4 de junho de 2026

A dificuldade na fiscalização de esquemas financeiros

Comentário ao post “Ministério da Fazenda classifica TelexFree como pirâmide

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Um exemplo de como é relativamente fácil, levar um “produto” para frente, aproveitando das clivagens existentes nos orgãos de controle:

Nos anos 90, consórcios de imóveis não existiam, e devido a legislação, os de automoveis e motos estavam suspensos por determinação do BACEN, para não ter que demitir todo mundo e fechar as representações autonomas pelo Brasil ( 300 a 400 vendedores ), elaboramos um “novo produto” dentro da estrutura da empresa – que era bem tradicional no mercado de consórcios, bastante respeitada -. Ela possuia uma construtora registrada, que nunca havia operado pesado, somente esporadicamente e intercorp – mas existia.

Formatamos um “produto”, semelhante a um consórcio de imóveis, e para “tirar” a empresa do esquema, foi montada outra, com os gerentes de venda como “donos”, que adquiriam da construtora os “projetos” de imóveis futuros (apartamentos e condominios para baixa/média renda – empreendimentos registrados, terrenos prórpios ou “locados” de terceiros), e botamos para vender, como cotas, que quando o adquirente chega-se a 50% do pagamento total (100 meses), ele teria direito ao empreendimento (as prestações não tinham juros, eram ajustadas por um indice da construção civil). Vendemos muito, foi um furor.

Quem fiscalizava? O BACEN falou que não era com ele, a Receita disse que não tinha nada a ver com isto, o MinFazenda enviou para o CRECI e de volta para o BACEN, disse que não se tratava de poupança prévia, apenas que cada empreendimento era uma “cooperativa” – e tivemos que falar, acreditem, com o Min da Agricultura !!!!!. Quanto aos orgãos estaduais, PROCON e MPE, tinhamos ótimos advogados, e a Policia (Federal e Estadual), nem comento – vcs. são espertos, nem vão me perguntar.

Claro que estourou, demorou uns dois anos, mas virou pó, posteriormente, após uns 10 anos (é verdade, nossa justiça é lerda), estes passivos foram englobados na falencia (2008), da empresa-lider – ninguem recebeu de volta p. nenhuma.

Tenho muitas histórias sobre esquemas: Poup-Ouro, Boi Gordo etc., até um do Opportunity (compra parcelada).

Será que vou para o Inferno ?

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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