apresentado num Rio de Janeiro em desabalada reconstrução.