4 de junho de 2026

Existe otimismo, apesar do PIB

De O Globo

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Um sopro de otimismo

Autor(es): Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira

O Globo – 28/02/2013 

As estatísticas econômicas nem sempre dão conta de tudo o que aconteceu ao longo de um ano. Ao contrário do que faz supor o tímido avanço do PIB brasileiro, 2012 não foi um ano perdido. Uma ruptura importante tem tudo para tomar corpo ao longo de 2013, a partir da sequência de medidas anunciadas nos últimos meses pela presidente Dilma Rousseff em prol da competitividade, que têm como objetivo desfazer os entraves na infraestrutura.

É certo que o governo ainda precisa deslanchar uma extensa agenda de regulamentações e licitações para permitir que os projetos saiam do papel. Mas não se pode deixar de constatar, pelas expectativas desenhadas e pelo que foi anunciado, um norte alentador – e um forte golpe no “custo Brasil”.

No setor elétrico, após extensa negociação com as empresas do setor, conseguiu-se assegurar uma redução média de 20% na conta de luz.

A decisão de ampliar o regime de concessões em rodovias e ferrovias, com investimentos previstos de R$ 133 bilhões em 30 anos, ajudará a reduzir o custo logístico do Brasil, que hoje representa 10,6% do PIB e é 38% superior ao patamar americano.

O pacote para o setor portuário, que acena com aporte total de R$ 60 bilhões, avançou ao determinar o planejamento do setor, os investimentos em terminais, a flexibilização da praticagem e a integração dos órgãos anuentes portuários, entre outras medidas.

Os planos para a aviação alimentam as expectativas de fortalecimento do vetor de crescimento econômico em direção ao interior do país, ao prever investimentos da ordem de R$ 7 bilhões na melhoria de 270 aeroportos regionais. Além disso, apontam claramente a continuidade do processo de concessão dos principais terminais do país, como forma de assegurar a ampliação da capacidade de movimentação de passageiros e cargas. Galeão, no Rio de Janeiro, e Confins, em Belo Horizonte, serão os próximos a serem concedidos ao setor privado, com investimentos previstos de, respectivamente, R$ 6,6 bilhões e R$ 4,8 bilhões.

Os pacotes voltados para a logística têm o mérito adicional de trazer a iniciativa privada ao centro da cena. Trata-se do único caminho capaz de garantir a reposição da competitividade corroída após anos de baixo investimento no setor. Com regras claras e sólidas, além de remuneração compatível, investidores não se furtarão a assumir a empreitada, dividindo com o governo a responsabilidade pela alocação de recursos da forma mais eficiente possível.

Apesar do ceticismo de alguns, há razões para encarar com otimismo as perspectivas que se abrem.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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